domingo, 25 setembro 2022

Na manhã desta terça-feira, dia 20 de Setembro, Ardina do Alentejo publicou uma entrevista com Joaquim Guerra, funcionário da Escola Básica Sebastião da Gama, em Estremoz, entrevista essa que pode ler aqui.
 
Sónia Caldeira, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, e responsável pelo Pelouro da Educação no Município estremocense, contactou, via e-mail, o Ardina do Alentejo sobre a entrevista em causa, esclarecendo que recebeu Joaquim Guerra, no seu gabinete, tendo ouvido “as suas preocupações e lamentações”.
 
A autarca referiu que “ o Sr. Guerra estava bastante nervoso pelo que tentei acalmá-lo e explicar que a gestão do pessoal não docente não é da competência da Câmara, mas sim do Director do Agrupamento”, conforme o Despacho nº 181/2022 do Município de Estremoz, “Delegação de Competências no Director do Agrupamento de Escolas de Estremoz, no âmbito da gestão e direcção dos recursos humanos afectos ao estabelecimento de educação”, assinado pelo Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, a 18 de Julho de 2022, que delega “no Senhor Director do Agrupamento de Escolas de Estremoz, as competências abaixo enunciadas: g) Decidir em matéria de organização e horário de trabalho, nos termos legalmente fixados; h) Gerir com rigor e eficiência, afectando, atribuindo as respectivas funções e distribuindo o serviço”.
 
Sónia Caldeira acrescenta que “ainda assim, prometi-lhe que iria falar com o Sr. Director e logo que possível dar-lhe conhecimento do conteúdo da conversa. Nesse mesmo dia, falei com o Sr. Director e dei conhecimento ao Sr. Guerra”.
 
A Vice-Presidente da autarquia estremocense salienta que “no dia seguinte” enviou um e-mail ao Director do Agrupamento de Escolas de Estremoz, José João Espadinha, pedindo-lhe para “reconsiderar a sua decisão”.
 
Sónia Caldeira termina a sua missiva frisando não poder “aceitar que seja dito que a Câmara não fez nada”.
 
No e-mail enviado pela Vice-Presidente da Câmara Municipal de Estremoz ao Director do Agrupamento de Escolas de Estremoz, e ao qual Ardina do Alentejo teve acesso, Sónia Caldeira reforça o contacto telefónico anterior relativamente ao funcionário Joaquim Guerra e pede a José João Espadinha que “reconsidere a decisão tomada de retirar o funcionário da portaria da escola”. A autarca acrescenta que “a comunidade educativa está habituada à sua presença e tendo em conta o seu currículo, a nível de segurança, parece-me ser a pessoa indicada para lidar com situações menos agradáveis de tentativas de acessos proibidos à escola”.
 
A missiva de Sónia Caldeira a José João Espadinha termina referindo que “este mail não tem qualquer carácter persuasivo” e que a decisão do Director do Agrupamento de Escolas de Estremoz “será respeitada”, não podendo a Vice-Presidente da autarquia de Estremoz “deixar de manifestar” a sua opinião “e também preocupação com a segurança e bom funcionamento da portaria da escola”. 
Modificado em terça, 20 setembro 2022 17:13

Em Estremoz, obter resposta às perguntas “Onde mora o Joaquim Guerra?” ou “Onde posso encontrar o Joaquim Guerra?” poderá não ser tarefa fácil. Mas se as perguntas forem “Onde mora o Kinel?” ou “Onde posso encontrar o Kinel?”, a tarefa está muito mais facilitada.
 
“Kinel” é sobejamente conhecido na cidade e nos concelhos limítrofes, muito por culpa da sua actividade de porteiro, quer nas já extintas discotecas “Tró-Laró” e “Subsolo” ou a servir casamentos e baptizados, mas sobretudo enquanto funcionário na Escola Sebastião da Gama, em Estremoz, onde começou a trabalhar em 1980.
 
Joaquim Guerra está, após 42 anos enquanto funcionário do também conhecido como Ciclo, a viver um momento profissional complicado. Após 37 anos enquanto porteiro do estabelecimento de ensino estremocense, o funcionário foi agora, e numa decisão que o mesmo não compreende, transferido para outra ala da Sebastião da Gama, não tendo obtido por parte da direcção da escola qualquer justificação para essa transferência.
 
Em declarações ao Ardina do Alentejo, Joaquim Guerra revela que, antes do ano lectivo 2022/2023 se iniciar, foi questionado por um elemento da direcção da escola sobre qual o local onde “estava a pensar ficar” a desempenhar funções este ano. Perante a questão, Joaquim Guerra referiu estar a pensar ficar “onde estou há 37 anos, até porque sempre obtive «Muito Bom» de classificação”. “Kinel” frisou à nossa reportagem que lhe foi dito que teria de trabalhar no portão com uma colega, tal como já acontecera anteriormente. Não se opondo, Joaquim Guerra disse ao elemento da Direcção que “apenas não trabalho” com uma colega com a qual não fala há já dois anos.
 

O funcionário da Sebastião da Gama salientou ainda que “tive louvores da Escola Segura, toda a gente de fora me tem dado louvores e agradecido o que fiz pelos seus filhos, que foram aos milhares os que entraram comigo ao portão, nunca houve problema nenhum comigo, lidei com várias raças e etnias, tentei sempre resolver os problemas, alguns melhor que a Direcção e outros até a pedido da Direcção, e agora sou o pior do Mundo”.

Dois dias volvidos, e numa reunião onde estavam os cerca de 50 funcionários da Sebastião da Gama, Joaquim Guerra foi informado, pela direcção, que este ano não ficaria no portão da escola. Incrédulo, “Kinel” perguntou qual a razão para esta transferência e a mesma não lhe foi dada. Ainda durante a reunião, depois de referir que não concordava com a decisão, e “perante o olhar dos meus colegas, que não estavam a acreditar no que estava a acontecer e que nem sequer estavam à espera”, Joaquim Guerra disse “vou limpar a minha imagem e o meu profissionalismo”.
 
