domingo, 26 maio 2019

Brincadeiras de Carnaval

sexta, 03 março 2017 02:22
Nos últimos dias, a paisagem da cidade de Estremoz vestiu-se de alegria, de cor e de fantasia para brincar ao Carnaval.
 
Já na quinta-feira anterior ao Carnaval, perto de mil alunos das escolas do concelho tinham desfilado pelo Rossio e ruas envolventes, fiéis ao tema “Cientistas”, e feito a delícia de milhares de familiares, amigos e muitos outros que por ali estavam, dando o mote para aquilo que se iria passar nos dias seguintes.
 
No sábado de manhã, o mercado pululava de locais à procura dos produtos frescos criados e colhidos nas hortas periurbanas de Estremoz, de espanhóis em busca desta ou daquela antiguidade, de citadinos de segunda residência nas imediações, curiosos à descoberta dos modos de vida das nossas gentes, ou simplesmente de transeuntes, que não andavam à procura de nada, apenas vieram ver o movimento ou mostrar-se aos outros. É assim o mercado de sábado em Estremoz e nem o Carnaval fez com que fosse diferente.
 

... e centenas de foliões aproveitaram a única época do ano em que se pode ser quem nós quisermos ser, por mais estranho que isso depois seja. Os nossos heróis de banda desenhada ou do nosso filme favorito, a personagem de uma história que nos contam desde a infância, um animal ou uma planta, uma versão mal acabada do sexo oposto ou a máscara que se constrói, em primeiro ou em último recurso, com roupas e adereços que temos há muito no sótão e que nunca mais ninguém usou.

À noite o caso mudou de figura. Por todo o lado o ambiente foi de festa e centenas de foliões aproveitaram a única época do ano em que se pode ser quem nós quisermos ser, por mais estranho que isso depois seja. Os nossos heróis de banda desenhada ou do nosso filme favorito, a personagem de uma história que nos contam desde a infância, um animal ou uma planta, uma versão mal acabada do sexo oposto ou a máscara que se constrói, em primeiro ou em último recurso, com roupas e adereços que temos há muito no sótão e que nunca mais ninguém usou. Há gostos para tudo e ainda bem. Depois, pela noite fora, habitualmente em grupo e menos vezes sozinhos, os foliões dão asas à diversão nos espaços noturnos da cidade. Há que aproveitar a liberdade que o Carnaval proporciona e Estremoz sempre teve a tradição de o saber fazer.
 
No Domingo Gordo e na Terça-feira de Carnaval o centro da cidade acolheu milhares de visitantes, que vieram a Estremoz ver os corsos carnavalescos. Quase seiscentos foliões desfilaram pelas ruas e encantaram quem veio assistir. Também aqui houve máscaras para todos os gostos, pois o facto de o tema ser livre permitiu aos catorze grupos dar asas à imaginação. Do Parque Jurássico aos Piratas, passando pelo universo de Asterix e dos Simpson, pelos Extraterrestres, Angry Birds, uma Pescaria, Mariachis, Texanos e medievais, tudo desfilou ao ritmo dos sambas ou dos batuques, após os tradicionais Cabeçudos que, apesar de sempre os ter achado feios, tenho de admitir que fazem parte do ideário estremocense e que sem eles o Carnaval não seria a mesma coisa. O balanço geral parece-me muito positivo e é mais um evento que em nada envergonha a nossa cidade, pelo contrário, adiciona-lhe mais valor e coloca-a ao nível de muitas outras, por esse País fora, onde a tradição do Entrudo se continua a cumprir. Bem hajam todos os que teimam em continuar a fazer a festa, tanto aqueles que organizam, como os que participam ativamente ou como os que se deslocam a Estremoz para assistir. Muito obrigado também ao São Pedro que este ano resolveu dar tréguas, não obstante na terça-feira ter ameaçado arruinar os planos dos foliões.
 
Desde já se agradece também ao Governo por ter concedido tolerância de ponto na Terça-feira Gorda, não se percebendo porque é que, num País com fortes tradições carnavalescas, como é o caso de Portugal, esta data ainda não foi considerada feriado obrigatório, com todas as mais-valias que daí adviriam para o turismo e para o comércio. Sei que não é um assunto consensual, mas em minha opinião todos tínhamos a ganhar com este feriado – os funcionários públicos, os trabalhadores do privado e as empresas do sector turístico.
 
Esta época do ano é também propícia às brincadeiras de Carnaval. Ainda sou do tempo das bombinhas, dos “peidos engarrafados”, dos estalinhos, dos risca-pés, das cobras e aranhas de plástico… tudo coisas que se perderam, mas que felizmente continuam bem vivas na minha memória e na de tantos outros que, tal como eu, tiveram oportunidade de as vivenciar. Tal como outras tradições de que ainda me lembro com saudade e que me fazem viajar no tempo até à minha juventude, quando brincávamos na semana dos Compadres e das Comadres, construindo as “bonecas” de pano que ficavam penduradas, durante as duas semanas anteriores ao Entrudo, acompanhadas de quadras satíricas sobre os jovens que procuravam mimetizar. Outros tempos, outras vontades, outras brincadeiras.
 
Atualmente, as brincadeiras são outras e eu confesso que há dias em que leio coisas nos jornais que, de tão ridículas, parecem mesmo brincadeiras de Carnaval. Vem isto a propósito de algo que li num jornal e que, se não tivesse sido publicada em vésperas de Carnaval, teria ficado ofendido pela subtileza como muitas vezes os jornais colocam as questões e nos tentam manipular e baralhar a mente.
 

Os jornais não podem (ou melhor, não deviam) discutir rigorosamente nada. No entanto, há muitos jornais que discutem e assediam a causa pública e esses, no dicionário, têm um nome mais apropriado – os pasquins.

