segunda, 18 junho 2018

Luís Parente

Quase 12 anos

Quase 12 anos

Há quase 12 anos, durante o mês de Agosto, o meu telefone tocou. Do outro lad ...

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Os desafios do novo PDM de Estremoz

Escrito por %PM, %17 %037 %2015 %23:%Mar.
A arte e ciência de ordenar o espaço exterior ao Homem, tal como foi definida por um dos grandes nomes da arquitectura paisagista portuguesa, Gonçalo Ribeiro Telles, é mais do que o simples desenho de jardins e espaços verdes. Pelo contrário, é uma profissão que nos permite ter uma maior atitude crítica perante o Mundo e antever ou planear os resultados das constantes interacções entre o Homem e a Natureza, com o objectivo de construir, de uma forma ordenada e sustentada, os habitats que suportam a vida, nas suas mais diversas manifestações. Devido à abrangência desta arte/ciência, que me leva muitas vezes a pensar que tirei um curso de "cultura geral", os arquitectos paisagistas estão aptos a realizar uma série de estudos, projectos e planos, os quais lhes permitem intervir a diversas escalas da paisagem.
 
Uma dessas escalas é, precisamente, o Plano Director Municipal (PDM), um dos principais instrumentos de gestão territorial que vigoram no nosso País e que abrange toda a área territorial de um concelho, estabelecendo o modelo de organização espacial desse território, bem como a estratégia de desenvolvimento que lhe está implícita, através da classificação do solo e das regras e parâmetros que se aplicam à sua ocupação, uso e transformação. É, por isso, um instrumento fundamental para definir a forma como a paisagem vai ser intervencionada pelo Homem e, ao mesmo tempo, o modo como as gerações actuais tiram o melhor partido possível das potencialidades do território, garantindo a sua manutenção para as gerações futuras.
 
É um processo que não diz respeito apenas aos políticos ou aos técnicos. É um processo que diz respeito a todos os cidadãos, na medida em que todos somos actores no vasto palco que é o território, porque nele vivemos e com ele interagimos. Muito menos o PDM pode ser encarado como um simples documento em que se descrevem normas ou índices urbanísticos, pois a gestão do território e a sua estratégia de desenvolvimento não se esgota nas questões relacionadas com a construção. O PDM define também estratégias relacionadas com a defesa do património cultural, com a salvaguarda dos valores naturais, com a protecção civil, com a regulação do ciclo hidrológico, com o desenvolvimento económico e social, com o desenvolvimento turístico, entre outros.
 
Está neste momento a decorrer a discussão pública da revisão do PDM de Estremoz. Trata-se de um processo que dura há já algum tempo e o actual PDM está francamente desactualizado (vigora há precisamente 20 anos), face à constante evolução das condições sociais, económicas e ambientais. Por essa razão, é importante que o novo PDM de Estremoz, que vai estar em vigor durante os próximos 10 anos, seja um documento que reflicta a realidade actual, que defina objectivos para o concelho e que, acima de tudo, estabeleça as principais linhas de intervenção que permitam que Estremoz encare positivamente os desafios que o futuro vai impor e que, como sabemos, são cada vez mais exigentes.
 

(...) o documento que está em discussão pública permitirá ao concelho de Estremoz dar mais um passo em frente (...)

 
É necessário que as linhas de orientação estratégica do PDM garantam que Estremoz seja um concelho competitivo, tirando partido das enormes potencialidades endógenas que possui, a diversos níveis - turismo, vinhos, produtos agro-alimentares e mármores, só para citar algumas.
 
Tenho acompanhado esta revisão do PDM e, em minha opinião, o documento que está em discussão pública permitirá dar uma boa resposta à maior parte destas questões, permitindo ao concelho de Estremoz dar mais um passo em frente, a caminho do desenvolvimento sustentado, contrariando a tendência de despovoamento do interior do País. Assim saibamos todos tirar partido das opções que o plano proporciona e consigamos antever as oportunidades que nele estão apontadas.
 
A participação de todos neste processo é fundamental. É este o momento certo para todos formularem questões, apresentarem sugestões e reclamações. Mas que esta participação não seja apenas centrada na velha questão "posso construir no meu terreno?", como tenho assistido na maioria das sessões públicas de esclarecimento que já decorreram... é preciso ir mais além e apresentar também sugestões ou soluções para dinamizar a economia ou para garantir a sustentabilidade dos sistemas naturais e humanos.
 
