segunda, 24 junho 2019

Parabéns, querida Rádio

sexta, 17 maio 2019 15:34
Um dia alguém sonhou ter uma rádio. Há 35 anos atrás, o Padre Júlio Esteves não se ficou pelos sonhos e conseguiu. Juntou amigos e foram em frente, criando condições para que a palavra do Senhor não fosse escutada apenas dentro da Igreja de Santa Maria. Esta era a primeira ambição da Rádio Despertar, uma rádio que veio também para despertar muitos estremocenses para o "bichinho" da rádio.
 
Não vou aqui escrever nomes, pois posso deixar alguém de fora. No entanto, posso dizer que a Rádio Despertar, com certeza à semelhança de muitas outras rádios locais, tem sido uma escola de rádio e de comunicação para muita gente. Ao longo de todos estes anos, temos ouvido grandes vozes e grandes comunicadores nesta nossa rádio. Gente que depois a vida profissional levou para outros caminhos, mas que poderiam perfeitamente fazer carreira neste meio de comunicação. Vimos também, alguns "darem o salto" para outras paragens, munidos de uma bagagem angariada nesta rádio, que é pequena em tamanho, mas enorme na sua importância para a cidade e para a região. Ainda hoje, não sei se temos os melhores, mas sei que temos gente muito apaixonada por aquilo que faz.
 
O seu saudoso fundador disse muitas vezes, em discurso de aniversário, que não imaginava Estremoz sem a sua rádio. Sei que muitos dos que moram no Concelho não a ouvem e preferem muitas vezes falar sem conhecer, ou seja, sem ouvir. No entanto, até a esses o silêncio da rádio iria incomodar, pois há sempre um dia em que precisam de ouvir ou de divulgar alguma coisa. A Rádio Despertar é mesmo a Voz de Estremoz e eu poderia aqui provar isso facilmente, trazendo exemplos, mas não o vou fazer pois assim seria "juiz em causa própria" e este texto não tem a intenção de servir para isso.
 
Importante é, nesta altura, enaltecer estes 35 anos da Rádio Despertar. Frisar o facto de esta rádio emitir, há muitos anos, 24 horas por dia e ter uma programação variada e música para todos os gostos. Nesta rádio, tocam todos os estilos de música e toda a gente tem voz. Temos protocolos com várias instituições de Estremoz que lhes permite passar a sua mensagem. Aqui, sendo uma rádio plural e independente, todos podem ter voz. Temos uma linha e princípios católicos dos quais nos orgulhamos, mas sabemos que os ouvintes merecem ser informados e entretidos. É para isso que serve uma rádio.
 

Sei que não agradamos a todos, mas que nos respeitam. Reconheço que não fazemos tudo bem, porque isso não é possível, mas acreditem que o tentamos fazer, com os meios que temos à disposição. Sabemos da nossa importância, porque é isso que nos é mostrado pelos ouvintes. Sabemos que fazemos companhia a muita gente que está sozinha e que faz de nós a sua companhia. Está a missão da rádio local. Não podemos, nem queremos, concorrer com as rádios nacionais.

Ao fazermos 35 anos, sentimos que ainda andámos muito pouco. A História já é bonita, mas ainda é muito curta e temos muita vontade de a prolongar. Porque acreditamos que é possível sempre fazer mais e melhor, apesar das dificuldades, estamos certos de que vamos continuar a escrever esta história. Seguimos uma linha que nos orgulha e que nos foi deixada por quem entendia bastante do assunto. Queremos também sempre honrar a sua memória. Não olhamos para o lado e a nossa preocupação é olhar para a frente, pois só assim é possível cumprir a nossa missão. 
 
Sei que não agradamos a todos, mas que nos respeitam. Reconheço que não fazemos tudo bem, porque isso não é possível, mas acreditem que o tentamos fazer, com os meios que temos à disposição. Sabemos da nossa importância, porque é isso que nos é mostrado pelos ouvintes. Sabemos que fazemos companhia a muita gente que está sozinha e que faz de nós a sua companhia. Está a missão da rádio local. Não podemos, nem queremos, concorrer com as rádios nacionais. Aqui, é preciso entendermos o nosso papel e apostarmos em ser uma alternativa, em vez de fazermos isto ou aquilo porque os outros também o fazem. É aqui que se cria a identidade de uma rádio. É isto que tentamos fazer.
 
35 anos, é uma bonita idade. Parabéns, minha querida Rádio Despertar. Devo-te muito e sou diferente por estar aqui.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
 
 
 
Modificado em sexta, 17 maio 2019 16:01

aVARiado

segunda, 15 abril 2019 13:41
Entendo a aplicação do VAR. Entendo, completamente, a sua utilidade e possível mais valia. Não entendo, sinceramente, é a forma como é utilizado na prática. Sei que esta nova valência já resolveu algumas injustiças e foi verdadeiramente útil em determinados jogos, no entanto, a forma como é aplicado, semana após semana, só tem trazido ainda mais polémica ao futebol. Quando vemos jogadores a pedirem aos árbitros para irem ver os lances, entendemos que esta passou a ser, mais do que para os árbitros, uma ferramenta para os jogadores.
 
