quarta, 11 dezembro 2019
terça, 12 julho 2016 23:24

A sorte, que a França não teve

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Acreditar, como já por aqui escrevi, vale sempre a pena. Não tínhamos a melhor seleção nem jogámos o melhor futebol, é verdade, mas ganhámos e é isso que fica para a história. As críticas à qualidade do nosso futebol valem o que valem. Quando vêm de gente parcial e ressabiada, então não valem mesmo nada. Valem o número de golos que Portugal sofreu nas meias-finais e final do Euro (zero).
 
É claro que não podemos dizer que apresentámos um grande futebol desde que a competição começou. É claro que não "massacrámos" nem dominamos os jogos todos, é claro que não mostrámos a tão falada "nota artística". No entanto, fomos eficazes e a Taça já cá está.
 
É verdade que empatámos os primeiros três jogos. No entanto, é bom recordar, que empatámos com quem mandou a Inglaterra para casa e participámos num dos melhores jogos do Europeu, no sofrido empate com a Hungria. A meu ver, o menos conseguido foi mesmo o nulo com a Áustria. Depois, entendemos que a Croácia tinha uma grande equipa e já tinha derrotado a campeã Espanha. Tapamos-lhe os caminhos e esperámos um erro deles. Fomos cínicos, dizem. Cá para mim, fomos realistas.
 
Depois veio a Polónia, uma equipa sem a qualidade da Croácia mas que tinha pouco a perder. Até sofremos primeiro mas fomos em busca do empate. Aí, voltámos a não nos destapar e vieram os penaltis. Fomos competentes e não falhámos nenhum. Rui Patrício defendeu um e Quaresma depois não tremeu. Seguiu-se outra das surpresas da prova. O País de Gales mandou para casa uma Bélgica que mostrava sinais de ser um "outsider" de respeito. Nesse jogo, soubemos respeitar o adversário mas também resolvemos bem e depressa depois do intervalo. A final voltava mesmo a ser uma realidade.
 
Como se não bastasse a motivação de jogar uma final, os nossos adversários fizeram questão de nos motivar ainda mais. Não há coisa que motive mais do que ser desvalorizado. No jogo decisivo, táticamente entendemos a França, tivemos um enorme Rui Patrício e um espírito de equipa fantástico. Fernando Santos lançou Éder na altura certa, passámos a ter bola na frente e o "patinho feio" resolveu. Irónico, pelo menos.
 
Há momentos que marcam esta caminhada e que em muito contribuíram para este final em festa. Desde logo, a união bem patente no grupo e a liderança exemplar de Cristiano Ronaldo. O sacrifício do capitão em prol do grupo, do primeiro ao último minuto da competição, foi decisivo. Os jogadores, entendendo humildemente a importância de Ronaldo, seguiram a sua crença e a sua enorme vontade de dar um título a Portugal. Foram grandes discípulos e uniram-se ainda mais na final, após a saída em lágrimas do capitão. Isto, foi decisivo.
 

Como se não bastasse a motivação de jogar uma final, os nossos adversários fizeram questão de nos motivar ainda mais. Não há coisa que motive mais do que ser desvalorizado. No jogo decisivo, táticamente entendemos a França, tivemos um enorme Rui Patrício e um espírito de equipa fantástico. Fernando Santos lançou Éder na altura certa, passámos a ter bola na frente e o "patinho feio" resolveu. Irónico, pelo menos.

Agora, Fernando Santos. Que cara terão feito agora aqueles que se riram quando ele disse que voltaria para casa só dia 11 de julho e seria recebido em festa? Pois. Para muitos, pareceu arriscado e até caricato Fernando Santos dizer que queria ser campeão. Aqueles que diziam que era Jorge Mendes que treinava a seleção desapareceram ou mudaram o discurso? E aqueles que diziam que o Ronaldo não joga na seleção metade do que joga no Real Madrid? E aqueles que diziam que Renato Sanches nem deveria ser convocado para o Europeu? Já nem vale a pena falar dos que dizem que Éder é um pino. Atenção que agora Éder não passou a ser, para mim, um grande ponta de lança. É o que temos e, pelos vistos, serviu muito bem. 
 
Aqueles que começaram o Europeu a dizer que Portugal não jogava nada, agora não têm a humildade de reconhecer que a equipa cresceu durante o torneio? Não há coragem para dizer que Fernando Santos foi realista e à sua vasta experiência se deve em grande parte este Europeu? Tivemos sorte? Sorte de quê? Tivemos sorte em ter o melhor guarda-redes da competição, o melhor jovem, o bola de prata, um dos melhores centrais, um dos melhores avançados e o melhor lateral esquerdo? Tivemos sorte em ter sofrido apenas um golo nos quatro jogos da fase a eliminar? Tivemos sorte em ter os emigrantes sempre por perto? Ah, já sei, tivemos sorte porque calhámos do lado que "não tinha tubarões até à final", "porque a Islândia marcou um golo nos descontos". O que é certo, é que derrotámos a equipa que passou pelo meio dos "tubarões", se é que eles existem mesmo.
 
Não sei se tivemos sorte ou não. O que sei é que a França não teve sorte em nos encontrar na final. 
 
* Jornalista José Lameiras
 
Modificado em terça, 12 julho 2016 23:32

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