sábado, 07 dezembro 2019
terça, 24 março 2015 18:54

Luís Mourinha em entrevista sobre a Praça de Touros de Estremoz

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"Toda a gente quer a Praça, mas quando foi para a recuperar ninguém deu o passo em frente" "Toda a gente quer a Praça, mas quando foi para a recuperar ninguém deu o passo em frente" Ivo Moreira
No dia em que João Pedro Bolota anunciou, em primeira mão, ao “Ardina do Alentejo”, parte do cartel da Corrida de Touros que se realiza na cidade branca do Alentejo, dia 2 de Maio, por ocasião da FIAPE 2015, apresentamos uma entrevista com Luís Filipe Mourinha, Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, onde são abordados os temas do momento na tauromaquia estremocense: o acordo celebrado entre a autarquia estremocense e a OPE - Associação Tauromáquica de Estremoz para a realização de eventos tauromáquicos na Praça de Touros de Estremoz durante a época de 2015, e claro, a polémica que envolve José Maldonado Cortes e o seu filho Francisco Cortes.
 
Ardina do Alentejo – Como é que vê toda esta polémica à volta da entrega da gestão da Praça à OPE?Luís Filipe Mourinha, Presidente da Câmara Municipal de Estremoz
Luís Mourinha – A Praça de Touros de Estremoz é como a noiva, rica. Toda a gente a quer, mas quando foi para a recuperar ninguém deu o passo em frente e essa é que é a grande questão de fundo. Todos querem a praça, todos querem fazer a gestão da praça, mas todos aqueles que andam nos blogues e essa gente que anda por aí, nunca ninguém deu um passo em concreto para a recuperar. Há uns que deram uns passinhos, mas foi com o dinheiro da câmara. Neste momento, a Câmara não dá dinheiro para se fazerem festas taurinas. Quem gosta de touros é que tem de defender a festa dos touros e por isso vai às corridas.
 
Atendendo a que a empresa do Campo Pequeno este ano não quis ficar com outras praças, sem ser a do Campo Pequeno, nós achámos que a solução ideal é a OPE – Associação Tauromáquica de Estremoz, na medida em que não cobra dinheiro à Câmara, nem queremos que eles cobrem dinheiro a quem organizar as corridas. O dinheiro que podem cobrar é para a manutenção e para limpeza da praça após as corridas e os espectáculos taurinos que lá houver. O que ficou acordado com eles foi um preço que podem cobrar, consoante se for de tarde ou de noite, para depois pagarem a limpeza e os dias de trabalho que os funcionários da câmara lá venham a desenvolver. E nada mais. Não há lucros, nem benefícios para a OPE. A OPE é apenas a gestora da praça para a temática taurina. Tudo o que for fora da questão taurina, a responsabilidade de cedência é do Município, que a pode ceder a outras instituições que queiram fazer espectáculos de outra natureza.
 
Em relação ao que dizem por aí que há um empresário que ficou com a praça, não corresponde à verdade, não há nenhum empresário que tenha ficado com a praça. O que houve foi um contacto com um empresário para fazer a corrida, que neste momento ainda não se sabe se vai fazer a corrida, a OPE tem um contrato para ser assinado que ainda ninguém assinou. Neste momento são só conversas, ainda não sei sequer se o Sr. Bolota vai fazer a corrida ou não. (ndr: entrevista gravada a 21 de Março)
 

Quando querem pressionar o Presidente da Câmara com mentiras, essas mentiras não funcionam

 
Ardina do Alentejo – O que espera desta temporada tauromáquica em Estremoz?
Luís Mourinha – Com estas guerrinhas de "meia-tigela", de gente de "meia-tigela", não sei em que ponto poderá afectar a assistência à corrida. Também vivemos um momento de crise, e os aficionados que têm rendimentos baixos não conseguem ir às corridas porque elas têm um preço elevado. Há muitos aficionados que só conseguem ver as corridas se forem televisionadas porque para irem às praças eles não têm dinheiro neste momento. Há um número elevado de aficionados que não conseguem ir e não sei até que ponto isso se vai reflectir na assistência da praça.
Para mim, neste momento as corridas de touros já não me afectam se têm muita gente ou pouca gente. Estou completamente inquinado com determinado tipo de "gentalha", que não fazem nada em prol dos outros, só para tirarem benefícios para eles próprios…
 
Ardina do Alentejo – Há um nome incontornável na tauromaquia em Estremoz. Nesta altura fala-se muito nesse nome. É verdade que disse que Francisco Cortes só toureava na Praça de Touros de Estremoz se o pai lhe pedisse públicas desculpas?
Luís Mourinha – O Sr. José Maldonado Cortes tomou uma atitude. Ele sabe o que é que tem de fazer para retroceder tudo aquilo que disse que não correspondia à realidade.
 
Quando querem pressionar o Presidente da Câmara com mentiras, essas mentiras não funcionam.
 
Toda a gente me conhece em Estremoz e sabe que quando começam com mentiras nos jornais, a situação inverte-se, eu não me rebaixo. Luto pela verdade contra muita gente, contra oportunistas. Depois da praça reconstruida, alguns oportunistas querem tomar conta da praça, mas comigo, oportunistas não tomam conta da praça.
 