Quem está no campo, estando bem colocado, vê melhor grande parte dos lances. Principalmente nos lances de grande penalidade, o árbitro consegue perceber mais facilmente se é falta ou não, estando bem colocado dentro do campo. Todos nós sabemos que há pequenos toques que não impedem um jogador de seguir com a jogada. Com o VAR, os jogadores sabem que todas as jogadas são vistas várias vezes e, em caso de encontrar um toque, o VAR chama a atenção do árbitro. Isto não é a verdade desportiva. Isto é não entender que o futebol é, e espero que sempre seja, um jogo onde o contacto é inevitável em muitas ocasiões e nem sempre é à margem das leis.
 

Assim, à boa maneira portuguesa, o VAR tem sido aproveitado para criar ainda mais pressão sobre os árbitros. As vantagens que esta nova tecnologia poderia trazer, estão a diliuir-se na polémica que tem sido criada nos jogos mais mediáticos. É certo que o facto de duas equipas estarem a lutar pelo campeonato taco a taco, também faz com que com ou sem VAR a polémica se agudize. No entanto, digo eu, a forma como esta valência tem sido utilizada, fazendo com que os jogos tenham agora vários árbitros, não está a proteger a modalidade.

Faço relatos de futebol de jogos do Distrital. Também aqui há polémica, mas não há repetições de várias câmaras nem VAR. Aqui, permanece a primeira e única leitura dos árbitros. Estes árbitros amadores erram várias vezes e acaba por ser normal, pois são amadores, tal como os praticantes. São também contestados,, mas não têm a "muleta" do VAR. Só vêm os lances uma vez e não passam a semana a treinar para o jogo como fazem os profissionais. Fica, nestes casos, sempre o benefício da dúvida, pois não são muitos os jogos amadores que têm transmissão online e repetição dos lances. Em Portugal, abusa-se da repetição, do querer encontrar a verdade absoluta em lances onde duas pessoas podem ter opiniões diferentes.
 
O VAR veio para evitar injustiças. Veio para que não fosse anulado um golo onde o avançado esteja claramente atrás da linha defensiva ou não fosse validado um lance onde o avançado está dois metros em fora de jogo. O VAR veio para que sejam marcados golos quando a bola entra e, como foi uma jogada rápida demais, o árbitro não se apercebeu que a bola terá passado totalmente a linha. O VAR veio para punir agressões que passem despercebidas. O VAR veio para reparar injustiças e não para ser o árbitro dos árbitros. Se andarmos todos à procura de toques na grande área para marcar penaltis, ou de uma falta que poderá ter acontecido 30 segundos antes para anular um golo, nunca estaremos a defender a modalidade.
 
Com o VAR, os árbitros estão a marcar todos os toques na grande área. Vão ver os lances e depois se de facto existe toque, não têm outro remédio se não marcar penalti. Se ao vivo não conseguiu ver, onde tem uma visão previligiada do lance e até dá para ouvir as botas baterem nas caneleiras, não é pela televisão que se vai perceber a velha questão da intensidade. É bom também lembrar que os árbitros da primeira categoria já viram ao vivo lances de todos os tipos. Assim, deveria ser para eles mais fácil perceber se existe falta e se a mesma justifica a marcação de penalti. Por alguma coisa, as grandes penalidades são "o castigo máximo". Com o VAR, esse castigo é agora banalizado e é raro o jogo que não tem, pelo menos, um penalti.
 
Assim, à boa maneira portuguesa, o VAR tem sido aproveitado para criar ainda mais pressão sobre os árbitros. As vantagens que esta nova tecnologia poderia trazer, estão a diliuir-se na polémica que tem sido criada nos jogos mais mediáticos. É certo que o facto de duas equipas estarem a lutar pelo campeonato taco a taco, também faz com que com ou sem VAR a polémica se agudize. No entanto, digo eu, a forma como esta valência tem sido utilizada, fazendo com que os jogos tenham agora vários árbitros, não está a proteger a modalidade. Não sou contra o VAR, pois acho que pode ser útil. Sou sim, contra a forma como ele tem sido utilizado. O VAR está, na maioria das vezes, a servir para analisar jogadas duvidosas, quando deveria servir para analisar jogadas que sejam impossíveis de ver pela equipa de arbitragem. O VAR, não pode nem deve ser a solução para a falta de competência de alguns árbitros. Já vi, nesta época, o VAR marcar penaltis em que o árbitro principal está a dois ou três metros do lance. Também já vi foras de jogo clarissimos, vistos por qualquer adepto no campo, mas que agora não são logo assinalados, ficando depois o árbitro à espera do veredicto do VAR.
 
Dizia-se, em tempos, que quando um árbitro passava despercebido num jogo era muito bom sinal. O VAR tem de passar ainda mais despercebido e só aparecer em casos graves e onde a verdade desportiva seja de facto colocada em causa. Lances duvidosos, são para serem analisados no momento e no campo. Se o árbitro errar de forma grosseira, aí sim deve vir a correção do VAR. Foi para isto que o ele foi criado.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Modificado em segunda, 15 abril 2019 13:46

Um Exemplo chamado Bruno Lage

quinta, 28 fevereiro 2019 09:10
Há situações que nos fazem acreditar que a competência, o saber, a experiência e a coragem, ainda valem a pena. Num país onde cada vez mais são os primos, os amigos, os filhos, os maridos e as mulheres deste ou daquele que têm as oportunidades, Bruno Lage é uma "lufada de ar fresco" e o exemplo que faz hoje em dia muitas pessoas acreditarem que o trabalho e a entrega valem sempre a pena.
 