Joaquim Guerra frisou ao Ardina do Alentejo que “quero e vou limpar a minha imagem. O que é que as pessoas vão dizer? Que estou pior da doença que tive? Que eu morri? Que apalpei uma miúda? Que fiz alguma coisa errada? Ao fim de 37 anos ao portão e sou destituído? As pessoas podem pensar tudo!”.
 
O funcionário da Sebastião da Gama salientou ainda que “tive louvores da Escola Segura, toda a gente de fora me tem dado louvores e agradecido o que fiz pelos seus filhos, que foram aos milhares os que entraram comigo ao portão, nunca houve problema nenhum comigo, lidei com várias raças e etnias, tentei sempre resolver os problemas, alguns melhor que a Direcção e outros até a pedido da Direcção, e agora sou o pior do Mundo”.
 
Devido à transferência de competências do Estado para as autarquias locais, em matéria de educação, foi dito a Joaquim Guerra que a Câmara Municipal de Estremoz pode ter alguma palavra a dizer sobre este assunto.
 
Em conversa com a Vice-Presidente da autarquia estremocense, Sónia Caldeira, e num momento em que “a ficha caiu” e onde não “contive as lágrimas”, Joaquim Guerra desabafou e tentou perceber o que é que se tinha passado. Depois desta conversa, “Kinel” ficou à aguardar que Sónia Caldeira falasse com o Director da Sebastião da Gama, José João Espadinha, e que houvesse alguma alteração à decisão anteriormente tomada. Mas até ao dia de hoje está tudo na mesma.
 
Joaquim Guerra chegou mesmo a afirmar à nossa equipa de reportagem que “esta notícia que recebi agora afectou-me mais emocionalmente, e fiquei mais em choque, que a notícia que me deram, em Lisboa, de que eu tinha um cancro e que não sabiam se iria sobreviver à operação que fiz há quatro anos atrás”. De recordar que em 2018, foi diagnosticado a Joaquim Guerra um cancro maligno na língua. Depois de uma delicada operação e de várias sessões de radioterapia, “Kinel” venceu a batalha e o cancro, ficando apenas com algumas dificuldades na fala, dificuldades essas, que como o próprio referiu, “já foram muito mais notórias”.
 

Joaquim Guerra termina a conversa com o Ardina do Alentejo salientando que “durante a reunião entre a direcção e os meus colegas, foi dito pela direcção que «queremos que as pessoas estejam nos lugares certos e onde se sintam felizes»… E eu não estou feliz!

 
Actualmente os lugares dos funcionários já foram distribuídos, e Joaquim Guerra encontra-se “sentado numa secretária, lá ao fundo, virado para uma parede e sem fazer nada”.
 
“Kinel” não encontra qualquer justificação para este desfecho. “Não sei se é uma decisão política, mas eu nunca fui político, não sei se é qualquer coisa pessoal, não sei se é má fé, mas há ali um interesse qualquer…” acrescenta. “Não têm um único argumento para me fazerem isto” sublinha. “Na reunião foi salientado que este ano temos de ter mais atenção, mais segurança ao portão porque vamos ter mais miúdos de etnia e acabam por retirar a pessoa mais qualificada e mais experiente para estar naquele posto”, afirma.
 
Devido aos problemas de saúde que teve, e derivado da retirada de parte da língua que sofreu, Joaquim Guerra tem de comer de duas em duas horas e comidas passadas. “E agora meteram-me num horário das 08 às 14 horas e das 15:30 às 18 horas” frisa.
 
Joaquim Guerra está prestes a cumprir 63 anos de idade, estando a pouco mais de três anos de atingir a idade da reforma. E está a viver “a pior fase profissional da minha vida!”. “Kinel” assegura ter tido durante estes últimos tempos “a solidariedade dos meus colegas” e de “várias pessoas, incluindo professores e pais de alunos”. Joaquim Guerra termina a conversa com o Ardina do Alentejo salientando que “durante a reunião entre a direcção e os meus colegas, foi dito pela direcção que «queremos que as pessoas estejam nos lugares certos e onde se sintam felizes»… E eu não estou feliz!”.
Modificado em terça, 20 setembro 2022 00:05

Desde finais do mês de Junho, que o famoso actor e humorista Rowan Atkinson, sobejamente conhecido por vestir a pele de Mr. Bean, protagoniza a nova série de comédia da Netflix.
 
Em "Homem Vs. Abelha", o actor britânico veste a pele de Trevor, um pai de família amável e trapalhão que acaba de conseguir um novo emprego, e o seu primeiro destacamento é tomar conta de uma mansão de luxo repleta de obras de arte inestimáveis, carros clássicos e uma cadela adorável.
 
E nos adereços desta nova produção da plataforma de streaming, podemos encontrar uma lata do muito estremocense Azeite Extra Virgem Saloio.
 
Ardina do Alentejo esteve à conversa com Manuel Norte Santo, um dos responsáveis pelo Departamento de Exportação da Estabelecimentos Manuel da Silva Torrado & CA. (Irmãos), SA e da SICA - Sociedade Industrial e Comercial de Azeites, Lda, empresas responsáveis pela produção e comercialização do Saloio, o azeite com alma portuguesa, fruto de azeitonas seleccionadas, caracterizado pelo seu aroma fresco e equilíbrio perfeito entre o doce e o amargo.
 
Nesta breve entrevista quisemos saber como é que a lata do Azeite Saloio aparece na série “Homem Vs. Abelha”, de quão orgulhosa está a empresa produtora com esse facto e de que modo o Azeite Saloio ainda goza de grande popularidade nos quatro cantos do mundo.
 