O Sr. José Maldonado Cortes teve o seu momento de glória em termos tauromáquicos, teve o seu momento de glória enquanto gestor de praças, mas o seu período passou. Vivemos em 2015. Ele tomou determinadas posições e eu, enquanto gestor do Município de Estremoz, não aceito determinadas situações. E como não me apetece andar nos jornais a fazer desmentidos disto ou daquilo, ele sabe o que tem de fazer para alterar essa situação.
 
Não ando com graxa, nem vou em engraxadelas. As pessoas têm que assumir as suas responsabilidades. Assumiram em determinado momento político, porque havia eleições, e acharam que tomando determinadas posições podiam dar uma reviravolta a isto em termos eleitorais. Isso para mim é um dado, e o povo pronunciou-se precisamente contra esse tipo de postura e contra esse tipo de pessoas, votando massivamente no Movimento Independente por Estremoz - MiETZ. E a seguir temos que tirar ilacções dessa matéria. Quem se mete na política, dessa forma e em determinados momentos, tem de assumir as suas responsabilidades futuramente. Para sair delas sabe o que tem de fazer. E em relação a essa matéria, está tudo muito esclarecido e ao longo dos últimos anos já foi dado o esclarecimento a quem tinha de ser dado. Toda a gente sabe o que é que tem de fazer para que as coisas voltem ao normal.
 
Mas que se saliente que eu gosto muito do mundo dos touros mas aquilo que vejo hoje à volta do mundo dos touros não me agrada sinceramente. Têm de repensar o que querem porque a continuarem assim será a morte anunciada da festa brava em Portugal.
 
 
“Não pedimos nada a ninguém!”
 
A OPE – Associação Tauromáquica de Estremoz e a Câmara Municipal assinaram recentemente um acordo, para a temporada de 2015, que confere à associação estremocense a gestão da Praça de Touros de Estremoz no que à realização de eventos tauromáquicos diz respeito.
 
O “Ardina do Alentejo” esteve à conversa com José Pico, Hélder Cebola e Francisco Cóias, respectivamente Presidente, Secretário e Tesoureiro da Direcção da OPE – Associação Tauromáquica de Estremoz, que nos referiram que o papel da OPE “é fazer a gestão da praça e a sua manutenção”.
 
Em relação a verbas envolvidas neste acordo, os elementos da OPE salientaram que a empresa que fizer as corridas terá de pagar um montante, já estipulado, para que depois a OPE “possa pagar a luz, a água e a limpeza da praça”.
 
Segundo José Pico, a empresa Aplaudir, de João Pedro Bolota, “e pelo menos é o que está apalavrado” irá fazer as corridas de “Maio e de Setembro”. 
 
No que concerne a toda a polémica que envolve este acordo, a OPE reitera que “não pedimos nada a ninguém!” Acrescentam que “havia quem quisesse a gestão da praça à força toda, e daí a polémica que se gerou, mas nós não pedimos nada a ninguém”.
 
Hélder Cebola acrescenta que “não queremos polémicas com ninguém, nem as queremos criar. Queremos que a Praça de Touros de Estremoz em vez de polémica, tenha alegria”. O Secretário da OPE afirmou ainda que “é pena uma cidade tão pequena ter uma associação e uma tertúlia. Em vez de andarmos em guerrilhas, se estivéssemos todos unidos, a nossa força seria maior”.
 
Sobre a temporada tauromáquica em Estremoz e projectos para a Praça de Touros de Estremoz, a OPE pretende levar a efeito “a realização de umas brincadeiras taurinas, umas garraiadas para chamar o público à praça, em especial o jovem, para que aquele espaço tenha vida”.
 

Queremos que a Praça de Touros de Estremoz em vez de polémica, tenha alegria

Acrescentaram ainda que, e em virtude de serem uma associação sem fins lucrativos, “nunca poderiamos cometer a ousadia e entrar em loucuras de organizarem corridas de touros, com verbas e valores que depois não poderíamos suportar. E depois íamos o buscar onde? É aqui que entra a empresa Aplaudir e o João Pedro Bolota. Nós gerimos a praça e ele organiza as corridas”.
 
Olhando já para a temporada de 2016, e visto que o acordo celebrado tem a duração de um ano, a OPE acredita que este seja um acordo e um projecto que tem pernas para andar para além da actual temporada tauromáquica, mas “o Presidente da Câmara terá uma palavra a dizer no final desta temporada”.
 
A OPE, que tem a sua sede na zona envolvente ao Pavilhão Municipal de Estremoz, salienta que “sobrevive” com a quotização dos 49 sócios e que, “como o Presidente diz, não andamos sempre na Câmara a pedir”.
 
 
 
Modificado em quarta, 25 março 2015 00:23

1 comentário

  • Ligação de comentário José Ricardo Lupi terça, 31 março 2015 00:00 postado por José Ricardo Lupi

    Ide todos encher - vos de melgas.
    Não tendes nada para fazer. ....

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