sexta, 24 novembro 2017

A Lição do Salvador

Escrito por  Publicado em José Lameiras sexta, 12 maio 2017 10:05
O Salvador Sobral deveria ser, para todos, um exemplo. Não por ser perfeito, porque isso não existe, nem por cantar melhor do que os outros. O Salvador deveria ser um exemplo pela sua história e pela sua forma de encarar a vida.
 
A vida é feita de sonhos e objetivos. Todos deveremos ter algo para fazer e algo para sonhar. Os sonhos serão impossíveis para quem não sonha e para quem não trabalha para que eles se realizem. O Salvador Sobral, é apenas um jovem que decidiu rapidamente qual o caminho que queria e dele nunca se desviou um milímetro. Sonhou com este momento, foi à luta, ouviu muitas vezes a palavra "não", mas isso não fez com que desistisse.
 
Teria sido mais fácil, para o Salvador, ser diferente. Seria mais fácil ser como os outros e pensar numa personagem. Nada disso. Convicto de que a genuídade é, também, uma virtude, Salvador tem sido igual a si próprio e assumiu os riscos disso mesmo. O seu "estilo", a sua maneira de cantar e falar, de estar em palco completamente descomprometida com o "parece bem" ou "parece mal", passa ao lado da crítica estrangeira, de quem gosta da música e de música, e apenas o seu talento é julgado. Parece simples, não é? Mas, por cá, não.
 

Ouvimos o Salvador falar e tudo parece mais simples. No "Alta Definição" da SIC, Salvador disse isto: "Tenho muito mais coisas boas do que más. Esta doença que eu tenho é o único problema que eu tenho na minha vida" . Ouvi-lo, faz-nos pensar que somos nós que, grande parte das vezes, complicamos as coisas. Somos nós que valorizamos demais aquilo que não tem importância e desvalorizamos o que é essencial.

 
Salvador é genuíno mas não é rebelde. Não é aquele, desculpem a expressão, "gajo" que diz que ser diferente é que é "fixe" e os outros são todos uns "totós". Nada disso. Quem se atreveria, em pleno Festival da Eurovisão, a gritar "LINDOOO" durante a sua música? Pois, ele sente o que canta e, digo eu, a forma como canta a sua música leva a que mesmo quem não conheça uma palavra de Português entenda o sentimento que o cantor coloca na sua voz. É como os estrangeiros nas Casas de Fado em Portugal, não entendem uma palavra, mas também não precisam.
 
Salvador deu-nos uma lição a todos. Seja qual for o resultado no próximo sábado, os portugueses voltaram a ter orgulho numa canção no Festival da Eurovisão. O país voltou a ver este evento. Quantas pessoas em Portugal se lembram dos representantes portugueses dos últimos anos? Eu, que até trabalho numa rádio, nem me lembrava que Portugal não tinha participado no ano passado e do nome da nossa representante em 2015. Tive que ir pesquisar na internet. Tivemos, de facto, boas prestações em 2008, 2009 e 2010, anos em que estivemos na final. Agora, neste caso, a diferença é que, fique onde ficar, o Salvador já tem o mérito de colocar os portugueses a falar sobre a Eurovisão, mesmo que possamos dizer que as redes sociais tenham dado uma grande ajuda.
 
Ouvimos o Salvador falar e tudo parece mais simples. No "Alta Definição" da SIC, Salvador disse isto: "Tenho muito mais coisas boas do que más. Esta doença que eu tenho é o único problema que eu tenho na minha vida" . Ouvi-lo, faz-nos pensar que somos nós que, grande parte das vezes, complicamos as coisas. Somos nós que valorizamos demais aquilo que não tem importância e desvalorizamos o que é essencial. Ele, ao contrário de muita gente, é aquilo que vemos e que ouvimos. É um rapaz simples e, também, um simples rapaz. É genuíno e, como se costuma dizer agora, "sem filtros".
 
Não deve ser um Ídolo, apesar de ter concorrido ao programa com esse nome. É, simplesmente, alguém que faz questão de ser puro, goste-se ou não, e de lutar por aquilo em que acredita. Não é politicamente correcto e nem o quer ser. É educado, bem formado, mas real. Tem outro grande mérito. Digo eu, que é o facto de ter feito, precisamente, muitas pessoas mudarem de opinião. Infelizmente, para muitos portugueses, foi preciso ouvirem a crítica internacional para aceitarem o seu valor e a sua qualidade. É triste, eu sei, mas é mesmo assim.
 
* Jornalista José Lameiras

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