Ardina do Alentejo – Como é que a embalagem do Azeite Saloio surge como adereço desta série? Tiveram algum contacto da produtora ou foi um acaso?
Manuel Norte Santo (MNS) – Na realidade foi um acaso. Não recebemos qualquer contacto por parte da produção, e nem da nossa parte houve qualquer contacto para que a nossa marca fosse promovida. Acabámos por saber desta agradável surpresa através de amigos e clientes. Contudo, já não é a primeira vez que tal acontece. O nosso azeite, e especialmente a nossa lata, já foi utilizada como adereço em algumas grandes produções televisivas e cinematográficas, tais como na série “Os Sopranos”, na série ”You”, também da Netflix, e na mais recente versão do filme “A Canção de Lisboa”, entre outras.
Neste caso, a produção da série foi feita no Reino Unido, e a nossa marca está presente numa rede de lojas internacionais nessa região, sendo que acreditamos que foi aí que a produção teve acesso ao nosso azeite.
 

Neste momento estamos presentes nos quatro cantos do mundo, em mais de 20 países, sendo assim possível encontrar o nosso azeite na mesa dos mais diversos consumidores ou até mesmo no armário do Mr. Bean.

Ardina do Alentejo – É sem dúvida um motivo de orgulho…
Manuel Norte Santo (MNS) – É sem dúvida um motivo de orgulho. Sabemos do quão criteriosas e rigorosas são as produções deste tipo de projectos, pelo que vermos o nosso produto a ter este destaque, reflecte a particularidade e excelência da nossa imagem. Sempre nos orgulhámos da autenticidade, longevidade e tradicionalismo do nosso azeite e acreditamos que as presenças nestes projectos de grande dimensão comprovam essas mesmas características.
 
Ardina do Alentejo – Esta “aparição” em tão prestigiada série é o comprovar de que o Azeite Saloio continua a gozar de grande popularidade além fronteiras…
Manuel Norte Santo (MNS) – Absolutamente. O Azeite Saloio sempre foi uma marca com grande notoriedade nos mercados internacionais. Pela qualidade do nosso azeite e pela portugalidade da nossa imagem, o Azeite Saloio foi um dos produtos escolhidos pelos nossos emigrantes aquando dos grandes fluxos migratórios para os EUA e Canadá, tornando a nossa lata num dos símbolos de Portugal para essas comunidades. Esses movimentos ajudaram-nos a implementar a nossa marca e a crescer além-fronteiras. 
Neste momento estamos presentes nos quatro cantos do mundo, em mais de 20 países, sendo assim possível encontrar o nosso azeite na mesa dos mais diversos consumidores ou até mesmo no armário do Mr. Bean.
Modificado em quarta, 10 agosto 2022 00:43

Tem como grandes ídolos no mundo da música Martin Garrix e a dupla nacional Karetus. Dos muitos sítios onde já actuou, elege como aqueles onde lhe deu mais prazer tocar os palcos da FIAPE e de Marina d’Or. Tem como grande sonho alcançar os maiores palcos de Portugal e depois, quem sabe, do Mundo.
 
Para já vai “conduzir” a sua “NAVE” até à Zambujeira do Mar, onde no próximo domingo, dia 31 de Julho, promete animar todos os presentes e transformar essa noite de um dos mais importantes festivais do país numa “noite épica”.
 
André Gaspar, de apenas 19 anos, é um jovem DJ, natural e residente em Sousel, que já dá cartas no mundo da música e de quem se espera ainda vir a ouvir falar muito. O grande responsável por André andar nestas andanças da música é o tio, que aos seis anos lhe ofereceu uma mesa de som. Agora, volvidos 13 anos, vai entrar na cabine do Palco Super Bock (Campismo), em pleno MEO Sudoeste, na noite denominada “Ravers Night”, num espaço cuja curadoria pertence aos Karetus.
 
Numa breve entrevista ao Ardina do Alentejo, o jovem DJ falou da sua paixão pela música e de como tudo começou, de como surgiu este convite para marcar presença no MEO Sudoeste, das expectativas com que vai até à Costa Alentejana, e claro, do futuro.
 

Estou bastante nervoso, mas sei que quando subir ao palco esse nervosismo vai passar e vou estar a vibrar com o pessoal

 
Ardina do Alentejo – Como e quando é que começou esta tua paixão pela música, esta tua paixão por comandares a NAVE?
André Gaspar (AG) – A minha paixão pela música começou muito cedo. Quando tinha seis anos o meu tio ofereceu-me uma mesa de som e daí para a frente o meu gosto pela música foi crescendo.
Em relação à NAVE, é o meu mais recente projeto, que consiste em criar e deixar uma marca própria para as pessoas que me vêem. O conceito da NAVE nada mais é que uma estrutura com barras leds, que quando acesas fazem-nos lembrar outra dimensão, daí o nome NAVE.
 
Ardina do Alentejo – Como é que surgiu este convite para estares no MEO Sudoeste?
AG – O convite surgiu por parte do Carlos Silva, um dos membros dos Karetus.
 
Ardina do Alentejo – Com que expectativas vais para o MEO Sudoeste? Nervoso?
AG – As minhas expectativas é que vai ser uma noite épica. Estou bastante nervoso, mas sei que quando subir ao palco esse nervosismo vai passar e vou estar a vibrar com o pessoal.
 
Ardina do Alentejo – O Palco Super Bock (Campismo) já está garantido… Agora é trabalhar até chegares ao palco principal?
AG – Claro, sem dúvida, é para isso que estamos a trabalhar. Com calma e muita dedicação tudo se alcança… e aqui está a prova.
 
Ardina do Alentejo – E o futuro? Música ou estudos?
AG – Eu quero seguir a parte da música, mas nunca esquecendo os estudos.
 
Ardina do Alentejo – Que mensagem deixas a quem for ler esta entrevista?
AG – Quero convidar todos a estarem lá, no Palco Super Bock, no Campismo do MEO Sudoeste, para irem até Marte, na NAVE.
 
 
Modificado em quinta, 28 julho 2022 10:37

Na tarde do passado sábado, a equipa de juniores do Clube Futebol de Estremoz sagrou-se Campeã Distrital de futebol, depois de ter empatado a duas bolas no Campo João Figueiredo, em Vila Viçosa, diante da formação local, o Calipolense.
 
