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quarta, 02 janeiro 2019 19:19

Vamos à escrita?

Escrito por
Um ano e meio se passou sem que tivesse escrito uma única palavra para o “Ardina do Alentejo”. Dezoito meses de “zanga” com a escrita. Poder-me-ão perguntar porquê mas a minha resposta é simples… não faço a mínima ideia, não sei porquê, sinceramente! O meu vigésimo sétimo texto para o “Ardina” nasce hoje, curiosamente no vigésimo sétimo dia do mês de Dezembro de 2018, para já, e enquanto o escrevo não imagino sequer que título lhe hei-de dar, quem sabe no final chegue a alguma conclusão.
 
Talvez esteja na altura de “degustar” as letras, as sílabas, as palavras como outrora. Talvez seja agora o reinício de uma “vida” que temporariamente esteve interrompida sei lá por que motivos.
 
Apesar de “ausente” fui sempre acompanhando a evolução mais do que positiva do “Ardina”, fruto da visão futurista do Pedro Soeiro, que é o rosto mais visível deste projecto, mas também do Ivo Moreira que também tem trabalhado intensamente no site. A eles uma especial e pública saudação pelo trabalho e dinamismo desenvolvido até aqui. É também por isto que ainda hoje me continuo a sentir honrado por fazer parte desta pequena/grande equipa.
 
“Ano novo, vida nova” não é o que recorrentemente se diz, ano após ano normalmente no final de cada ciclo de doze meses? Pois para mim será ano novo, hábitos antigos, pelo menos no que à escrita diz respeito, é claro.
 
Durante estes dezoito meses de interregno muitas alterações surgiram no mundo e na vida de quase toda a gente, e na minha não foi, efectivamente, diferente. Na realidade, e sem querer estar a fazer-me de vítima do que quer que seja, foi um tempo, de certa forma, complicado para mim mas o que é certo é que saí dessa fase muito mais forte e com uma capacidade de regeneração e aprendizagem muito maior.
 

 Durante estes dezoito meses de interregno muitas alterações surgiram no mundo e na vida de quase toda a gente, e na minha não foi, efectivamente, diferente. Na realidade, e sem querer estar a fazer-me de vítima do que quer que seja, foi um tempo, de certa forma, complicado para mim mas o que é certo é que saí dessa fase muito mais forte e com uma capacidade de regeneração e aprendizagem muito maior.

Em dezoito meses vivi várias vidas, desde logo, e naturalmente, a minha, mas vivi com muito mais intensidade, fruto de inúmeras contingências e acontecimentos, a vida de outras pessoas. No fundo vivi de perto com a injustiça, com a impotência e com a incapacidade de resolução célere de problemas de saúde de familiares muito próximos. A este propósito continua a irritar-me o facto desses mesmos problemas andarem sempre muito mais velozes do que as soluções mas contra isso é mesmo muito difícil dar a volta. No entanto, durante este espaço temporal, também vivi lado a lado com a força, com a capacidade criativa, com a persistência, com a solidariedade, com o apoio, com a amizade, com a resiliência e com a efectiva noção de realidade, realidade essa que, a determinado momento, resolveu “dar-me um estalo” para me acordar de forma a conseguir relembrar-me que nós, humanos, não somos senão pó.
 
De facto vivi neste ano e meio em dois estádios diferentes, ou duas estações, como preferirem, uma espécie de estação do bem e outra do mal. Se calhar até vivemos sempre com elas mas nesta altura senti-as mais nitidamente e com mais intensidade na minha vida. Existiam fronteiras nessas estações, ainda assim elas não só se cruzavam mas se interligavam e muitas das vezes se tentavam fundir. No entanto, quando isso aconteceu tive o discernimento e a felicidade de, em conjunto com a família e os amigos, conseguir ter a capacidade de delimitar de novo essas fronteiras para que um estádio não se sobrepusesse ou condicionasse o outro, mantendo dessa forma o necessário e natural equilíbrio. Essa superação foi realizada com muito esforço e foi muito difícil, mas aconteceu “cá dentro”, e acontece sempre quando transformamos a descarga das energias negativas em sorrisos e amor. Não que o amor não exista quando a lágrima escorre pelo rosto… não que o amor não exista quando lutamos contra adversidades… ele existe e existirá sempre em ambas as situações, na alegria e na tristeza. Uma coisa é certa, em ambas as estações de que falei consegui tirar ensinamentos e experiências de vida que me fizeram chegar de novo até aqui, à ponta desta caneta BIC que suja de novo o papel branco (sim continuo a preferir a escrita manual à electrónica!). Agora me apercebo que a fluidez com que essa tinta “escorre” no papel me trouxe a uma espécie de balanço dos meses em que estive ausente, logo eu que não sou nada apreciador de balanços. Na verdade a vida é para ser vivida de acordo com o rumo que a própria vida tomar, baseado ou não nas opções e nas escolhas que vão surgindo, sem balanços, sem previsões… com expectativas sim, com ambições também, mas sempre vivendo o presente, retendo aprendizagens passadas e aguardando o porvir que a sorte trouxer.
 
Ainda que continue a não me considerar nenhum expert para escrever sobre tudo e mais alguma coisa, continuarei a revelar os traços da minha identidade, a minha forma de pensar e ver o mundo e a vida e, mesmo passados dezoito meses, regresso com igual entusiasmo e com a mesma vontade de escrever um pouco sobre esse mundo, um pouco sobre essa vida e até mesmo um pouco sobre mim. Assim os leitores tenham paciência para ler os meus, por vezes, extensos textos. Passado ano e meio regresso com a mesma expectativa e ambição e espero, naturalmente, pelo futuro na ponta da minha BIC. Vamos à escrita? (Olha… encontrei o título!). 
 
* Professor Luís Parente
Modificado em quarta, 02 janeiro 2019 19:24