terça, 26 outubro 2021
quarta, 04 novembro 2020 14:50

Comunidades Compassivas - uma resposta para ajudar o cuidador informal

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Comunidades Compassivas - uma resposta para ajudar o cuidador informal DR
A Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos (ECSCP) presta cuidados de saúde no domicílio do doente, que necessariamente tem um cuidador, habitualmente um cônjuge ou filho/a. Muitas vezes este cuidador informal está sozinho na tarefa de cuidar e é frequentemente uma pessoa idosa ou doente, também ela a precisar de cuidados. Mesmo nos casos em que é alguém mais jovem, torna-se difícil gerir o cuidado, a ocupação laboral e a sua própria família com filhos.
 
A elevada esperança média de vida no nosso país, é reveladora do desenvolvimento, acesso e qualidade dos cuidados de saúde e melhoria da qualidade de vida, condiciona no entanto o aumento das doenças crónicas, muitas vezes incapacitantes, tornando esta população dependente. Ao mesmo tempo assistimos no entanto ao desaparecimento das redes tradicionais de cuidado e ao isolamento frequente da população idosa e dependente.
 
A melhor resposta será então implicar a comunidade no cuidado destas pessoas com doença grave avançada, ajudando o cuidador a assegurar cuidados de saúde a estes doentes, apoiando ao mesmo tempo as suas famílias e cuidadores, até o final da vida.
 

Uma comunidade compassiva facilita a resiliência e diminui a exaustão quer do doente, quer dos cuidadores, para que possam cuidar no domicilio, se for este o seu desejo, e ter mais qualidade de vida até ao final.

 
O processo de morrer é algo natural, faz parte do percurso da vida, devemos encará-lo não como um problema médico ou de saúde mas sim como um processo normal, inerente ao ser humano. Como tal não pode ser deixado apenas nas mãos dos sistemas de saúde mas sim de toda a comunidade, é uma responsabilidade de todos ajudar nestes momentos difíceis. É esta a visão das comunidades compassivas.
 
Uma comunidade compassiva reconhece as necessidades da pessoa em fim de vida e implica nos cuidados todos os sectores da sociedade, diminuindo assim o impacto negativo deste processo. As comunidades compassivas surgem assim como um movimento de cidadania que responsabiliza mais a comunidade na promoção da sua própria saúde, capacitando-a para o cuidado do indivíduo, sua família, cuidadores e amigos, numa atenção centrada na pessoa, tornando a pessoa cuidada responsável pela toma de decisões. 
 
Motivadas pela compaixão, promovem planos de acção para o desenvolvimento de redes de cuidado que integrando os serviços de cuidados paliativos comportam os vários planos da pessoa: físico, espiritual, psicológico, religioso e social. 
 
Uma comunidade compassiva facilita a resiliência e diminui a exaustão quer do doente, quer dos cuidadores, para que possam cuidar no domicilio, se for este o seu desejo, e ter mais qualidade de vida até ao final.
 
A verdadeira compaixão faz com que sejamos empáticos com o sofrimento do outro e torna-nos activos na tarefa de o aliviar – compaixão é acção.
 
A compaixão pode ser cultivada nestas comunidades compassivas, motivo pelo que surgiu a “Associação Borba Contigo Cidade Compassiva” (ABCCC), uma associação sem fins lucrativos, que se juntou à “Amadora Compassiva” e “Porto Compassivo”, numa caminhada conjunta para um Portugal Compassivo.
 
Até lá queremos continuar a crescer para fazer um Alentejo Compassivo.... Juntem-se a nós!
 
Bibliografia:
1- http://phpci.info/become-compassionate-cities
2- Charter for Compassion, disponível em: https://charterforcompassion.org/images/menus/charter/pdfs/CharterFlyer10-30-2012_0.pdf
3- Joan Halifax  La compasión y el verdadero significado de la empatia TED women 2010 https://www.ted.com/talks/joan_halifax?language=es
4- Atención sociosanitaria integrada en cuidados paliativos, Silvia Librada Fundation New Health, Emilio Herrera Fundation New Health, Tania Pastrana Uruena Universidad técnica de Aquisgrán Alemania. Abril 2005 Fundación Caser.
Modificado em quinta, 22 julho 2021 01:46

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