terça, 26 outubro 2021

 
Numa organização da Câmara Municipal de Mértola, realiza-se a partir de hoje, sexta-feira, 22 de Outubro, e até ao próximo domingo, 24 de Outubro, no Pavilhão Multiusos Expo Mértola, a XII Feira da Caça.
 
À semelhança do que aconteceu na edição de 2020, apesar de todas as condicionantes impostas pela pandemia provocada pela Covid-19, a feira continuará a celebrar e a promover o património cinegético do concelho e da região, assim como as suas potencialidades turísticas e económicas.
 
Ainda que condicionados às regras actuais em vigor e às recomendações emanadas pela Direcção Geral de Saúde (DGS), de regresso nesta XII edição da Feira da Caça de Mértola, estão os habituais espectáculos musicais e a tradicional secção de gastronomia.
 
Ardina do Alentejo esteve à conversa com Mário Tomé, presidente da Câmara Municipal de Mértola, que nos referiu que quem visitar a edição número 12 deste certame vai encontrar “um evento solidificado, do ponto de vista daquilo que é a sua imagem e a sua missão, virado para a promoção da actividade cinegética e tudo aquilo que envolve o sector da caça, um evento que dá sustentabilidade àquilo que é a promoção e o nome de Mértola enquanto Capital Nacional da Caça”.
 
Sobre a realização de um evento desta dimensão ainda em tempos de pandemia, o autarca recentemente eleito nas listas do Partido Socialista (PS) frisou que “no ano passado o Município de Mértola teve a coragem e a capacidade de organizar a feira sobre circunstâncias muito complexas e difíceis, mas conseguindo cumprir todas as orientações da DGS, e conseguimos cumprir outro factor muito importante que foi dar alguma dinâmica económica e de interacção social ao sector da caça, que estava parado há mais de um ano. Este ano tínhamos que manter uma linha de continuidade. Demos mais um salto, não deixando de cumprir tudo aquilo que são orientações da DGS em termos de saúde pública e isso está perfeitamente salvaguardado”.
 
Mário Tomé disse à nossa equipa de reportagem que a Feira da Caça de Mértola é também um evento “de defesa do mundo rural”. “É uma procura de uma identidade, é um alerta para aquilo que temos capacidade de fazer, é para dizer que estamos cá, que temos capacidades, que todos somos importantes e que o mundo rural, o interior deste país tem potencialidades únicas”, acrescentou.
 
Quando questionado se Mértola é um concelho virado para o futuro, mas que não esquece as suas tradições, Mário Tomé salientou que “não podemos esquecer o nosso passado e a capacidade que Mértola teve de se virar para o mundo, de ultrapassar fronteiras”. O autarca não esquece o “património histórico” de Mértola e a aposta que nele tem sido feita, sempre conjugado com o património natural, potenciado pela “Estação Biológica, um centro de investigação que ultrapassará em muito as fronteiras de Mértola, da região e do país”.
 

A Feira da Caça é um evento que dá esse enorme ênfase ao mundo rural, ao sector da caça, que tanta gente gosta, ainda que muitas vezes seja hostilizado por alguns, a verdade é que há muita gente que gosta verdadeiramente dele

No final desta breve entrevista, Mário Tomé convidou todos quantos seguem o Ardina do Alentejo, para que se desloquem a Mértola, visto que “estão reunidas um conjunto de condições para possam passar um excelente fim de semana em Mértola, durante a Feira da Caça, um evento que dá esse enorme ênfase ao mundo rural, ao sector da caça, que tanta gente gosta, ainda que muitas vezes seja hostilizado por alguns, a verdade é que há muita gente que gosta verdadeiramente dele”.
 
A 12.ª edição da Feira da Caça de Mértola, que conta com a parceria de diversas instituições, é inaugurada oficialmente pelas 18 horas desta sexta-feira e conta no programa com exposições, venda de produtos, colóquios, demonstrações cinegéticas e o V Concurso de Mel do Parque Natural do Vale do Guadiana.
 
Fora do recinto, a feira promove a 11.ª Taça Ibérica de Santo Humberto e o 9.º Campeonato Nacional de Salto “Fernando Pereira”, além de uma montarias de javalis, veados e gamos, uma demonstração de cães de parar e uma largada de perdizes, faisões, pombos e patos.
 
O evento conta ainda com tasquinhas de comes e bebes e um programa musical com diversos artistas locais.
 
No programa da 12.ª Feira da Caça de Mértola surge igualmente o Fórum Internacional dos Recursos Silvestres, promovido pelo projecto “Alentejo Natural Products”, que integra o programa PROVERE e visa promover a competitividade da fileira dos recursos silvestres do Alentejo.
 
Ardina do Alentejo apresenta-lhe de seguida o áudio desta entrevista com Mário Tomé, Presidente da Câmara Municipal de Mértola.
 

Modificado em sexta, 22 outubro 2021 02:34

Na passada segunda-feira, 14 de Junho, no seu espaço de opinião “2020, aliás 21”, no diário Correio da Manhã, Eduardo Cintra Torres abordou a candidatura ibérica ao Mundial de Futebol de 2030 e ainda, dois dias depois do anúncio do “casamento futebolístico”, o modo como o governo de Madrid tratou Portugal e exigiu vacinas aos “tugas” que quisessem passar a fronteira para o lado de “nuestros hermanos”, numa crónica intitulada “Final 2030 Olivença”.
 
Eduardo Cintra Torres escreveu que “o pequeno Portugal juntou-se à grande Espanha para se candidatarem a receber as provas finais do Mundial de Futebol em 2030. Rei de lá, presidente de cá, primeiros-ministros de cá e lá, todos juntinhos para Portugal parecer um apêndice de Espanha em 2030. Dois dias depois, o governo de Madrid tratou-nos como cães raivosos a precisar de vacinas, apesar de a Espanha estar com um nível de infeção covidiana superior ao da nossa santa terrinha. Depois corrigiu o tiro”.
 
O cronista CM chegou mesmo a propor que “se o Mundial de 2030 vier para a Ibéria dos Filipes” que a final se realizasse em “Olivença, terra portuguesa ocupada ilegalmente por Espanha” desde 1801, “com a complacência de quem mandou e manda por aqui (como hão-de eles respeitar-nos?)”.
 

Esta proposta de Eduardo Cintra Torres levou Ardina do Alentejo a chegar à conversa com o estremocense Carlos Luna, um dos mais acérrimos defensores da causa oliventina. Nesta breve conversa, o Professor Luna falou do orgulho que sente por ver que Olivença “não é esquecida” mas também por ver o esforço de Olivença em “não deixar morrer as suas raízes”. E a final do Mundial 2030 em Olivença? O historiador Carlos Luna preferiu falar da possibilidade de devolução de Olivença a Portugal, sabendo que a mesma “dificilmente terá lugar até 2030”. E até no Alqueva, Olivença tem influência...
 
