sábado, 14 dezembro 2019
quinta, 18 agosto 2016 15:46

Este mundo está uma “merda”!

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Quem lê um título como este imagina que a pessoa que o escreve é uma pessoa triste, desiludida com a vida, que liberta fel por todos os poros, ou então que está cansada, chateada, stressada, sozinha ou mesmo desiludida com o seu mundo. Na realidade, apesar de ser o oposto de tudo isto, sinto-me efectivamente magoado com este mundo. Depois de ver e ouvir as constantes notícias de barbaridades que se passam por este planeta fora, pergunto-me muitas vezes… que mundo é este em que vivemos?... o que está a humanidade a criar?
 
Vejamos então… Ainda que cada pessoa deva ter a sua 
forma de pensar e ter o direito de usar o seu pensamento para aquilo que lhe aprouver, não consigo compreender como é que as pessoas têm dificuldade em utilizar essa maravilhosa capacidade de pensarem por si próprias e preferem enveredar pelo fácil seguidismo. Nos Estados unidos da América, por exemplo, foi recentemente nomeado pelo partido republicano, como candidato à presidência do país, uma pessoa que, na minha opinião, é desprovida de qualquer tipo de sensibilidade e como consequência sem capacidade para presidir um dos países mais influentes do mundo. Pior do que isso é a sociedade que foi criada para que essa situação fosse hoje possível, não se conseguindo discernir um propagandista, aproveitador e ainda por cima xenófobo que se arrisca a ser presidente (lagarto… lagarto… lagarto) daquele que por muitos é considerado o país mais multicultural e multiétnico do mundo. Será que as pessoas não vêem que o mundo não é um reality show? Aliás, esse fácil seguidismo parece que é uma regra e existe por todo o espectro político-partidário, pelos vistos, e obviamente, não só no que à realidade nacional diz respeito. É por isso que a política cada vez mais me desilude. Porque é que uma proposta de lei que beneficia os cidadãos e é apresentada por um partido seja de direita ou de esquerda não permite ao cidadão eleito pelas pessoas, “vulgo” deputado, decidir em sua consciência e não ir atrás do que o seu partido quer? Poder-me-ão dizer que são as regras dos partidos e que o cidadão/deputado quando foi eleito já as conhecia e teria que as cumprir. E pergunto eu… mas afinal não é uma pessoa que é eleita? É mais importante um partido ou as pessoas? Mudem-se as regras dos partidos então! A própria palavra “partido” já nos diz que há algo que está fragmentado, dividido. Então se assim é porque não pode expressar o cidadão/deputado o seu voto em plena liberdade de consciência, mesmo que “o seu fragmento” seja diferente dos do seu partido? Na minha singela opinião, todo o mundo teria a beneficiar se assim fosse. Dir-me-ão que assim os partidos políticos não faziam sentido, talvez seja verdade. Mas as pessoas quando são eleitas não servem para tentar resolver os problemas dos eleitores? Porque será então que muitas vezes os complicam só para fazerem oposição partidária?
 

O mundo não é perfeito, meus amigos, não é mesmo! A este propósito ouvi ou li, não posso precisar, uma frase que ficou retida na minha memória, é qualquer coisa deste género: “Nós nunca veremos um mundo perfeito nem justo”. Na realidade isso não vai mesmo acontecer, mas o que é certo é que foi neste mundo que nós nascemos e é aqui que podemos e devemos enfrentar o que nos incomoda…

Quando verificamos que há na nossa sociedade valores tão simples que estão completamente distorcidos, e posso abordar alguns dos mais básicos como são, por exemplo, o cuidar… o tão simples e puro gesto de cuidar do outro, que nestes tempos tem passado muitas vezes para um plano quase invisível, vemos efectivamente que há algo que não está bem neste mundo. Exemplo disso mesmo é o facto de na nossa própria Assembleia da República ter sido aprovada uma lei que penaliza o abandono de animais, da qual eu concordo em absoluto, e não ter sido aprovada uma outra que penaliza quem abandona os idosos. Meus amigos, desde quando é que os animais são mais importantes que as pessoas? Por muito que se goste de animais, as pessoas têm sempre que estar primeiro. Até me podem dizer que não conheço a proposta dos partidos “X” e “Y” sobre este assunto. A minha resposta é simples: “Estou-me lixando para os partidos!” O que sai cá para fora é a penalização de quem abandona um hamster e o fechar dos olhos, como que fingindo que não se vê, quando um velhote é abandonado num qualquer lar, no seu próprio lar, em hospitais, casas de repouso ou outros sítios que nem quero imaginar. Não me venham com a história das propostas muitas vezes utópicas das esquerdas ou das muitas vezes radicais das direitas. Para a “pessoa” não interessam esquerdas nem direitas, à “pessoa” só interessa que até ao fim dos seus dias lhes seja dada dignidade e afecto.
 
