sábado, 17 novembro 2018

Luís Parente

Quase 12 anos

Quase 12 anos

Há quase 12 anos, durante o mês de Agosto, o meu telefone tocou. Do outro lad ...

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Não tenho quaisquer preconceitos em relação ao uso de canábis para fins terapêuticos. Na minha perspectiva, parece não fazer sentido a existência de objeções quando está em causa o bem-estar e o conforto dos pacientes.
 
Tudo o que seja desenvolvido para criar melhores condições aos doentes, nomeadamente para que não tenham dor, melhor qualidade de vida e para melhorem a sua situação de saúde, e sempre que cientificamente se comprove a sua utilidade e eficiência, não me parece fazer sentido estar contra.
 

Uma coisa é certa, não faz sentido a regulação do uso terapêutico de canábis como pretexto para legitimar ou favorecer o seu uso recreativo. São matérias muito distintas, que merecem ser analisadas de forma separada.

Aliás, não é nenhuma novidade o uso de opiáceos pelos profissionais da saúde com o objetivo de acalmar a dor (de outra forma insuportável) e melhorar o bem-estar dos pacientes. O uso da morfina é o exemplo dos exemplos. Alguém questiona o uso da morfina com utilização terapêutica?
 
Uma coisa é certa, não faz sentido a regulação do uso terapêutico de canábis como pretexto para legitimar ou favorecer o seu uso recreativo. São matérias muito distintas, que merecem ser analisadas de forma separada.
 
Quando esta matéria entrou na Assembleia da República através das propostas do BE e do PAN, pergunto-me se a lei não permite já a utilização de canábis para fins terapêuticos?
 
Questiono mesmo se esta é uma matéria da que cabe à Assembleia da República? Na minha perspetiva deverá ser o Infarmed a autorizar, ou não, a comercialização de todo o tipo de fármacos.
 
Na minha perspetiva esta não é uma matéria política, é pura e simplesmente matéria claramente médico científica. Na minha opinião, tanto o BE como o PAN, procuraram encontrar uma estratégia para discutir este assunto, mas de uma forma claramente enviesada.
 
* Deputado António Costa da Silva

Viver o Natal

Escrito por quinta, 21 dezembro 2017 00:06
"O Natal não é uma data histórica, é uma vivência". Muitas vezes o Padre Júlio disse isso aos microfones da sua rádio e, com o andar dos anos, vamos percebendo que isso é mesmo verdade. O Natal não é uma data que o calendário obriga a que seja comemorada e assinalada. Muitos de nós não estamos prontos, nem disponíveis, para viver um Natal que está muito longe de ser uma correria entre supermercados e embrulhos.
 
Tudo isso faz parte do Natal e a expressão de uma criança a receber a prenda que pediu na carta que escreveu ao Pai Natal é uma coisa única. Esta é a magia do Natal. As crianças são mesmo a parte mais importante desta quadra e agora entendo isso perfeitamente. Tive o "meu Natal" em Julho, quando peguei pela primeira vez na minha filha. Tenho percebido, ao longo deste tempo, aquilo que os meus pais gostam de mim.
 

As crianças são mesmo a parte mais importante desta quadra e agora entendo isso perfeitamente. Tive o "meu Natal" em Julho, quando peguei pela primeira vez na minha filha. Tenho percebido, ao longo deste tempo, aquilo que os meus pais gostam de mim.

Isso para mim é Natal. Gostar de alguém e querer estar por perto. Proteger, cuidar, entender alguém. Conviver com a família, com os amigos e até esquecer os inimigos. Celebrar o Natal é ter a mesa cheia, mas de gente. É olhar para as cadeiras vazias e perceber, mas aceitar, que falta alguém que queríamos muito que ali estivesse mas que o tempo não volta para trás. É perceber que ontem eramos os netos que esperavam pela meia-noite para abrir as prendas e hoje somos os pais que tratamos de tudo para que nada falte às nossas crianças. É perceber agora porque é que os nossos pais gostavam tanto de estar nesta época com os nossos avós. É olhar para os olhos dos nossos pais e perceber o que sentiam os nossos avós quando olhavam para nós. Para mim, isto é o Natal. É dar graças as Deus pelo que temos e não pensar que queríamos mais ou melhor. É aceitar o Natal como ele verdadeiramente é, não pensando que falta isto ou aquilo na mesa. Havendo o suficiente para nos alimentarmos nesse dia como noutro dia qualquer, o Natal depois é a amizade que colocamos na conversa e o convívio que promovemos com os outros. Esses são os momentos que verdadeiramente ficam.
 