Ardina do Alentejo - Para um defensor acérrimo da causa oliventina como o Professor, este é um artigo que o enche de orgulho e que o deixa com aquela sensação de que Olivença não está esquecida?
Carlos Luna - O que me enche de orgulho não é só ver que Olivença não é esquecida. É ver que Olivença se esforça por não deixar morrer as suas raízes. Fala-se agora, ao nível das autoridades locais (camarárias, culturais e escolares) em recuperar e dignificar o "Português Oliventino", que mais não é do que o alentejano tradicional, de há cinquenta anos, em mais de 95 % do vocabulário, com uma ou outra característica espanholizante local.
Por outro lado, os pedidos de nacionalidade portuguesa vão-se aproximando dos dois mil, em menos de oito anos. As iniciativas e espectáculos portugueses e/ou lusófonos sucedem-se. A Banda Municipal de Olivença tem vindo a Lisboa participar nos desfiles do 1.º Dezembro desde há dez anos, mais ou menos. E é isto que me orgulha.
Por outro lado, sinto alguma perturbação ao verificar que quase todos os jornais e revistas portugueses, de todas as tendências políticas, nada publicam sobre estes acontecimentos. Isso não me orgulha. Parece haver alguma estupefação perante estes desenvolvimentos, e mesmo incompreensão. É muito difícil, para muita da nossa intelectualidade, entender esta sobrevivência cultural popular numa região que vive sob domínio espanhol há 200 anos, submetida a constantes esforços de castelhanização. Na verdade, a imagem simplista de que ser português é algo de pouca valia cai por terra.
Deixando de parte o problema de soberania, que tem de ser discutido a outro nível, esta nova realidade mostra que a cultura portuguesa tem uma incrível capacidade de resistência no tempo. Parece é que as nossas elites, olhando só para aspectos económicos, ou de cultura entendida apenas como espaço de intelectualidade e de literacia, se esquecem de que há outros aspectos duma cultura que são realmente importantes.
 
Ardina do Alentejo - Seria utópico a final do Mundial 2030 em Olivença... E a devolução de Olivença a Portugal... Também é uma utopia?
Carlos Luna - A questão da devolução a Portugal não pode ser encarada com tal ligeireza. Não é uma utopia, é uma possibilidade, mas não em torno do futebol. Repare-se que Portugal não pode abdicar de Olivença, pois foi graças a esse problema que a Espanha teve de consentir no Alqueva tal como ele está. Desistir de Olivença é ter de ceder um terço do Alqueva a Espanha. E ninguém pensa nisso, ninguém fala nisso. É curioso.
É também colocar Olivença onde estava em 1801. Como diz a História espanhola, «En 1801, el território extremeño se veria repentinamente aumentado con la importante ciudad de Olivenza - ENTONCES TAN GRANDE Y POBLADA COMO BADAJOZ (SIC) -, conquistada a Portugal en la llamada Guerra de las Naranjas por el próprio Godoy(...)» ("História de Extremadura, de Marcelino Cardalliaguet Quirant, Biblioteca Popular Extremeña, Universitas Editorial, 1993). Isto significa que Olivença regrediu em termos de desenvolvimento e importância nos últimos 200 anos. Como se vai corrigir isso?
Todas estas coisas têm de ser bem estudadas. A população de Olivença quase nada conhece da sua verdadeira História, que não é ensinada nas escolas. Muitas vezes a repressão se abateu sobre ela, com particular violência na época franquista. Na verdade, características culturais diversas resistiram, e com muito maior força do que era esperado… como mostram acontecimentos recentes.
Mas... é preciso que tudo isto seja ponderado. Os oliventinos têm de ser ouvidos, de modo a nunca os prejudicar nessa transição. E isso dificilmente terá lugar até 2030...
 
 
 
 
Modificado em sexta, 18 junho 2021 00:48
269. Aspiração antiga de toda uma região, a Barragem de Veiros foi projectada em 2008, tendo entrado em funcionamento em 2012, ficando desde logo no horizonte de todos os responsáveis, o número 269, a cota 269.
 
Depois de décadas de espera, até que a Barragem de Veiros passasse primeiro das ideias para o papel e depois para o terreno, faltava “apenas” que a água atingisse a cota 269 e que a albufeira criada pela barragem do concelho de Estremoz começasse a “deitar fora”.
 
E esse dia chegou. Na madrugada da passada quinta-feira, 11 de Fevereiro, e graças à chuva intensa que se tem registado na região nos últimos dias, a Barragem de Veiros, infraestrutura inaugurada em 2015, efectuou a sua primeira descarga. Estava assim atingido o Nível Pleno de Armazenamento e armazenados 10,3 milhões de m3 de água, sendo que a capacidade útil da barragem é de 8,8 milhões de m3 de água.
 
A albufeira da Barragem de Veiros permite o armazenamento de água para utilização no regadio de uma área superior a 1.100 hectares de solos, localizados na freguesia estremocense de Veiros e no concelho vizinho de Monforte
 
Ardina do Alentejo foi o primeiro órgão de comunicação social a visitar o paredão da Barragem de Veiros depois do início do processo da primeira descarga do maior espelho de água do concelho. Em plena albufeira da barragem estivemos à conversa com José Nuno Pereira, Presidente da Direcção da Associação de Beneficiários do Perímetro de Rega da Barragem de Veiros, desde a sua fundação, no ano de 2009. Nesta breve entrevista, o empresário agrícola, de 55 anos, falou-nos do momento histórico que a Barragem de Veiros viveu recentemente com a primeira descarga, do passado e do futuro da infraestrutura, das alterações, quer económicas quer agrícolas, que aconteceram desde a inauguração da barragem, e da romaria que as pessoas fazem tornando a Barragem de Veiros um verdadeiro ponto de atracção.   
 
Ardina do Alentejo – Na madrugada da passada quinta-feira, a Barragem de Veiros atingiu a cota 269, a cota máxima ao Nível Pleno de Armazenamento, tendo iniciado a primeira descarga desde a sua construção. Este é um momento histórico não só para a associação mas também para o concelho…
José Nuno Pereira (JNP) – Sim, de facto é um momento histórico para todos, para o concelho de Estremoz, para a Associação de Beneficiários do Perímetro de Rega da Barragem de Veiros, para todos no geral. Estamos todos de parabéns porque com a ajuda de Deus foi possível chegar a este ponto. Foi pena ter demorado mais um bocadinho mas fomos conseguindo aguentar até chegarmos a este dia.
 
Ardina do Alentejo – Quando a Barragem de Veiros foi inaugurada pensava que volvidos seis anos a mesma já estava cheia? Estava nas vossas melhores perspectivas que nesta data surgisse a primeira descarga? 
JNP – As nossas perspectivas eram um bocadinho altas porque os estudos de construção desta albufeira indicavam que a mesma tinha capacidade de enchimento de duas vezes por ano. Perante isso, pensámos que se não fosse no primeiro ano, que no segundo ano conseguiríamos encher. Tal não aconteceu porque os anos de seca foram consecutivos e tudo isso tornou o processo mais complicado e demoroso. Mas de qualquer das formas… já está!
 