Afinal para que servem os jornais? Qualquer um responderá que servem para informar. Certo. Mas informar não é, nem de perto nem de longe, discutir a gestão e a defesa da causa pública nos jornais! Muito menos quando discutir a causa pública, nesses jornais, eventualmente serve outros interesses, muito diferentes daqueles que deveriam ser os verdadeiros interesses de um órgão de comunicação social.
 
Os órgãos de comunicação social servem para informar assuntos de interesse público, não para os discutir e nunca para sobre eles formular juízo. Os jornais devem ser isentos, pois a isso obriga o código deontológico dos jornalistas. Talvez o problema esteja na nossa Lei de Imprensa, que permite que qualquer pessoa possa obter a carteira de jornalista, sem ser obrigado a frequentar formação apropriada ou a prestar provas da sua verdadeira aptidão para exercer essas funções.
 
Os jornais não podem (ou melhor, não deviam) discutir rigorosamente nada. No entanto, há muitos jornais que discutem e assediam a causa pública e esses, no dicionário, têm um nome mais apropriado – os pasquins.
 
Mas, como disse atrás, dada a época do ano em que certas publicações são feitas, ainda lhe podemos dar o desconto e pensar que, se calhar, não passaram mesmo de uma brincadeira de Carnaval e, como sabemos, no Carnaval ninguém leva a mal.
 
É verdade que perguntar não ofende, mas sempre ouvi dizer que as respostas é que fazem mal…
 
* Arquiteto Paisagista António Serrano
Modificado em segunda, 06 março 2017 11:29

Quando eu for grande quero ser…

quinta, 23 fevereiro 2017 09:44
Quando eu for grande quero ser…
 
Esta será, provavelmente, das frases mais ditas quando somos crianças, quando nos perguntam “O que queres ser quando fores grande?”, como se toda a nossa infância fosse passada a refletir sobre o que vamos ser quando crescermos, e mais, como se tivéssemos a perfeita noção do que é SER (se é que alguma vez a teremos). Somos “formatados” que SER implica sempre, em primeira instância, uma profissão e de preferência com estatuto social e que seja reconhecida aos olhos do meio em que vivemos. Mas o que queremos realmente saber quando perguntamos “o que queres ser quando fores grande?”. SER, começamos a SER mesmo antes de nascer, somos desejados, pensados, planeados (ou não) e amados, assim devia SER. Chegamos então “ao mundo” dos humanos no qual nos deveremos sentir seguros, confortáveis, estimulados e motivados a começar a SER, assim devia SER. Mas que SER é este que esperam de nós? Ou que SER é este que querem que seremos?
 

SER, começamos a SER mesmo antes de nascer, somos desejados, pensados, planeados (ou não) e amados, assim devia SER. Chegamos então “ao mundo” dos humanos no qual nos deveremos sentir seguros, confortáveis, estimulados e motivados a começar a SER, assim devia SER. Mas que SER é este que esperam de nós? Ou que SER é este que querem que seremos?

A aprendizagem faz-se através de imitação, ou seja, imitamos os adultos. Eles são as nossas primeiras referências e através deles interiorizamos o modo como nos devemos comportar nos vários contextos, umas vezes aceitamos passivamente, outras nem por isso. Chega uma fase em que contestamos, em que impomos a nossa vontade e descobrimos que podemos também SER e queremos muito, nessa fase, SER diferentes. No modo de agir, nas opiniões e decisões mas tudo isto com uma boa dose de insegurança, medo, rebeldia e ao mesmo tempo determinação e coragem. E seguimos caminho a querer SER, podemos dar as voltas que dermos, a nossa vida pode não ser uma pintura famosa, pode não ser uma sinfonia eterna ou um poema decorado em qualquer boca, mas pode e deve ser tão somente a nossa, aquela que escrevemos nas páginas diárias dos nossos dias, sentindo o pulsar do coração e com ele na mão gritar que queremos SER, dando-o queremos SER mais Humanos, ouvindo com o coração queremos SER mais tolerantes, tocando com o coração queremos SER melhores pessoas, para nós e para os outros. Amando com o coração queremos SER livres e que ninguém nos julgue por Amar. Queremos SER sorriso à chegada e saudade na partida, queremos SER lágrima de alegria e beijo de perdão. Porque podemos SER injustos, cruéis e às vezes egoístas (afinal SOMOS tão humanos e tão iguais) mas se pensarmos por um instante, um segundo, o que queremos SER quando formos grandes… talvez todos queiramos o mesmo… SER HUMANO… e SER HUMANO não vem nos livros da escola ou das faculdades, SER HUMANO vem do encontro com o OUTRO quando olho para ELE como semelhante e quando bebo da Sua diferença (de mim) a sabedoria e o conhecimento que ainda não tenho, quando aperto as suas mãos e agradeço, quando lhe peço perdão pelo que ainda não consegui entender, quando o abraço e sinto que o que temos de melhor tem que estar ali, naquele momento e naquele espaço. Quando me revejo no seu sofrimento e me calo perante o que não sei, quando respeito cada página da sua história como sendo a minha e que guardo como relíquia porque, nunca jamais, haverá uma história igual.
 
* Psicóloga Helena Chouriço
Modificado em quinta, 23 fevereiro 2017 09:53
Ainda há pouco tempo, o setor da produção de leite era um dos poucos (dos ligados à agricultura) que contribuía positivamente para a Balança Comercial (saldo entre exportações e importações).
 
Em termos práticos, para além do vinho e mais recentemente o azeite, o sector da produção de leite tem contribuído de uma forma muito positiva para que as exportações sejam superiores às importações. 
 