Cada vez temos mais exemplos de que tudo passa muito depressa e que de um dia para o outro as coisas podem mudar. Por isso, vale e pena viver cada momento intensamente e o Natal é uma boa oportunidade para isso. Viver o Natal é diferente de passar a noite da Consoada. Viver o Natal é aceitar que todos somos diferentes mas ao mesmo tempo somos muito iguais. Parar estes dias para pensar no que fizemos, no que podemos fazer ou no que a vida nos tem dado ou pode dar, é também fazer Natal.
 
Este não é um texto de opinião, longe disso. É uma reflexão de alguém que tem visto o seu Natal mudar ao longo dos tempos. Tenho muitas saudades dos meus avós, tenho saudades do meu Natal em Vila Boim. No entanto, tenho acrescentado pessoas à minha vida e elas, felizmente, estão comigo nesta altura. Uma delas, a mais pequena, é o meu verdadeiro Natal deste ano.
 
Amigos, Façam Natal. Boas Festas para todos!
* Jornalista José Lameiras
 
 
A “Produção de Figurado em Barro de Estremoz”, mais conhecida pelos Bonecos de Estremoz já são Património Cultural e Imaterial da Humanidade. Isso deve encher-nos de orgulho!
 
No passado dia 8 de dezembro de 2017, o Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), reunido na Ilha de Jeju, na Coreia do Sul, classificou a “Produção de Figurado em barro de Estremoz” como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.
 
Os bonecos de Estremoz constituem uma arte de caráter popular, com mais de 300 anos de história.
 
É importante referir que o reconhecimento dos Bonecos de Estremoz como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente consagra esta interessantíssima tradição secular bem vivida em Estremoz e, em termos práticos, transformou-se numa verdadeira homenagem a todos aqueles que, ao longo do tempo, souberam preservar esta herança cultural e reverter a tendência de desaparecimento desta arte, garantindo a transmissão do saber entre gerações e a sustentabilidade futura da atividade 
 
Por iniciativa dos deputados António Costa da Silva (PSD), João Oliveira (PCP), Norberto Patinho (PS) e Rita Rato (PCP) foi apresentado um Voto de Congratulação para a “Produção de Figurado em Barro de Estremoz”, mais conhecida pelos Bonecos de Estremoz já são Património Cultural e Imaterial da Humanidade.
 
Desta forma, a Assembleia da República associou-se ao sentimento de congratulação por este reconhecimento da “Produção de Figurado em barro de Estremoz” como Património Cultural Imaterial, pela UNESCO. 
 
Termino felicitando todos os estremocenses e todos os que prepararam a candidatura, mas sobretudo aos artesãos que, quer no seu fabrico quer na sua utilização, mantiveram e preservaram, convictamente, esta arte secular. 
 
Muitos parabéns!
 
* Deputado António Costa da Silva

Joguem à bola

Escrito por sexta, 24 novembro 2017 02:28
Nos últimos tempos os protagonistas teimam em tentar acabar com a paixão pura e sincera que os adeptos têm pelo futebol. Parece que há uma campanha conjunta para afastar, ainda mais, as pessoas dos estádios de futebol. Está também ao rubro uma campanha para descredibilizar os árbitros. Como em quase tudo nesta vida, o problema parece estar mesmo dentro e não fora.
 
Os Diretores de Comunicação dos clubes assumem papéis principais. Os presidentes ficam na sombra e assistem a tudo serenamente, escolhendo depois o momento certo para aparecer. Aquilo que em tempos era uma rivalidade, perfeitamente normal e assumidamente saudável, é agora apenas ódio ao rival. O que interessa agora é disfarçar erros com as culpas dos outros e teorias da conspiração. Basicamente, só perdemos, ou não ganhamos, porque os outros têm tudo comprado. 
 
Ao contrário do que estes dirigentes de hoje pensam, os adeptos gostam é de futebol. Gostam, é verdade, acima de tudo que o seu clube ganhe. Mas, acredito também, serão poucos aqueles que aplaudem a conduta atual e estratégia dos três principais clubes portugueses. Hoje, digo eu, ninguém pode "cuspir para o ar". Todos estão a fazer o mesmo caminho e a palavra "investigue-se" nunca foi tão referida em programas de televisão que são, imagine-se, produzidos mesmo para isto nos canais dos clubes.
 
