quarta, 11 dezembro 2019

A vida tem destas coisas... de CONSCIÊNCIA

quarta, 20 novembro 2019 00:19
Há coisas na vida que aparentemente não têm qualquer tipo de justificação, ou pelo menos nós pensamos não ter. Talvez sejamos nós que não queremos encontrar justificações, talvez sejamos nós que temos dificuldade em observar com alguma clareza o que muitas vezes está mesmo à nossa frente. Na realidade o nosso cérebro, talvez inconscientemente, tende a procurar soluções tendencialmente proteccionistas para nós próprios perante determinadas situações que se nos vão deparando ao longo do percurso. Não raras vezes esse refúgio é enganador e, de certa forma, pode até resolver o problema imediato mas adia e em muitos casos agrava o problema de fundo (tenho ideia de já ter escrito isto em algum lado). E é aí que chega a consciência. De facto, muitas acções das nossas vidas serão extemporâneas, quase inconscientes, ou pelo menos são realizadas sem a reflexão necessária à resolução efectiva dos problemas. No fundo o nosso cérebro tem tendência a reagir de forma, digamos que ardilosa, e tenta encontrar um subterfugio para nos livrar desses problemas. Desconstruir essa situação acaba por ser o mais difícil. Quando o conseguimos fazer a nossa consciência fica liberta e vivemos a nossa vida plena e sem remorsos de qualquer tipo.
 
Tenho para mim que a experiência aliada à idade ou a idade aliada à experiência faz com que o treino do nosso cérebro vá dando as respostas aos problemas de forma mais célere mas também de forma mais ponderada e eficaz, não que sejam somente estes indicadores que o influenciam mas que se revelam de alguma importância não tenho qualquer tipo de dúvida. Também é certo que à medida que a idade vai avançando, os filtros vão desaparecendo. Quantas vezes não ouvimos já dizer “Eu já não tenho idade nem para fazer fretes, nem para me calar só porque sim”… mesmo que essa falta de filtros nos traga algumas vezes alguns dissabores?
 

Depois de tudo o que se tem dito e escrito sobre este assunto, não consigo ficar indiferente ao tema mas, apesar disso, mesmo depois de muita reflexão, não consigo ter uma posição clara e precisa sobre o caso. Se por um lado sinto uma enorme revolta pela atitude daquela progenitora e me recuso a chamar-lhe mãe, por outro também não consigo deixar de ter pena por aquela pessoa que eventualmente terá chegado ao limite dos limites para cometer o acto hediondo que cometeu.

É certo que cada pessoa é uma pessoa e as acções e reacções não são, obviamente, as mesmas perante a mesma problemática. Talvez seja também a tal consciência que minimiza ou maximiza o sentimento resultante dessas acções. 
 
 E pergunta o leitor o porquê desta conversa… toda esta conversa tem um propósito muito claro que traz aliado um misto de indignação mas, se calhar, também de comiseração.
 
De acordo com as notícias emanadas de toda a comunicação social, uma jovem de 22 anos deu à luz uma criança do sexo masculino e abandonou-a num qualquer contentor de ecoponto, nua e sem qualquer cuidado em resguardá-la do frio. Por mera sorte foi encontrada com vida, em plena luz do dia, por um sem-abrigo que eventualmente procurava sustento. Isto aconteceu na capital de Portugal, em pleno século XXI e com toda a informação que existe que, talvez por ser tanta se dispersa e se perde por essas ruelas (mas isto daria para muita conversa e ainda mais aprofundada). A progenitora foi encontrada e detida pelas autoridades para interrogatório. Acabou por ficar em prisão preventiva e poderá ser condenada, entre outros, pelo crime de exposição ao abandono do menor ou infanticídio.
 
Depois de tudo o que se tem dito e escrito sobre este assunto, não consigo ficar indiferente ao tema mas, apesar disso, mesmo depois de muita reflexão, não consigo ter uma posição clara e precisa sobre o caso. Se por um lado sinto uma enorme revolta pela atitude daquela progenitora e me recuso a chamar-lhe mãe, por outro também não consigo deixar de ter pena por aquela pessoa que eventualmente terá chegado ao limite dos limites para cometer o acto hediondo que cometeu. No entanto, nada disto significa que não ache que a jovem, também sem-abrigo, não mereça ser condenada nas instâncias judiciais pelo acto praticado.
 