Sem dúvida alguma um excelente exemplo que deveria ser seguido por muitos mais produtos agrícolas.
 
Esta é uma matéria muito importante para o País. Garantir que as exportações dos produtos agrícolas são superiores às importações, deveria ser considerado um grande objetivo nacional.
 

Atualmente, com este Governo, deixaram de existir instrumentos públicos de ajuda verdadeiramente adequados ao setor da produção de leite de vaca. O atual Governo abandonou completamente o setor. O mesmo não se está a passar noutros países da União Europeia.

Segundo informações prestadas por produtores e profissionais da produção de leite de vaca do Distrito de Évora, existe um problema bastante grave de sustentabilidade deste setor.
 
O preço do litro de leite de vaca, com o valor atual de 29 cêntimos (10 cêntimos mais baixos que há um ano atrás) está a afundar o setor. Sucessivamente, os preços do leite de vaca têm vindo a baixar significativamente ao longo dos tempos. 
 
Esta grave situação está a colocar em causa a sustentabilidade deste importante sector alentejano. Agravando-se dia para dia, sem que se vislumbre um horizonte mais positivo.
 
Ao longo de muitos anos os empresários do setor da produção de leite de vaca foram incentivados a realizar investimentos muito avultados. Responderam com investimentos de excelência, apostando na modernização e ampliação das infraestruturas, assim como num desenvolvimento tecnológico muito significativo.
 
Como resultado, este setor, da produção de leite, é dos poucos a nível nacional que tem um saldo positivo entre exportações e importações. Uma excelente resposta dada pelo setor.
 
Atualmente, com estas derivações no mercado, sentem-se completamente desapoiados.
 
As perspetivas futuras são pouco animadoras, sendo mesmo considerados pelas empresas do setor financeiro, como um setor de alto risco. Os financiamentos em capital de risco estão totalmente desajustados às necessidades do setor. 
 
Atualmente, com este Governo, deixaram de existir instrumentos públicos de ajuda verdadeiramente adequados ao setor da produção de leite de vaca.
 
O atual Governo abandonou completamente o setor. O mesmo não se está a passar noutros países da União Europeia.
 
Continuar a este ritmo, a falência das empresas do setor da produção de leite de vaca vai agravar-se significativamente.
 
Colocam-se algumas interrogações:
- Será que o Governo ciente das grandes dificuldades que o setor da produção de leite de vaca está a atravessar, nomeadamente os produtores deste concelho alentejano? 
– As medidas mais recentes, avançadas pelo Governo, estão a resolver estes problemas do setor da produção de leite de vaca? Qual o efeito prático dessas medidas? Tem havido monitorização por parte do Governo?
– Está o Governo a reunir com as associações mais representativas do setor, com o objetivo de encontrar soluções para ajudar a resolver estes problemas em concreto?
 
Não podemos deixar de ficar impacientes quando vemos um sector tão importante a definhar de uma forma tão vertiginosa.
 
Devemos lutar para que este sector volte a ganhar nova dinâmica (tal como aconteceu em anos de crise) e que ajude o País na sua trajectória de mudança positiva da Balança Comercial.
 
* Deputado António Costa da Silva

* Deputado António Costa da Silva

Modificado em quinta, 16 fevereiro 2017 03:24

"Amada Rádio"

segunda, 13 fevereiro 2017 16:13
Escrevo este texto no Dia Mundial da Rádio. Geralmente este tipo de dias apenas serve para lembrar que há coisas que existem e de que todos gostamos muito... mas só neste dia. Com a rádio, não é assim. A rádio é todos os dias acarinhada, ouvida, mimada. Os ouvintes adoram a rádio. A rádio é a companhia de muita gente que está só. Mesmo onde a televisão chega em perfeitas condições, geralmente há sempre um rádio que está ligado grande parte do dia, nem que seja para que a casa tenha "som". 
 

No ano passado, neste mesmo local, escrevi sobre a "Magia da Rádio". Não me canso de escrever sobre a rádio. A rádio tem-me dado muito. Faço o que gosto, sei que não falo sozinho e que por vezes escolher a música ou a palavra certa pode mudar, para melhor, o dia de alguém. "Escolhe um trabalho de que gostes e não terás de trabalhar nem um dia da tua vida". Eu não escolhi a rádio, foi ela que me escolheu a mim. Foi ela que me agarrou ainda antes de eu saber que esta seria a minha profissão. 
 
Até parece que me soa mal quando digo que a rádio é a minha profissão. A rádio é uma das minhas paixões, é um dos meus amores. Fala-se no "bichinho da rádio", esse que morde uma vez e deixa marcas para toda a vida. Esse "bicho" existe mesmo, porque quem faz rádio uma vez parece que fica "contaminado" para a vida inteira. A rádio é a tal "escola" de que tantos comunicadores falam. Quando conseguimos manter as pessoas "coladas" ao rádio, apenas usando a palavra, estamos preparados para muitas outras coisas ao longo da nossa vida. 
 
Em 2016, em média, cada português ouviu três horas de rádio por dia. A faixa etária que mais ouve rádio, em Portugal, é a que se situa entre os 25 e 44 anos. São dados que nos deixam esperança para o futuro, sendo também verdade que todos percebemos que a rádio está de boa saúde e tem um lugar especial na vida dos portugueses. Todos nós ouvimos rádio mesmo porque gostamos, ouvimos rádio porque faz parte da nossa vida. 
 

Até parece que me soa mal quando digo que a rádio é a minha profissão. A rádio é uma das minhas paixões, é um dos meus amores. Fala-se no "bichinho da rádio", esse que morde uma vez e deixa marcas para toda a vida. Esse "bicho" existe mesmo, porque quem faz rádio uma vez parece que fica "contaminado" para a vida inteira.