Todo este, desculpem-me a expressão, "circo que está montado", revela que afinal o problema não está em video-árbitros ou na falta deles. O problema é a cultura, o modo de estar no futebol e o facto de que ganhar dá muito mais dinheiro do que perder e resultados negativos não enchem bolsos. O problema é que estes "comunicadores" do hoje não são do futebol nem nunca deveriam ter sido. Os emblemas que representam, são muito maiores que tudo isto e os fundadores destes clubes não os criaram a pensar que um dia seria assim.
 

Já tenho saudades daqueles domingos em que o Domingo Desportivo passava os resumos de todos os jogos e se falava de futebol, de tática, de grandes golos, de grandes jogadores, de grandes guarda-redes e de histórias do futebol. Não gosto, nem concordo, que os clubes se prestem a este papel e sejam eles a marcar aquilo que é atualidade desportiva, provocando este clima de desconfiança.

É claro que vivo neste mundo e sei que isto nem sempre é tudo legal. Sei que há influências, que há bons e maus lugares, que há boas e más comissões e que nem tudo é só jogado dentro das quatro linhas. Agora, é preciso que se entenda, ou que seja passada essa mensagem, que tudo isto muda porque a bola entra ou não entra. Ganhar é mesmo muito mais fácil do que perder e esta "caça às bruxas" a que temos assistido só prova que o futebol passou para um patamar diferente daquele que nos fez apaixonar por este jogo.
 
Sei que há árbitros mais sérios que outros, mas também há uns mais competentes que outros. Tal e qual como há avançados e defesas bons e outros que nem por isso. Isto é futebol. Compete aos dirigentes da arbitragem fazerem, seriamente, essa seleção. Com o video-árbitro, pensaram alguns que os erros iam acabar no futebol. O que temos agora com essa dita "tecnologia", é árbitros principais a sacudirem a responsabilidade das decisões mais complicadas para outros que estão a ver o jogo pela televisão. Sou a favor do chip dentro da bola, para entendermos se entrou ou não. Essa é uma tecnologia que nos dá uma certeza da decisão e não dá mais margem para discussão. Agora, por exemplo, num lance de grande penalidade ou na anulação de um golo devido a falta, há sempre a questão da subjetividade e com duas cabeças podem existir duas visões diferentes dos lances. O que é que isso provoca? Mais discussão e mais desconfiança. Não duvido que a intenção até fosse boa, mas penso que não resulta. O jogo tem 90 minutos e as equipas têm de entender que os árbitros erram porque têm de decidir. O caminho, digo eu, é falar de futebol. Se há algo ilegal, como em tudo na vida, devem ser as entidades competentes a investigar. Se eu acho que estou a ser prejudicado por algo ilegal, devo fazer queixa no local apropriado e deixar que as autoridades façam o seu trabalho. 
 
Já tenho saudades daqueles domingos em que o Domingo Desportivo passava os resumos de todos os jogos e se falava de futebol, de tática, de grandes golos, de grandes jogadores, de grandes guarda-redes e de histórias do futebol. Não gosto, nem concordo, que os clubes se prestem a este papel e sejam eles a marcar aquilo que é atualidade desportiva, provocando este clima de desconfiança. Bandidos e gente menos séria sempre houve e vai haver no futebol ou noutra atividade qualquer, é mesmo assim. É preciso é fazer com que a justiça, desportiva ou cívil, afaste essa gente do futebol. Aquilo que tem acontecido, é apenas enviar foguetes para o ar e mãos cheias de nada. É só mais motivos para polémicas, ódios e mais preocupações para a polícia quando os rivais se encontram. Para a História, como em tudo nesta vida, ficarão as vitórias, os títulos, os grandes jogos. É isso que verdadeiramente conta.

 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Para quando respostas e soluções para um conjunto de problemas no Distrito de Évora, nomeadamente ao nível da falta de médicos especialistas?
 
No Hospital Espírito Santo de Évora as regras que regulam as escalas dos médicos no Serviço de Obstetrícia / Ginecologia não está a ser cumprida neste hospital.
 
Em 19 dos 30 dias do mês de novembro não existem médicos suficientes para permitir que o Serviço de Obstetrícia / Ginecologia possa funcionar adequadamente.
 