Com este empate, os comandados de Hélder Aldeagas terminaram o Campeonato Distrital de Juniores da Associação de Futebol de Évora na 1ª posição, com 52 pontos, sendo a equipa com melhor ataque da competição, com 85 golos apontados, e a defesa menos batida, tendo consentido apenas 19 tentos.
 
Com a conquista deste título, os juniores do CF Estremoz colocaram um ponto final num período de 26 anos sem qualquer título do clube encarnado e negro nos escalões de formação.
 
Depois de ter sido o último treinador da equipa sénior do CF Estremoz, Hélder Aldeagas aceitou o convite para liderar a equipa de juniores do clube estremocense, tendo conduzido esta “nau a bom porto”. O convite que recebeu, o intenso campeonato distrital, os seus jogadores, as dificuldades encontradas, e o futuro, foram alguns dos temas abordados nesta breve conversa com o Ardina do Alentejo.
 
Ardina do Alentejo – Quando foste convidado para assumir o cargo de técnico principal da equipa de Juniores do CF Estremoz, sabias que o desfecho podia ser este, o de serem Campeões Distritais? Já tinhas essa percepção?
Hélder Aldeagas (HA)  Este convite surge na altura em que começa a despontar o Covid. Nessa altura, o plantel dos juniores era constituído também por outros atletas, mas a grande maioria já eram estes que agora se sagraram campeões. Já nessa altura, e após ter assistido a um jogo da equipa, ainda no escalão de juvenis, eu disse, mesmo não conhecendo as outras equipas: “Na minha opinião, têm todas as condições para poderem vir a ser campeões. Está aqui uma equipa recheada de diamantes para lapidar”, frase que me tinha sido endereçada por um colega e grande amigo, que já tinha tido o privilégio de trabalhar com eles.
 

É uma equipa recheada de valores, muito equilibrada. Na minha opinião, alguns deveriam estar em patamares com outra dimensão, mas a nossa realidade, vivendo no interior, por vezes pode dificultar uma possível ascensão na carreira futebolística de alguns destes jovens.

 
Ardina do Alentejo – Esta equipa tem muitos e bons talentos…
HA – É uma equipa recheada de valores, muito equilibrada. Valores onde, na minha opinião, alguns deveriam estar em patamares com outra dimensão, mas a nossa realidade, vivendo no interior, por vezes pode dificultar uma possível ascensão na carreira futebolística de alguns destes jovens. Muito embora as coisas tivessem melhorado, ainda não foi o suficiente. Continua-se a depender muito da disponibilidade dos pais, e são poucos aqueles que conseguem tempo e disponibilidade financeira para ajudar os filhos a alimentar os seus sonhos neste mundo.
 
Ardina do Alentejo – 26 anos depois, o CFE volta a conquistar um título de Campeão Distrital na formação… Quais foram as grandes dificuldades que encontraste até chegares a este título?
HA – As dificuldades foram imensas, mas não acho conveniente estar agora aqui a enumerar… pertencem ao passado. Aquilo que se pretendia foi conseguido. Agora é olhar para o trajecto percorrido e encontrar as respostas para melhorar, até porque aquilo para onde a equipa de juniores do Clube Futebol de Estremoz vai é bastante exigente.
Mas permite-me que te diga que foram todas essas dificuldades que fizeram com que esta conquista tivesse um sabor ainda mais especial, ao ponto de se tornar extremamente delicioso. Nós, desde o início, criámos um slogan, que sempre que havia uma daquelas dificuldades que parecia deitar tudo a perder, agarrávamos a essa frase e, era essa frase que nos dava força, motivação e confiança para continuar a trabalhar e a acreditar que era possível: SE FOSSE FÁCIL, NÃO ERA PARA NÓS!
 

Posso adiantar que já tive conhecimento por parte de elementos da secção e do Município de Estremoz, que a ida da equipa júnior aos nacionais é uma realidade.

 
Ardina do Alentejo – E o futuro? O que é que vai acontecer a estes jovens? A participação no Nacional ou a integração na equipa sénior do CFE? Já houve conversas sobre isso?
HA – Em relação ao futuro destes jovens, ainda não te consigo dizer nada em concreto. São questões para as quais as pessoas responsáveis têm que se sentar, debater e analisar pormenorizadamente como fazer para salvaguardar, em primeiro lugar, a conquista destes jovens, e claro, os interesses do clube. Posso adiantar que já tive conhecimento da parte de elementos da secção e do Município de Estremoz, que a ida da equipa júnior aos nacionais é uma realidade. Em relação a avançar com a equipa sénior, também parece estar nos seus horizontes.
 
Ardina do Alentejo – Certamente que há agradecimentos a fazer… O sucesso não é sempre de um homem só…
HA – Claro que sim. Em primeiro lugar, aqueles que foram os meus dois pilares: a minha esposa e a minha filha, pois foram as pessoas que mais sofreram e me apoiaram nesta batalha.
Depois, aquele que fez das tripas coração, aquele que se multiplicou, aquele que se superou, aquele que sempre acreditou que isto era possível: Jorge Fonseca.
Depois, aquelas duas pessoas que com grandes dificuldades, por motivos profissionais e familiares, nunca deixaram de estar ao meu lado, sacrificando por vezes os seus e a vida profissional: Bernardo Candeias e Nuno Coelho.
As outras duas pessoas da secção que, mesmo não sendo de uma forma directa, porque tinham também as suas equipas, sempre que foi necessário disseram presente: Gonçalo Calquinhas e Ernesto Pardal.
A todos os pais que se dispuseram a prestar o seu contributo e apoio sempre que necessário. Não vou citar nomes porque as pessoas em questão sabem precisamente a quem me refiro. O meu muito obrigado, de coração… Ao Município de Estremoz, pela disponibilidade no apoio que demonstrou naquelas que foram as necessidades da equipa… Ao nosso roupeiro… A todas as empresas e particulares que contribuíram com patrocínios… Aos sócios e simpatizantes no apoio e motivação dado, em especial à pequena claque que sempre nos acompanhou, liderada pela nº. 1…
Por último, aqueles que foram os principais obreiros desta conquista: os nossos atletas. Pela entrega, empenho e dedicação que colocaram a esta causa, mostrando logo desde o início que estavam ali para ser campeões, responsabilizando-se, sacrificando-se e trabalhando arduamente na procura do objectivo que viriam a alcançar.
Modificado em quinta, 19 maio 2022 11:49

O centenário Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, recebeu na noite da passada quarta-feira, dia 20 de Abril, a gravação do programa “Terra Nossa”, programa de sucesso emitido pela SIC e conduzido pelo actor e humorista César Mourão.
 