Os ouvintes confiam na rádio. Os ouvintes sabem que o que ouvem na rádio é verdade e estabelecem afinidades com quem fala para eles. Isto é dificil explicar, mas é mesmo assim. Os ouvintes adoram vir à rádio, adoram conhecer quem com eles fala todos os dias, adoram participar, adoram dizer qualquer coisa e assim encurtar distâncias. Há rádios com mais ouvintes e outras com menos, é mesmo assim. Mas basta estar uma pessoa "do outro lado", para já valer a pena.
 
O Dia Mundial da Rádio não serve para recordar as pessoas de que existe a rádio. Isso não é preciso. Serve sim, para que a rádio seja ainda mais acarinhada neste dia, para que os ouvintes participem ainda mais e para que nós, aqueles que damos voz à radio, aproveitemos para agradecer tudo o que ela nos tem dado e tem permitido viver. 
 
Eu estou grato, e muito, a ti, "amada rádio".
Modificado em segunda, 13 fevereiro 2017 16:37

Mais ou menos um poema

domingo, 12 fevereiro 2017 12:44
Gosto de verbos! Gosto de os conjugar, 
de brincar com eles, de os entrelaçar noutros, 
gosto que o verbo me agarre e me sujeite ao significado, que me empurre e derrube no tempo…
gosto de, com eles, fazer misturas como se de tintas numa tela se tratassem… 
gosto de ver neles submissão, mas também ditadura (como se uma palavra e outra não estivessem intimamente ligadas…)…
gosto quando o verbo me dá tudo e quando nada me traz …
gosto dos regulares, dos irregulares…
gosto deles no passado, no presente e mais ainda no futuro…
gosto quando o cantar traz o dançar, quando o comer traz o prazer, quando o saber traz o lugar…
gosto quando o verbo ir me leva incerteza, quando arriscar me obriga à coragem…
gosto de gostar que o amar traga o sonhar, que o desejar traga o amar
gosto de ver nos verbos os sentidos… gosto de os observar, de os cheirar, de os saborear, gosto não só de lhes tocar mas também de os ouvir
gosto deles em português, em inglês, em espanhol, francês, italiano e até alemão, e só não gosto em japonês porque a minha língua não me levou tão distante…
gosto quando o dar me leva a mim, quando o kiss vem com o beijo, quando ao reír se segue a gargalhada ou até quando o avoir traz a coisa, quando o sentire traz o coração e quando o haben vem com a saúde…
gosto sempre que o abraçar traga o sorrir e que nascer traga o crescer
gosto que no divertir esteja o saltar e no ajudar o merecer
gosto de beijar só por beijar, de namorar sem hesitar
gosto da junção do criar com o surpreender e do imaginar sem limitar
gosto do cozinhar sem o esturrar e do beber sem o tombar
gosto que no desfrutar esteja a amizade e nela o partilhar…  
gosto de chorar só com o rir e de pensar sem me obrigar
gosto de me passar com o golo e de enlouquecer com a vitória…
gosto de observar o luar, de contemplar o pôr do sol, de analisar o desenho das nuvens, de desenhar o que vejo no emaranhado de ramos de uma árvore despida…
gosto de dormir sobre um sonho de cheiro a mar e nesse mar encontrar respostas a para tudo o que me incomodar
Mesmo com o adjectivo, o substantivo, o advérbio ou o pronome por perto, gosto que o verbo seja verbo… Há até palavras que não são verbos mas que eu gostava que fossem… Saudade, por exemplo, não sei porquê mas gostava que saudade fosse um verbo, não imagino sequer como se conjugaria…
Mas… há verbos e verbos, para mim gosto dos bonitos mas se bonitos não são, talvez não goste deles não…
não gosto do sofrer muito menos para morrer, do perder para a seguir se ganhar
não gosto do chover junto com o trovejar, do escutar sem opinar, do cair e magoar
não gosto do correr para cansar nem do ocultar para não assumir
quase nunca gosto de ver nos verbos o levar para nunca mais trazer, o fazer sem a acção, o roubar sem o prender
não gosto do gritar sem o escutar, do obedecer sem questionar, do escaldar até queimar…
não gosto do hesitar sem decidir, do dividir para reinar nem do ingrato esquecer
gosto de acreditar, de estar, de ficar, de entregar… gosto de me emocionar, de proteger, de acompanhar, de estimular, de querer, de confiar… gosto de estimar, de respeitar, de apreciar, de entender, de ter, de oferecer… mas fundamentalmente gosto de gostar, de amar, de sonhar, de viver e gosto mesmo muito de ser… o que seria o Ser sem ser?
Felizmente são mais os verbos que gosto do que aqueles que não gosto… dependendo da perspectiva muitos dos que gosto não gosto e dos que não gosto, gosto. 
No fundo… eu gosto mesmo é de verbos, pronto!
* Professor Luís Parente
Modificado em domingo, 12 fevereiro 2017 16:51

Estremoz e o turismo

sábado, 28 janeiro 2017 16:11
É quase um crime nunca ter escrito sobre turismo. Imperdoável, tendo em conta que é por demais conhecido o meu gosto por fazer turismo. É algo que está para mim como a luz está para o dia e, por isso, já há muito que me devia ter debruçado sobre este tema.
 
O turismo, ou melhor, as viagens que faço, têm-me permitido conhecer outras paisagens, culturas diferentes, lugares que nunca pensei existirem e realidades muito distintas daquela em que vivo, algumas melhores, outras muito piores.
 
