domingo, 17 dezembro 2017

Joguem à bola

Escrito por  Publicado em José Lameiras sexta, 24 novembro 2017 02:28
Nos últimos tempos os protagonistas teimam em tentar acabar com a paixão pura e sincera que os adeptos têm pelo futebol. Parece que há uma campanha conjunta para afastar, ainda mais, as pessoas dos estádios de futebol. Está também ao rubro uma campanha para descredibilizar os árbitros. Como em quase tudo nesta vida, o problema parece estar mesmo dentro e não fora.
 
Os Diretores de Comunicação dos clubes assumem papéis principais. Os presidentes ficam na sombra e assistem a tudo serenamente, escolhendo depois o momento certo para aparecer. Aquilo que em tempos era uma rivalidade, perfeitamente normal e assumidamente saudável, é agora apenas ódio ao rival. O que interessa agora é disfarçar erros com as culpas dos outros e teorias da conspiração. Basicamente, só perdemos, ou não ganhamos, porque os outros têm tudo comprado. 
 
Ao contrário do que estes dirigentes de hoje pensam, os adeptos gostam é de futebol. Gostam, é verdade, acima de tudo que o seu clube ganhe. Mas, acredito também, serão poucos aqueles que aplaudem a conduta atual e estratégia dos três principais clubes portugueses. Hoje, digo eu, ninguém pode "cuspir para o ar". Todos estão a fazer o mesmo caminho e a palavra "investigue-se" nunca foi tão referida em programas de televisão que são, imagine-se, produzidos mesmo para isto nos canais dos clubes.
 
Todo este, desculpem-me a expressão, "circo que está montado", revela que afinal o problema não está em video-árbitros ou na falta deles. O problema é a cultura, o modo de estar no futebol e o facto de que ganhar dá muito mais dinheiro do que perder e resultados negativos não enchem bolsos. O problema é que estes "comunicadores" do hoje não são do futebol nem nunca deveriam ter sido. Os emblemas que representam, são muito maiores que tudo isto e os fundadores destes clubes não os criaram a pensar que um dia seria assim.
 

Já tenho saudades daqueles domingos em que o Domingo Desportivo passava os resumos de todos os jogos e se falava de futebol, de tática, de grandes golos, de grandes jogadores, de grandes guarda-redes e de histórias do futebol. Não gosto, nem concordo, que os clubes se prestem a este papel e sejam eles a marcar aquilo que é atualidade desportiva, provocando este clima de desconfiança.

É claro que vivo neste mundo e sei que isto nem sempre é tudo legal. Sei que há influências, que há bons e maus lugares, que há boas e más comissões e que nem tudo é só jogado dentro das quatro linhas. Agora, é preciso que se entenda, ou que seja passada essa mensagem, que tudo isto muda porque a bola entra ou não entra. Ganhar é mesmo muito mais fácil do que perder e esta "caça às bruxas" a que temos assistido só prova que o futebol passou para um patamar diferente daquele que nos fez apaixonar por este jogo.
 
Sei que há árbitros mais sérios que outros, mas também há uns mais competentes que outros. Tal e qual como há avançados e defesas bons e outros que nem por isso. Isto é futebol. Compete aos dirigentes da arbitragem fazerem, seriamente, essa seleção. Com o video-árbitro, pensaram alguns que os erros iam acabar no futebol. O que temos agora com essa dita "tecnologia", é árbitros principais a sacudirem a responsabilidade das decisões mais complicadas para outros que estão a ver o jogo pela televisão. Sou a favor do chip dentro da bola, para entendermos se entrou ou não. Essa é uma tecnologia que nos dá uma certeza da decisão e não dá mais margem para discussão. Agora, por exemplo, num lance de grande penalidade ou na anulação de um golo devido a falta, há sempre a questão da subjetividade e com duas cabeças podem existir duas visões diferentes dos lances. O que é que isso provoca? Mais discussão e mais desconfiança. Não duvido que a intenção até fosse boa, mas penso que não resulta. O jogo tem 90 minutos e as equipas têm de entender que os árbitros erram porque têm de decidir. O caminho, digo eu, é falar de futebol. Se há algo ilegal, como em tudo na vida, devem ser as entidades competentes a investigar. Se eu acho que estou a ser prejudicado por algo ilegal, devo fazer queixa no local apropriado e deixar que as autoridades façam o seu trabalho. 
 
Já tenho saudades daqueles domingos em que o Domingo Desportivo passava os resumos de todos os jogos e se falava de futebol, de tática, de grandes golos, de grandes jogadores, de grandes guarda-redes e de histórias do futebol. Não gosto, nem concordo, que os clubes se prestem a este papel e sejam eles a marcar aquilo que é atualidade desportiva, provocando este clima de desconfiança. Bandidos e gente menos séria sempre houve e vai haver no futebol ou noutra atividade qualquer, é mesmo assim. É preciso é fazer com que a justiça, desportiva ou cívil, afaste essa gente do futebol. Aquilo que tem acontecido, é apenas enviar foguetes para o ar e mãos cheias de nada. É só mais motivos para polémicas, ódios e mais preocupações para a polícia quando os rivais se encontram. Para a História, como em tudo nesta vida, ficarão as vitórias, os títulos, os grandes jogos. É isso que verdadeiramente conta.

 
* Jornalista José Lameiras
 
 

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