segunda, 25 junho 2018

De regresso às crónicas...

Escrito por  Publicado em Helena Chouriço %AM, %26 %071 %2017 %00:%Jan.
De regresso às crónicas, perdoem-me a ousadia mas esta tem a ver com o meu percurso profissional. Não podia deixar passar a oportunidade de o publicar.
 
É verdade, passaram-se 18 anos, desde que cheguei ao Centro Social Paroquial de Santo André de Estremoz. No dia 9 de Fevereiro de 1999 iniciava um percurso que me trouxe ensinamentos e vivências únicas, que guardo na memória afetiva mas também nos cadernos, agendas e afins.
 
Guardo as pessoas com que me cruzei e que permanecem comigo, guardo situações que vivi, repletas de emoção, sorrisos, lágrimas, medo, dúvidas e certezas. Cresci como pessoa e como profissional, já o disse em várias ocasiões. Aprendi que o Ser Humano é muito mais que as situações que os fazem procurar o apoio de uma instituição como esta, aprendi que o Ser Humano é repleto de dons e qualidades por descobrir independentemente de tudo e de todos, aprendi que o Ser Humano não poderia nunca estar sozinho porque aprendi a aprender com todos quanto fizeram parte deste meu caminho, desde os mais pequenos com quem tive o privilégio de partilhar momentos e sentimentos que não são possíveis de relatar no papel ou relatar apenas, como também já disse algumas vezes, há “coisas” que só nos são permitidas sentir, para o pior e para o melhor, até superiores, colegas que se transformaram em família, utentes, entidades e seus responsáveis que se transformaram em aliados e amigos.
 

Este meu “Encontro com Freud” não é uma despedida mas apenas um virar de página no “livro” da minha história, e quando se vira uma página, soltam-se as expectativas, os anseios, os medos, as dúvidas, as certezas, as buscas e solta-se igualmente a esperança de me colocar, uma vez mais, ao serviço do Ser Humano, com todas as minhas limitações e com tudo o que ainda terei de aprender para continuar a “escrever”, dia após dia, o meu trabalho e desta vez com os mais idosos.

No dia 31 de Janeiro cessarei as minhas funções de psicóloga nesta casa, que levo como parte de mim e como referência de um trabalho que amo e que todos os dias me ensina que é preciso sonhar para depois realizar, que é preciso procurar para depois encontrar e que é preciso ouvir para depois entender.
 
A vida pode ser uma missão e neste caso, creio que foi isso mesmo que aconteceu, o cumprimento de uma missão, se bem ou menos bem não me caberá aqui avaliar ou justificar. 
 
A mudança acarreta sempre sentimentos ambivalentes mas quando sonhamos, e enquanto sonhamos, a vida nos coloca oportunidades únicas e pessoas especiais (novamente) no nosso caminho, a resposta é dada pelo que só nos é permitido sentir… Tenho o privilégio de me renovar e de continuar a aprender muito mais sobre o Ser Humano e os seus dons e qualidades, e de “beber” o que ainda não sei, que é imenso e o que ainda não vivi, que espero viver e desfrutar com a mesma alegria e amor à minha profissão e com isso desempenhá-la sempre da melhor maneira.
 
Este meu “Encontro com Freud” não é uma despedida mas apenas um virar de página no “livro” da minha história, e quando se vira uma página, soltam-se as expectativas, os anseios, os medos, as dúvidas, as certezas, as buscas e solta-se igualmente a esperança de me colocar, uma vez mais, ao serviço do Ser Humano, com todas as minhas limitações e com tudo o que ainda terei de aprender para continuar a “escrever”, dia após dia, o meu trabalho e desta vez com os mais idosos. Um desafio imenso e um privilégio poder partilhar e de novo em equipa, um mundo cheio de vidas com vida, cada uma feita à sua maneira e vivida da maneira possível, tantas vezes!
 
E não existe “no meu tempo” porque o nosso tempo é hoje, agora, aqui e daqui partiremos juntos na viagem mais longa, que é dignificar toda e qualquer Vida.
 
* Psicóloga Helena Chouriço
 
 

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  • teresa
    teresa
    %PM, %13 %896 %2018 %20:%Jan.

    E é por isso mesmo que eu acho que os idosos deveriam estar mais perto das crianças,em vez de encafuados em lares,
    .Cada um com uma longa experiência de vida,ideal para educarem os mais novos.

    .Grandes saudades que a Dra.deixou em nossas vidas
    jinho grande

  • isabel ramalho
    isabel ramalho
    %PM, %05 %882 %2017 %20:%Mar.

    É muito bom e uma sastifação enorme trabalhar com idosos pois aprende-se muito com eles tem uma longa história de vida muito para nos ensinar cada um de seu jeito e sua maneira mas vale a pena

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