Ardina do Alentejo – A partir deste momento quais são os grandes benefícios da Barragem de Veiros estar completamente cheia?
JNP – Os grandes benefícios são que primeiramente os agricultores passam a ficar com um horizonte mais estável na sua vida agrícola, podendo fazer projectos de outra forma, tendo uma segurança de que a água não vai faltar nos próximos anos, o que dá uma grande segurança a quem trabalha a terra porque é sempre uma preocupação. Andamos sempre a questionarmos “Este ano não temos quase água, será que para o ano vamos ter?”. Assim, com a Barragem cheia, sabemos que nos próximos dois, três anos, e sempre chovendo alguma coisinha, vamos sempre andar num patamar confortável.
 
Ardina do Alentejo – Embora a barragem esteja no concelho de Estremoz, não é só o concelho de Estremoz que beneficia dela…
JNP – Os agricultores que beneficiam do perímetro de rega são todos de Veiros, embora alguns deles tenham terras no concelho de Monforte. Cerca de 300 hectares poderão pertencer ao concelho de Monforte, mas os agricultores, por acaso, são todos do concelho de Estremoz, embora com terras no concelho de Monforte.
 
Ardina do Alentejo – Nos dias que antecederam o enchimento total da barragem, e logo após o início da primeira descarga, a Barragem de Veiros tornou-se um local de romaria e de visita. 
JNP – Sim, mas já o é desde o início. Eu costumo dizer, a brincar com a situação, que aqui é a Nossa Senhora de Fátima de Veiros, visto que as pessoas fazem aqui verdadeiras romarias, sendo incalculável o número de carros que vêm aqui ver a barragem e o nível de água que a mesma já atingiu. Mas é assim, as pessoas estão aqui perto e não têm grandes atractivos para se distrair e elegeram este local como ponto de atracção, e nós gostamos de ver as pessoas a virem visitar a Barragem de Veiros, como é óbvio.
 

Fundei a associação com um grupo de amigos, levámos isto para a frente por carolice, e com muito entusiasmo até hoje. Estamos todos felizes porque o objectivo está alcançado e o futuro está mais risonho.

 
Ardina do Alentejo – Em termos de alterações que possam acontecer na zona da Barragem de Veiros, nomeadamente com a implementação de estruturas viradas para o turismo, para o desporto aquático, para o lazer, até mesmo de uma praia fluvial… Tem conhecimento de alguma alteração que possa surgir no futuro?
JNP – Eu não tenho conhecimento disso e não vejo como é que isso algum dia poderá vir a ser possível visto que esta barragem criou uma albufeira que está destinada para o uso exclusivamente hidroagrícola. Por exemplo, a implementação de uma praia fluvial obrigaria a que as areias que são introduzidas para a criação da praia, e devido à força da corrente, fossem arrastadas para a zona do paredão, assoreando e obrigando a despejar a barragem um dia mais tarde. Portanto, não vejo que, à partida, essa seja uma situação muito possível. 
 
Ardina do Alentejo – Esta foi uma obra que demorou muito tempo, a passar das ideias para o papel e posteriormente para o terreno, mas já está. Desde 2009, com a criação da ABPRV que o José Nuno acompanhou todo o processo, na linha da frente. Hoje, ao ver a primeira descarga da Barragem de Veiros, é um homem feliz?
JNP – Sim, considero-me uma pessoa feliz. Fiz a minha parte. Fundei a associação com um grupo de amigos, levámos isto para a frente por carolice, e com muito entusiasmo até hoje. Estamos todos felizes porque o objectivo está alcançado e o futuro está mais risonho.
 
Ardina do Alentejo – Valeu a pena todo o esforço?
JNP – Valeu a pena, com certeza que sim. 
 
Ardina do Alentejo – A Barragem de Veiros também ajudou na criação de postos de trabalho?
JNP – Sim, sem dúvida. Hoje temos muitas empresas já a trabalhar em Veiros, na área da agricultura, tendo sido criados alguns trabalhos fixos durante o ano, que não tínhamos aqui em Veiros, e em termos sazonais também se criou aqui muito emprego. E também veio dar uma mais-valia às oficinas aqui de Estremoz, visto que há muitas empresas do perímetro de rega que já vai a Estremoz às oficinas, arranjar peças para as máquinas e para aquilo que faz falta, movimentando a economia. Demorou um bocadinho, porque o crescimento foi paulatinamente feito, mas daqui para a frente ainda temos espaço para crescer.
Modificado em sábado, 13 fevereiro 2021 22:44
A nossa entrevistada nasceu em Estremoz, há 45 anos, tendo saído da cidade onde foi criada aos 18 anos, para cumprir o sonho de estudar Enfermagem na Universidade de Coimbra. Depois de concluir o curso foi trabalhar alguns meses para Lisboa, mas quis o destino que em 1997, rumasse até Viseu, para “inaugurar” o Hospital de São Teotónio, unidade hospitalar onde se mantém a trabalhar nos Cuidados Intensivos.
 
Na passada semana, e após mais um turno de oito horas, a enfermeira Helena Beliz publicou na sua página pessoal na rede social Facebook uma fotografia onde eram visíveis, quer no seu rosto mas também numa das suas mãos, as marcas de mais um dia intenso de trabalho nesta luta contra o inimigo invisível chamado Coronavírus.
 
A imagem desta enfermeira estremocense, mãe de dois filhos (uma rapariga com 17 anos e um rapaz com 13 anos) tornou-se viral, tendo tido cerca de 4 mil partilhas.
 
Nesta breve entrevista ao Ardina do Alentejo, Helena Beliz fala do que a levou a publicar a foto que se tornou viral na rede social Facebook, de como tem vivido estes dias de pandemia, das situações difíceis de gerir que tem vivido nestes 23 anos a trabalhar nos Cuidados Intensivos e se a palavra “desistir” já ecoou na sua cabeça.
 
ARDINA DO ALENTEJO  Quando começaram a surgir fotos como a tua, de outros colegas teus espalhados pelo mundo, por muitas vezes se pensou que eram montagens... Mas não é uma montagem... 
HELENA BELIZ (HB)  A foto não é uma montagem, nem a maior parte das que se vêem são... Infelizmente, esta foto é apenas do final de um turno de oito horas.
 
