segunda, 19 agosto 2019
domingo, 22 fevereiro 2015 16:49

Francisco Cortes apresentou quadra e afirmou 'não sei porque é que não posso tourear em Estremoz'

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Francisco Cortes quer cumprir o sonho de tourear em Estremoz na temporada em que comemora 20 anos de alternativa Francisco Cortes quer cumprir o sonho de tourear em Estremoz na temporada em que comemora 20 anos de alternativa DR
10 de Junho de 1995. Monumental de Santarém. Corrida da Rádio Renascença. Foi há 20 anos, apadrinhado pelo seu pai, José Maldonado Cortes, e tendo como testemunhas Paulo Caetano, Joaquim Bastinhas, António Ribeiro Telles, Rui Salvador e Luís Rouxinol, que o estremocense Francisco Cortes tirou a alternativa de cavaleiro tauromáquico.
 
Devido ao facto de em 2015 passarem 20 anos desde esse dia tão importante para Francisco Cortes, que esta temporada tauromáquica se reveste para o cavaleiro estremocense de ilusão e de sonho.
 
Foi para falar dos projectos que existem para 2015, mas também para apresentar a sua quadra de cavalos para a temporada que já arrancou, que Francisco Cortes convidou imprensa e amigos, para uma festa que se realizou ontem, dia 21 de Fevereiro, na sua propriedade, na Herdade das Barbas.
Para além de diversos amigos e dos familiares de Francisco Cortes, os cavaleiros Francisco Zenkl e José Luís Cochicho, o actual cabo do Grupo de Forcados Amadores de Portalegre, Francisco Paralta, e o antigo cabo do mesmo grupo, António José Batista, os antigos forcados Francisco Lagarto, Francisco Araújo “Fazé” e João Pinhel “Gambiarra”, o ganadero Armando João Moura, em representação da ganadaria de Dª Maria Guiomar Cortes de Moura, o Presidente da Tertúlia Tauromáquica de Estremoz, Marco Pernas, o aficionado José do Carmo Reis, ex- Presidente da Assembleia Geral da Associação de Tradições e Cultura Tauromáquica, e o empresário Arnaldo Santos, da empresa tauromáquica Derechazo, a única empresa presente na festa, foram algumas das presenças notadas na Herdade das Barbas.
 
Com a ajuda preciosa de uma vaca cedida para o evento pela ganadaria de Dª Maria Guiomar Cortes de Moura, Francisco Cortes deu a conhecer a todos os presentes, o Fellini (ferro António Paim), o Hemingway (ferro M. Cleba), o Dali (ferro António Paim), o Biorn (ferro Pedro
 Passanha), e o Faraó (ferro Maldonado Cortes), os cavalos que fazem parte da sua quadra para a temporada de 2015.
 
Depois, na companhia do apoderado Fernando do Canto e do amigo de longa data, Miguel Alvarenga, Francisco Cortes agradeceu “do fundo do coração” a presença de todos, “em particular” do pai, José Maldonado Cortes, “que tem sido o meu companheiro e a pessoa que tem estado presente em todas as horas”. Para além de ter agradecido à restante família e aos seus colaboradores do dia-a-dia, “Kiko” Cortes agradeceu ainda a Fernando Canto, “que além de apoderado é um grande amigo” e a Miguel Alvarenga, “pela sua disponibilidade e por todo o apoio que tenho sentido da sua parte”.
 
O apoderado Fernando Canto, recordando os 20 anos de alternativa de Francisco Cortes, referiu que são 20 anos de “muito trabalho, muita dedicação, muito crer, e muita dignidade na defesa de um nome que é incontornável” na tauromaquia, o nome Cortes. O apoderado salientou que “ao longo destes 20 anos temos sentido algumas incompreensões dos mais variados sectores”. “Custa muito trabalhar e não ver reconhecido o fruto desse trabalho” acrescentou. Fernando Canto foi mais longe ao dizer que “nem sempre é bom triunfar, porque triunfar e estar bem vai mexer com outros interesses e com outras maneiras de estar e torna-se prejudicial”.
 
Sobre a temporada de 2015, Fernando Canto disse “haver a ilusão de fazermos uma excelente temporada. Os ingredientes estão todos cá. Há uma excelente quadra de cavalos, há uma vontade enorme, há arte, há emoção e há um estilo próprio”. Acrescentou terem “esperança nesta temporada, mas os empresários é que têm a palavra. Têm de abrir os cartéis ao Francisco e tem que haver renovação. A nossa opinião é que os cartéis demasiado repetitivos cansam o aficionado”.
 
Adiantou ainda que está pensada a realização de uma corrida comemorativa dos 20 anos de alternativa de Francisco Cortes. “Eu sei que o grande sonho do Francisco é que essa corrida se realizasse em Estremoz, a sua terra, onde nasceu, onde tem os amigos e onde tem muita gente que gosta dele” disse Fernando Canto. O apoderado de Francisco Cortes salientou no entanto parecer “impossível que esse sonho se concretize”. Lançou o desafio “de que essa corrida se possa realizar numa praça o mais próximo de Estremoz, para que os seus amigos e os seus conterrâneos façam uma deslocação o mais curta possível, e ir levar-lhe o calor da amizade na corrida dos 20 anos de alternativa”.
 
