sábado, 19 outubro 2019
quinta, 21 abril 2016 17:24

Encontro com Freud - Crónica XI

Escrito por
Encontrei-me com Freud, para reflectir sobre o envelhecimento, o que é isto de envelhecer? Da idade nos trazer obrigatoriamente, mais experiência, mais conhecimento, mais tolerância, menos preconceitos, mais maturidade, menos saúde e mais dependência… Ou não. Se imaginarmos o nosso organismo e a nossa mente, enquanto máquina, compreenderemos facilmente que a forma como a desgastamos ao longo da vida, influencia o envelhecimento da mesma. No entanto, e no que à minha área diz respeito, o envelhecimento como processo natural também está dependente da forma como ao longo da vida, e até ao dia de hoje, nós expressámos emoções, aprendemos e apreendemos dos outros o melhor de todos, como tolerámos atitudes, crenças, culturas e gostos diferentes dos nossos, como gerimos conflitos nos vários contextos em que nos movemos. Por outro lado, como lidámos com as perdas, separações, mortes, entre tantas outras. O que escolhemos, para nós mesmos? Foi efectivamente o que decidimos naquele momento ou fomos pressionados por vontades alheias as quais não quisemos ou não conseguimos contrariar? O tempo passa, olhamos para trás e tendemos a ver o que não conseguimos, o que perdemos, o que não fizemos bem, então pergunto, e o que alcancei mesmo quando achei que já não tinha forças, e o que ganhei quando achei que já não haveria nada para mim, e o que perdoei quando num reencontro sorri e me deixei ficar?
 

E pode ser uma eternidade, porque a tolerância torna-nos mais leves, o respeito torna-nos mais humanos, o amor torna-nos mais livres e a compreensão torna-nos mais sábios.

Somos filhos de um tempo, num tempo que é de todos, onde bebemos das fontes mais diversas e únicas, porque também elas são filhas de um tempo, num tempo que foi de todos. Então, “eu não sou do tempo”, não, eu recuso-me a ser de um tempo, como algo estático, que não avança, que não progride, que não evolui, que não aprende, que não se adapta, que não escuta, que não vê, que não ouve, recuso … o meu tempo é hoje, o meu lugar é este ou outro qualquer porque estarei sempre a tempo de, enquanto viver, fazer do tempo um lugar qualquer. Beber das mesmas fontes e de outras fontes quaisquer, aprender no tempo o que ainda não sei, receber do tempo o que ainda não tive, tolerar e aceitar com tempo o que é diferente de mim, acarinhar e guardar todo o tempo que estiveres aqui.
 
E pode ser uma eternidade, porque a tolerância torna-nos mais leves, o respeito torna-nos mais humanos, o amor torna-nos mais livres e a compreensão torna-nos mais sábios.
 
* Psicóloga Helena Chouriço
 
Modificado em quinta, 21 abril 2016 18:11

Deixe um comentário