Questiono-me para onde caminha este mundo? Questiono-me como é possível ser-se só numa cidade com meio milhão de habitantes? Questiono-me o que terá passado pela cabeça daquela jovem mulher? Questiono-me se estará ela arrependida do acto? Questiono-me o que terá acontecido para que a sua esperança fosse rio abaixo?
 
Tenho para mim que o facto de aquela mulher viver em condições indignas para qualquer ser humano não é motivo, por si só, para cometer uma atrocidade como aquela. Antigamente, quem não conseguisse criar os seus filhos, entregava-os a instituições, a familiares, a alguém que cuidasse deles com o mínimo de dignidade ou até mesmo, não se querendo expôr, deixava-os à porta de alguém.
 
Isto não quer dizer que nunca tenham acontecido factos como este ao longo dos tempos. Existiram e, infelizmente, continuarão a existir.
 
Poder-me-ão dizer que muita da juventude dos nossos dias não tem valores enraizados, que só o imediato e o seu “eu” lhes interessa, não se preocupando com o semelhante o que, até certo ponto, eu até concordo (… e aí somos nós os culpados pelo que transmitimos aos nossos filhos).
 
Poder-me-ão dizer também que, por um lado, a juventude desta mulher talvez não lhe tenha permitido ter a “bagagem” para agir de outro modo… mas por outro lado, nós sabemos lá qual a “bagagem” desta jovem, que vida terá tido, quantas portas se lhe terão fechado, o que lhe terá usurpado a esperança?… por muito que se diga e se escreva, só mesmo ela é que sabe.
 
Ainda assim, apesar do apelo da humanidade que me assola, não consigo ter a capacidade de, racionalmente, compreender a atitude em si. Talvez não me consiga decidir pelo lado certo. Pensando bem… haverá um lado certo? Se calhar até há, o lado certo tem que ser o da criança por ser o lado mais frágil, e quando penso nisso a minha revolta regressa e o meu desejo que aquela jovem que deu à luz seja condenada de forma implacável cresce. 
 
Tudo isto me faz reflectir ao ponto de afirmar que nós, talvez não tenhamos feito as apostas certas e que elas têm que advir precisamente da forma como educamos os nossos jovens. Temos mesmo que insistir e persistir em tentarmos deixar bons filhos no mundo e a aposta, essa tem que ser feita nos valores mais básicos como são os afectos, a vida, o amor, a responsabilidade, a verdade mas também a solidariedade e a humanidade. E pronto… quando se fala em solidariedade e humanidade tudo regressa à estaca zero. Quando penso que, sobre este caso específico, tenho uma posição definida, vem a consciência (…ai a consciência!!) e baralha tudo. Enfim… a vida tem destas coisas que fazem com que muitas lutas se façam na consciência e o que acontece é que, não raras vezes, não há vencedores nem vencidos nessas mesmas lutas. Tudo isto porque, por norma, há pessoas de ambos os lados... pessoas que, apesar de tudo, não deixam de o ser.
 
* Professor Luís Parente
 
Modificado em quarta, 20 novembro 2019 18:03
O balanço da sinistralidade rodoviária no distrito de Évora ocorrida nos 10 meses que já passaram neste ano, em comparação com igual período do ano passado, é extremamente negativo.
 
Segundo os dados provisórios da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, o distrito de Évora é dos que tem maior índice de acidentes graves.
 
Esta situação tem-se agravado nos últimos anos. Depois de vários anos em que a sinistralidade rodoviária foi baixando fortemente no país e no distrito de Évora, os anos mais recentes são de um claro agravamento desta situação.
 
Perante estes factos e por estarmos permanentemente a verificar acidentes atrás de acidentes em estradas do nosso distrito, não se pode ficar de braços cruzados à espera que as coisas se resolvam por si próprias. É fundamental agir.
 
Quase todos os dias vamos vendo notícias na comunicação social sobre acidentes extremamente graves ocorridos nas estradas do nosso distrito. É decisivo actuar urgentemente para acabar com este grave flagelo. 
 
Como tem sido característico nas estradas do Alentejo, a utilização das novas tecnologias (telemóveis, GPS, etc), os despistes, o estado das vias e as condições climatéricas adversas são alguns dos factores que justificam grande parte dos acidentes graves ocorridos no distrito de Évora e na região.
 