A mais emblemática sala de espectáculos do concelho de Estremoz esgotou a sua lotação, tendo a procura de ingressos suplantado, em larga escala, a oferta de bilhetes. 
 
Durante vários dias, a equipa de produção do programa da estação de Paço de Arcos, marcou presença na cidade branca do Alentejo, tendo entrevistado vários estremocenses e recolhido imagens das suas ruas, do seu casario e das suas gentes.
 
No final da gravação do programa, o segundo da nova temporada, e que ainda não tem data prevista de emissão, Ardina do Alentejo esteve à conversa com César Mourão, que nos falou de Estremoz e da sua gastronomia, do “Terra Nossa” e dos projectos futuros.
 
Ardina do Alentejo – Que balanço faz deste Terra Nossa em Estremoz?
César Mourão (CM) – O balanço que eu posso fazer é que me deu muita vontade de voltar a Estremoz! Devo dizer que não conhecia Estremoz, acho que já tinha passado, estilo “en passant”, mas não conhecia. E já toda a gente me falava de Estremoz, porque para além de se comer muitíssimo bem, é realmente uma cidade alentejana muito bonita e deu-me muita vontade de voltar. O balanço é muito positivo e realmente não me canso de enumerar as vezes que comi bem em Estremoz.
 

Estremoz cativou-nos também pela simplicidade das pessoas, pela humildade das pessoas, e eu digo simples de uma forma construtiva. A simplicidade de nos dizerem duas ou três palavras que nos aquecem o coração e a alma e isso foi muito bom. Fui muito bem recebido, e adorámos todos vir a Estremoz. Temos que repetir, não só para trabalhar, mas também para lazer.

Ardina do Alentejo – É quase unânime, quer falando com os elementos da produção do programa, quer agora falando com o César, que “foi pela boca” que Estremoz vos cativou…
CM – O nosso país é muito conhecido por raramente se comer mal, mas em Estremoz come-se muito acima da média. Cativou-nos por aí, mas também pela simplicidade das pessoas, pela humildade das pessoas, e eu digo simples de uma forma construtiva. A simplicidade de nos dizerem duas ou três palavras que nos aquecem o coração e a alma e isso foi muito bom. Fui muito bem recebido, e adorámos todos vir a Estremoz. Temos que repetir, não só para trabalhar, mas também para lazer.
 
Ardina do Alentejo – Iniciaram-se recentemente as gravações de mais uma temporada de “Terra Nossa”… É um programa feito à sua medida?
César Mourão – Não tenho programas feitos à minha medida. Eu acho que os programas são os programas e nós temos que nos adaptar a eles. Parece um bocadinho cliché dizer que gosto de desafios, mas gosto realmente. E é claro que há programas que nos assentam mais que outros. E este, ao início, eu nem sequer era para fazê-lo. Eu tive para recusar este programa a dizer que achava que não era bem a minha onda, a minha maneira de ser, andar na rua a falar e a meter-me com as pessoas, que não tinha essa lata. E de repente é um programa que tem muito sucesso, muitas audiências e um programa que nos diverte imenso.
Mas este é um programa que tem de ser feito com a equipa certa, e nós conseguimos construir a equipa certa. A equipa é muito coesa, onde raramente muda uma pessoa, porque nós tentamos que sejam sempre as mesmas pessoas, porque viajamos muitas horas juntos, estamos muitos dias longe das nossas famílias, todos nós, e temos de nos dar bem e sermos coesos. Temos igualmente o cuidado de para além de estarmos a trabalhar, de nos mimarmos também. Não vamos comer a qualquer sítio, não dormimos em qualquer sítio. Temos esse cuidado e isso faz também o sucesso deste programa, porque faz com que a equipa esteja mais motivada, mais alegre, mais divertida, e isso depois reflecte-se no programa.
 
Ardina do Alentejo – Além do “Terra Nossa”, que outros projectos tem o César na manga?
CM – Eu tenho uma produtora recente, que é a 313. Vamos agora começar a filmar, e eu não sou nem actor, nem realizador, mas sou produtor e também escrevi, estou na génese da série. Não tem nada a ver com humor, é um serial killer que estará depois disponível na OPTO. Acabei de realizar, e interpretar, uma série de comédia que se chama “Volto Já”, que também vai estrear em breve na OPTO e depois na SIC generalista e que me deu muito gozo fazer.
 
Ardina do Alentejo – A ficção nacional está em alta?
CM – Está, isso sim. E com muita ajuda das plataformas e do streaming, onde a OPTO teve muita coragem e deu esse passo do streaming em Portugal, tendo depois a Netflix, a HBO, a Amazon, as plataformas que nós conhecemos, começaram a espreitar-nos e nós começámos a ter de fazer com dedicação, profissionalismo e a fazer bem. E acho que a ficção em Portugal está no caminho de fazer bem mais e melhor.
 
 
 
Modificado em domingo, 24 abril 2022 11:43

Tendo como ponto de partida os 100 dias da sua governação à frente dos destinos da autarquia, o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, concedeu ao Ardina do Alentejo uma grande entrevista.

 
A oposição, os funcionários da Câmara Municipal, o orçamento da autarquia para 2022, os projectos e os eventos foram alguns dos temas abordados, numa entrevista conduzida por Pedro Soeiro, com recolha de imagens de Ivo Moreira, e que contou com o apoio do Howard’s Folly Restaurante.
 