Não sei o que lhe irá acontecer. Não sei quanto tempo durará este estado de graça que vive agora o treinador do Benfica. Sábado, Lage tem um teste muito duro às suas capacidades e às capacidades da sua equipa. Qualquer que seja o resultado, não acredito que a empatia que vive com os adeptos e a direção mude, pois ele já mostrou trabalho e muito conhecimento. 
 

Bruno Lage é também o exemplo de alguém a quem a vida deu uma oportunidade e que tudo fez para a agarrar. Começando por ser a prazo, Lage sabia que tinha pouco tempo para mostrar o que valia para que a direção acreditasse que afinal tinha a solução mais perto do que pensaria. Mexeu logo no sistema de jogo e arriscou, sabendo que teria pouco a perder e muito a ganhar. Confiou nas suas capacidades, mostrou conhecimento alargado sobre o plantel que tem à sua disposição e ganhou.

 
Para já, fez com que nas conferências de imprensa, antes e depois de cada jogo do Benfica, se fale de futebol. Chuta, com muita cordialidade, as polémicas para canto e diz muitas vezes que é nos treinos que se preparam os jogos. Parece isto estranho, não é? Parece estranho quando estamos habituados a ouvir simplesmente que "cá estamos para trabalhar muito e para conseguirmos os nossos objetivos" ou também um apenas "queremos a vitória e tudo faremos para a conquistar". Isso é o normal. Ouvirmos estas respostas por parte de um treiandor antes de um jogo, é o normal. Lage, a tudo isto, acrescentou "vamos estudar o adversário, perceber como joga" ou também "vamos ter de pressionar alto, para conquistar a bola ainda no meio-campo ofensivo", ou ainda "somos fiéis à nossa maneira de jogar, mas se tivemos de mudar durante um jogo devido ao jogo do adversário, para outro sistema, mudaremos sem problemas e tenho na equipa jogadores para isso". Depois dos jogos, Lage mostra sempre um enorme respeito pelo adversário e analisa o jogo sem qualquer tipo de fuga para o politicamente correto : "Os jogadores corresponderam. Trabalhamos desde o primeiro dia um determinado posicionamento e vamos testando no treino. O Samaris já tinha jogado a central, as coisas foram ajustadas e correram bem nesse capítulo. Tivemos sempre uma transição forte dos homens da frente mas estivemos sempre equilibrados, com o Florentino, o Samaris e o Gabriel." Isto é falar de futebol. 
 
Bruno Lage é também o exemplo de alguém a quem a vida deu uma oportunidade e que tudo fez para a agarrar. Começando por ser a prazo, Lage sabia que tinha pouco tempo para mostrar o que valia para que a direção acreditasse que afinal tinha a solução mais perto do que pensaria. Mexeu logo no sistema de jogo e arriscou, sabendo que teria pouco a perder e muito a ganhar. Confiou nas suas capacidades, mostrou conhecimento alargado sobre o plantel que tem à sua disposição e ganhou. Bruno Lage pegou na equipa do Benfica em 4º lugar e a sete pontos da liderança, com uma visita a Guimarães para a Taça de Portugal e depois de um percurso muito cinzento na Europa. Quase dois meses depois, e no dia em que escrevo estas linhas, o Benfica está a um ponto do primeiro lugar, está nas meias-finais da Taça de Portugal com uma pequena vantagem sobre o Sporting, onde está tudo em aberto, e está nos oitavos da Liga Europa, depois de ter passado com distinção um perigoso Galatasaray, colocando mesmo a jogar na Turquia seis jovens "fabricados" no Seixal. Só não é uma caminhada perfeita, porque perdeu a meia-final da Taça da Liga, perante o Porto, num jogo em que a vitória poderia perfeitamente ter caído para qualquer um dos lados. 

Assim, é precisamente o Porto que Lage vai voltar a encontrar no próximo sábado. É um verdadeiro teste para Bruno Lage, mas é também um teste para os jogadores do Benfica. É também um teste para os adeptos, em caso de derrota. Se foi apenas com o Porto que Lage perdeu, terá isso bem presente na preparação do jogo e da sua equipa. Será um Benfica muito motivado aquele que aparecerá no Dragão, onde estará um Porto avisado para este "novo" Benfica. Este será um jogo que valerá mais do que três pontos e determinante para as contas do título. Um título, que parecia estar entregue em janeiro deste ano, mas que Bruno Lage e a sua equipa agora percebem que podem ainda alcançar. Além de avisados, os portistas estarão também muito motivados e, à imagem do seu treinador, deixarão tudo em campo e quererão ficar com os três pontos. Um empate deixará o Porto ainda em primeiro, mas à mercê de um futuro deslize que poderá ser fatal. 
 