ARDINA DO ALENTEJO  O escrito que colocaste na tua página de Facebook é um desabafo, um grito de revolta. O que te levou a escrever aquele texto?
HB  Estamos a viver esta pandemia há quase um ano... desde Março a trabalhar com aqueles fatos horríveis (que agradeço por não nos faltarem, por enquanto), máscaras que magoam e fazem feridas no nariz, nas orelhas. Horas seguidas sem poder sequer fazer as necessidades mais básicas... É muito tempo... sem descanso... muita pressão e stress em cima dos profissionais de saúde... turnos seguidos sempre com medo de levares o vírus para os teus... E depois vês pessoas que não respeitam absolutamente nada nem ninguém, a acharem que a Covid-19 é uma brincadeira, uma gripezinha...  No final de um turno da tarde (em que era suposto sair à meia-noite mas que à uma e tal da manhã ainda lá estava), "passei-me" e coloquei as fotos no Facebook. A verdade é que estava tão zangada que me contive muito para não escrever coisas ainda mais feias. Nunca pensei que tanta gente visse e fosse partilhar uma publicação parecida com milhares de tantas...
 
ARDINA DO ALENTEJO  Quando concluíste o teu curso e posteriormente começaste a trabalhar, alguma vez pensaste passar por uma situação destas?
HB  Não! Nem pensar... Nunca sonhei sequer passar por uma situação destas, acho que ninguém pensava...
 
ARDINA DO ALENTEJO  A situação está caótica?
HB – Sim, definitivamente sim. A situação em muitos hospitais, inclusive o meu, estão, está caótica. Acrescentam-se camas e mais camas, máquinas e ventiladores mas o pessoal não aumenta em proporção. É como um elástico: estica, estica, mas brevemente vai partir. Não se aguentam os turnos seguidos, abrir unidades de cuidados intensivos improvisadas em sítios sem condições, mais turnos, mais doentes. O limite não é o céu... estamos mesmo a trabalhar no fio da navalha. Não estou só a falar de enfermeiros… todos os profissionais estão exaustos, os auxiliares, os médicos, os técnicos, administrativos, seguranças...
 
ARDINA DO ALENTEJO  O que achas que está a faltar ou o que é que na tua opinião poderia ser feito de maneira diferente?
HB  Faltou planeamento a sério e estratégias acertadas da parte dos hospitais e dos governantes. A sensação que temos é que durante a "acalmia" do verão toda a gente se sentou à espera que não houvessem segundas ou terceiras vagas... E faltou, e continua a faltar discernimento às pessoas que continuam a desrespeitar tudo o que se poderia fazer para parar a contaminação, logo o aparecimento de mais doentes.
 

Não somos heróis, não há heróis, só fazemos o melhor que podemos pelos doentes, mas precisamos da ajuda de todos... Não vamos aguentar assim muito mais tempo!

ARDINA DO ALENTEJO - Qual a situação mais difícil com que já lidaste nestes últimos tempos?
HB - Trabalhando em Cuidados Intensivos há tantos anos, já presenciei e vivi muitas situações difíceis, como podes imaginar... Aquilo que diferencia estes últimos tempos é a Solidão… dos Doentes, aqueles que se apercebem do que se está a passar sabem que podem nunca mais ver os seus familiares; dos Familiares, que não podem acompanhar os seus entes queridos em situação grave, e que embora falem com o médico todos os dias estão sempre com o coração nas mãos; dos Profissionais, que muitas vezes nos sentimos desesperados e sozinhos, no meio do caos, e na sociedade, onde muitas vezes nos vimos a pregar para as paredes...
 
ARDINA DO ALENTEJO  A palavra desistir já ecoou na tua cabeça?
HB – Desistir, se calhar não... já me apeteceu muitas vezes "mandar tudo às urtigas", atirar tudo ao ar e sair dali a correr...  Depois respiro um bocadinho (dentro das nossas máscaras não dá para respirar muito) e volto à carga... até conseguir...
 
ARDINA DO ALENTEJO  Como é que se gere uma casa, com filhos menores, com tantas horas passadas  na unidade hospitalar e debaixo de uma pressão tremenda?
HB  A casa, os filhos... É muito complicado... Os filhos são os mais sacrificados... Entre os meus turnos e os do pai (que também é enfermeiro, no Serviço de Urgência) eles vão andando de casa em casa, conforme o que está menos carregado de turnos. São espetaculares, pois eles percebem a nossa vida e a situação que estamos a passar. Tenho a sorte de ter uma Super-Mãe, que resolveu deixar o sossego e o conforto da sua casa em Estremoz e vir para perto de mim. Ela tem sido o meu braço direito (e esquerdo) nestes últimos tempos.
 
ARDINA DO ALENTEJO  Que mensagem deixas a quem for ler esta breve entrevista?
HB  A única coisa que eu quero dizer às pessoas é que isto é mesmo a sério... Por favor, respeitem as indicações da DGS, o distanciamento social, o confinamento... Temos que fazer o possível e impossível para parar este vírus... Vai morrer muito mais gente... E os profissionais de saúde não aguentam e vão começar a cair também... E depois? Quem cuida de vocês se partirem uma perna, se tiverem uma apendicite, ou se tiverem uma pneumonia?
Não somos heróis, não há heróis, só fazemos o melhor que podemos pelos doentes, mas precisamos da ajuda de todos... Não vamos aguentar assim muito mais tempo!
 
Modificado em segunda, 01 fevereiro 2021 16:45
A centenária Praça de Touros de Estremoz recebe no próximo sábado, 5 de Setembro, pelas 22 horas, a corrida comemorativa dos 25 anos de alternativa do cavaleiro tauromáquico estremocense Francisco Cortes.
 
Nessa noite de sábado serão lidados seis imponentes toiros da emblemática ganadaria Branco Núncio, e estarão em praça os cavaleiros Luís Rouxinol, Francisco Cortes, Miguel Moura, Luís Rouxinol Júnior, o praticante António Ribeiro Telles e o amador Francisco Maldonado Cortes.
 
As pegas estarão a cargo, em solitário, do Grupo de Forcados Amadores de Évora, capitaneados por João Pedro Oliveira, numa encerrona que promete ficar na memória.
 
Foi a 10 de Junho de 1995, na XII Corrida "Despertar" da Rádio Renascença, realizada na Monumental de Santarém, numa organização do saudoso empresário Manuel Gonçalves, que Francisco Cortes recebeu a alternativa.
 
O seu pai José Maldonado Cortes, foi padrinho de alternativa, que foi testemunhada por Paulo Caetano, Joaquim Bastinhas, António Ribeiro Telles, Rui Salvador e Luís Rouxinol, e pelo Grupo de Forcados Amadores de Santarém, à época capitaneado por Carlos Grave. Nesse dia foram lidados toiros de distintas ganadarias em concurso.
 
Na semana que antecede a corrida, Ardina do Alentejo esteve à conversa com Francisco Cortes. As expectativas com que está o cavaleiro estremocense, os 25 anos no mundo da tauromaquia e o partilhar cartel com o seu filho Francisco, foram alguns dos temas abordados com o cavaleiro aniversariante.
 
Ardina do Alentejo – Com que expectativas estás para a corrida do próximo sábado, em que assinalas os teus 25 anos de alternativa?
Francisco Cortes (FC) – A expectativa é de que seja um bom espectáculo, que todos possam triunfar, que o público corresponda nesta manifestação tão profunda da nossa cultura. E no final, que possa dar por bem empregue o tempo que despendeu. 
 
