terça, 11 dezembro 2018

Viver o Natal

Escrito por  Publicado em José Lameiras quinta, 21 dezembro 2017 00:06
"O Natal não é uma data histórica, é uma vivência". Muitas vezes o Padre Júlio disse isso aos microfones da sua rádio e, com o andar dos anos, vamos percebendo que isso é mesmo verdade. O Natal não é uma data que o calendário obriga a que seja comemorada e assinalada. Muitos de nós não estamos prontos, nem disponíveis, para viver um Natal que está muito longe de ser uma correria entre supermercados e embrulhos.
 
Tudo isso faz parte do Natal e a expressão de uma criança a receber a prenda que pediu na carta que escreveu ao Pai Natal é uma coisa única. Esta é a magia do Natal. As crianças são mesmo a parte mais importante desta quadra e agora entendo isso perfeitamente. Tive o "meu Natal" em Julho, quando peguei pela primeira vez na minha filha. Tenho percebido, ao longo deste tempo, aquilo que os meus pais gostam de mim.
 

As crianças são mesmo a parte mais importante desta quadra e agora entendo isso perfeitamente. Tive o "meu Natal" em Julho, quando peguei pela primeira vez na minha filha. Tenho percebido, ao longo deste tempo, aquilo que os meus pais gostam de mim.

Isso para mim é Natal. Gostar de alguém e querer estar por perto. Proteger, cuidar, entender alguém. Conviver com a família, com os amigos e até esquecer os inimigos. Celebrar o Natal é ter a mesa cheia, mas de gente. É olhar para as cadeiras vazias e perceber, mas aceitar, que falta alguém que queríamos muito que ali estivesse mas que o tempo não volta para trás. É perceber que ontem eramos os netos que esperavam pela meia-noite para abrir as prendas e hoje somos os pais que tratamos de tudo para que nada falte às nossas crianças. É perceber agora porque é que os nossos pais gostavam tanto de estar nesta época com os nossos avós. É olhar para os olhos dos nossos pais e perceber o que sentiam os nossos avós quando olhavam para nós. Para mim, isto é o Natal. É dar graças as Deus pelo que temos e não pensar que queríamos mais ou melhor. É aceitar o Natal como ele verdadeiramente é, não pensando que falta isto ou aquilo na mesa. Havendo o suficiente para nos alimentarmos nesse dia como noutro dia qualquer, o Natal depois é a amizade que colocamos na conversa e o convívio que promovemos com os outros. Esses são os momentos que verdadeiramente ficam.
 
Cada vez temos mais exemplos de que tudo passa muito depressa e que de um dia para o outro as coisas podem mudar. Por isso, vale e pena viver cada momento intensamente e o Natal é uma boa oportunidade para isso. Viver o Natal é diferente de passar a noite da Consoada. Viver o Natal é aceitar que todos somos diferentes mas ao mesmo tempo somos muito iguais. Parar estes dias para pensar no que fizemos, no que podemos fazer ou no que a vida nos tem dado ou pode dar, é também fazer Natal.
 
Este não é um texto de opinião, longe disso. É uma reflexão de alguém que tem visto o seu Natal mudar ao longo dos tempos. Tenho muitas saudades dos meus avós, tenho saudades do meu Natal em Vila Boim. No entanto, tenho acrescentado pessoas à minha vida e elas, felizmente, estão comigo nesta altura. Uma delas, a mais pequena, é o meu verdadeiro Natal deste ano.
 
Amigos, Façam Natal. Boas Festas para todos!
* Jornalista José Lameiras
 
 

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