Aconteça o que acontecer nos onze jogos que faltam para o final do campeonato, é já notável o trabalho que Bruno Lage fez à frente desta equipa do Benfica. Antes deste treinador chegar, o Benfica era uma equipa triste, sem soluções e dependente de inspirações momentâneas dos seus craques. Hoje, o Benfica, é uma equipa que pressiona alto, que ocupa bem os espaços no campo, que na frente faz os seus jogadores alterarem as posições para confundir as marcações, que aproveita as fragilidades dos adversários e que transforma dificuldades em oportunidades. Aconteça o que acontecer, para Lage, para o Benfica e para os benfiquistas, já valeu bem a pena.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Modificado em quinta, 28 fevereiro 2019 09:29

Tempo para Viver

sexta, 21 dezembro 2018 21:16

O Natal e o final do ano, porque são sempre tempos de reflexão, mas também de partilha, devem servir também para analisarmos a forma como estamos a viver e a real importância que damos às coisas. Se olharmos para trás, percebemos que muita coisa aconteceu em pouco tempo. Um ano, é pouco tempo, se fizermos questão de viver.

Acontecem sempre coisas que nos fazem pensar. Vidas que acabam num instante e que deixam outras destruídas, pais que choram morte dos filhos, filhos que sofrem pela partida dos pais. Nesses momentos, e o ser humano é mesmo assim, é que nos questionamos o porquê de não termos feito isto ou aquilo. Deixamos quase sempre tudo para mais tarde e grande parte das vezes esquecemo-nos que isto está a passar muito depressa.
 

E assim, passamos pela vida até ao dia que chegue a nossa hora. Pois, é isso mesmo. Deixamos de fazer o que mais gostamos, deixamos de estar com quem mais gostamos, deixamos de fazer aquilo que realmente nos fazer sentir bem e até é de borla: estar perto dos "nossos". Hoje, que sou pai, reconheço a importância de um sorriso de um filho no final de um dia difícil. As crianças, com quem os adultos têm muito a aprender, devido à simplicidade que colocam nas coisas, ensinam-nos que há muitas coisas que não se resolvem com um sorriso mas que esse mesmo sorriso faz com que tudo pareça menos difícil.

Usamos, nesta vida, muitas vezes a expressão "qualquer dia". "Qualquer dia tenho de ir levar a minha avó a almoçar", "qualquer dia tenho de ir visitar os meus pais", "qualquer dia tenho de levar o meu filho ao parque e brincar com ele sem estar a olhar para o relógio". É esse mesmo relógio que nos controla. Outra expressão, que usamos muitas vezes como desculpa, é "não tenho tempo". "Hoje não tenho tempo de ir buscar o meu filho à escola", "hoje não tenho tempo de levar a minha mãe ao supermercado", "não tenho tido tempo de ir visitar os meus pais", são coisas que dizemos e ouvimos dizer a quem está, como nós, completamente absorvido pelas obrigações da vida adulta.
 
E assim, passamos pela vida até ao dia que chegue a nossa hora. Pois, é isso mesmo. Deixamos de fazer o que mais gostamos, deixamos de estar com quem mais gostamos, deixamos de fazer aquilo que realmente nos fazer sentir bem e até é de borla: estar perto dos "nossos". Hoje, que sou pai, reconheço a importância de um sorriso de um filho no final de um dia difícil. As crianças, com quem os adultos têm muito a aprender, devido à simplicidade que colocam nas coisas, ensinam-nos que há muitas coisas que não se resolvem com um sorriso mas que esse mesmo sorriso faz com que tudo pareça menos difícil. Somos escravos do trabalho, principalmente porque queremos que eles tenham tudo e mais alguma coisa, e às vezes esquecemo-nos que eles só querem atenção. Se pudessem perceber e escolher, poucos seriam os filhos que trocariam a presença do pai ou da mãe por mais um brinquedo ou um jogo para o computador.
 
Nesta época de Natal, queremos que os nossos filhos tenham tudo, mas não nos podemos esquecer também de perceber o que é o "tudo" para eles. A partilha, o convívio, parecem coisas simples de dizer mas cada vez mais díficeis de fazer. A família, que para mim é base da sociedade e o nosso porto mais seguro, deve ser a nossa prioridade. Os amigos, que para mim são essenciais, são os nossos parceiros nesta difícil caminhada que é a vida. É preciso chegarmos a Dezembro, para juntarmos à mesa em vários jantares e almoços de Natal e, algumas vezes, com amigos que mal vemos ao longo do ano. Nos restantes onze meses, devemos criar condições para estarmos mais tempo perto uns dos outros. Devemos cumprir as nossas obrigações enquanto trabalhadores, mas também enquanto pais, filhos ou netos. Quando temos mesmo vontade, o "não tenho tempo" é ultrapassado e o "qualquer dia" passa a ser esse mesmo dia. Há tempo para tudo, acredito mesmo nisso, até há tempo para viver.
 
Façam Natal.
 
Umas Boas Festas para todos.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Modificado em sexta, 21 dezembro 2018 21:26

Não castiguem o Futebol

terça, 02 outubro 2018 09:48
O futebol não é apenas um jogo entre 11 jogadores de cada lado, com uma bola e duas balizas. O futebol, se não for visto por ninguém, apenas é um prazer para 22. Do futebol faz parte a emoção, o ambiente. Tantas vezes já ouvimos dirigentes a mostrarem a sua preocupação pela falta de público nas bancadas e a arranjarem mil e uma desculpas para isso. 
 
