sexta, 21 janeiro 2022
quinta, 14 maio 2015 19:17

A Cor das Palavras

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Às vezes dou por mim a pensar em assuntos completamente metafísicos, transcendentes até. Há dias, em conversa com um amigo surgiu o termo “… temos que dar cor às palavras!”. Esta frase fez-me questionar precisamente o seu conteúdo, será que as palavras têm cor? Aparentemente sim, nem que sejam aquelas que pronunciam a própria cor.
 
Quando falo em cor o meu pensamento, quase de imediato, me transporta para as minhas aulas de Educação Visual onde ensino os meus alunos qual o seu significado ou a sua percepção, no fundo a sua teoria e prática com as cores primárias, secundárias, as misturas aditivas e subtrativas, as quentes, as frias, contrastantes ou complementares, mas também as suas três dimensões, a tonalidade, o brilho e a saturação ou mesmo o seu valor expressivo. E é aqui que, de certa forma, pode entrar a psicologia da cor, a cor associada a sentimentos, a locais, a símbolos e sinais, a formas, a sabores, odores, a texturas, a palavras. Sim, a palavras! Afinal as palavras têm cor!
 

Quando dizemos que temos que dar cor às palavras, esquecemo-nos de que elas já têm essas percepções visuais, ainda que as mesmas possam variar culturalmente na sua simbologia.
Por aqui as palavras podem ter uma cor NEGRA de solidão, de tristeza, de temor, de escuridão, de morte… podem ter cor BRANCA de pureza, leveza, equilíbrio, paz, luz e harmonia… serão certamente AMARELAS de alegria, de Verão, sol, optimismo, animação, atenção… poderão ser VERMELHAS de raiva, de sangue, de pecado, de paixão, de energia, de desejo, de amor, de liberdade… podem ser ROSADAS de vergonha, romance, ingenuidade e fantasia… serão COR DE LARANJA de sucesso, entusiasmo, calor e criatividade… são com certeza AZUIS de serenidade, tranquilidade e frescura e VERDES de esperança, saúde e estabilidade. 
Para além das cores dos sinais de trânsito, por exemplo, as cores clubísticas naturalmente têm também a sua importância e é impossível dissociar entre nós a palavra BENFICA da cor encarnada, a palavra SPORTING da cor verde ou a palavra PORTO da cor azul.
 
No entanto as palavras são de todas as cores, o amor e a paixão para além de poderem ser vermelhos, também serão azuis, lilás, ocres, cinzas e esverdeados… inclusivamente o branco pode ser preto e o preto também pode ser branco.
 
Uma vez que a nossa mente é plena de liberdade podemos sempre tentar ouvir as cores e sentir as palavras. Aliás, esta sinestesia reveste-se, sem dúvida, de um interesse particular uma vez que é sempre possível, por exemplo, ouvir a cor das ondas do mar e, naturalmente, está mais do que provado que se conseguem sentir as palavras.
 
Mas na altura em que proferimos o termo “… temos que dar cor às palavras!”, fizemo-lo com um outro intuito, acreditando que TODOS SOMOS MAIS DO QUE JULGAMOS SER… e mesmo vendo ou não a cor do dinheiro… sentindo ou não o sabor do vinho na sua cor… descobrindo ou não a cor do burro quando foge… degustando ou não o paladar consoante a cor… o nosso intuito foi no sentido de dar cor à vida, de lhe dar um novo rumo, um rumo positivo, de afastar pensamentos e acções negativas, de viver uma vida plena de personalidade, de consciência, honestidade, conhecimento, humildade, plena de linguagens sonoras, de linguagens sem som, de linguagens universais, de verdade, prazer, partilha… viver uma vida repleta de amor, de sonhos, de alegria, de sorrisos, de cidadania, de esperança, amizade e responsabilidade, de aprendizagem, diversão e… de risos … de muitos risos.
 
UTOPIA? TALVEZ NÃO… BASTA DAR COR ÀS PALAVRAS!
 
* Luís Parente - Professor
 
 
Modificado em quinta, 14 maio 2015 19:49

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