Tenho-me deparado com lugares cheios de vida, onde reina a ordem, a harmonia e a beleza, mas também com sítios que, ainda que carregados de simbolismo ou bem colocados nas preferências dos demais turistas, não me provocaram nem um único arrepio quando os visitei. Quando viajamos, é muito vulgar criarmos expetativas em relação aos lugares que ainda não conhecemos e isso acontece-me frequentemente. Faço sempre uma pesquisa exaustiva acerca dos sítios onde vou e, a dada altura, parece-me que já os conheço muito bem, ao ponto de falar sobre esses lugares como se já lá tivesse ido muitas vezes. Que ilusão… apesar de hoje em dia as novas tecnologias nos colocarem muito mais próximos de tudo e de o Google Earth até nos permitir “passear” virtualmente pelas ruas de uma cidade ou pelas salas de um museu, a verdade é que, quando lá chegamos, nunca nada é igual àquilo que tanto imaginámos.
 

Pergunto-me muitas vezes, que expetativas, que preconceitos terão os turistas que visitam Estremoz. O que os faz visitar Estremoz? O que esperam encontrar aqui? Porquê Estremoz e não outro lugar qualquer? Como partem de Estremoz? Satisfeitos? Desiludidos? Com vontade de regressar?

Isso acontece porque todos os momentos são únicos e porque todos os espaços se transformam e se apresentam diferentes aos olhos de cada observador. A luz, as cores, os sons, os cheiros, as sensações de frio ou calor, os sabores, o nosso humor, a forma como olhamos para as coisas, tudo se altera e, por isso, é natural que experimentemos diferentes impressões daquilo que idealizámos.
 
Pergunto-me muitas vezes, que expetativas, que preconceitos terão os turistas que visitam Estremoz. O que os faz visitar Estremoz? O que esperam encontrar aqui? Porquê Estremoz e não outro lugar qualquer? Como partem de Estremoz? Satisfeitos? Desiludidos? Com vontade de regressar?
 
Será que vêm pelo património construído? É inegável a riqueza patrimonial do concelho de Estremoz. Três castelos com séculos de História e de estórias, monumentos que abarcam diversos estilos arquitetónicos e várias épocas, a riqueza e a particularidade que o mármore confere às inúmeras construções… são tantas as razões pelas quais os edifícios históricos de Estremoz cativam visitantes, que o difícil é não encontrar razões para os visitar.
 
Ou vêm pelo património imaterial? Porque ouviram dizer que aqui viveu e morreu a Rainha Santa Isabel, porque aos sábados de manhã, no Rossio, a cidade se enche de vida para receber o campo no mercado tradicional ou porque tiveram notícia de que em Estremoz há uns Bonecos de barro que são candidatos a Património Cultural Imaterial da Humanidade? Sim, apesar de alguns (poucos) não estarem atentos, tem sido feita uma extraordinária promoção a esta arte, que é tão nossa e que todos queremos que seja Património da Humanidade. Só mesmo quem seja do contra, por não poder ser mais nada, é que não reconhece o trabalho que tem sido feito na promoção do Figurado em barro de Estremoz.
 
Talvez venham pela gastronomia… Em Estremoz come-se bem e isso não é novidade. Vários restaurantes mantêm nos seus pratos a autenticidade e as características da cozinha alentejana, outros restaurantes optaram por inovar e dar um toque de contemporaneidade, não descurando os sabores da tradição e o Município continua a apostar na Cozinha dos Ganhões como espaço de transmissão e promoção de saberes. No conjunto, foram criadas condições propícias para que o turista regresse a Estremoz, à procura de uma gastronomia variada e de grande qualidade. Não é à toa que, pelo segundo ano consecutivo, a cidade de Estremoz foi nomeada como Destino Gastronómico do Ano pela Revista Wine – A Essência do Vinho.
 
Aliás, por falar nisso, os vinhos de Estremoz são cada vez mais uma referência nacional e internacional. A aposta dos nossos empresários na produção de vinhos de qualidade e a forma como têm sabido posicionar-se no mercado, criar rótulos apelativos e fomentar o enoturismo, muito tem contribuído para a promoção turística do concelho de Estremoz no nosso País e além-fronteiras.
 

Não devia isto ser um orgulho para todos nós? Em minha opinião, sim. Mas como sei que há quem não pense assim, não me admira nada que qualquer dia não se diga por aí que Estremoz só tem hoje mais encanto, porque isso já estava projetado…

Vêm pela paisagem, pelo espaço aberto, pela luz da Cidade Branca do Alentejo? Pela calma e pela paz que se respira em cada cantinho? Vêm porque ouviram falar de Estremoz na telenovela? Vêm pela FIAPE? Vêm participar em provas desportivas? Ou porque souberam da existência de Estremoz numa das muitas ações promocionais que têm sido feitas pelo Município? Porque nos viram no site ou no Facebook? Porque Estremoz tem mais encanto?
 
Não sei responder e também não interessa. O que é certo, é que vêm e são cada vez mais os turistas que nos visitam. Mais 13% do que no ano anterior, para ser mais preciso. Pode não parecer muito, mas é imenso para Estremoz! E esta percentagem refere-se apenas a atendimentos no posto de turismo! Não estão aqui incluídos os milhares que nos visitam sem sequer precisar de informação turística… Todos devíamos orgulhar-nos do patamar a que Estremoz chegou, enquanto destino turístico.
 
Não vale a pena alguns tentarem atirar-nos areia para os olhos e fazer crer que nada se faz ou se fez para alcançar estes resultados. Normalmente, quem fala do que não sabe, daquilo que desconhece, arrisca-se a dizer muitas asneiras. Aqueles que não acreditam, os que duvidam e os eternamente insatisfeitos “só porque sim”, não podem é esquecer que os números não mentem e muito menos mentem os resultados, que estão à vista de todos e que se traduzem no crescente fervilhar de pessoas que diariamente passeiam pela nossa cidade. 
 
