segunda, 12 abril 2021
terça, 27 outubro 2020 22:07

Unidas no Cuidar...

Escrito por
Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos (ECSCP) e
Equipa de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) Portel
 
Cuidar no domicílio ascendeu, em tempos de pandemia, a um patamar de primazia.
 
A evidência internacional mostra que a maioria das pessoas preferiria ser cuidada e morrer em casa, se lhe fosse permitido escolher, sendo as pessoas com 75 e mais anos as que mais desejam morrer em casa (66,2%).1
 
A prestação de Cuidados no domicílio, além de estar associada a menores custos e menor utilização de serviços de saúde, permite à pessoa doente ser cuidada no seu ambiente privado, rodeada da família, dos amigos e dos seus objetos significativos, aspetos promotores de maior bem-estar e qualidade de vida.
 
As Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI), que emergem das Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC), têm um papel preponderante na manutenção dos doentes no domicílio. Direcionam a sua intervenção multidisciplinar a pessoas em situação de dependência funcional, doença terminal ou em processo de convalescença, sempre que exista um cuidador.2
 
A ECCI Portel, ativa desde 2017, integra a Unidade de Cuidados na Comunidade de Portel, pertencente ao Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Alentejo central e abrange o concelho de Portel, com uma área geográfica de 600,2 km2 e oito freguesias: Alqueva, Amieira, Monte do Trigo, Oriola, Portel, Santana, São Bartolomeu do Outeiro e Vera Cruz.
 

Trabalhar em cuidados paliativos é uma aprendizagem constante, a nível profissional e pessoal. Passamos a encarar a vida de outra forma, a relacionarmo-nos de outro modo, adoptamos uma atitude muito mais reflexiva em relação à morte, ao sentido da vida e ao propósito da nossa existência. Aprendemos a viver intensamente cada momento e a ser gratos por cada pormenor. 

 
Esta ECCI é constituída por uma equipa multidisciplinar composta por 3 enfermeiras, apoio médico, assistente social, psicóloga, assistente técnica e assistente operacional. Recebe até 8 utentes, integrados após referenciação das equipas de saúde familiar, hospitais ou da própria RNCCI. Os utentes são maioritariamente pessoas com dependência funcional; pessoas idosas com critérios de fragilidade; pessoas com doença crónica evolutiva e dependência funcional grave por doença física ou psíquica, progressiva ou permanente; ou pessoas que sofrem de uma doença em situação terminal.
 
Os cuidados paliativos proporcionam o alívio da dor e outros sintomas geradores de sofrimento, afirmam a vida e consideram a morte como um processo natural pelo que não a adiantam nem atrasam. Integram as componentes psicológicas e espirituais do cuidar, assim como oferecem um sistema de suporte para ajudar os doentes a viver tão ativamente quanto possível até à morte e ajudar a família a lidar com a doença do seu ente assim como no seu luto. Utilizam o trabalho de equipa como metodologia mais adequada para a satisfação das necessidades do doente e família, promovendo a melhoria da qualidade de vida e, como tal, podendo influenciar positivamente a trajetória da doença.3
 
Durante os últimos anos, muitos foram os utentes com doença incurável e/ou grave e com prognóstico limitado, ou em situação terminal que tivemos o privilégio de acompanhar, permitindo cumprir-lhe o seu desejo de permanecer no seio familiar.
 
Trabalhar em cuidados paliativos é uma aprendizagem constante, a nível profissional e pessoal. Passamos a encarar a vida de outra forma, a relacionarmo-nos de outro modo, adoptamos uma atitude muito mais reflexiva em relação à morte, ao sentido da vida e ao propósito da nossa existência. Aprendemos a viver intensamente cada momento e a ser gratos por cada pormenor. 
 
A complexidade e a exigência deste contexto requerem a intervenção de equipas interdisciplinares diferenciadas, com formação de alto nível que conjuguem o saber técnico e científico, com o uso de habilidades interpessoais e emocionais.
 
A articulação estabelecida com a equipa comunitária de suporte em cuidados paliativos (ECSCP) Ametista tem sido preponderante neste processo, partilhando a sua especialidade, com ciência, arte e empenho e contribuindo para a dignificação e significação da vida humana até ao fim. 
 
A ECSCP é para nós um pilar que nos transmite a ciência e o pormenor de cada momento. Fazem-nos sentir a nós, ECCI, o que os utentes/ família necessitam que transmitamos em cada momento. À distância de um telefonema ou de uma visita programada ou inesperada, são as mãos que confortam, o olhar que apazigua, as palavras que nos acalmam e confirmam que estamos no caminho certo, o caminho da dignidade da vida humana, do valor de pequenas grandes conquistas e da humanização dos cuidados de saúde.
 
Obrigada ECSCP por serem uma equipa estrela que nos ilumina, nos inspira e nos faz ter a certeza que estamos juntas em prol de um só objectivo, o bem estar do utente e família.
 
Fica o compromisso de fazermos a diferença na vida de quem cuidarmos!
 
Enfermeira Carmen Horta - Coordenadora da ECCI Portel
 
 
1. Gomes B, Sarmento VP, Ferreira PL, Higginson IJ. Estudo epidemiológico dos locais de morte em Portugal em 2010 e comparação com as preferências da população Portuguesa (Epidemiological study of place of death in Portugal in 2010 and comparison with the preferences of the Portuguese population). Acta Med Port. 2013;26(4):327-34. Portuguese
 
2. Decreto-Lei nº 101/2006, de 6 de junho. Diário da República. 1ª série-A(109)
 
3. https://www.apcp.com.pt/faq/o-que-sao-cuidados-paliativos.html
Modificado em quarta, 28 outubro 2020 10:14

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