quarta, 17 outubro 2018

Perigosas Barbaridades

Escrito por  Publicado em José Lameiras segunda, 19 fevereiro 2018 23:52
Escrevo este texto pois, apesar do seu estilo fraturante, foi a primeira vez que um discurso de Bruno de Carvalho me revoltou. Todos nós já sabiamos qual era a forma de estar do Presidente do Sporting. Já todos entendemos a sua estratégia e a forma como pensa, se é que pensa, na sua comunicação. Mas este último discurso, depois de um cheque em branco que lhe foi passado pelos sócios do Sporting, foi o pior de todos e, mais grave ainda, o mais perigoso.
 
Tenho muito respeito pelo Sporting e pelos meus amigos que são adeptos deste clube. Reconheço, também, o bom trabalho de gestão desportiva que Bruno de Carvalho tem feito. Não posso aceitar, enquanto jornalista e cidadão português, esta enorme falta de respeito. Ninguém que quer ser levado a sério pode dizer aquelas barbaridades. É preciso perceber que cargo ocupamos e aquilo que representamos, quando num pavilhão cheio de gente declaramos guerra aos jornalistas, aos jornais, às televisões. No final houve, claro, animosidade e jornalistas ofendidos. Não houve, talvez por milagre, violência. 
 

Eu sempre tenho defendido que há muita gente que não se devia chegar, nem perto, de um microfone. Bruno de Carvalho é um bom exemplo disso. Gosta de ser fraturante, gosta de disparar em várias direções, fazendo lembrar, em mau, ou em muito pior, o que fazia Jorge Nuno Pinto da Costa nos seus tempos de ouro. Só que há aqui uma grande diferença. Podem apontar muitos defeitos ao Presidente do FC Porto, mas ele sempre teve nível, até quando enfrentava de forma mais áspera alguns jornalistas.

Será que Bruno de Carvalho tem noção do que diz? Será que ele tem a perfeita noção do que lucram os seus patrocinadores com as imagens dos equipamentos do Sporting na comunicação social? Será que ele tem noção de quanto vale um logotipo atrás de um treinador a falar em direto para a televisão? E se tudo isso acabasse? E se houvesse união de todas as empresas em Portugal que detêm orgãos de comunicação social e ninguém fizesse uma única notícia sobre o Sporting? E se o clube fosse rigorosamente ignorado? Seriam a Sporting TV e o jornal do Sporting suficientes para informarem os seus adeptos? 
 
Eu sempre tenho defendido que há muita gente que não se devia chegar, nem perto, de um microfone. Bruno de Carvalho é um bom exemplo disso. Gosta de ser fraturante, gosta de disparar em várias direções, fazendo lembrar, em mau, ou em muito pior, o que fazia Jorge Nuno Pinto da Costa nos seus tempos de ouro. Só que há aqui uma grande diferença. Podem apontar muitos defeitos ao Presidente do FC Porto, mas ele sempre teve nível, até quando enfrentava de forma mais áspera alguns jornalistas. Sempre soube qual era a altura certa para passar as suas mensagens e por vezes dizia coisas bem piores mas de maneira diferente. Qual é a diferença de entrevistar Bruno de Carvalho ou um qualquer adepto à porta de Estádio de Alvalade antes de um jogo? Se repararem, o registo é o mesmo e, parece-me, não são os adeptos que estão mal. Aos adeptos esse tipo de discurso é permitido, a um presidente de um clube não é. 
 
Podia aqui dizer que Bruno de Carvalho também se esqueceu da quantidade de pessoas que ganha a vida a trabalhar na comunicação social. Mas penso que não vale a pena porque as pessoas sabem pensar pela sua cabeça e irão continuar a comprar jornais e a ver televisão, até mesmo os programas com "paineleiros e cartilheiros". O que Bruno de Carvalho ganhou com isto foi mais um motivo para ser caricaturado nas redes sociais e falado pelos piores motivos. Digo eu, que nem sou do Sporting mas que respeito muito a instituição, que este senhor já não faz falta ao futebol português pois até se pode tornar perigoso. Só pediu o cheque em branco aos sportinguistas, porque sabia que não havendo nesta altura alternativa visível, os sócios iriam aprovar tudo. Quando oiço muita gente dizer que ele escolheu a pior altura para fazer isto, digo que esta, de facto, foi a pior altura para o Sporting mas, para ele, como ficou provado, foi mesmo a melhor. Se isto tem acontecido no final da época, Bruno de Carvalho, assim como qualquer treinador, estaria dependente dos resultados.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 

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