Ardina do Alentejo – Têm sido uns bons 25 anos dentro do mundo da tauromaquia?
FC – Quando fazes o que amas e te preenche, só te podes dar como agradecido à vida. Como em tudo na vida, nem tudo é cor de rosa, as coisas são difíceis. Mas sim, valeu a pena cada instante neste mundo fascinante.
 
Ardina do Alentejo – Partilhar cartel com o teu filho é um sonho tornado realidade? Ou nunca pensaste que ele seguisse as pisadas do pai e do avô?
FC – Sim, mas numa perspectiva diferente. Eu e o meu pai optámos pela dedicação a 100% à tauromaquia enquanto ele, de acordo com a época em que vivemos, sabe que a tauromaquia apenas pode ser vista como uma actividade paralela e nunca como única. Ele viveu este apaixonante ambiente desde sempre e é normal que se enamorasse. Mas para mim, sem dúvida, que é um sonho que ele esteja a meu lado neste dia tão especial.
 
Ardina do Alentejo – Espaço agora para endereçares, na primeira pessoa, o convite a todos aqueles que ainda não compraram bilhete para a corrida de sábado…
FC – Uma corrida de toiros é uma trilogia, entre o toureiro, o toiro e o público. Só quando nasce uma química entre estes três vectores se pode verdadeiramente desfrutar desta fantástica arte no seu máximo esplendor. Era isto que eu gostava que pudesse acontecer nesta noite, com todos aqueles que me são queridos e gostava muito que me acompanhassem nesta noite tão especial para mim.
Dizer ainda que quem vier à corrida estará em segurança, uma vez que para além das desinfecções de todos os locais, será feito o espaçamento de um lugar, de ambos os lados, entre pessoas não pertencentes ao mesmo agregado familiar, ou seja, uma pessoa que comprar apenas um bilhete, não terá ninguém de um lado nem de outro. Se, por exemplo, vier uma família de quatro pessoas, essas sim poderão estar continuadas, mas com a respectiva cadeira vazia de ambos lados. Recordo ainda que para que tudo isto possa acontecer, a lotação da praça será de apenas 50% da lotação total. Haverá ainda a obrigatoriedade do uso de máscara por todos.
Modificado em segunda, 31 agosto 2020 19:27
A suspensão da realização do secular e tradicional Mercado de Sábado, no muito estremocense Rossio Marquês de Pombal, aconteceu no passado dia 13 de Março, como uma das medidas de contenção da pandemia provocada pela doença Covid-19, adoptadas pela autarquia dirigida por Francisco Ramos.
 
Desde essa data, foram seis as manhãs de sábado em que o Rossio Marquês de Pombal esteve despido de gente, quer de visitantes, quer de comerciantes.
 
Mas esta semana, a Câmara Municipal de Estremoz tomou a decisão de fazer regressar o Mercado Tradicional de Estremoz. Respeitando todas as regras e orientações da Direcção-Geral da Saúde, relativas a distâncias de segurança, higiene e protecção individual, o regresso do Mercado Tradicional de Estremoz, acontecerá já no dia de amanhã, feriado nacional, 25 de Abril, no Parque de Feiras e Exposições da cidade branca do Alentejo.
 
Para trás ficam assim seis semanas em que os produtores hortícolas do concelho, e dos concelhos limítrofes, não puderam usar as suas habituais bancas de venda. E como foram essas seis semanas? Como conseguiram os agricultores escoar os seus produtos? E como olham para este regresso do mercado, ainda que noutro espaço e com várias restrições?
 
Para responder a estas e outras questões, o Ardina do Alentejo foi ao encontro de dois dos mais conhecidos vendedores no tradicional e característico mercado de sábado estremocense.
 
Henrique Caldeira, de 70 anos, vende no mercado há sensivelmente 40 anos. Um motivo de orgulho para este agricultor o poder dar continuidade a uma tarefa que tem passado de geração em geração.
 
Ardina do Alentejo – O combate à pandemia Covid-19 obrigou à suspensão temporária da realização do Mercado de Sábado, em Estremoz, o que veio mudar a vida de muitos que dependem daquele espaço para a venda dos seus produtos. Foi um rude golpe?
Henrique Caldeira (HC) – Sim. Principalmente no primeiro sábado que foi cancelado. Para quem está ali semanalmente, todos os sábados, há mais de 40 anos, não foi fácil. 
Ficarmos impossibilitados de vender os nossos produtos, fruto de muito trabalho e principal fonte de rendimento, foi muito difícil. 
É claro que percebemos que foi uma medida necessária para a proteção de todos nós e portanto restou-nos aceitar.
 
Ardina do Alentejo – Como é que está a conseguir escoar os seus produtos?
HC – Nas primeiras duas semanas, muitos dos produtos acabaram por ser comida para os animais. Depois alguns clientes começaram a contactar-nos e a virem buscar. Mais tarde, surgiu a ideia divulgar nas redes sociais e fazer entregas ao domicílio e aí o volume de vendas aumentou um pouco.
 
Ardina do Alentejo – O Mercado Tradicional de Estremoz vai realizar-se no próximo sábado, ainda que em condições diferentes e noutro sítio. Concorda com esta decisão da autarquia? Vai ser benéfico para comerciantes e compradores?
HC – Para nós é uma medida importante, porque é forma de rentabilizar o esforço diário de trabalhar a terra. No entanto, estando ainda o país em estado de emergência, poderiam ter sido encontradas soluções alternativas.
O facto de deslocalizar o mercado para fora da cidade e longe do seu local habitual, deixa-me algumas dúvidas relativamente à adesão das pessoas. Talvez a realização no mercado abastecedor, com as mesmas medidas e o mesmo controlo, fosse uma alternativa mais viável.
 

Outro dos nossos entrevistados foi Adriano Pimentão, de 77 anos, e vendedor no Mercado Tradicional de Estremoz há mais de 10 anos.
 
Ardina do Alentejo – O combate à pandemia Covid-19 obrigou à suspensão temporária da realização do Mercado de Sábado, em Estremoz, o que veio mudar a vida de muitos que dependem daquele espaço para a venda dos seus produtos. Foi um rude golpe?
Adriano Pimentão (AP) – Foi. Preparamos os produtos hortícolas para que nesta altura pudéssemos satisfazer os nossos clientes, com produtos frescos e de qualidade. Uma vez que o Mercado de Sábado era o nosso único ponto de escoamento, ficámos com tudo na horta a estragar-se.
 
Ardina do Alentejo – Como é que está a conseguir escoar os seus produtos?
AP – O meu filho tem ajudado. Através do Facebook e do seu grupo de amigos temos conseguido escoar a maioria dos produtos, mas com muito sacrifício da parte dele pois trabalha no Centro de Saúde e o tempo que lhe sobra não é muito. Mas lá vamos andando.
 