Esta situação torna-se mais grave, sobretudo quando falamos de Centros de Sáude e Postos de Saúde em todo o Distrito.
 

Por isso, será que à terceira é de vez!? Será que vamos ter Hospital Central do Alentejo em Évora? Já agora, quais as fontes de financiamento e qual o modelo de Governação?

Ao contrário do discurso do Governo, o Distrito de Évora (tal como noutras zonas do País) continua a perder médicos. O Governo falha na solução deste grave problema.
 
São várias as especialidades em que há problemas graves: Ortopedistas, ginecologistas, urologistas, cardiologistas, etc. Abrem-se concursos, mas não há forma de resolver este grave problema no Distrito de Évora.
 
No OE 2016 estava inscrita uma rúbrica e uma pequena verba para a elaboração dos projetos de construção do Hospital Central do Alentejo em Évora.
 
Referi na altura que não fazia qualquer sentido, porque os projetos já estão concretizados. Custaram 1 milhão de euros no tempo da governação de José Sócrates. Projeto do Arquiteto Sotto Moura.
 
Mas nada aconteceu.
 
No OE 2017 fizeram copy paste do OE 2016 e nada aconteceu. Rúbrica para projetos e nada.
 
No OE 2018 fizeram copy paste OE 2017 e OE 2016. Verbas para os projetos, mas estes já existem.
 
Por isso, será que à terceira é de vez!? Será que vamos ter Hospital Central do Alentejo em Évora? Já agora, quais as fontes de financiamento e qual o modelo de Governação?
 
Esperamos respostas decisivas para a concretização destes importantes assuntos durante o ano de 2018.
 
* Deputado António Costa da Silva
Com o OE 2018, o Governo apresenta as suas propostas políticas. Ainda assim pretende cumprir um conjunto de requisitos para a consolidação orçamental, procurando responder às exigências europeias. É fácil de demonstrar que este é um OE feito e pensado para a geringonça, e não para o País.
 
Curiosamente, a retórica anti Europa e de não cumprimento das regras europeias desapareceram totalmente. Até poderia ser entusiasmante esta evolução, caso tivesse como base a realização de um conjunto de reformas estruturais de que o País tanto necessita. Mas não é nada disso que se trata.
 
O País precisa, como do pão para a boca, de uma estratégia de consolidação orçamental, realizando um conjunto de medidas estruturais e não apenas de medidas simpáticas, acrescentadas de meros paliativos associados a um crescimento económico um pouco melhor.
 
Não podemos esquecer que o País tem associado a si uma dívida acumulada resultado da forte irresponsabilidade pelas políticas socialistas do passado.
 

No entanto, fico completamente pasmado com todos aqueles que nos últimos anos tanto criticaram a “obsessão” pelo défice, estejam agora tão empenhados na sua defesa. Não deixa de ser irónico, mas extremamente interessante, ver o PCP e o BE assumirem uma postura de responsabilidade orçamental. É de facto notável!

No OE 2018 há uma clara persistência num caminho de austeridade dissimulada, com mais impostos, disfarçados sacrifícios para as pessoas e degradação dos serviços públicos. Os exemplos recentes demonstram claramente isso.
 
O OE 2018, mas também toda a acção política do Governo, não estão minimamente focados na aceleração do crescimento da economia no futuro, nem para a melhoria da competitividade. Não apresenta medidas para a captação do investimento e das exportações. Área fundamental para que o País cresça de uma forma sustentável.
 
Mas apesar da minha forte crítica, e de me manter fortemente crente na necessidade de finanças públicas sãs e sustentáveis, o OE 2018 tem como aspeto positivo a redução do défice nominal. É manifestamente insuficiente, mas não é de todo negativo.
 
No entanto, fico completamente pasmado com todos aqueles que nos últimos anos tanto criticaram a “obsessão” pelo défice, estejam agora tão empenhados na sua defesa. Não deixa de ser irónico, mas extremamente interessante, ver o PCP e o BE assumirem uma postura de responsabilidade orçamental. É de facto notável!
 
Em termos práticos, estamos perante uma submissão dos partidos de esquerda (PS, BE, PCP e PEV) aos princípios mais conservadores em termos orçamentais. E escusam de vir com as estórias das reposições, porque elas já estavam a acontecer no Governo do PSD / CDS. Não esquecer que elas só existem porque aconteceram cortes salariais em 2010 e porque o País foi lançado para a bancarrota pelo Governo do PS, de José Sócrates.
 