Um coisa é certa, é decisivo tomar medidas urgentes. Poderão passar pela realização de mais acções preventivas nas estradas do Alentejo? Aumento do controlo policial? Melhorias na formação e aumento do civismo dos condutores? Intervenções na rede viária? Parece-me que são óbvias estas opções. Mas é preciso agir já!
 
Assumir que o objectivo é, decididamente, apostar fortemente na redução da sinistralidade grave, parece-me algo que deveria ser considerado uma decisiva prioridade.
 
* Deputado António Costa da Silva
Modificado em quinta, 14 novembro 2019 00:54

Novos desafios para a Economia Social

segunda, 14 outubro 2019 19:43
Economia Social - Sector Não Lucrativo (pós Troika)
4.200 Milhões de euros de VAB, que representa 2,8% do VAB nacional;
4,6% Emprego nacional. A remuneração média deste sector corresponde a 83,1% da remuneração média do conjunto da economia;
55.383 Entidades com diferentes actividades - os serviços de Acção Social, geraram 41,3% do VAB e 48,6% do emprego remunerado (ETC) das OES.
 
O modelo de protecção social está alicerçado no trabalho, ou melhor, na remuneração directa e indirecta do trabalho.
 
Aquilo que habitualmente eram as divisões sociais entre patrões e empregados, entre o mundo rural e o urbano, ou até, entre igrejas e laicidade, são agora menos dinâmicos nas suas formas mais tradicionais, provocando novas fracturas de natureza social e ecológica. Estas mudanças, enquadradas no modelo de globalização cheio de injustiças sociais, podem levar a aventureirismos demagógicos, que são potenciadores de novos perigos totalitários. Já vamos vendo isto um pouco por toda a parte.
 
Acresce a isto tudo a revolução digital que vivemos e as novas formas de produção e consumo que dela emergem, que alteram totalmente a organização do trabalho.
 
O modelo de protecção social está assente no trabalho, através da remuneração directa e indirecta do trabalho vivo. A automatização/automação crescente da economia obriga a repensar este velho modelo. Já há quem defenda a tributação de máquinas, como são exemplo os computadores ou os robôs e outras formas, que têm a denominação de "inteligência artificial".
 
Os modelos económicos actuais, mais liberais, conservadores, e até socialistas/comunistas (exemplo: a China) encontram-se assentes na concentração destes meios de desenvolvimento. 
 

Uma coisa é certa (e a recente crise económica e social que tivemos que ultrapassar foi prova disso mesmo), as necessidades sociais de natureza mais básicas, como o emprego, os consumos básicos ou a segurança social, voltaram a tornar-se preocupação dos cidadãos. Não foi só em Portugal, mas em toda a parte, mesmo para os  países que desenvolveram sistemas de protecção mais avançados.

Estes novos modelos trazem consigo novos problemas que, estou convencido, vão gerar novas oportunidades para a Economia Social. Tendo em conta esta nova realidade, o aumento da exigência dos cidadãos e pela falta de resposta aos cidadãos pelas diferentes entidades públicas,  vai levar a uma maior transferência de importantes serviços assistenciais do Estado em todas as áreas da protecção social (Educação, segurança social, saúde e apoio social), sobretudo para as entidades da Economia Social.
 
Pura e simplesmente, os diferentes Estados não têm capacidade para responder à protecção social.
 
No entanto, é fundamental que as organizações do sector da Economia Social dêem uma atenção especial às políticas públicas, evitando a sua instrumentalização. Ou seja, devem evitar que apenas sirvam para substituir o Estado nas obrigações que a este lhe respeitam, sem quaisquer preocupações aos valores intrínsecos da Economia Social. 
 
Tendo em conta todos estes aspectos, adicionando o aumento exponencial dos serviços e a continuada aceleração do processo de globalização, as organizações da Economia Social são confrontadas com inúmeros e desafios, que as obriga a adaptarem-se, também, as novas realidades e novas exigências do “mercado”. No entanto, não se podem desviar um milímetro dos seus principais valores ancestrais: desenvolvimento de uma economia solidária, independente e democrática.
 
