sábado, 19 outubro 2019
quarta, 13 abril 2016 01:41

As Voltas que dou ao Rossio

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Conversar é sempre uma boa alternativa. Num mundo em que estamos cada vez mais isolados, apesar de estarmos ligados de mil e uma maneiras, o simples acto de conversar é gratificante. No À Volta do Rossio, programa que conduzo há três anos na Rádio Despertar e onde tive a responsabilidade de substituir o José Gonçalez, tenho essa possibilidade. Tenho a possibilidade de convidar alguém e conversarmos, aparentemente sozinhos, mas muito bem acompanhados.

O acto de, simplesmente, conversar, é hoje uma coisa rara e este programa permite isso mesmo. Permite que se conheça quem por vezes estã tão próximo de nós mas que conhecemos mal. Permite dar a conhecer alguém que, simplesmente, é bom no que faz e pode servir de exemplo para tantos outros.

Este programa tem sido, também, uma excelente oportunidade de perceber o trabalho e a carreira de muita gente. Tenho percebido que há muito talento, trabalho...e pouca sorte. A sorte dá muito trabalho e em cada convidado entendo isso. A sorte procura-se e é uma mistura de talento, oportunidade e trabalho. Tenho conhecido homens e mulheres que são bons naquilo que fazem. Tenho conhecido jovens, por exemplo de Estremoz, que estão a dar cartas na área em que sonharam trabalhar. Grande parte deles, são bons exemplos e admirados pelos mais próximos. 
 
Nas voltas que dou ao Rossio, também cresço. Aprendo bastante e divirto-me. Tiro, acreditem, bastante partido destas conversas. Aprendo porque saio de cada conversa a saber mais. Divirto-me, porque tenho muitas vezes a oportunidade de entrevistar amigos pessoais e estar com os amigos é sempre divertido. Também, na maior parte das vezes, fico a admirar ainda mais a pessoa que convidei para conversar. Lembro-me, por exemplo, de ver a emoção nos olhos de muitos deles. Lembro-me do Sr. Humberto Frade a recordar, com lágrimas nos olhos, os tempos de jogador de futebol em Angola. Registo, com muito agrado e orgulho, a presença no programa de antigos colegas de escola. É bom sinal. Com colegas de profissão, que tenho também trazido ao programa, tenho aprendido bastante. Com empresários de sucesso, tenho percebido o porquê desse mesmo sucesso. Temos conhecido também o outro lado de políticos. Com músicos, ouvimos música, conversamos e percebemos o caminho da cada um. Com professores, voltamos a aprender e recordamos os tempos de estudante. Com amigos, por vezes esquecemo-nos que estamos na rádio. 
 
Há três anos atrás, quando comecei a dar estas voltas ao Rossio, não tinha noção do que iria ter para frente. Numa época tão marcada pelo isolamento em redor das novas tecnologias, a rádio permite que apenas se converse. Parece pouco, mas não é. O acto de, simplesmente, conversar, é hoje uma coisa rara e este programa permite isso mesmo. Permite que se conheça quem por vezes estã tão próximo de nós mas que conhecemos mal. Permite dar a conhecer alguém que, simplesmente, é bom no que faz e pode servir de exemplo para tantos outros. É um programa feito pelos convidados e para os ouvintes. A rádio, felizmente, permite essa relação única.
 
*Jornalista José Lameiras
 
Modificado em quarta, 13 abril 2016 01:50

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