Ardina do Alentejo – O Mercado Tradicional de Estremoz vai realizar-se no próximo sábado, ainda que em condições diferentes e noutro sítio. Concorda com esta decisão da autarquia? Vai ser benéfico para comerciantes e compradores?
AP – De início, e partindo do princípio que o mercado se irá realizar durante algum tempo no Parque de Feiras, a afluência de compradores não será muita. A população local que mais compra nos mercados é uma população já envelhecida e a distância do centro da cidade poderá ser um problema.
Penso que a decisão da autarquia não deve ter sido tomada sem pensar em todas as atenuantes, e que tenha organizado o espaço de maneira a que se cumpram todas as indicações da DGS.
É uma realidade a dificuldade em escoar os produtos, e poderá dar uma ajuda se as pessoas perceberem que, na conjuntura actual, esta solução, embora na minha opinião precipitada, poderá ser uma mais valia para as duas partes.
 
 
 
 
 
Modificado em sábado, 25 abril 2020 18:10
No passado dia 10 de Abril, o canal 1 da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) estreou o programa “Em Casa d’Amália”, apresentado pelo estremocense José Gonçalez.
 
Pela primeira vez na história da televisão portuguesa, um estremocense apresentava, em horário nobre, um programa de televisão. Motivo de orgulho para os estremocenses em particular, mas para os alentejanos no geral.
 
José Gonçalez, que também assina a ideia original de “Em Casa d’Amália”, contou na primeira edição do programa transmitido na estação de serviço público nacional, com a presença do compositor, cantor e guitarrista Jorge Fernando, do guitarrista Custódio Castelo, do fadista Ricardo Ribeiro, do cantor Dino d’ Santiago e da fadista Ana Moura.
 
Na sexta-feira seguinte, marcaram presença “Na Casa d’Amália”, para não só recordar mas também recriar as famosas tertúlias feitas na sua habitação pela diva do fado, a fadista Kátia Guerreiro, acompanhada pelos seus guitarristas João Mário Veiga e Pedro de Castro, e os seus amigos Rui Veloso, cantor que dispensa apresentações, e o fadista Hélder Moutinho.
 
Ardina do Alentejo não podia deixar passar esta fase tão positiva na vida do estremocense e este marco histórico na sua carreira passar em claro. Entre as promoções do programa, a promoção do seu álbum comemorativo de 30 anos de carreira, o management de artistas, nomeadamente do André Amaro, e os diversos projectos em que está envolvido, José Gonçalez arranjou um tempinho na sua agenda e esteve à conversa com o nosso portal de informação.
 
Os dois programas já emitidos, as audiências, as reacções da estrutura da RTP e o próximo programa foram alguns dos temas da conversa.
 
Ardina do Alentejo – No passado dia 10 de Abril estreou o teu “Em Casa d’Amália”. Um dia inesquecível?
José Gonçalez (JG) – Sim. Um dia feliz, de sentimento de dever cumprido. Já andamos a gravar o programa há quatro meses, que era para ir para o ar mais tarde, mais perto do aniversário de Amália, mas esta realidade, o facto de não haver conteúdos novos nas televisões e a cultura estar toda parada, precipitou o arranque do programa. Por um lado, ainda bem, ao menos assim as pessoas têm um bocadinho em que não se prendem só ao mal e ao vírus. E, para mim, será uma marca para toda a vida. Jamais esquecerei a estreia do meu primeiro programa em televisão.
 
Ardina do Alentejo – As audiências ditam regras no mundo da televisão. Tens algum feedback sobre como foram as audiências dos dois primeiros programas?
José Gonçalez (JG) – Sim, e muitas vezes é uma pena. Há projectos maravilhosos, de enorme qualidade, mas as pessoas não os veem e acabam por terminar. Sabes que o horário da noite é fortemente marcado pelas novelas. A SIC e a TVI têm duas, três novelas seguidas. E o público português aprecia muito esses conteúdos. Mas o programa, até agora, os dois tiveram resultados praticamente iguais, entre os 9 e os 12%, obteve resultados excelentes. Em média 10% de share, era algo impensável, mesmo por nós. 
Este sábado, a imprensa espanhola, num dos seus jornais de referência, fez uma crítica absolutamente inacreditável ao programa e à RTP. Comparando mesmo o excelente produto de qualidade que a RTP estava a dar aos portugueses com as televisões espanholas. E mais que isso, salienta a dignidade e qualidade do programa num tempo de “telebasura” e mediocridade televisiva. Todo o artigo está nas minhas redes sociais podem ir lá ler.
 
Ardina do Alentejo – Quando fazemos alguma coisa que nos enche de orgulho, gostamos de saber o que pensam os nossos patrões… Alguém da RTP já falou contigo sobre a estreia do programa?
José Gonçalez (JG) – Claro. Logo no fim do programa, o Director de Programas da RTP, José Fragoso, ligou-me a dar os parabéns e a dizer que tinha corrido muito bem. No dia seguinte voltou a falar comigo, a dizer que as audiências tinham sido excelentes, e mandou-me o gráfico das audiências. Entretanto este sábado, voltou a incentivar-nos, mostrando a sua enorme satisfação com o projecto e foi ele que me enviou o artigo do jornal espanhol que elogia o programa e o formato.
 
Ardina do Alentejo – Através das mensagens deixadas nas redes sociais e através das, certamente inúmeras, mensagens e inúmeros telefonemas que foste recebendo, sentiste que os teus amigos, em particular, e os estremocenses no geral, te acompanharam no programa de estreia? Sentiste que Estremoz estava contigo? 
José Gonçalez (JG) – Sim, claro. Sem dúvida nenhuma!
A grande maioria das mensagens e dos incentivos que recebi vieram da comunidade artística e cultural portuguesa, e dos meus conterrâneos. Confesso que algumas mensagens que recebi não estava nada à espera, mas fiquei muito feliz. Como sempre o disse, podemos andar por onde andarmos, mas os nossos serão sempre os nossos e sentirão sempre as coisas de forma diferente. E é também muito diferente a avaliação. Aprovação ou crítica, de quem nos conhece, do que a de quem não nos conhece de lado nenhum. E muitas vezes, só por ressabiamento, maldade ou infelicidade pessoal o fazem.
 