De qualquer forma, infelizmente a austeridade ainda não terminou.
* Deputado António Costa da Silva

Vai ser só mais um jogo

Escrito por quinta, 12 outubro 2017 10:51
Depois do sorteio da Taça de Portugal os alentejanos festejaram. Um 'grande' vir jogar ao Alentejo é sinónimo de festa rija e a verdadeira essência da Taça. A Taça de Portugal serve, digo eu, para isto mesmo. Serve para colocar em pé de igualdade, durante 90 minutos, amadores e profissionais.
 
Falo com algum conhecimento de causa, apesar de ser noutra modalidade. Sei bem da alegria, e da festa, que foi quando recebemos o Benfica no nosso pavilhão para a Taça. O Pavilhão de Estremoz, que todos dizem que é muito grande, foi pequeno nesse dia e até jogámos numa quarta-feira à noite. O nosso piso, na altura, era sempre criticado e até diziam que era um aliado nosso. Não foi preciso obras nem torniquetes. O Benfica jogou nas condições que havia.
 

Se fosse por opção, por uma questão de receita, até entendia o Lusitano, porque esta é também uma oportunidade única para pagar toda a época. Agora, por imposição, é só mais uma lei e uma medida, como tantas outras que existem, para proteger os grandes e dar esmolas aos pequenos.

Sei das distâncias, a vários níveis, entre um desporto e outro. Sei o que representa o futebol e o que não representa o hóquei. Mas, quando faço esta comparação, estou a pensar na Festa que afinal não vai existir. Estou também a pensar nos jogadores do Lusitano. É certo que eles vão, de qualquer forma, ter a oportunidade de defrontar um clube como o Porto e até jogar num terreno de Primeira Liga. Mas, digo eu, falta o principal que é nós recebermos as visitas na nossa casa e a oportunidade que vão perder de fazer parte de uma festa memorável. Para jogarem no Estádio do Restelo, mais valia que jogassem no Dragão. A receita seria superior e tinham a oportunidade de jogar num estádio de um "grande".
 
Envergonha o Distrito de Évora, e talvez o Alentejo, o facto de não exisitir um campo para receber um jogo deste tipo. No entanto, custa-me muito entender que existam jogadores que não possam jogar em certas condições e que outros o tenham que fazer semana após semana. Então um estádio é homologado para receber jogos referentes a campeonatos nacionais e depois chumbado para receber "um grande"? O que têm os jogadores do Porto, do Sporting ou do Benfica de especial? É por estas e por outras que eu não gosto da expressão "equipas de outro campeonato". Cá para mim, se estão na mesma competição estão em igualdade de circunstâncias e por isso são do mesmo campeonato.
 
Se fosse por opção, por uma questão de receita, até entendia o Lusitano, porque esta é também uma oportunidade única para pagar toda a época. Agora, por imposição, é só mais uma lei e uma medida, como tantas outras que existem, para proteger os grandes e dar esmolas aos pequenos.
 
Um Lusitano - Porto, em Évora, às 10 horas da manhã de sábado,  seria uma festa para a cidade e para o Distrito. Assim, numa sexta-feira, em Belém às 20h15, é só mais um jogo de futebol.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 

Descanse em paz, meu amigo

Escrito por segunda, 09 outubro 2017 18:49
Lembro-me bem do meu primeiro dia na Rádio Despertar. Lembro-me do sorriso com que me recebeu e da oportunidade que me deu. Já lhe agradeci, Padre Júlio. Lembro-me das conversas que tivemos e do respeito que tinha, e tenho, por si.
 
Tantas vezes me disse: "tens de ir um dia à minha aldeia e tens de ver a Tourada". Quis o destino que só fosse à sua terra na sua última viagem. Esta é a prova que devemos fazer as coisas no momento exacto e que não temos que esperar a altura que pensamos ser a melhor ou a mais cómoda. Como dizia muitas vezes, "os bons momentos são para ser vividos".
 
Há várias coisas que me deixam descansado. Uma delas, é que sei que teve uma vida boa, de partilha, de convívio, de realizações pessoais e profissionais. O seu sonho de criar uma rádio de referência foi cumprido com muito brilhantismo. Foi um autêntico visionário e, quando pensou colocar o nosso emissor no alto da Serra D'Ossa, a sua rádio "deu o salto" definitivo. A sua ânsia de comunicar, valeu a Estremoz uma rádio da qual se pode orgulhar e que é uma das suas grandes obras.
 
