quinta, 17 outubro 2019
quinta, 09 julho 2015 10:51

Todas as casas são castelos

Escrito por Luís Parente
Bem-vindos à minha casa, ao meu humilde castelo. Sim, a minha casa é um castelo, um castelo que me permite ter a liberdade de pensar naquilo que eu quiser sem me subjugar a pré-conceitos ou a ideias pré concebidas. Naturalmente que os pensamentos advêm também de experiências, vivências, acções e até impulsos. Neste caso específico dos impulsos, tenho para mim que muitas das vezes não são inócuos, chegando mesmo a revelarem-se prejudiciais para muitos. Tenho também para mim que o acto de agir de natureza impulsiva não pode trazer acoplado qualquer tipo de pensamento racional. Na minha opinião, a impulsividade quase nunca é boa aliada da decisão e muito menos da solução, para além disso, sempre ouvi dizer que era uma característica animal. Para dizer a verdade, o Ser Humano tem muitas características dos animais, desde logo, e uma das mais básicas, é a procura do alimento. Ainda assim, considero que há muito mais coisas que nos diferenciam deles do que aquelas que nos aproximam e uma das principais é efectivamente a capacidade de utilizarmos o nosso cérebro para pensar, de conseguirmos pesar os prós e os contras de determinado pensamento antes de agirmos.
 
Sem que me queira imiscuir com a liberdade que cada indivíduo tem para usar esta capacidade de acordo com a sua vontade, tenho que afirmar com todas as letras que, ainda que a tenhamos para desenvolver o raciocínio… ainda que tentemos utilizar o nosso cérebro na sua totalidade… e mesmo conhecendo o que conhecemos… não somos capazes de viver para nós. Poder-me-ão questionar o que quero dizer com isto. A resposta é simples, o ser humano deveria ter a capacidade de, por intermédio do pensamento,  poder facilitar a sua própria vida e não complicá-la.
 

Dir-me-ão que o mundo podia ser perfeito mas não é! Eu sei… E nós também não! No entanto podemos fazê-lo um bocadinho melhor!

O que se passa nos dias de hoje é sintomático daquilo que acabo de dizer e, para ser sincero, revela muito pouco sentido lógico.
 
Quando oiço pessoas a intrometerem-se nas especificidades dos outros, dando opiniões gratuitas e obscenas, inclusivamente sobre o que nem sequer imaginam que se passa nas suas vidas, nas suas casas ou no seu seio familiar… Quando é criticado e violentado o espaço do próximo baseado em meras suposições ou boatos… Quando se dá mais importância aquilo que os outros pensam ao invés daquilo que cada um pensa… Quando, por exemplo, a economia e a política (como dizia um amigo meu e muito bem) deveriam estar ao serviço das pessoas para lhes proporcionar uma melhor qualidade de vida e se verifica que esses políticos e essa economia fazem pender a balança para o lado dos mais frágeis, asfixiam, burocratizam e complicam… Quando o Homem destrói os preciosos recursos naturais que ainda vão existindo, pondo em causa o futuro do próprio planeta e, logicamente, da sua própria espécie… Quando parece que as vidas valem menos que qualquer “pataca” ou território… QUESTIONO a tal capacidade intelectual do Ser Humano.
 
Não seria mais fácil se todos pensássemos em ajudar em vez de obstaculizar?
 
Não seria tudo mais fácil se direccionássemos o nosso pensamento no sentido de podermos amplificar a partilha?
 
Não seria mais fácil se pudéssemos ajudar cada um a fortificar as suas muralhas? 
 
Não seria tudo mais fácil se enaltecêssemos o positivismo? 
 
Não seria tudo bem mais simples se canalizássemos o nosso tempo para unir e não para dividir? 
 
Não seria, de todo, mais útil se estabelecêssemos sinergias em torno do bem comum?
 
Sinto que vivemos num mundo cada vez mais desprovido de valores, num mundo em que os castelos construídos não têm sustentação, não têm fundações ou alicerces. Num mundo em que esses castelos são de cartas ou de areia e quando uma onda ou uma simples brisa do mar os envolve, eles desmoronam-se com tanta facilidade quão é abrir e fechar os olhos.
 
Sinceramente acho que já é tempo de haver respeito pelos castelos de cada um, ainda que frágeis e insípidos…  
 
já é tempo de não se falar “dos” mas sim “com os”… 
 
já é tempo de se perceber que cada indivíduo tem a sua verdade… 
 
já é tempo de nos colocarmos no papel do outro para que melhor o possamos entender… 
 
já é tempo de se dar importância ao essencial e não ao acessório, ainda que o essencial seja, como escreveu Antoine de Saint Exupéry “invisível aos olhos”… 
 
já é tempo de utilizarmos a nossa capacidade de pensar para facilitarmos as nossas vidas e aproveitarmos ao máximo a passagem por aqui…
 
já é tempo de se perceber que TODAS AS CASAS SÃO CASTELOS, castelos com cenários de batalhas, de romances, de histórias, de segredos, cenários de vivências boas, de experiências más, de erros, de acertos, de verdades, de mentiras. 
 
Dir-me-ão que o mundo podia ser perfeito mas não é! Eu sei… E nós também não! No entanto podemos fazê-lo um bocadinho melhor!
 
Ainda assim é importante que TENHAMOS A NOÇÃO QUE SOMOS INSTANTES e que, lamentavelmente, desperdiçamos grande parte das nossas vidas dando importância ao acessório. Talvez um dia queiramos reverter tudo isto, mas pode ser tarde, pode ser… demasiado tarde.
 
* Luís Parente - Professor
 
Modificado em quarta, 15 julho 2015 01:02

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