O público, aquele que leva o cachecol, bandeira e vai, apenas, apoiar a sua equipa, faz muita falta ao futebol. É por isso que eu, juro, não entendo qual o objetivo de quem "inventou" os jogos à porta fechada. Pergunto mesmo, para que serve assim o futebol, uma atividade que cada vez mais se tornou um espetáculo e que envolve muitos milhares de pessoas e de euros.
 

Temos problemas com claques? Resolvam-se. Impeçam de entrar em recintos desportivos aqueles que têm um histórico de prevaricações. Aquelas coisas que são atiradas para dentro do campo, e que dão direito depois a estes castigos, não nascem nas bancadas dos estádios. Alguém as mete lá dentro ou alguém passa com elas pelas portas.

Grande parte dos jogos à porta fechada acontecem devido ao mau comportamento dos adeptos. Muita gente dirá que tem de haver castigos e que certos atos praticados em estádios de futebol, ou nas suas redondezas, têm que terminar. Mas alguém acha que quem faz este tipo de coisas está minimamente importado se o clube é ou não castigado? E que tal encontrar esses senhores, prendê-los e levá-los a tribunal? Hoje em dia, com a vigilância que existe nos principais estádios portugueses, não será assim tão difícil encontrar e castigar quem se porta mal. 
 
Em vez de isso acontecer, e a UEFA também gosta muito de fazer isto, castigam-se os outros 50 mil que se portam bem. Castigam-se, também, os cofres dos clubes, os jogadores e os árbitros que ficam desolados com o ambiente que encontram. Para mim, jogos à porta fechada, não fazem qualquer sentido. 
 
Temos problemas com claques? Resolvam-se. Impeçam de entrar em recintos desportivos aqueles que têm um histórico de prevaricações. Aquelas coisas que são atiradas para dentro do campo, e que dão direito depois a estes castigos, não nascem nas bancadas dos estádios. Alguém as mete lá dentro ou alguém passa com elas pelas portas. 
 
É claro que falo nisto pois o Benfica e o Braga foram castigados desta forma. Será preciso acontecer mesmo, para se perceber que é muito devastador jogar, ou ver jogar na televisão, um jogo sem público. Castiguem quem quiserem, só não castiguem é a emoção. Não castiguem o Futebol.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Modificado em terça, 02 outubro 2018 09:51

E agora, quem é que vai fazer de Éder?

quarta, 13 junho 2018 00:29
Para os verdadeiros amantes do futebol, do jogo, da técnica e da tática, o Mundial é um momento solene. É o verdadeiro torneio e até é pena que só aconteça de quatro em quatro anos. Geralmente, por razões óbvias, o último vencedor do Europeu é sempre candidato a vencer o Mundial. Assim, Portugal é favorito. Não temos obrigação, nem pouco mais ou menos, de vencer a prova mas o estatuto ninguém nos tira.
 
As redes sociais, sempre elas, já estão a fazer o seu papel. Basta um empate ou derrota num jogo de preparação e pronto: "está tudo perdido, não jogamos nada e só lá vamos gastar dinheiro". Lembro-me de ler o mesmo há dois anos atrás. Desta vez mais contidos, é certo, mas "os velhos do Restelo profissionais" já por aí andam, apesar de terem abrandado depois da vitória categórica frente à Argélia.
 
Portugal, para mim, é mesmo favorito, independentemente de ter vencido o Europeu. Sei que esses "profissionais da desgraça" têm várias teorias, nomeadamente "a sorte", como se essa mesma sorte não fizesse parte do futebol e até da vida. O problema é que grande parte das vezes nos esquecemos que essa tal sorte dá muito trabalho. Portugal foi campeão, com mérito, fez um grande jogo na final e uma fase final muito inteligente que fez acreditar até o mais pessimista dos portugueses. No jogo decisivo, fizemos uma grande exibição mesmo depois de perder o nosso melhor jogador, tivemos um grande guarda-redes na baliza e marcamos no momento exato, através de um herói improvável. Quando se fala de lógica no futebol, é por isto mesmo que eu gosto mais de falar de momentos. É de momentos que se fazem os campeões e é nos momentos certos que se ganham as competições. O que Herrera fez este ano na Luz, só confirma precisamente o que estou aqui a escrever.
 

Portugal, para mim, é mesmo favorito, independentemente de ter vencido o Europeu. Sei que esses "profissionais da desgraça" têm várias teorias, nomeadamente "a sorte", como se essa mesma sorte não fizesse parte do futebol e até da vida.

Em dois anos, este herói improvável deixou de "caber" nos 23. E, curvo-me perante Fernando Santos pois não "cabe" mesmo. Foi um grande ato de gestão, de inteligência, de pragmatismo do nosso selecionador. Seria sempre mais fácil "fazer o favor" ao Éder de o levar e assim premiar aquele momento que ficará para sempre na nossa memória. A questão, é mesmo essa. É que esse momento vai ficar para sempre e há coisas que só acontecem uma vez na vida. Olhando ao que temos, Éder não tem lugar e essa é a realidade. 
 