No dia de hoje apresentamos, em vídeo, a última parte desta grande entrevista, onde o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz fala das próximas obras no concelho e dos grandes eventos que vão acontecer, para além de dirigir uma mensagem aos estremocenses e a todos quantos habitam neste concelho e também a todos aqueles que o visitam.
 
A EMENTA
Esta foi uma entrevista, uma conversa, uma partilha de ideias, efectuada num espaço nobre da restauração em Estremoz, o Howard’s Folly Restaurante.
 
Para início de repasto, e para além do “Couvert”, composto por pão alentejano, prova de azeite, azeitonas temperadas e manteiga aromatizada, degustámos a “Alheira Alentejana”, croquetes de alheira de porco preto, servidos com ketchup caseiro fumado, e “As nossas Batatas”, gomos de batata frita, cheddar, cebola frita, barriga de porco fumada e azeite de trufa, tudo regado com um Reserva Branco 2019.
 
Como prato principal, superiormente confeccionado pela equipa do Chef Hugo Bernardo, saboreámos o “Novilho”, naco de vazia Angus grelhado, redução de vinagre balsâmico, queijo de ovelha curado, coentros e cebola frita, e ainda o “Bacalhau Dourado”, bacalhau fresco, ovo a baixa temperatura, batata palha, ouro e pó de azeitona. Como vinho do prato principal, a equipa do Howard’s Folly Restaurante seleccionou um Winemaker’s Choice 2013 tinto.
 
Esta divina refeição tinha tudo para terminar em grande. E terminou. Como sobremesas seleccionámos a Tarte de Limão, merengue, pó de azeitona e gelado de mel, e a escolha presidencial recaiu no doce da sua eleição: Abóbora, maracujá, abóbora fresca, gelado de canela e crumble de frutos secos.
 
Muito obrigado pela recepção e pela simpatia.
 
 
 

Modificado em quinta, 10 fevereiro 2022 16:45

 

Tendo como ponto de partida os 100 dias da sua governação à frente dos destinos da autarquia, o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, concedeu ao Ardina do Alentejo uma grande entrevista.
 
A oposição, os funcionários da Câmara Municipal, o orçamento da autarquia para 2022, os projectos e os eventos foram alguns dos temas abordados, numa entrevista conduzida por Pedro Soeiro, com recolha de imagens de Ivo Moreira, e que contou com o apoio do Howard’s Folly Restaurante.
 
Na manhã desta quarta-feira apresentamos a penúltima série de respostas de José Daniel Sádio às perguntas efectuadas pela equipa de reportagem do Ardina do Alentejo. 
 
Ardina do Alentejo - É um Presidente que fala muito nos funcionários da autarquia e no trabalho por estes desenvolvido. É um virar de página na relação com os funcionários? É o finalizar da típica "Caça às Bruxas" e trabalharmos todos para o mesmo lado? 
 José Daniel Sádio -
Pedro, essa é uma pergunta que faz sentido.
 

Eu sinto que somos três eleitos numa mola humana de 400 pessoas. Nós não somos mais importantes que ninguém. Nós temos competências, temos um projecto para desenvolver, mas ninguém faz nada sem os outros. Não tem a ver se eu gosto mais, se eu gosto menos. Temos de nos respeitar, profissionalmente e humanamente, e fazer o melhor trabalho

Tenho um trajecto, em termos de autarquia, de duas décadas. De relembrar que estive três mandatos na Assembleia Municipal e dois mandatos enquanto vereador da oposição, e houve muitas questões que iam sendo sinalizadas e nas quais eu nunca me revi, e sempre as contestei, porque eu só vejo o exercício do cargo de Presidente de Câmara numa vertente: lutar pelo bem comum e cumprir com a missão de serviço público, sermos uma boa Câmara, prestar um bom serviço e criar condições para que o nosso concelho seja sustentável e as pessoas vivam cada vez melhor.
Logo, qualquer tipo de lógica pessoalizada, persecutória, egocêntrica não tem qualquer tipo de cabimento, não tem qualquer tipo de aceitação num projecto de mudança, seja ele qual for.
 
Quando cheguei, logo na primeira semana, quando reuni com todos os funcionários, expliquei de uma forma muito sincera aquilo que me move. Eu sinto que somos três eleitos numa mola humana de 400 pessoas. Nós não somos mais importantes que ninguém. Nós temos competências, temos um projecto para desenvolver, mas ninguém faz nada sem os outros. Não tem a ver se eu gosto mais, se eu gosto menos. Temos de nos respeitar, profissionalmente e humanamente, e fazer o melhor trabalho.
 
Aquelas lógicas que o Pedro referiu, que eu percebo, e que lamento, são lógicas que não podem entrar numa gestão de qualquer instituição, de qualquer empresa, de qualquer associação. Não me revejo.
Apenas dizer que aquilo que me move é o bem comum e eu sou só um entre 400. Todos temos que trabalhar uns com os outros e todos temos de ser profissionais e responsáveis. Como eu disse no dia da reunião, vestirmos a camisola da Câmara, do serviço público e tudo o resto naquela casa não pode entrar.
 

Apesar de tudo é um orçamento que vai incorporar uma redução de impostos, ainda que ligeira. É um orçamento que incorpora dinâmicas culturais e desportivas fortes, como irão ser conhecidas. Queria ter ido mais longe, mas neste momento não é possível.

Ardina do Alentejo - Foi aprovado recentemente o orçamento da autarquia para o ano de 2022. É o orçamento desejado ou é o possível?
José Daniel Sádio - É o orçamento possível, como nós referimos na Assembleia Municipal. Não é o orçamento desejado, mas tudo tem uma explicação. O desejado era que nos desse alguma margem, dentro daquilo que é o enquadramento legal da lei orçamental e tudo aquilo que é possível fazer em termos de orçamento municipal, nos desse uma maior margem de investimento, como em regra se tem verificado em questões orçamentais na última década.
 