A nossa sociedade está de tal forma doente que, há relativamente pouco tempo, cheguei a ler comentários de pessoas que, muito bem, defendem os animais em qualquer circunstância, mas que depois têm a rudeza ou a crueldade (para não lhe chamar estupidez) de se vangloriar com a morte de uma pessoa numa praça de touros. Meus amigos, o extremismo não é bom nem para um lado nem para o outro, aliás, os próprios tempos dizem-nos que nunca o foram. Há que haver equilíbrio e esse é um dos grandes problemas deste mundo, a falta de equilíbrio. E a falta desse equilíbrio leva precisamente ao extremismo que pode trazer o ódio, o egoísmo, que pode abarcar inúmeros substantivos e adjectivos mas todos com uma conotação negativa.
 
Pelo mundo há pessoas que, em nome de um qualquer Deus, são capazes de criar um terror de tal maneira atroz que repugna só de se pensar no sofrimento causado por atrocidades que nem o pior dos vilões criados pela dramaturgia ou pela literatura eram capazes de imaginar. Os ataques terroristas têm crescido exponencialmente de ano para ano e desde que apareceu o “daesh” as atrocidades têm crescido ainda mais.
 
MAS O QUE PRETENDE DO MUNDO ESTA GENTE? Criar o medo? Radicalizar tudo e mais alguma coisa? Potenciar o terror? Criar tensão? Paralisar tudo e todos? Controlar a moral das pessoas? PORQUE MATA ESTA GENTE? Porque os acha imorais? Porque os sente como almas perdidas? Porque os acha inimigos do seu Deus? DEUS NÃO TEM INIMIGOS!!! Acredito que nem mesmo o demónio é Seu inimigo!!! COMO É QUE ALGUÉM É CAPAZ DE MATAR EM NOME DE DEUS? Não acredito que algum Deus, se é que existe mais do que um e, seja ele qual for, mande, nos seus ensinamentos matar alguém e espalhar o terror.
 
O mundo tem, de facto, as prioridades trocadas. Naturalmente que a Europa também se enquadra neste rol. Como diz o meu irmão “Enquanto a Europa brinca aos castigos” dos países “incumpridores” há atrocidades como as de Paris e de Nice em França, como as de Bruxelas, na Bélgica, como as que acontecem diariamente na Síria, como as que aconteceram no Mali, na Tunísia, no Líbano, no Quénia, na Nigéria, no Kuwait, na Indonésia, no Burquina Faso, na Turquia e até nos Estados Unidos, como as que regularmente acontecem no Paquistão, no Afeganistão e no Iraque.
 
Desculpem-me os mais sensíveis mas este mundo está, na realidade, uma “merda”! Hoje mesmo li que o dia 8 de Agosto de 2016 foi a data limite, deste mesmo ano, em que a humanidade consumiu os recursos naturais de que o planeta é capaz de produzir ao longo de um ano, ou seja de Janeiro a Agosto gastámos tudo o que devíamos gastar em 12 meses. Mais recentemente, no que ao nosso país diz respeito, e infelizmente de há demasiados anos a esta parte, assistimos, Verão após Verão, a um país a ficar em cinzas, grande parte das vezes devido a encapuzados interesses económicos ou a mentes completamente enfermas que pelo simples prazer de ver tudo a arder, realizam deliberadamente acções absolutamente revoltantes como as que aconteceram na lindíssima ilha da Madeira e que provocam o sofrimento de centenas de pessoas ao verem as suas casas e os seus pertences a serem levados com o vento, no fumo que leva também os sonhos e as recordações dessas mesmas pessoas. É triste ver, nestas circunstâncias, a impotência das populações e das heróicas corporações de bombeiros, completamente exaustas a lutarem, muitas vezes em vão, para salvar pessoas e bens dos terríveis incêndios que a política, seja de esquerda ou de direita, continua insistentemente a enviar para segundo plano, não fazendo o “trabalho de casa” para tentar evitar tragédias como estas que todos os anos acontecem de norte a sul do país.
 