Não devia isto ser um orgulho para todos nós? Em minha opinião, sim. Mas como sei que há quem não pense assim, não me admira nada que qualquer dia não se diga por aí que Estremoz só tem hoje mais encanto, porque isso já estava projetado…
 
* Arquiteto Paisagista António Serrano
Modificado em sábado, 28 janeiro 2017 16:29

De regresso às crónicas...

quinta, 26 janeiro 2017 00:43
De regresso às crónicas, perdoem-me a ousadia mas esta tem a ver com o meu percurso profissional. Não podia deixar passar a oportunidade de o publicar.
 
É verdade, passaram-se 18 anos, desde que cheguei ao Centro Social Paroquial de Santo André de Estremoz. No dia 9 de Fevereiro de 1999 iniciava um percurso que me trouxe ensinamentos e vivências únicas, que guardo na memória afetiva mas também nos cadernos, agendas e afins.
 
Guardo as pessoas com que me cruzei e que permanecem comigo, guardo situações que vivi, repletas de emoção, sorrisos, lágrimas, medo, dúvidas e certezas. Cresci como pessoa e como profissional, já o disse em várias ocasiões. Aprendi que o Ser Humano é muito mais que as situações que os fazem procurar o apoio de uma instituição como esta, aprendi que o Ser Humano é repleto de dons e qualidades por descobrir independentemente de tudo e de todos, aprendi que o Ser Humano não poderia nunca estar sozinho porque aprendi a aprender com todos quanto fizeram parte deste meu caminho, desde os mais pequenos com quem tive o privilégio de partilhar momentos e sentimentos que não são possíveis de relatar no papel ou relatar apenas, como também já disse algumas vezes, há “coisas” que só nos são permitidas sentir, para o pior e para o melhor, até superiores, colegas que se transformaram em família, utentes, entidades e seus responsáveis que se transformaram em aliados e amigos.
 

Este meu “Encontro com Freud” não é uma despedida mas apenas um virar de página no “livro” da minha história, e quando se vira uma página, soltam-se as expectativas, os anseios, os medos, as dúvidas, as certezas, as buscas e solta-se igualmente a esperança de me colocar, uma vez mais, ao serviço do Ser Humano, com todas as minhas limitações e com tudo o que ainda terei de aprender para continuar a “escrever”, dia após dia, o meu trabalho e desta vez com os mais idosos.

No dia 31 de Janeiro cessarei as minhas funções de psicóloga nesta casa, que levo como parte de mim e como referência de um trabalho que amo e que todos os dias me ensina que é preciso sonhar para depois realizar, que é preciso procurar para depois encontrar e que é preciso ouvir para depois entender.
 
A vida pode ser uma missão e neste caso, creio que foi isso mesmo que aconteceu, o cumprimento de uma missão, se bem ou menos bem não me caberá aqui avaliar ou justificar. 
 
A mudança acarreta sempre sentimentos ambivalentes mas quando sonhamos, e enquanto sonhamos, a vida nos coloca oportunidades únicas e pessoas especiais (novamente) no nosso caminho, a resposta é dada pelo que só nos é permitido sentir… Tenho o privilégio de me renovar e de continuar a aprender muito mais sobre o Ser Humano e os seus dons e qualidades, e de “beber” o que ainda não sei, que é imenso e o que ainda não vivi, que espero viver e desfrutar com a mesma alegria e amor à minha profissão e com isso desempenhá-la sempre da melhor maneira.
 
Este meu “Encontro com Freud” não é uma despedida mas apenas um virar de página no “livro” da minha história, e quando se vira uma página, soltam-se as expectativas, os anseios, os medos, as dúvidas, as certezas, as buscas e solta-se igualmente a esperança de me colocar, uma vez mais, ao serviço do Ser Humano, com todas as minhas limitações e com tudo o que ainda terei de aprender para continuar a “escrever”, dia após dia, o meu trabalho e desta vez com os mais idosos. Um desafio imenso e um privilégio poder partilhar e de novo em equipa, um mundo cheio de vidas com vida, cada uma feita à sua maneira e vivida da maneira possível, tantas vezes!
 
E não existe “no meu tempo” porque o nosso tempo é hoje, agora, aqui e daqui partiremos juntos na viagem mais longa, que é dignificar toda e qualquer Vida.
 
* Psicóloga Helena Chouriço
 
 
Modificado em quinta, 26 janeiro 2017 00:58

A culpa é sempre dos mesmos

quinta, 12 janeiro 2017 12:13
Como costumo dizer, o futebol é sempre um bom espelho da sociedade. Nem toda a gente gosta, é um facto, mas toda a gente acaba por ter uma opinião, umas vezes mais fundamentada que outras. Os árbitros, ou as equipas de arbitragem, são e serão sempre os "elos" mais fracos da cadeia. É caso para dizer que sobra sempre para eles e a sua margem de manobra é sempre curta e até por vezes nula. 
 
Para isso, têm sido pensadas muitas soluções para acontecer "a verdade desportiva" de que tantos falam. No Campeonato do Mundo de Clubes, a experiência com o vídeo-árbitro foi muito útil, na minha opinião, para confirmar que tal inovação não cabe no futebol. A ideia até poderia ser boa mas o facto é que o jogo não pode, ou não deve, parar para se decidir um lance pela televisão...e ainda por cima a decisão ser errada. Todos nós já vimos jogos em cafés ou em casa com amigos e num lance duvidoso, após dez repetições, ainda se mantém a dúvida e a discussão sobre se de facto foi ou não falta. Se por um lado sou um defensor do chip dentro da bola para acabar com dúvidas sobre a linha de golo, sou totalmente contra o vídeo-árbitro pois só vai servir para tirar ritmo ao jogo e para criar ainda mais polémica.
 