Em função de compromissos assumidos, essa capacidade, para já, está condicionada e não podemos ir tão longe como queríamos ir neste primeiro ano. Apesar de tudo é um orçamento que vai incorporar uma redução de impostos, ainda que ligeira. Falamos em sede de IRS, em incentivos fiscais no âmbito do IMI, foi possível haver um aumento naquilo que tem a ver com financiamento da Cultura e do Desporto, e de alguns apoios sociais. Apesar de não ser aquilo que nós queríamos já, mostra algum sinal. É um orçamento que incorpora dinâmicas culturais e desportivas fortes, como irão ser conhecidas. Queríamos ir mais longe noutras áreas, que têm a ver com equipamentos para funcionários, com questões que já foram contempladas como as progressões na carreira, consolidações que têm de ser feitas, com ajustes a esse nível. Mas queria ter ido mais longe, mas neste momento não é possível. Temos que ser responsáveis, assumir aquilo que já estava contemplado pelo executivo anterior, que nós assumimos sem qualquer tipo de mácula ou questão. Temos a noção que aquilo que tem de ser alocado em termos de financiamento é superior àquilo que seria expectável, em face daquilo que foi o empréstimo e as obras que foram delineadas, mas há-de haver forma. A Câmara tem dinheiro e o dinheiro vai servir para isso.
 
Ardina do Alentejo - Passados mais de três meses de governação, como é que tem sido a sua relação com a oposição, quer na Câmara Municipal, quer na Assembleia Municipal?
José Daniel Sádio - Tem sido a possível. Por um lado, de total respeito institucional e de colaboração e transparência com os eleitos, quer no órgão Câmara, quer no órgão Assembleia.
 
Naturalmente que têm havido as discussões que são salutares naquilo que tem a ver com a democracia e o debate político. Confesso que, aqui e acolá, há situações que as entendo mas que por vezes não as compreendo, mas que fazem parte das dinâmicas partidárias e políticas. 
 
Ardina do Alentejo - Já houve algum momento em que o tiraram do sério?
José Daniel Sádio - Sim, já houve vários momentos em que me tiraram do sério, não porque eu não respeite a crítica, não que eu não respeite o direito à diversidade de opiniões, não é essa a questão.
 

Sim, já houve vários momentos em que me tiraram do sério, não porque eu não respeite a crítica, não que eu não respeite o direito à diversidade de opiniões, não é essa a questão.

Mas tem de haver algum decoro e é conveniente termos alguma memória.

Mas tem de haver algum decoro e é conveniente termos alguma memória. Sabemos bem, em relação a muitos dossiers, o que temos encontrado neste concelho ao longo dos tempos, e por vezes é surreal algumas intervenções. Respeito, somos livres de as fazer e cada um é responsável por aquilo que faz e por aquilo que diz. Gostaria de encontrar, e aqui e acolá também tenho encontrado, colaboração e críticas construtivas, que é isso que importa. Que haja o respeito institucional, que se mantenha e que perdure.
 
Uma das marcas que nós tentámos incutir, e isso eleva a fasquia para todos, foi a transparência. O facto de nós, quer em reuniões de Câmara, quer em reuniões de Assembleia, chegarmos a todo o mundo através das transmissões em directo, e as mesmas ficarem armazenadas, acho que não há maior marca de que queremos transparência, que queremos abertura, que queremos abrir esse espaço de discussão ao mundo, e por isso é importante que saibamos todos estar à altura, e que respeitemos as regras do jogo da democracia.
 
Para concluir, há algumas pessoas que me tiraram do sério, mas faz parte. É a democracia e a política é isto mesmo.
Modificado em quinta, 10 fevereiro 2022 11:47

Tendo como ponto de partida os 100 dias da sua governação à frente dos destinos da autarquia, o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, concedeu ao Ardina do Alentejo uma grande entrevista.
 
A oposição, os funcionários da Câmara Municipal, o orçamento da autarquia para 2022, os projectos e os eventos foram alguns dos temas abordados, numa entrevista conduzida por Pedro Soeiro, com recolha de imagens de Ivo Moreira, e que contou com o apoio do Howard’s Folly Restaurante.
 
Na manhã desta terça-feira apresentamos as respostas de José Daniel Sádio a mais duas perguntas efectuadas pela equipa de reportagem do Ardina do Alentejo.
 
Ardina do Alentejo - Como é que encontrou a Câmara Municipal de Estremoz? Estava como esperava, tanto em termos financeiros como organizativos? 
José Daniel Sádio - Essa é uma boa pergunta e complexa.
 
Em termos financeiros, aquilo que eu encontrei é aquilo que era conhecido, as contas são públicas. Eu estou envolvido na autarquia há quase duas décadas e vou acompanhando. Obviamente que, até em função da lei e daquilo que os Municípios têm de assumir em termos de compromissos e de execuções orçamentais, não é possível hoje em dia que qualquer Município se descontrole porque é altamente regulado.
 
Não há nenhuma surpresa a esse nível, o que não quer dizer que, e esta é uma questão que tem sido emergente e tem sido discutida várias vezes nos órgãos, em função daquilo que são compromissos que estão assumidos, a nossa capacidade de projecção deste orçamento não fique limitada, porque há que assegurar uma série de obras que estavam assumidas, há que garantir que o financiamento que existia e que não era suficientemente cabimentado apesar de haver dinheiro, e é bom que as pessoas percebam isso, mas o facto de termos que garantir que elas aconteçam, essa margem que existia tem de ser alocada à conclusão desses processos e ficamos com pouca margem para aquilo que queríamos fazer desde já.
 

Aquilo que eu senti é que a Câmara, a instituição, tem um grande potencial e o maior potencial são os funcionários da Câmara, são o seu maior activo, e são eles que podem garantir que haja melhoria no nosso concelho. E senti, e isso deu-me muito alento e muita satisfação que aquilo que há de mais importante na Câmara, que são as pessoas que lá estão, os trabalhadores da Câmara, são o coração daquela casa, senti que eles estão a colaborar de forma inequívoca

 
Mas nada nos vai impedir, nem tirar o sono em relação àquilo que há a fazer. Não é por aí que vamos deixar de fazer o quer que seja nos quatro anos, mas há que realçar que há áreas de melhoria e de intervenção, há diagnósticos que são conhecidos e são óbvios, e que têm a ver com equipamentos de trabalho para funcionários, maquinaria, investimentos que eram urgentes fazer e que de alguma forma ficaram algo limitados porque não temos capacidade para os fazer já, mas são quatro anos e as pessoas percebem qual é a intenção e há-de haver tempo para o fazer.
 