Fernando Santos corre um risco, pois quando estiver a perder a 10 minutos do fim vai ouvir da bancada, "agora não tens o Éder", mas ele sabe disto e sabe que tem outras soluções que dão outro tipo de garantias. Ser selecionador é isto mesmo, é fazer opções que nem toda a gente concorda. Éder merece ficar para sempre como o héroi do Europeu. Isso ninguém lhe vai tirar.
 
Temos Guedes e Bernardo em forma, Gelson, André Silva, Quaresma e, claro, Ronaldo. Temos bons centrais, bons médios e um bom guarda-redes. Temos seleção para lutar pela taça, sem ter obrigação de a vencer. Os 23 que Fernando Santos escolheu, são os que terão o nosso apoio. Quem vai fazer de Éder, não sei. No entanto, desconfio que esse papel estará guardado para alguém. 
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Modificado em quarta, 13 junho 2018 00:32

Um Justo Campeão

quarta, 09 maio 2018 09:57
O FC Porto foi um justo campeão. Para fazer esta análise, olho só para o que se jogou em campo, ignorando tudo aquilo que aconteceu fora das quatro linhas neste campeonato, e que deveria envergonhar e muito os principais responsáveis do futebol em Portugal.
 
Sérgio Conceição merece este título. O Porto não pôde comprar jogadores, fez regressar emprestados, teve jogos em que claramente não deu mais, mas outros houve, como o da Luz ou o da Madeira, em que quis muito ganhar e acabou por ser feliz. O Benfica conseguiu o que parecia impossível, recuperando o primeiro lugar já na recta final, mas depois faltou arte e engenho para o reforçar ou até mesmo segurar. Por isto ou por aquilo, o Benfica acaba por ser um digno vencido e agora o segundo lugar, que só serviu para apimentar o derby eterno, é uma questão secundária pois a hipótese de entrar na Liga dos Campeões, e os milhões, não servem como prémio de consolação para uma equipa que dominou o futebol em Portugal nos últimos quatro anos.
 
Dito assim, até parece que falamos de clubes ricos. Claro que não. Tanto um como o outro precisam de dinheiro e da Liga dos Campeões, mas, para mim, o segundo é sempre o primeiro dos últimos e isso faz mais sentido ainda se nos lembrarmos que estamos a falar de um clube que ganhou quase tudo em Portugal nos últimos tempos. É certo que para os clubes é muito importante, mas para os adeptos, só aqueles que fazem questão de ficar à frente do eterno rival é que são capazes de achar que o segundo lugar é positivo. Olhando com clareza, é até bem mais positivo para o Sporting, do que para o Benfica, isto se não olharmos aos montantes envolvidos. Para quem tem festejado títulos, ser segundo nunca poderá ser um bom resultado.
 

O que faltou ao Benfica? Faltou assumir que o Penta não se ganha com as camisolas. Faltou planear a época como deve ser e entender onde estão as lacunas da equipa e as posições para onde é preciso comprar jogadores. Faltou um treinador mais exigente para com a estrutura.

O que faltou ao Benfica? Faltou assumir que o Penta não se ganha com as camisolas. Faltou planear a época como deve ser e entender onde estão as lacunas da equipa e as posições para onde é preciso comprar jogadores. Faltou um treinador mais exigente para com a estrutura. O Benfica jogou, por exemplo, uma época inteira sem saber se tinha ou não guarda-redes. Parece pouco, mas é muito. O seu "abono de família" lesionou-se e o Benfica perdeu aquilo que só Jonas estava a trazer: qualidade no último terço do terreno. Vontade, não significa qualidade. O Benfica começou a perder este campeonato no dia em que vendeu Mitroglou.
 
O Sporting, só depende de si para ficar em segundo lugar. Se juntar esse lugar à Taça de Portugal e à Taça da Liga, acabará por fazer uma época positiva, para um clube que tem ganho muito pouco nos últimos tempos. No entanto, a aposta milionária em Jorge Jesus foi claramente para ser campeão e fica, mais uma vez, a faltar isso. São já três anos com este treinador e, curiosamente, foi no seu primeiro ano que esteve mais perto de conquistar o título. Se ficar em segundo e ganhar a Taça de Portugal, acaba por ser positiva, para o Sporting, esta época, mas o título voltou a ficar distante.
 
Isto foi o que eu vi ao longo do ano. Numa prova de regularidade como é o campeonato, acho sempre que o Campeão acaba por ser justo, pois falamos de trinta jornadas e todos são beneficiados e prejudicados pelas arbitragens, todos têm lesões e castigos e todos têm excesso de jogos. Sérgio Conceição foi inteligente na forma como resolveu os problemas que teve durante a época, nomeadamente a falta de Danilo e os problemas com Soares e Casillas. Percebeu o que tinha, arriscou, quase perdeu, mas ganhou e foi campeão no seu primeiro ano no Porto. Não é, ainda, um grande treinador, mas é alguém que sabe bem como funciona o futebol e os balneários de clubes grandes. Teve uma oportunidade e agarrou-a. É isto que fica para a história. 
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Modificado em quarta, 09 maio 2018 10:00
Nos anos 90 dois amigos iam ao futebol, o João e o Manel
João: Então bebemos uma fresca antes do jogo?
Manel: Só uma? Vê lá que eu tenho sede...
João: Bebemos duas, para não irmos coxos...
Manel: Podes crer, para coxo já basta aquele central que lá temos...
João: Qual deles??? São os dois… aliás, por isso é que eles são defesas… Viste no último jogo? Aquele passe que fez para o avançado? Estava mesmo a dormir...
Manel: A dormir? Achas? Não sabe é mais… É muito bom a cortar as bolas, mas depois tem dois pés que parecem dois madeiros.
João: Podes crer… A ver se não demoramos muito pois eu gosto de ver o aquecimento. Estou curioso para ver quem ele vai meter de início.
Manel: Também eu, bebe lá isso para irmos embora.
 