Em suma, somos confrontados com um conjunto de desafios:
Menos contribuintes para o sistema social v aumento da idade da reforma,
Envelhecimento da população vs diminuição das taxas de natalidade,
Alteração das tradicionais divisões sociais vs novos comportamentos sociais e ambientais,
Automação / Economia Digital vs Contributos para a Protecção Social,
Maior exigências dos cidadãos vs Menor respostas dos sistemas públicos,
Falta de resposta dos serviços públicos vs desenvolvimento na economia social,
Aumento da concentração de meios vs aumento dos grupos mais frágeis 
 
Uma coisa é certa (e a recente crise económica e social que tivemos que ultrapassar foi prova disso mesmo), as necessidades sociais de natureza mais básicas, como o emprego, os consumos básicos ou a segurança social, voltaram a tornar-se preocupação dos cidadãos. Não foi só em Portugal, mas em toda a parte, mesmo para os  países que desenvolveram sistemas de protecção mais avançados.
 
A dificuldade dos sistemas de protecção poderem responder a todos os problemas, reforçou as novas formas de organização da sociedade civil para dar resposta a essas necessidades. A economia social, mutualista e solidária, foi a melhor das respostas às crises contemporâneas.
 
A Economia Social deve evitar um processo de institucionalização. Fico preocupado quando esta começa a ser demasiado utilizada nos discursos de alguns agentes políticos, aparecendo muitas vezes como  a forma mais simples para incentivar as populações mais fragilizadas a resolverem os seus próprios problemas. Repito,  a Economia Social deve ter como alicerces os seus valores ancestrais: desenvolvimento de uma economia solidária, independente e democrática.
 
Desafios Gerais para a Economia Social:
A incerteza económica e financeira e a diminuição do orçamento de Estado têm aumentado a pressão sobre a Economia Social. 
Não existe uma estratégia para a Economia Social.
Aumento das condições de precariedade das instituições e seus funcionários.
Envelhecimento da população e diminuição das taxas de natalidade.
Famílias em crise: instabilidade da situação económica, perda de laços intergeracionais, aumento das situações de crianças em risco. 
Integração social dos crescentes fluxos migratórios e promoção do diálogo entre Civilizações.
Necessidade de incluir mais conhecimento, ciência e mais criatividade no sector Social.
Fundamental melhorar os níveis de informação e divulgação de resultados.
Resultados de elevado nível exigem recursos adequados e autonomia de decisão.
Aumentar os níveis de parceria e trabalho em rede.
Fomentar a Criatividade e a Inovação Social.
Dar respostas integradas (Ex: demências).
Melhorar os níveis de planificação, sobretudo de longo prazo;
Avaliação mais exigente e continuada.
Demonstração de boas práticas.
 
Os modos de articulação e auto-regulação da Economia Social, são uma matéria que me parece que também deverá ser tratada.
 
* Deputado António Costa da Silva
Modificado em quarta, 16 outubro 2019 17:22

Perigosas Abstenções

quarta, 09 outubro 2019 23:12
Há várias formas de interpretar que a abstenção tenha os valores que tem, de há alguns anos a esta parte, em Portugal. Tem subido o número de eleitores que não está para ir votar e quem de facto tem alguma responsabilidade nisto, simplesmente, ignora. Não chega fazer apelos nas entrevistas para que as pessoas vão votar. Não chega campanhas publicitárias a apelar ao voto. Nada disso chega. É preciso, sim, tomar medidas concretas e, já agora, tentar perceber os motivos que levam as pessoas a ignorar uma eleição que mexe diretamente com a sua qualidade de vida.
 
Existe um argumento que não é válido, mas que ouvimos bastantes vezes na boca de quem não está para ir votar. Dizer que são todos iguais e que isto não adianta nada, é a prova de que há muita gente descontente, mas com pouca vontade de contribuir para que algo mude. Há mesmo, também, outra forma perfeitamente aceitável de mostrar esse descontentamento, que é votar em branco. Já em relação aos votos nulos, acho mesmo que é só perder tempo, para não dizer outra coisa.
 