São raros os casos em que ouvimos "jogámos mal" ou "poderiamos ter feito muito mais". Não me lembro mesmo de ter ouvido algum dia um treinador dizer: " Errei nas alterações que fiz e não montei bem a equipa para este jogo" ou  "não estava preparado para esta equipa e acho que tenho ainda de trabalhar muito para ser um bom treinador". Geralmente, a culpa é sempre de "certas coisas que aconteceram no jogo e que nos têm prejudicado semana após semana" ou "daquele lance duvidoso que fez com que perdessemos o jogo".

O erro faz parte do futebol. No futebol, e também nas outras modalidades, erram os árbitros, os jogadores, os treinadores. Erra toda a gente e, acreditem, os adeptos mais indignados errariam muito mais que aqueles que têm a responsabilidade de decidir em segundos um lance polémico. Já imaginaram o que é estar, por exemplo, a "tirar foras de jogo" quando uns jogadores correm para um lado e outros para outro? Pois, alguém já se insurgiu contra um jogador que tem "jeito" especial para enganar os árbitros? Claro que não, a culpa é dos árbitros que passam o tempo a ser enganados.
 
Eu tenho uma teoria em relação a isto. Em Portugal, por exemplo, os três chamados "grandes", não podem, nem devem, atribuir ao árbitro uma derrota perante uma equipa, considerada, mais pequena. Mesmo existindo lances duvidosos, e há sempre para os dois lados, os orçamentos e as condições deveriam obrigar os protagonistas a olharem para o que de facto correu mal sem apontarem logo o dedo à equipa de arbitragem. Os jogos demoram 90 minutos e é tempo mais que suficiente para que um "grande" assuma a responsabilidade do jogo e marque golos a um "pequeno". Isto é, claro, a teoria, pois na prática não funciona assim e o futebol não é uma ciência exacta. Durante o jogo, há várias condicionantes que podem mudar o rumo dos acontecimentos, como por exemplo a motivação de cada equipa e a competência dos seus jogadores nas alturas decisivas. 
 
Com isto, quero eu dizer que acho "curto" quando o discurso, após um resultado negativo, é sempre para apontar o dedo aos árbitros e levantar desconfianças. Eu sei que vivo num país em que aconteceu um processo chamado "Apito Dourado" e as escutas estão no Youtube. Eu também já disse várias vezes entre amigos que o meu clube foi roubado e que é uma vergonha isto ou aquilo. Isto é futebol e faz parte da paixão que os adeptos têm pelo jogo. É perfeitamente normal que num jogo, levados pela emoção, os adeptos critiquem os árbitros e os dirigentes lhe peçam explicações. Acho mesmo, que isto alimenta o futebol, até ao ponto em que a discussão é civilizada.
 
São raros os casos em que ouvimos "jogámos mal" ou "poderiamos ter feito muito mais". Não me lembro mesmo de ter ouvido algum dia um treinador dizer: " Errei nas alterações que fiz e não montei bem a equipa para este jogo" ou  "não estava preparado para esta equipa e acho que tenho ainda de trabalhar muito para ser um bom treinador". Geralmente, a culpa é sempre de "certas coisas que aconteceram no jogo e que nos têm prejudicado semana após semana" ou "daquele lance duvidoso que fez com que perdessemos o jogo".
 
É claro que os árbitros não estão imunes à crítica. Na vida, e em todas as actividades, todos temos de as aceitar. Alguns são profissionais e não estão acima de críticas, desde que civilizadas e nos locais certos. No entanto, devem estar acima de ofensas e ameaças pessoais, de serem perseguidos e de verem exposta a sua privacidade. Isto, além de cobarde, é crime. 
 
* Jornalista José Lameiras
Modificado em quinta, 12 janeiro 2017 12:18
Permanentemente, o atual Governo e os partidos que o suportam acusam o anterior Governo do PSD / CDS de atrasos na aplicação dos fundos comunitários. A crítica mais recorrente está relacionada com atrasos no arranque do Portugal 2020 (novo pacote de fundos para o período 2014-2020).
 
Na realidade, os argumentos apresentados refletem uma das muitas mentiras que sistematicamente nos bombardeiam. Mentem com demasiado à vontade. Infelizmente é uma triste realidade!
 
Vamos então demonstrar que estávamos perante uma evolução positiva em 2015 e que, agora sim, estamos com graves atrasos na execução dos fundos comunitários.
 

Quando os atuais governantes e partidos que os suportam referem que o Governo anterior deixou uma péssima herança no que respeita à execução dos fundos (principalmente do Portugal 2020), mentem deliberadamente.

Quando é referido que PT - Portugal 2020 apresentava um índice de pagamentos baixo, é totalmente ignorado que neste mesmo período era encerrado o QREN – Quadro de Referencia Estratégico Nacional, em simultâneo com a execução do PT 2020. Note-se que existe uma regra comunitária (n+2) que permite estender por mais 2 anos a execução de um programa comunitário.
 
Só para se ter uma ideia bem realista, foram pagos às empresas através do QREN 600 Milhões de euros em 2014 e 400 Milhões de euros em 2015.
 
Pela primeira vez em toda a história da gestão dos fundos comunitários, foi possível executar a totalidade das verbas dentro do período negociado.
 
