sexta, 15 dezembro 2017

A desculpabilização

Escrito por  Publicado em António Costa da Silva domingo, 13 agosto 2017 02:04
Recentemente a senhora Ministra da Administração Interna admitiu que houve descoordenação no posto de comando da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) no incêndio de Pedrógão Grande e que o local onde foi instalado não foi o ideal.
 
Segundo as palavras da Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, também as falhas de comunicações do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) “dificultaram as operações de controlo e comando”.
 
Confirmou que houve falta de articulação entre a secretaria-geral da Administração Interna, PSP, ANPC e GNR no que diz respeito à deteção dos problemas nas comunicações e no acionamento e mobilização da Estação Móvel, que se refletiu numa excessiva morosidade da sua disponibilização e que os constrangimentos “foram potenciados pela escolha do local para a instalação do posto de comando e controlo da ANPC em Pedrógão Grande”.
 

Resultado disto tudo: Ninguém é responsável, nem ninguém é responsabilizado. Ou melhor, estamos perante uma “grande embrulhada”, onde todos retiram “a água do capote”. O Estado falhou e continua a falhar.

No entanto, a Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) assegura que a estrutura de comando operacional no combate ao incêndio florestal que deflagrou em junho em Pedrógão Grande, causando 64 mortos, se revelou "adequada a cada momento específico".
 
A Inspeção-Geral da Administração Interna apontou que a Secretaria Geral não tem no seu plano de ação um procedimento estruturado de análise dos dados para avaliar o impacto das avarias e dos incidentes no sistema SIRESP.
 
Segundo o relatório do inquérito interno da Guarda Nacional Republicana (GNR) à atuação dos militares envolvidos nas operações no incêndio de Pedrógão Grande, “as primeiras instruções de coordenação recebidas pela Guarda” do Posto de Comando (PC) da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) “para a regularização e corte de trânsito no teatro de operações, designadamente na EN 236-1, foram emitidas pelas 22:00”.
 
O Instituto de Telecomunicações considera que existiram “faltas graves” na rede SIRESP (comunicações de emergência), com cortes prolongados no funcionamento normal do sistema, quando do incêndio de junho em Pedrógão Grande, do qual resultaram 64 mortes.
 
Resultado disto tudo: Ninguém é responsável, nem ninguém é responsabilizado. Ou melhor, estamos perante uma “grande embrulhada”, onde todos retiram “a água do capote”. O Estado falhou e continua a falhar.
 
Se Portugal fosse um País com um Governo normal, a senhora Ministra da Administração Interna assumiria naturalmente as suas responsabilidades. Que mal tem isso?
 
Mas uma coisa é certa, o Estado falhou.
 
* Deputado António Costa da Silva

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