Já que nos é dada esta possibilidade de participar, o maior desafio que se coloca à participação pública é o de apresentar sugestões para o desenvolvimento global do concelho, ao invés de, como sempre, vivermos apenas preocupados com a nossa pequena "quintinha", com a nossa "parcela de paisagem". 
 
Percebamos, de uma vez por todas, que apenas conseguiremos ser mais competitivos e mais desenvolvidos se começarmos a olhar para a paisagem do geral para o particular, pois o futuro, também ele se constrói de forma global.
 
* António Serrano - Arquitecto Paisagista
 

Com a saúde não se brinca

Escrito por %AM, %12 %063 %2015 %00:%Mar.
Que país temos quando se poupa na saúde? Em plena sala de espera de um hospital público, dou por mim a pensar que, com toda a certeza, nenhum governante passa por isto. Não acredito que, quem tem a responsabilidade de decidir, passe algum tempo nas salas de espera de hospitais públicos. Corro o risco de ser injusto, eu sei, mas mesmo assim arrisco, pois não posso concordar com o que vejo.
 
Os médicos e os enfermeiros são verdadeiros heróis. Trabalham horas a fio e não podem falhar. Se eu falhar no meu trabalho, não será, à partida, uma falha grave e poderei remediar a situação. Se eles falharem, pode não haver segunda oportunidade. Eles, esses heróis, mexem com vidas humanas. Como é possível terem de fazer tantas horas seguidas? Como é possível serem tão poucos? Como é possível haver gente nos corredores e tempos de espera absurdos? Faz-me confusão, admito.
 
Gostaria que um governante, daqueles que mandam alguma coisa, passasse, incógnito, umas horas numa qualquer sala de espera de um hospital e tivesse a capacidade de olhar em seu redor. Gostaria que visse o desespero de um filho porque a mãe está lá dentro há dez horas. Gostaria que visse um espaço onde cabem dez macas e estão lá cinco ou seis a mais. Gostaria que visse a correria de médicos e enfermeiros para que nada falte aos doentes. Gostaria que visse a cara das pessoas que esperam, ansiosamente, que alguém as chame para que sejam atendidas.
 
Não posso concordar, nem pouco mais ou menos, com cortes no SNS. A Saúde e a Educação são áreas onde se deve investir e não cortar. Fiscalizem mais e cortem menos. Apertem com aqueles que não cumprem e gratifiquem os que cumprem. Estão em causa vidas humanas. Isso não será suficiente para acabar, de vez, com estes cortes absurdos? Estimulem os médicos e os enfermeiros a ficar por cá. Os bons têm de estar em Portugal. Fará algum sentido estarmos a formar médicos e enfermeiros e depois eles emigrarem? Não há verba? Basta olhar para o batalhão de assessores que se fabricam neste país, para se perceber quantos se poderiam trocar por médicos ou enfermeiros. 
 

Basta olhar para o batalhão de assessores que se fabricam neste país, para se perceber quantos se poderiam trocar por médicos ou enfermeiros.

 
É dificil, para quem utiliza o SNS, entender que tem de haver cortes no transporte de doentes, nas consultas, nos exames, no pessoal que está de serviço. Contratem mais profissionais e paguem o que é justo. Este país funciona mal em várias áreas. No entanto, com a saúde não se pode mesmo brincar. Não se pode cortar no bem-estar daqueles que passam a vida a descontar para isto, para aquilo e para o outro. Sim, porque esses são sempre os mais prejudicados. 
 
 
Um novo estudo da Universidade Nova de Lisboa indica que cerca de 10% dos portugueses não vão ao médico e 16% deixam de comprar medicamentos prescritos devido às dificuldades financeiras. É como quem diz, cerca de um millhão de pessoas em Portugal não vai ao médico porque não tem dinheiro. O SNS foi criado para que todos tivessemos acesso à saúde. Pelos vistos, ela só está ao alcance de alguns. E os que não podem comprar os medicamentos? O que lhe fazemos? Na grande maioria, são casos de desemprego ou de reformas muito baixas. São pessoas que trabalharam uma vida inteira e hoje recebem entre 200 e 300 euros por mês. Isto, quando em Portugal há quem receba seis mil euros de pensão. Sim, neste país pobre há quem receba seis mil euros para passear o cão, se o tiver. A questão é que nem todos conseguiram, enquanto estiveram no activo, serem, por exemplo, gestores de empresas públicas.
 
* José Lameiras - Jornalista
 

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