O jornalista e crítico tauromáquico Miguel Alvarenga usou igualmente da palavra e confidenciou interrogar-se várias vezes “porque é que o Francisco não está em mais cartéis, porque é que não aparece mais vezes, porque das poucas vezes que toureia triunfa sempre, é um toureiro desenvolto, que dá a volta a qualquer toiro, com qualquer cavalo… É um toureiro que faz falta nos cartéis para que não seja sempre tudo mais do mesmo”. O responsável pelo blogue taurino “Farpas Blogue” disse ainda que “a Praça de Estremoz está um bocadinho longe para ele, por razões que não se entendem mas que se deveriam tentar ultrapassar”. Concluiu dizendo que “as empresas deveriam acreditar mais num cavaleiro como o Francisco, e deveriam arejar os cartéis, porque o Francisco tendo 20 anos de alternativa pode continuar a dizer-se que é um jovem cavaleiro que não está muito visto, que fica bem em qualquer praça, que nunca desilude ninguém e que triunfa sempre”.
 
Em declarações ao “Ardina do Alentejo” e à Rádio Despertar – Voz de Estremoz, Francisco Cortes olhou para trás e fez um balanço destes 20 anos de alternativa, dizendo sentir-se “feliz e orgulhoso” da sua trajectória, na actividade que sempre sonhou fazer desde miúdo. Acrescentou que “podia ter feito mais coisas mas a vida nem sempre é como nós a idealizamos. Sinto-me extremamente feliz sobretudo pela postura de seriedade, pela postura de verdade, de não me vender, de não querer comprar ninguém… Um percurso que me alegra muito, que poderá não alegrar a muitas outras pessoas, mas eu estou bem comigo próprio e espero que sirva para ser um exemplo para os meus filhos e para os meus familiares”. 
 
Sobre a temporada de comemoração dos seus 20 anos de alternativa, Francisco disse ainda não saber quantas corridas irá tourear. “Eu estou para desfrutar da tauromaquia, não estou para entrar em determinados jogos, estou aqui para ser feliz, para desfrutar o dia-a-dia e não vou estabelecer metas” disse. Acrescentou que “há determinados desejos que gostaria que acontecessem mas não vou apostar demasiado neles… vou estar tranquilo”.
 
Em relação ao sonho de realizar a corrida comemorativa dos 20 anos de alternativa na Praça de Estremoz, Francisco disse não saber se isso será possível. “Primeiro que tudo não sei porque é que não posso tourear em Estremoz” disse. Acrescentou que “é natural ter todo o gosto em tourear em Estremoz, para mais sendo o ano dos meus 20 anos de alternativa, mas é uma situação que não passa por mim. Eu não fiz mal a ninguém e penso que ninguém terá nada para me apontar, e se o tiver que diga. Como já disse, estou tranquilo, sereno e o que acontecer e o que vier, virá”.
O “Ardina do Alentejo” e a Rádio Despertar estiveram também à conversa com o pai de Francisco Cortes, o Maestro José Maldonado Cortes, que recordou a corrida de alternativa do seu filho. “Foi uma corrida com muita emoção, da Rádio Renascença, na Praça de Santarém, à cunha, que correu bastante bem, e onde se viu o trabalho meu e dele ali resumido” disse.
 
Sobre o seguir por parte de Francisco das suas pisadas no mundo da tauromaquia, José Maldonado Cortes, disse que “a culpa não foi minha. Dei-lhe liberdade para ele fazer o que quisesse, mas nunca o influenciei para que ele fosse toureiro. Acontece o mesmo com os meus netos, porque eles gostam muito, mas nunca os irei influenciar em nada. E agora mais que nunca está do pior que há, porque n
unca houve tanta má vontade de certas pessoas para se ser toureiro. Hoje só pode ser toureiro um tipo muito rico”.
 
Sobre o que poderá vir a ser a temporada dos 20 anos de alternativa do seu filho, o Maestro José Maldonado salientou que “poderá ser uma época boa, mas é difícil, porque existe uma grande dificuldade em se tourear, porque as empresas são apoderadas de vários cavaleiros e colocam os cavaleiros deles e não os da casa”.
 
Fazendo um balanço dos 20 anos de toureio de Francisco Cortes, o seu pai considera que “tem sido um percurso bom. Não tem toureado as corridas que ele merecia, podia e devia ter toureado mais, mas não lhe deram abertura para tourear muitas corridas”. Concluiu salientando que “ele pode tourear em qualquer sítio e não faz má figura. O ano passado ganhou o prémio de melhor lide em Portalegre, toureou em Monforte muito bem, e no fim não lhe serviu de nada”.
 
Fotografias autoria de Ivo Moreira.
 
Modificado em terça, 03 março 2015 16:13

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