Quando os atuais governantes e partidos que os suportam referem que o Governo anterior deixou uma péssima herança no que respeita à execução dos fundos (principalmente do Portugal 2020), mentem deliberadamente. Vamos procurar demonstrar passo a passo toda a verdade:
 
1 – Em 2014 e 2015 o País encontrava-se em pleno encerramento do QREN, encerrando, nesse mesmo período, as negociações do PT 2020. Desenvolveram-se nesta fase: Balcão Único; Adaptação do Sistema informático; Criação de apenas 5 regulamentos para todos os fundos (substituindo quase uma centena da anterior programação); preparação de um conjunto de exigências da Comissão Europeia, nomeadamente: a) Mapeamentos de Infraestruturas; b) Contratualização com as Comunidade Intermunicipais e Áreas Metropolitanas do Pactos de Coesão; c) Desenvolvimento dos PEDUS – Planos Estratégicos de Desenvolvimento Urbano; d) Arranque das AIDUS – Ações Integradas de Desenvolvimento Urbano Integrado; e) Auditoria Energética; f) Arranca das DLBC – Desenvolvimento Local de Base Comunitária, etc, etc, etc).
 
De referir que foram completamente inéditas estas novas exigências da Comissão Europeia.
 
2 – Arranque bastante significativo na Agenda da competitividade, sobretudo através dos sistemas de Incentivos às empresas. Arranque fortíssimo ao nível de concursos para projetos nos territórios de baixa densidade.
 
3 – Recordemos a vergonhosa herança que o Governo anterior recebeu em 2011 ao nível da péssima execução dos fundos comunitários. O País em 4 anos passou a liderar o ranking daqueles que tinha maior execução. Um esforço notável! 
 
4 – Não era por acaso que o investimento ganhava níveis históricos de recuperação. Mas também o nível de confiança melhorava significativamente. Respirava-se uma nova esperança! E agora o que temos com a esta governação?
 
É incontestável que num período de mudanças entre Quadros Comunitários (Pacotes de Fundos) existem sempre dificuldades. É sempre assim! Mas para quem valoriza a verdade, o que importa mesmo saber é se a aplicação dos fundos comunitários estava a funcionar bem, mas também, qual o ponto de situação atual. 
 
É aqui que esta temática se torna muito curiosa. Porque na realidade a execução atual dos fundos comunitárias está a correr muito mal (ao contrário do que acontecia há um ano atrás), isto porque este Governo já conseguiu a proeza de inverter a trajetória de crescimento, atingindo os níveis negativos do período homólogo do QREN, em 2009.
 

Tendo em conta o nível de execução, que é praticamente inexistente, colocam-se várias questões:  O que se passa neste domínio? Este não é um Governo do “mundo rural”? Este não é o governo da descentralização? Este não é o Governo amigo das autarquias? Este não é o Governo amigo do ordenamento do território e da qualidade ambiental? Este não é o governo amigo da regeneração urbana, património e mobilidade sustentável e inteligente?

Apresenta-se de uma forma objetiva alguns dados da responsabilidade desta governação:
 
1 – Utilizando os únicos dados oficiais do presente ano (1º semestre), a taxa de execução do Domínio da Sustentabilidade e o Uso Eficiente dos Recursos é de 0,9%. 
 
Exemplos de Tipologias no âmbito deste domínio: Regeneração Urbana; Eficiência Energética, Património Natural e Cultural, Mobilidade Sustentável, Ciclo Urbano da Água, etc. 
 
Muitas desculpas do Governo para o justificar, mas os resultados são francamente horríveis.
 
Tendo em conta o nível de execução, que é praticamente inexistente, colocam-se várias questões:  O que se passa neste domínio? Este não é um Governo do “mundo rural”? Este não é o governo da descentralização? Este não é o Governo amigo das autarquias? Este não é o Governo amigo do ordenamento do território e da qualidade ambiental? Este não é o governo amigo da regeneração urbana, património e mobilidade sustentável e inteligente?
 
Tantas respostas por dar!
 
2 – No que respeita à execução no âmbito do domínio da Inclusão Social e Emprego, esta é bastante desastrosa. Rondava os 7,3%. É aqui que se encontra as medidas para apoiar os mais desprotegidos.
 
Apresentam-se algumas das tipologias com uma taxa de execução zero: Equipamentos Sociais, DLBC (projetos de investimento para PME´s em territórios de baixa densidade, etc.
 
3 - Os domínios com maiores valores financeiros executados no primeiro semestre de 2016 foram o Capital Humano e a Competitividade e a internacionalização. Ainda assim, o domínio Competitividade e Internacionalização apresentava neste período uma taxa de execução na ordem dos 3,8%. Lembram-se da propaganda do Plano 100 (cem dias, cem milhões). Tanta propaganda para tão maus resultados.
 
4 – No domínio Desenvolvimento Rural a taxa de execução andava na ordem dos 18,6%. Simpática, é verdade! Mas curiosamente, sobre esta matéria os atuais governantes e partidos que os suportam criticam o anterior Governo por ter comprometido demasiado o Programa Operacional. Afinal é um dos instrumentos que mais puxa pelo PT 2020! Ironias do destino.
 
Se tirarmos o PDR 2020, para podermos comparar com período homólogo do QREN (junho 2009 sem PRODER), temos uma taxa de execução de 6,1%. Péssimo! Pior que a Taxa de Execução da governação socialista em 2009.
 
Infelizmente ainda não estamos a discutir os resultados do Portugal 2020. Na prática, o que importa saber é se o Estado Português está a cumprir aquilo que contratou com Bruxelas. 
 
E sobre esta matéria é um deserto absoluto. Ninguém apresenta quaisquer resultados.
 
* Deputado António Costa da Silva
Modificado em terça, 10 janeiro 2017 00:44