Uma das medidas que deve ser, pelo menos, estudada, é se o domingo será o dia certo para chamar os portugueses a votar. Já há exemplos de outros países que realizam eleições noutros dias da semana e penso que esta é uma situação a ser avaliada. Ir votar após um dia de trabalho ou durante a hora de almoço, não me escandaliza. Há também muita gente que trabalha por turnos e, se pensarmos bem, há também muita gente que trabalha aos domingos e que, fruto disso, também não vota. Em Portugal, fazem-se tantos estudos que não resolvem nada, penso que se poderia fazer um estudo prévio e realizar uma experiência deste tipo, fazendo umas eleições, por exemplo, numa sexta-feira e com as urnas a fecharem mais tarde do que as 19 horas. 
 

Apesar de eu achar que pode não ter diretamente a ver com o fenómeno da Abstenção, a forma como são eleitos os deputados da Assembleia da República não convida a votar nos Distritos, por exemplo, do Alentejo. No total, no Alentejo são eleitos oito deputados. Tanto em Évora como em Portalegre e em Beja, só são eleitos deputados do PS, CDU e PSD. Aliás, nem do PSD agora foram eleitos. Isto não convém dizer, mas é a verdade. A minha pergunta é simples: O que vale, em termos efectivos, por exemplo em Évora, um voto num partido "pequeno", com quem até nos identifiquemos?

 
Depois, a questão mais sensível, digo eu, a não obrigatoriedade do voto. Este foi um direito que custou bastante a ser adquirido e é um desperdício metade dos portugueses não quererem votar. Votar nos cafés e nos bancos de jardim, não resolve nada. Nas redes sociais, resolve ainda menos. Não nos fica bem passarmos o tempo a reclamar de tudo e de todos e depois para mudar de facto alguma coisa, ficarmos em casa. Sinceramente, não sei se seria justo o voto passar a ser obrigatório. Seria uma medida polémica e que iria ser alvo de muita contestação. No entanto, não votar não é uma medida de protesto para mostrar descontentamento pela forma como as coisas estão. Não votar, é mostrar indiferença em relação ao presente e ao futuro do país.
 
Apesar de eu achar que pode não ter diretamente a ver com o fenómeno da Abstenção, a forma como são eleitos os deputados da Assembleia da República não convida a votar nos Distritos, por exemplo, do Alentejo. No total, no Alentejo são eleitos oito deputados. Tanto em Évora como em Portalegre e em Beja, só são eleitos deputados do PS, CDU e PSD. Aliás, nem do PSD agora foram eleitos. Isto não convém dizer, mas é a verdade.
 
A minha pergunta é simples: O que vale, em termos efectivos, por exemplo em Évora, um voto num partido "pequeno", com quem até nos identifiquemos? A resposta é clara, apesar de nunca assumida: nada! Que me perdoem esses partidos, os que nunca elegeram deputados nos circulos pequenos, mas esta é a realidade. Quando é que, por exemplo, um PAN, um IL, um CHEGA, ou até um CDS sozinho conseguirá eleger um deputado em Évora? A única forma desses deputados chegarem a ter voz na Assembleia, é através dos grandes circulos eleitorais. 
 
Há ainda muita gente que pensa que vota para eleger o primeiro-ministro, ou seja, que está, em Estremoz, a votar no António Costa ou no Rui Rio. Apesar disso, e também fruto do que aconteceu em 2015, já há mais eleitores a perceberem que isso não é bem assim. Eu sei que se vota para eleger deputados que depois podem fazer a diferença, para que esses depois sejam indigitados para o Governo, mas aqui vota-se para muito pouco. O pior, é que esta é uma forma de eleger deputados que agrada a esses grandes partidos. Se são esses próprios partidos que estão na Assembleia, é claro que isto nunca irá mudar. Será justo que Lisboa tenha 48 deputados e Portalegre tenha dois? Assim, um voto em Lisboa ou no Porto pode valer mais do que um voto em Évora. Depois, fica muita gente incomodada quando se fala do "voto útil", mas isto assim também desmotiva a ida às urnas e os partidos, chamados, "pequenos", são os mais prejudicados. 
 
É importante que se faça algo. Não pode ser metade do país a decidir pela outra metade. É preciso mostrar às pessoas que o seu voto conta efetivamente e analisar se é este o sistema eleitoral mais justo. É bom que na Assembleia haja um pouco de tudo, mas é também bom que as pessoas se interessem verdadeiramente pela política, escolham um partido para votar consoante as suas propostas e depois percebam que o seu voto é importante. É preciso acabar com este sentimento de que "não vale a pena".
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
 
 
 
 
Modificado em quinta, 10 outubro 2019 15:24
Recentemente sete municípios da Zona dos Mármores e do Alqueva assinaram, em Alandroal, um protocolo de cooperação com as Infraestruturas de Portugal, para a demonstração da viabilidade económica da criação de um terminal de carga e descarga junto à localidade de Alandroal.
 