Muita gente passa por esta vida sem deixar a sua marca. Não é o seu caso, nem pouco mais ou menos. Nem sempre os seus actos e palavras criaram unanimidade, muito pelo contrário. Era preciso conhecê-lo para o entender. Tinha defeitos como todos nós temos mas sempre soube que não agradava "a gregos e a troianos". Tinha essa consciência e vivia bem com isso, sempre recebendo as críticas, as que tinham fundamento e eram sérias, com muito desportivismo.
 

Então passa bem, Zé Lameiras

Era exigente consigo e, por isso mesmo, muito exigente com os que o rodeavam. Não gostava de falhar nem gostava que os outros falhassem. Não era perfeito, nem pouco mais ou menos. Era um ser humano perfeitamente normal, com os seus defeitos e as suas virtudes. Como grande comunicador que era, facilmente chegava às pessoas e sabia escolher as palavras certas em cada ocasião e para cada público. Nunca deixou de dar, como dizia, "as alfinetadas" que eram necessárias e fosse a quem fosse. Era o seu estilo, que nem sempre agradava a todos.
 
A sua "Janela Indiscreta" mexeu com Estremoz. Nunca um programa da rádio foi tão controverso nesta terra. Era o seu programa e sempre será recordado, também, por isso. Quis o destino que fizesse comigo o seu último programa de rádio. Vou ficar, para sempre, com o que me disse assim que chegou ao estúdio: "Então as tuas meninas?" e também com o que me disse quando se foi embora : "Então passa bem, Zé Lameiras".
 
Descanse em paz, meu amigo.
* Jornalista José Lameiras
 
 

A desculpabilização

Escrito por domingo, 13 agosto 2017 02:04
Recentemente a senhora Ministra da Administração Interna admitiu que houve descoordenação no posto de comando da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) no incêndio de Pedrógão Grande e que o local onde foi instalado não foi o ideal.
 
Segundo as palavras da Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, também as falhas de comunicações do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) “dificultaram as operações de controlo e comando”.
 
Confirmou que houve falta de articulação entre a secretaria-geral da Administração Interna, PSP, ANPC e GNR no que diz respeito à deteção dos problemas nas comunicações e no acionamento e mobilização da Estação Móvel, que se refletiu numa excessiva morosidade da sua disponibilização e que os constrangimentos “foram potenciados pela escolha do local para a instalação do posto de comando e controlo da ANPC em Pedrógão Grande”.
 

Resultado disto tudo: Ninguém é responsável, nem ninguém é responsabilizado. Ou melhor, estamos perante uma “grande embrulhada”, onde todos retiram “a água do capote”. O Estado falhou e continua a falhar.

No entanto, a Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) assegura que a estrutura de comando operacional no combate ao incêndio florestal que deflagrou em junho em Pedrógão Grande, causando 64 mortos, se revelou "adequada a cada momento específico".
 
A Inspeção-Geral da Administração Interna apontou que a Secretaria Geral não tem no seu plano de ação um procedimento estruturado de análise dos dados para avaliar o impacto das avarias e dos incidentes no sistema SIRESP.
 
Segundo o relatório do inquérito interno da Guarda Nacional Republicana (GNR) à atuação dos militares envolvidos nas operações no incêndio de Pedrógão Grande, “as primeiras instruções de coordenação recebidas pela Guarda” do Posto de Comando (PC) da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) “para a regularização e corte de trânsito no teatro de operações, designadamente na EN 236-1, foram emitidas pelas 22:00”.
 
O Instituto de Telecomunicações considera que existiram “faltas graves” na rede SIRESP (comunicações de emergência), com cortes prolongados no funcionamento normal do sistema, quando do incêndio de junho em Pedrógão Grande, do qual resultaram 64 mortes.
 
Resultado disto tudo: Ninguém é responsável, nem ninguém é responsabilizado. Ou melhor, estamos perante uma “grande embrulhada”, onde todos retiram “a água do capote”. O Estado falhou e continua a falhar.
 
Se Portugal fosse um País com um Governo normal, a senhora Ministra da Administração Interna assumiria naturalmente as suas responsabilidades. Que mal tem isso?
 
Mas uma coisa é certa, o Estado falhou.
 
* Deputado António Costa da Silva