Já no estádio
João: Não me digas que ele vai meter aquele guarda-redes?
Manel: Não sei, eles estão a aquecer os dois… Mas deve ser.
João: É perigoso, eles nas bolas paradas são fortes e aquele é baixote.
Manel: Mas salta bem… O pior é a jogar com os pés. 
João: E dentro dos postes é muito bom… Não viste no último jogo? Se não fosse ele… Não sei não...
Manel: Ora, é para isso que lá está. Dá uns frangos mas não é mau de todo. Olha, é mesmo ele que joga, não ouviste o gajo ali a dizer?
João: Qual gajo? Eu estava a ver se ouvia aqui o da rádio.
 
Durante o jogo
Manel: PENALTI, PENALTI! Este gajo não marca nada pá! Era penalti!
João: Como conseguiste ver daqui? Eu não vi, é muito rápido!
Manel: Mas o gajo está mais perto que nós… Não viu?
João: Achas? Se visse tinha marcado… ou talvez não!
Manel: Ora deixa, belo árbitro este… Aliás, são todos bons. Contra nós marcam sempre todos os penaltis.
 
Fim do jogo
João: Outro empate… Assim não vamos lá!
Manel: É preciso é calma… Ainda falta muito jogo.
João: Não se podem falhar golos assim… E aquele penalti não sei não.
Manel: Ora, pois, deixa. Agora é tarde. Não se podem é falhar golos daqueles. É uma vergonha! E o treinador também parece que tem medo de meter avançados.
João: Bom, vamos mas é comer um prego e para a semana há mais...
 

O futebol passou a ser sério demais e destila-se ódio de forma normal. É o que temos, é o que sentimos. Há muita coisa em redor do futebol que não faz falta nenhuma, aliás, até atrapalha. Será assim por mais uns tempos… Até ao dia em que muitos percebam que isto é apenas um jogo e que para uns ganharem, outros têm de perder.

 
Os mesmos amigos, vão ver um jogo em 2018
João: Bebemos uma antes?
Manel: O quê? 
João: Então não me estavas a ouvir? Ora pois, estavas aí de volta do telemóvel...
Manel: Estava a ler as últimas… A ver se já havia equipa inicial e se o Presidente tinha mandado mais alguma boca.
João: Achas, ele agora já não diz nada… Nem ele nem o Diretor. Esse é que é um grande senhor, já ouviste ele a falar daquele árbitro?
Manel: Já pois, ele é que tem razão. Isto anda tudo comprado e nós a ver passar os navios.
João: Aqueles gajos compram tudo! Até os guarda-redes, vais ver quando jogarem amanhã.
Manel: Tem calma, temos é de ganhar hoje… Se o árbitro deixar e aquele VAR que está sempre a dormir.
João: Quem é hoje?
Manel: Sei lá, são todos iguais, não ouviste ontem o nosso comentador naquele programa?
João: Sim sim, esse também fala bem, ele lá sabe...
 
Já no Estádio
João: Vai começar… Olha quem é o árbitro, aquele manhoso que nos tirou já quatro pontos...
Manel: São sempre os mesmos. Ele devia era descer… Ele e os amigos dele, das bandeiras.
 
Durante o jogo
Manel: PENALTI! ÉS UM LADRÃO! JÁ DEVES TER O BOLSO CHEIO DE NOTAS! CHULO!
João: Grande porco. Espera aí que eu vou ligar ao meu irmão que ele está a ver na TV. 
Manel: Era, de certeza, aposto!
João: O meu irmão diz que não é claro, é difícil… Que tem a ver com a intensidade. Diz que em quatro canais estão a dizer que é e em quatro dizem que não é!
Manel: Ora deixa, são os canais que estão controlados por esses mafiosos, não viste o que disse o Presidente!
 
Fim do jogo
Manel: Mais dois pontos que se foram!
João: Podes crer, somos sempre roubados, o Presidente e o Treinador é que têm razão. Isto é uma grande máfia!
Manel: Pode ser que amanhã os outros percam...
João: Estás a sonhar, eles têm aquilo tudo controlado. Não ouviste já falar no jogo da mala? Mas olha que este não é o do António Sala. Neste sai sempre...
Manel: Pois, se aquilo tiver complicado como da outra vez, aquele defesa que era deles dá-lhe a bola e pronto.
João: Bem, vou para casa ver a televisão para ver o que dizem desta roubalheira.
Manel: E eu, isto é uma vergonha! Fomos roubados mas estes gajos também têm de correr mais. Até logo.
 