A outro nível, na generalidade, também não houve grande surpresa. Aquilo que eu senti é que a Câmara, a instituição, tem um grande potencial e o maior potencial são os funcionários da Câmara, são o seu maior activo, e são eles que podem garantir que haja melhoria no nosso concelho. E senti, e isso deu-me muito alento e muita satisfação que aquilo que há de mais importante na Câmara, que são as pessoas que lá estão, os trabalhadores da Câmara, são o coração daquela casa, senti que eles estão a colaborar de forma inequívoca. Senti que havia necessidade de alguma reorganização, de haver um rumo estratégico que se está a implementar e para a qual sinto que estão devidamente motivados, com o foco numa única missão que é servir melhor os munícipes, tornar Estremoz um melhor concelho, onde se viva melhor. Esse é o objectivo macro que todos temos, desde o Presidente ao funcionário. Aquilo que tentámos foi criar esse sentimento de equipa e de união, em que todos nos comprometemos a dar o nosso melhor. E isso deu-me alento, perceber que as pessoas estão receptivas e de alguma forma nos receberam bem e estão a colaborar com aquilo que nós queremos fazer em certas áreas de melhoria. Essa foi uma boa surpresa, não que eu não estivesse à espera, porque conheço as pessoas, mas foi bom sentir isso e assim é mais fácil, agir, projectar e melhorar a vida de todos, a começar pela instituição e depois com o reflexo que isso tem para fora, porque qualquer um de nós trabalha melhor e sente-se bem ao sentir que está numa instituição em que é respeitado, em que há um foco, em que há uma lógica e em que há organização. E isso foi muito bom registar e dá-nos alento para continuar o caminho.
 
Muito genericamente, não há surpresas de maior. As coisas estavam mais ou menos como pensávamos, obviamente que, e não vale a pena estar a particularizar, há situações que carecem internamente de urgentes melhorias, e falo sobretudo nas condições de trabalho e de equipamentos, e temos que melhorar isso muito. E essa é a base de tudo aquilo que se quer para o futuro. Não vale a pena pensarmos em grandes projectos e em grandes melhorias se não começarmos logo por nós e pela nossa casa.
 
Haja o que houver, e esteja mais ou menos de acordo com o que era previsto, nada nos demove e nada nos tira o sono e nada nos tira o compromisso daquilo que assumimos com os estremocenses.
 
Ardina do Alentejo - Quais foram as medidas que já tomou e que não gostava de ter tomado e quais são aquelas que já pensava ter tomado mas que ainda não conseguiu?
José Daniel Sádio - Eu queria focar-me sobretudo naquelas que tomei e que me deu muito prazer tomar. E essas tem tudo a ver com algumas questões de organização dos serviços e de solução de problemas que vão surgindo. Também é importante sentirmos quando ajudamos a resolver problemas, sejam maiores ou menores, seja dentro da Câmara ou fora da Câmara, e há sempre medidas que têm efeitos positivos nas pessoas e essas são aquelas que maior prazer nos dão tomar.
 

Há muito dossier para desbravar e sobretudo há uma grande ilusão, no bom sentido, de que consigamos conjugar sinergias de forma a que as decisões que nós vamos tomando sejam sempre assertivas e que, no limiar, sintamos que cumprimos com o nosso dever, que melhorámos a vida das pessoas, que melhorámos o nosso concelho e que fomos felizes naquilo que foi a nossa decisão

 
Por exemplo, senti-me muito feliz, por termos conseguido em tempos de pandemia, implementar o Centro de Testagem. E são esse tipo de medidas que ajudam a melhorar a vida das pessoas de alguma forma, e aqui a segurança é fundamental, que nos dão prazer tomar
 
Mas houve mais medidas que tomámos e que depois infelizmente não conseguimos concretizar. Relembro toda a dinâmica que quisemos implementar, com a decisão de avançarmos com a Cozinha dos Ganhões e o Reveillon. Na altura gostei de as ter tomado e depois fiquei muito triste por não as poder desenvolver porque o contexto não o permitia.
 
Gostei muito de termos conseguido dar algum alento às crianças e às famílias no Natal, naquele jardim singelo mas com muita alegria e feito com muito carinho por parte do staff da Câmara. Foi muito bom ver os meninos a sorrir, os pais a sorrir, mesmo com as máscaras, sinal de que sentimos um pouco Natal.
 
Tal como aquilo que se fez em termos de iluminação de Natal, mais uma vez com o apoio dos serviços municipais. Deu-me muito prazer sentir que, apesar de tudo, se respirou Natal em Estremoz.
São decisões de gestão corrente, mas quando nós fazemos coisas que sentimos que as pessoas gostam, e que têm impacto positivo, são aquelas medidas que achamos estamos lá para isso mesmo.
 
Claro que há ainda muitas áreas de melhoria e muitas decisões que têm de ser tomadas, e temos a noção que quando se tomam decisões, agrada-se ou não se agrada. Há muito dossier para desbravar e sobretudo há uma grande ilusão, no bom sentido, de que consigamos conjugar sinergias de forma a que as decisões que nós vamos tomando sejam sempre assertivas e que, no limiar, sintamos que cumprimos com o nosso dever, que melhorámos a vida das pessoas, que melhorámos o nosso concelho e que fomos felizes naquilo que foi a nossa decisão.
 
Não houve assim nenhuma decisão mais ou menos difícil, mas realçar a felicidade que é quando nós sentimos que aquilo que se projectou teve um impacto positivo e que conseguimos atingir a felicidade para outros.
Modificado em quarta, 09 fevereiro 2022 01:40