quarta, 16 outubro 2019
quarta, 09 dezembro 2015 02:45

Encontro com Freud - Crónica VII

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…”encontrei-me com Freud” e refleti sobre a Solidariedade.
 
O que é isso de ser solidário? Há vários tipos de solidariedade, formalizada, instituída e perfeitamente reconhecida e legitima aos olhos das comunidades, onde há procedimentos e regras que regem comportamentos, funcionamentos, protocolos e tudo o que é necessário a quem presta um serviço social aos que dele necessitam. E depois o simples ato de solidariedade que cada um de nós decide realizar em prol de um outro alguém que, aos nossos olhos, o necessita. Hoje por Si, amanhã por mim, sim porque amanhã ainda vem longe e nunca saberemos como vai ser, tenhamos consciência disso quando decidirmos ser solidários.
 
Nunca esta palavra e ação esteve afastada da nossa vida e apesar do amanhã ainda estar longe, cada vez mais as campanhas de solidariedade em nome de nobres causas e crises econômicas, sociais, religiosas, afetivas, relacionais e comunitárias, nos chamam a todos de uma maneira ou de outra.
 

Uma vez mais somos assombrados com ideias pré-concebidas, quem precisa é fraco, quem precisa não sabe, quem precisa não quer, quem precisa não pode… não pode escolher, não pode gostar, não pode questionar, não pode desejar, não pode sentir, não pode querer… Que solidariedade é esta, que humilha, que submete, que inferioriza, que magoa, que mal trata e que julga?...

O denominador comum de todas elas, tem nome e tem rosto, não defendo jamais que os conheçamos, defendo apenas que os imaginemos quando olhamos o espelho.
 
A solidariedade acontece quando eu respeito o “outro” enquanto individuo diferente de mim, nem menos nem mais, apenas diferente, com quem posso aprender e a quem posso ensinar, de quem posso receber e a quem posso dar. As definições são muitas vezes ambíguas e estereotipadas. Quando se ouve a palavra solidariedade, que imagem ou imagens nos aparecem?
 
E quando aquele que recorre a nós não se enquadra em nenhuma delas? … 
 
A solidariedade acontece quando eu me “dispo” de formatações prévias e me deixo embalar num conhecimento novo do “outro”, do que lhe é querido, do que considera importante, dos seus gostos, dos seus interesses, dos seus sonhos, dos seus medos, das suas limitações… sem juízos de valor e apenas com partilha de conhecimentos e vivências. 
 
Não existe solidariedade sem empatia, aquilo que nos chama é a capacidade de olhar o outro ou imaginá-lo no espelho e depois timidamente perguntar, o que faria eu? teria a coragem para partilhar o que preciso? … Uma vez mais somos assombrados com ideias pré-concebidas, quem precisa é fraco, quem precisa não sabe, quem precisa não quer, quem precisa não pode… não pode escolher, não pode gostar, não pode questionar, não pode desejar, não pode sentir, não pode querer… Que solidariedade é esta, que humilha, que submete, que inferioriza, que magoa, que mal trata e que julga?... 
 
Meus amigos, a solidariedade será sempre um valor, uma causa, uma missão e nunca um “palco” de representação social. A solidariedade acontece sempre que vou ao encontro do outro e/ou ele vem ao meu encontro e não importa o motivo, só importa o que acontece.
 
* Psicóloga Helena Chouriço
 
Modificado em quarta, 09 dezembro 2015 02:50

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