segunda, 30 novembro 2020
quarta, 05 fevereiro 2020 17:31

Faleceu o "Ti Chico Endireita" de Alter do Chão

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Homem simples e bom, amigo do seu amigo, tinha muita pena de não saber assinar o nome, apesar de ainda ter começado a aprender Homem simples e bom, amigo do seu amigo, tinha muita pena de não saber assinar o nome, apesar de ainda ter começado a aprender DR
Faleceu a meio da manhã da passada terça-feira, dia 4 de Fevereiro, em Alter do Chão, no lar onde estava a residir, Francisco da Silva Barbudo, o famoso “Ti Chico Endireita” ou “Cascavelhana”.
 
Nascido em Cabeço de Vide, a 13 de Outubro do já longínquo ano de 1922, o “Endireita” de Alter encontrava-se doente há algum tempo, tendo estado recentemente internado no Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre.
 
Parte assim aos 97 anos uma pessoa com o sentido do tacto muito apurado, que no campo, e enquanto ajudante de pastor, começou a “endireitar” ossos aos borregos. O dom natural e o treino – chegou a confessar “desmanchar” ossos nos borregos para os voltar a colocar no lugar – fizeram com que começasse a resolver os problemas às pessoas de Alter do Chão, especialmente depois da senhora Gertrudes do "Tio-Tio", proprietária de uma taberna e antiga "endireita" de Alter ter deixado de poder trabalhar.
 
Francisco Silva atendeu durante muitos anos na sua casa da Avenida da Alcárcova, e depois na Horta do Estoril, também na Avenida da Alcárcova, onde passou a valer às muitas pessoas que se deslocavam de todo o Portugal e até da vizinha Espanha que, por motivos de problemas musculares ou ósseos, o procuravam para alívio das dores. Ultimamente o seu "consultório" era na sua casa nova, na Azinhaga das Feiticeiras, junto à antiga fábrica de moagem.
 
Conhecido sempre como sendo uma pessoa muito honesta, quando via que havia fracturas ou alguma situação mais complexa que não conseguia resolver, dizia logo que "isso é com os doutores" e encaminhava as pessoas para os consultórios médicos ou para os hospitais.
 
Não levava dinheiro pela “consulta” mas também não gostava de receber uma quantia qualquer, e tinha a particularidade de não aceitar qualquer valor que quisesse ser dado por bombeiros ou guardas. 
 
Homem simples e bom, amigo do seu amigo, tinha muita pena de não saber assinar o nome, apesar de ainda ter começado a aprender.
 
O funeral do "Ti Chico Endireita" realizou-se na tarde desta quarta-feira, em Alter do Chão.
 
c/ Jornal Alto Alentejo
Modificado em quarta, 05 fevereiro 2020 17:40

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