Ardina do Alentejo – E para que fiquemos já a saber com o que contar, no programa do próximo dia 24, quem é que vai estar “Em Casa d’Amália”?
José Gonçalez (JG) – Dia 24 é um dos programas que gostei mais de gravar. Porque é tudo rapaziada nova apadrinhada pelo FF. É o mostrarmos que o fado, a música portuguesa, está bem de saúde e recomenda-se. Todos não terão mais de 22 anos. E é um programa cheio de juventude, logo de graça e irreverência. Tem momentos incríveis de alegria e boa disposição. É uma tertúlia muito bem-disposta e cheia de qualidade musical. Acreditem que será engraçadíssima. Participam para além do FF, que já referi, o José Geadas (quem é que aí não o conhece!!??), o Buba Espinho, um miúdo de Beja que acaba de ser lançado pela Warner, a incrível Maria Emília, também acabada de lançar pela Valentim de Carvalho, a Maura Airez, filha do Mauro Airez, que jogou no Benfica, e o Tiago Correia, figura maior de muitos dos musicais de Filipe Lá Féria. Vejam que vai ser muito giro.
Modificado em sábado, 25 abril 2020 18:21
De há uns anos a esta parte que a prática do exercício físico faz parte da vida de milhares portugueses, não só pela manutenção da boa forma física, como por fazer parte intrínseca de quem segue um estilo de vida saudável, mas também muitas das vezes para aliviar o stress e combater as rotinas do dia-a-dia.
 
O combate ao novo coronavírus como que veio revolucionar a nossa vida, mudar hábitos e impor regras.
 
Mas o exercício físico, esse, continua a fazer-se. 
 
Olhando para as redes sociais como um novo espaço de treino, Débora Casimiro e Alexandre Casimiro, proprietários do Vybe Health Club, em conjunto com a sua equipa, deram largas à imaginação, e idealizaram novas metodologias para que a sua “família” de clientes pudesse continuar a fazer exercício físico e a marcarem presença, ao vivo, nas aulas de Yoga, Bikes, Penalty Box, WOD, Step localizada, HIIT, GAP, Tabata e Zumba, para apenas enumerar algumas das aulas ministradas neste ginásio estremocense.
 
O Ardina do Alentejo falou com o Alex e a Débora. Quisemos saber mais sobre estas novas formas de treino, como a pandemia “virou” a vida de quem fazia a sua rotina diária fora de casa e agora tem de estar confinado ao seu lar, de como reagiram os clientes do Vybe, a família Vybe, a estas novas ofertas de treino e de como podem todos aqueles que não são clientes do ginásio localizado em Estremoz seguirem as aulas propostas.
 
Ardina do Alentejo – A pandemia Covid-19 mudou a vida dos portugueses. Para quem faz do exercício físico um modo de vida, este foi um rude golpe?
Vybe Health Club (VHC) – Sim, sem margem para dúvidas que o COVID-19 mudou completamente o ritmo de vida das pessoas. Em relação à prática de exercício físico nos ginásios e health club’s teve que haver uma rápida readaptação para podermos todos continuar activos e a praticar exercício físico de forma regular.
 
Ardina do Alentejo – Mas o Ginásio Vybe como que deu “a volta por cima”… Que medidas foram tomadas pelo Ginásio Vybe para que os seus clientes se mantenham em forma?
VHC – Na verdade, assim que o Estado decretou o encerramento, nós já tínhamos um "plano B", para dar resposta aos nossos clientes, o qual pusemos de imediato em prática.
Nesse sentido, criámos duas plataformas de treino online, exclusiva para os clientes Vybe, bem como uma aplicação de nutrição com receitas e dicas de alimentação. Nas plataformas de treino é possível realizar mais de 400 aulas, desde Yoga, Pilates, HIIT, Penalty Box, Step, Bikes, 3B, Zumba e muitas outras. Temos semanalmente um horário exclusivo para os nossos clientes com WOD's, challenges, aulas live, aulas gravadas, etc. Continuamos a realizar treinos personalizados para as pessoas poderem fazer em casa de acordo com o material que têm. Tomámos também a iniciativa de emprestar o material aos nossos clientes para assim poderem fazer as nossas aulas online, em casa, nomeadamente bikes de spinning, steps, elásticos, halteres, etc.
Foi desta forma que conseguimos continuar a manter o Vybe vivo e super activo para toda a família Vybe.
 
Ardina do Alentejo – A medida de empréstimo de equipamento do ginásio aos vossos clientes revelou-se um verdadeiro sucesso. Estavam à espera desta adesão massiva?
VHC – O Vybe tem como primeira instância poder proporcionar a todos um estilo de vida saudável, através da prática de exercício físico, orientado por profissionais de excelência. É este o cunho que queremos deixar. Existe um espaço físico, o Vybe, onde podemos proporcionar todas essas experiências e que, momentaneamente, foi forçosamente encerrado. Nesse sentido, a pergunta que nós colocámos foi: "Como conseguiremos estar com os nossos clientes e poder dentro da conjuntura continuar a proporcionar boas práticas desportivas?"... 
Muitas vezes, para pôr essa ideia em prática e para poderem realizar as nossas aulas, o material era limitativo, e nesse sentido, a resposta foi clara. Decidimos então emprestar o material a todos aqueles que desejarem.
 

 Pretendemos dar o melhor aos nossos clientes, trabalhando com excelentes profissionais desde fisioterapeutas, nutricionistas, osteopatas, personal trainers, etc. Não pretendemos ser os mais baratos porque tudo o que tem qualidade e marca a diferença tem um preço, e nós queremos o melhor para o nosso cliente porque a sua saúde para nós não tem preço.

 
E devo dizer que muito nos surpreendeu pela positiva, não só a adesão das pessoas, como também todas as mensagens de agradecimento, de alegria por poder fazer aulas das quais tinham saudades, de partilhar connosco as fotos a treinar em casa, etc.
Sentimento de bem-estar enorme, alegria, emoção ao cumprir mais uma vez uma das grandes máximas do Vybe, "...POR E PARA VOCÊS, SEMPRE...".
 
Ardina do Alentejo – Qual foi aquela iniciativa, aquela ideia tomada nesta época de Covid-19 que suplantou as vossas expectativas?
VHC – Não posso dizer que tenha sido uma, mas um conjunto. Mas sem dúvida que a mais marcante, foi o agradecimento, a alegria, a boa Vybe que se criou com a adesão das pessoas ao empréstimo do material, o sentido de entreajuda, de humildade, de alegria, de compreensão, de partilha… o que fez com que os nossos clientes, e não só, reconhecessem o nosso esforço. Devo dizer que para nós foi muito gratificante.
 
Ardina do Alentejo – As redes sociais têm sido uns verdadeiros aliados do Ginásio Vybe. Sentimento de dever cumprido ao ver, ainda que de forma virtual, os vossos clientes a fazerem exercício e a partilharem as vossas actividades nas redes sociais?
VHC – Sem dúvida nenhuma que as redes sociais foram os nossos aliados. Mas mais que isso, os nossos verdadeiros aliados são, foram e serão sempre, os nossos clientes e seguidores que, através das redes sociais, depositaram confiança em toda a equipa Vybe e decidiram seguir-nos e acompanhar todo o nosso trabalho on-line e, por isso, ESTAMOS MUITO AGRADECIDOS.
 