Enfim, é o que temos, um mundo de abusos e desigualdades. Mas apesar deste mundo estar como está, e de eu próprio me sentir magoado com ele, é nele que vivemos e é aqui que temos que fazer o que estiver ao nosso alcance para o podermos melhorar um pouco. Nós não somos donos do mundo mas temos o dever de o proteger, não só para nós mas sobretudo para o deixarmos melhor para os nossos filhos.
 

A nossa sociedade está de tal forma doente que, há relativamente pouco tempo, cheguei a ler comentários de pessoas que, muito bem, defendem os animais em qualquer circunstância, mas que depois têm a rudeza ou a crueldade (para não lhe chamar estupidez) de se vangloriar com a morte de uma pessoa numa praça de touros. Meus amigos, o extremismo não é bom nem para um lado nem para o outro, aliás, os próprios tempos dizem-nos que nunca o foram.

O mundo já esteve pior, é certo. Apesar do caos que hoje se vive, tenho a noção de que antes era bem pior, basta recordarmo-nos daquilo que a história nos ensinou, da agressividade da forca ou do chicote, por exemplo. Sim porque a sociedade já “patrocinou” penalizações horríveis ao longo dos tempos. Felizmente o mundo foi evoluindo, lentamente, é verdade. Mas se observarmos o que o mundo era e o que é, se fizermos uma análise bem mais abrangente, entendemos que essa evolução existe, ainda que aqui e ali vejamos situações que nos fazem duvidar disso mesmo.
 
O mundo não é perfeito, meus amigos, não é mesmo! A este propósito ouvi ou li, não posso precisar, uma frase que ficou retida na minha memória, é qualquer coisa deste género: “Nós nunca veremos um mundo perfeito nem justo”. Na realidade isso não vai mesmo acontecer, mas o que é certo é que foi neste mundo que nós nascemos e é aqui que podemos e devemos enfrentar o que nos incomoda… há claramente algo que nós podemos fazer, escolher a forma para podermos precisamente enfrentar esses incómodos. Uma das formas com que enfrento os meus é com um sorriso, não um sorriso sarcástico ou de indiferença, um sorriso de acção, de contágio. Sabem, eu sou daquelas pessoas que acredita que o contágio pode ser bom. Ora, se o mal, como dizem, pode ser contagioso, o sorriso também o será… e se o sorriso também o é, acredito que a bondade também seja. O mundo está assim mas reconheçamos que também há milhões de coisas boas no mundo, há que as aproveitar e desfrutar, tudo com o equilíbrio necessário. Há que equilibrar o mundo, meus amigos… Há que ter esperança num mundo melhor.
 
* Professor Luís Parente
Modificado em quinta, 18 agosto 2016 16:32

1 comentário

  • Ligação de comentário Ricardo segunda, 25 setembro 2017 04:48 postado por Ricardo

    Penso semelhantemente parecido como o autor o texto, esse mundo esta uma porcaria sim. Não sei o por que mas nós somos uma minoria que sofremos com sofrimentos de pessoas que nem conhecemos e que moram do outro lado do mundo, ou somos mais sensiveis ou mais observadores ou não sei...Tem pessoas que não estão nem ai se tem milhares de outras morrendo de fome, elas nem pensam nisso e nem ligam querem é viver sua vida e gozar, aproveitar sem deixar nada atrapalhar sua felicidade, sera que elas que não estão certas? Não estão nem ai se o brasil se afunda em corrupção, querem é viajar e aproveitar o feriado, não estão nem ai se tem vários pais de familia sem emprego, essas pessoas querem é ir fazer compras, comprar roupas novas para ir pra balada no proximo fim de semana.

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