Esta intenção é efetivamente positiva!
 
Como é conhecido, defendi e apresentei um Projeto de Resolução na Assembleia da República para a criação de estações para comboios de mercadorias no Alentejo, nomeadamente em Vendas Novas, Évora e Zona dos Mármores (Estremoz, Borba, Vila Viçosa e Alandroal), mas também do aproveitamento da linha para transporte de passageiros.
 
Esta iniciativa foi aprovada na Assembleia da República.
 

Segundo me tinha sido dado a conhecer, existia um compromisso na CIMAC de se tratar esta temática em conjunto. Melhor ainda, tinha-me sido garantido que está matéria se encontrava a ser tratada em conjunto entre Governo e CIMAC. Mas no Alentejo as coisa funcionam de forma diferente. Muito individualismo, que em nada ajuda na obtenção de resultados.

As virtudes deste projeto são claramente incontestáveis,  mas existem um conjunto de intervenções ao longo do projeto que não estão clarificadas em todos os documentos oficiais.
 
Esta clarificação não está feita no que respeita às paragens dos comboios de mercadorias, mas também a utilização de toda a linha no âmbito do transporte de passageiros.
 
Por isso mesmo, é fundamental que seja dado a todos os potenciais beneficiários (nomeadamente às empresas do território e todas as que pretendem instalar-se na região) o uso pleno desta importante infraestrutura.
 
Esta iniciativa vai nesse sentido. No entanto, penso que não deveria ser tratada de uma forma isolada, mas sim garantindo o mesmo nível de utilização noutras zonas do referido corredor ferroviário. Tratar o assunto de uma forma pontual e isolada não ajuda a resolver o problema da região. Fragiliza!
 
Apesar de pertinente, este assunto deveria de ser tratado ao nível da CIMAC. Provavelmente garantiria mais articulação entre iniciativas, mas sobretudo mais coesão e mais garantias de concretização.
 
Segundo me tinha sido dado a conhecer, existia um compromisso na CIMAC de se tratar esta temática em conjunto. Melhor ainda, tinha-me sido garantido que está matéria se encontrava a ser tratada em conjunto entre Governo e CIMAC.
 
Mas no Alentejo as coisa funcionam de forma diferente. Muito individualismo, que em nada ajuda na obtenção de resultados.
 
Fica a opinião.
 
* Deputado António Costa da Silva
Modificado em quarta, 18 setembro 2019 17:25
Segundo informação da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) os acidentes nas estradas do distrito de Évora provocaram 6 mortos nos primeiros seis meses do ano, mais dois do que em igual período de 2018.
 
Segundo a ANSR, que reúne dados da PSP e da GNR, o número de acidentes no distrito de Évora também aumentou este ano, registando-se, entre 1 de janeiro e 30 de junho, 870 desastres, mais 213 do que em igual período do ano passado, quando se registaram 757. 
 
Também os feridos graves aumentaram no mesmo período, tendo sofrido ferimentos graves 41 pessoas, mais 21 do que no mesmo período de 2018.
 
Esta situação torna-se muito grave, porque é uma tendência que se acentua. Em 2018 houve um agravamento destes dados quando comparados com o ano de 2017. 
 
Tendo em consideração o número de vítimas mortais resultante da sinistralidade rodoviária, é, em meu entender, expectável que o combate à sinistralidade deveria ser considerado uma prioridade para o Governo. Tal não tem acontecido!
 
Infelizmente esta não é uma tendência apenas do distrito de Évora. É efetivamente um grave problema nacional!
 
O Governo deveria adotar medidas urgentes para travar o flagelo destes acidentes rodoviários.
 
* Deputado António Costa da Silva
Modificado em sexta, 12 julho 2019 12:27

A vida, afinal, tem preço

segunda, 01 julho 2019 18:30
Fomos sempre ouvindo, ao longo da nossa vida, que a vida não tem preço. Fomos sempre educados para isso, fomos sempre levados a pensar que a vida não tem um preço e que vale muito mais de que uma mala cheia de notas. Depois, crescemos e percebemos que não é bem assim. 
 