Ardina do Alentejo – De que forma é que quem não é vosso cliente, mas que agora tem mais “tempo livre”, vos pode acompanhar e fazer exercício?
VHC – Qualquer pessoa pode, na verdade, seguir-nos. Basta enviar mensagem privada e com muito gosto explicamos todas as condições de adesão e mais valias de entrar nesta FAMILIA VYBE, que neste momento são únicas, devo dizer. Pretendemos dar o melhor aos nossos clientes, trabalhando com excelentes profissionais desde fisioterapeutas, nutricionistas, osteopatas, personal trainers, etc. Não pretendemos ser os mais baratos porque tudo o que tem qualidade e marca a diferença tem um preço, e nós queremos o melhor para o nosso cliente porque a sua saúde para nós não tem preço.
 
Ardina do Alentejo – A última pergunta da praxe… Que mensagem deixam a quem for ler esta entrevista?
VHC – Queremos deixar um forte abraço a todos, deixando claro que estamos disponíveis para ajudar no que for preciso, sendo ou não nosso cliente. Continuem a treinar e a “usar” o exercício físico para cuidar da vossa saúde física e mental.
ESTAMOS JUNTOS, POR E PARA VOCÊS, ONTEM, HOJE E AMANHÃ…
YES, WE VYBE… 
 
 
Modificado em terça, 21 abril 2020 12:17
Decorria o ano de 2011, quando a cidade de Estremoz foi representada pela primeira vez no programa de caça talentos “Got Talent Portugal”. Transmitido na estação televisiva SIC, o programa apresentado por Bárbara Guimarães e ainda com o nome de “Portugal Tem Talento” contou com a participação do grupo de dança estremocense “Dance 4 Fun”, onde o pequeno Eric, então com 3 anos, era a estrela da companhia. No ano em que foram apresentadas mais de seis mil propostas de talento, os “Dance 4 Fun” ficaram entre os 80 últimos seleccionados.
 
Seis anos volvidos e mais um estremocense pisou o palco do “Got Talent Portugal”. Em 2017, o beatboxer estremocense Tiago Cardona apresentou o seu talento no programa transmitido, tal como hoje, no canal estatal RTP1, e apresentado na altura por Pedro Fernandes. Com os “sim” de Pedro Tochas e de Cuca Roseta, o jovem alentejano passou à segunda fase. O “não” de Manuel Moura dos Santos, foi como que “uma pedra no sapato” do jovem, com então 15 anos. No final dos seus primeiros 114 segundos de fama, Tiago Cardona disse que “o meu objectivo na próxima fase é mesmo conquistar o Manuel”. E deixou uma garantia: “e vou conseguir”. Mas não conseguiu. Tiago Cardona não passou a fase seguinte da competição.
 
E 2020 marca o regresso dos estremocenses ao palco de um dos programas de maior sucesso na televisão nacional.
 
Quis o destino que ambos, embora em anos diferentes, deixassem a cidade branca do Alentejo e partissem até Lisboa, para integrarem o Chapitô, a famosa Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo. O esforço do treino, a dedicação à arte, a vontade de singrarem no mundo do espectáculo e a qualidade que possuem fê-los apresentarem-se no programa de caça talentos da RTP1, apresentado nesta temporada por Sílvia Alberto.
 
João Pataco e Miguel Tira-Picos, a dupla Pataco/Tira-Picos realizou um número de aéreos, ao som do tema “Adeus Tristeza”, na versão dos Amor Electro, e desde logo conquistou o júri composto por Pedro Tochas, Cuca Roseta, Sofia Escobar e Manuel Moura dos Santos. Para a cantora Sofia Escobar “foi um privilégio assistir à vossa estreia. Tenho a certeza que é o início de algo muito grande e muito bonito. Foi alucinante. Muito obrigado por terem trazido algo tão especial”. O comediante Pedro Tochas afirmou que foi um número “em crescendo com tensão. Circo é isto, é tensão constante, em crescendo. É arriscar e dar tudo e vocês deram tudo. Foi um prazer ver e quero ver mais. Isto começou agora”. A fadista Cuca Roseta salientou nunca ter assistido a “um número aéreo com tanto sentimento, porque há uma história, há uma expressão… Foi magnifico”. Para Manuel Moura dos Santos a actuação da dupla de estremocenses foi “fantástica. Vocês quiseram mostrar tudo. E fizeram bem, porque vieram aqui para isso, dar tudo. Fantástico. Pataco e Tira-Picos, categoria!
 
Mas não foram só os jurados que ficaram rendidos a este número da dupla alentejana. A apresentadora Sílvia Alberto fez questão de dizer aos próprios que este tinha sido um número “lindo, de uma virilidade incrível. Parabéns”.
 
Ardina do Alentejo esteve à conversa com Miguel Tira-Picos, de 27 anos, e João Pataco, de 20 anos. A ideia de participarem no "Got Talent Portugal", como vai ser a segunda audição, o futuro da dupla e a cidade natal, Estremoz, foram alguns dos temas abordados.
 
Ardina do Alentejo - Como é que surgiu esta ideia de participarem em conjunto no Got Talent Portugal?
Miguel Tira-Picos (MTP) - A ideia surgiu por convite do João. Já há algum tempo que queríamos trabalhar juntos e arriscámos participar no Got Talent Portugal. 
João Pataco (JP) - Esta ideia surgiu desde o ponto em que eu já há muito tempo que queria trabalhar com o Miguel. A ideia de participar no Got Talent veio a calhar pois a vontade de pegar em algo e transformá-la naquilo que mais gostamos era muito significativo para ambos. Por isso quisemos arriscar.
 
Ardina do Alentejo - Até onde pode ir a dupla Pataco/Tira-Picos neste programa?
MTP - Em relação ao programa, o nosso principal objectivo é promover e partilhar o nosso trabalho. É o único programa televisivo que nos dá essa oportunidade. Claro que gostaríamos de ganhar e queremos acreditar que temos talento para tal. 
JP - Não criei muitas expectativas para o programa, apenas quis focar-me e mostrar realmente aquilo que gosto de fazer. Claro que quero dar mais e mais.
 
Ardina do Alentejo - Os jurados querem sempre ver mais e melhor na 2ª actuação do que na 1ª. A fasquia vai ter de subir... Preparados para essa subida? 
MTP - Vamos sempre dar o nosso melhor. Fazemos questão de levar esta nova aventura com muita seriedade. Esperamos surpreender o público, os jurados e, acima de tudo, representar a nossa cidade da melhor forma. 
JP - Com trabalho e dedicação tudo se consegue. Uma coisa é certa: daremos tudo de nós enquanto tivermos em palco.
 
Ardina do Alentejo - E Estremoz? Quando é que a vossa terra natal vos vai poder ver ao vivo?
MTP - Estremoz será sempre o nosso palco de eleição e onde nos sentimos em casa. Tenho toda a certeza que irá surgir a oportunidade de mostrar o nosso talento na nossa terra Mãe. 
JP - Estremoz é uma terra unida e garanto que o apoio deles será muito visível durante o programa.
Modificado em sábado, 16 maio 2020 18:27