As diferenças notam-se bem. A forma como vimos o futebol hoje é assim. Não fomos nós que a escolhemos, fomos sendo "educados" para isto por agentes irresponsáveis e que não fazem falta nenhuma ao futebol. Está criado um clima de desconfiança para tudo e para todos. Não se trata de clubes. Este "diálogo" pode acontecer em qualquer estádio e com dois ou com mais adeptos. O futebol passou a ser sério demais e destila-se ódio de forma normal. É o que temos, é o que sentimos. Há muita coisa em redor do futebol que não faz falta nenhuma, aliás, até atrapalha. Será assim por mais uns tempos… Até ao dia em que muitos percebam que isto é apenas um jogo e que para uns ganharem, outros têm de perder.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Modificado em quarta, 11 abril 2018 19:01

Perigosas Barbaridades

segunda, 19 fevereiro 2018 23:52
Escrevo este texto pois, apesar do seu estilo fraturante, foi a primeira vez que um discurso de Bruno de Carvalho me revoltou. Todos nós já sabiamos qual era a forma de estar do Presidente do Sporting. Já todos entendemos a sua estratégia e a forma como pensa, se é que pensa, na sua comunicação. Mas este último discurso, depois de um cheque em branco que lhe foi passado pelos sócios do Sporting, foi o pior de todos e, mais grave ainda, o mais perigoso.
 
Tenho muito respeito pelo Sporting e pelos meus amigos que são adeptos deste clube. Reconheço, também, o bom trabalho de gestão desportiva que Bruno de Carvalho tem feito. Não posso aceitar, enquanto jornalista e cidadão português, esta enorme falta de respeito. Ninguém que quer ser levado a sério pode dizer aquelas barbaridades. É preciso perceber que cargo ocupamos e aquilo que representamos, quando num pavilhão cheio de gente declaramos guerra aos jornalistas, aos jornais, às televisões. No final houve, claro, animosidade e jornalistas ofendidos. Não houve, talvez por milagre, violência. 
 

Eu sempre tenho defendido que há muita gente que não se devia chegar, nem perto, de um microfone. Bruno de Carvalho é um bom exemplo disso. Gosta de ser fraturante, gosta de disparar em várias direções, fazendo lembrar, em mau, ou em muito pior, o que fazia Jorge Nuno Pinto da Costa nos seus tempos de ouro. Só que há aqui uma grande diferença. Podem apontar muitos defeitos ao Presidente do FC Porto, mas ele sempre teve nível, até quando enfrentava de forma mais áspera alguns jornalistas.

Será que Bruno de Carvalho tem noção do que diz? Será que ele tem a perfeita noção do que lucram os seus patrocinadores com as imagens dos equipamentos do Sporting na comunicação social? Será que ele tem noção de quanto vale um logotipo atrás de um treinador a falar em direto para a televisão? E se tudo isso acabasse? E se houvesse união de todas as empresas em Portugal que detêm orgãos de comunicação social e ninguém fizesse uma única notícia sobre o Sporting? E se o clube fosse rigorosamente ignorado? Seriam a Sporting TV e o jornal do Sporting suficientes para informarem os seus adeptos? 
 
Eu sempre tenho defendido que há muita gente que não se devia chegar, nem perto, de um microfone. Bruno de Carvalho é um bom exemplo disso. Gosta de ser fraturante, gosta de disparar em várias direções, fazendo lembrar, em mau, ou em muito pior, o que fazia Jorge Nuno Pinto da Costa nos seus tempos de ouro. Só que há aqui uma grande diferença. Podem apontar muitos defeitos ao Presidente do FC Porto, mas ele sempre teve nível, até quando enfrentava de forma mais áspera alguns jornalistas. Sempre soube qual era a altura certa para passar as suas mensagens e por vezes dizia coisas bem piores mas de maneira diferente. Qual é a diferença de entrevistar Bruno de Carvalho ou um qualquer adepto à porta de Estádio de Alvalade antes de um jogo? Se repararem, o registo é o mesmo e, parece-me, não são os adeptos que estão mal. Aos adeptos esse tipo de discurso é permitido, a um presidente de um clube não é. 
 
Podia aqui dizer que Bruno de Carvalho também se esqueceu da quantidade de pessoas que ganha a vida a trabalhar na comunicação social. Mas penso que não vale a pena porque as pessoas sabem pensar pela sua cabeça e irão continuar a comprar jornais e a ver televisão, até mesmo os programas com "paineleiros e cartilheiros". O que Bruno de Carvalho ganhou com isto foi mais um motivo para ser caricaturado nas redes sociais e falado pelos piores motivos. Digo eu, que nem sou do Sporting mas que respeito muito a instituição, que este senhor já não faz falta ao futebol português pois até se pode tornar perigoso. Só pediu o cheque em branco aos sportinguistas, porque sabia que não havendo nesta altura alternativa visível, os sócios iriam aprovar tudo. Quando oiço muita gente dizer que ele escolheu a pior altura para fazer isto, digo que esta, de facto, foi a pior altura para o Sporting mas, para ele, como ficou provado, foi mesmo a melhor. Se isto tem acontecido no final da época, Bruno de Carvalho, assim como qualquer treinador, estaria dependente dos resultados.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Modificado em terça, 20 fevereiro 2018 00:01