Falo disto, pelo caso da pequena Matilde, que graças às redes sociais é hoje bem conhecida de todos. É uma bebé guerreira, que teve o azar de nascer com um problema que necessita de um remédio que custa dois milhões de dólares. Isso mesmo, dois milhões. Eu confesso que nem imaginava que um medicamento poderia custar este dinheiro todo. Segundo o que li, este medicamento pode salvar a vida desta menina e fazer com que possa ter uma vida normal. Assim, a vida tem mesmo um preço.
 
É claro que diificilmente os pais poderiam pagar este valor. Em Portugal, digo eu sem ter dados para isso, serão muito poucos os pais que o poderiam fazer. Eu, que tenho uma filha, não o poderia fazer, mas faria o mesmo que estes pais fizeram. Nunca desistiria de uma vida, muito menos da vida da minha filha. Revolta-me, ainda para mais por ser pai, o valor do medicamento e o facto dos pais estarem nesta posição e terem de procurar alternativas noutro lugar que não aquele que nos deveria proteger a todos, o Estado.
 
Eu sei que há outros casos e que se o Estado pagasse este valor, depois teria de pagar outros parecidos e criava-se aqui um precedente. Sei disso tudo. Mas pergunto: quem nos protege? Quem tem uma vida normal e trabalha para pagar as suas contas, alguma vez terá dois milhões de dólares para salvar a vida da sua filha? Nem sei pelo que estão a passar aqueles pais. Nós só queremos o melhor para os nossos filhos e agora ficarmos a saber que uma criança pode morrer porque faltam dois milhões para um medicamento que a pode salvar? Isto, a mim, causa-me revolta. Isto pode acontecer a qualquer um, ninguém está livre disto ou de outra coisa parecida. 
 

Quem tem uma vida normal e trabalha para pagar as suas contas, alguma vez terá dois milhões de dólares para salvar a vida da sua filha? Nem sei pelo que estão a passar aqueles pais. Nós só queremos o melhor para os nossos filhos e agora ficarmos a saber que uma criança pode morrer porque faltam dois milhões para um medicamento que a pode salvar?

Perguntam: "E o que pode fazer o Estado?" Eu respondo que não sei. Sei sim, que temos tido nos últimos tempos exemplos em que o Estado gastou o dinheiro que diz que não tem muito mal gasto. Uns dirão, "isso é demagogia, uma coisa não tem nada a ver com a outra, são coisas diferentes". Pois são, têm razão. Mas vão lá explicar isso aos pais da Matilde. Digam-lhe que o Estado não paga, porque não pode, porque agora anda entretido a recuperar gente que andou a gastar sem o ter. Digam também aos pais da Matilde, que o Estado não paga porque infelizmente há outros casos, não com quantias tão elevadas, mas que também precisam de atenção e o Estado não pode pagar a todos, mas pode financiar operações para enriquecer gente bem colocada. Todo esse dinheiro, que não posso dizer que foi atirado para o lixo porque os bolsos de alguns não são lixo, serviria para muitas Matildes. Pois, essa é que é essa. O Estado continua a não proteger o seu bem mais precioso, as pessoas. 
 
É apenas um desabafo. Ajudem, como puderem, a Matilde e os seus pais. Eu vou fazer o mesmo. 
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
 
 
 
 
Modificado em segunda, 01 julho 2019 18:41
Como é conhecido por todos, o PS tem tido muitas dificuldades em aprovar a Lei de Bases da Saúde.
 
Carlos César, presidente do Partido Socialista, reconheceu, recentemente, que a Lei de Bases de Saúde corre o risco de não ser aprovada, admitindo que “ninguém está excluído da negociação” neste dossiê, deixando desta forma aberta a porta a um entendimento com o PSD. “O diálogo está aberto. Ninguém está excluído da negociação, especificamente em relação a este caso da Lei de Bases da Saúde”, apontou Carlos César em declarações à TSF. Que descaramento!
 
Carlos César e o Primeiro-Ministro, António Costa, recusaram liminarmente a proposta de Lei de Bases de Saúde apresentada pelo PSD. Inicialmente recusaram incluir o PSD nesta discussão.
 
Em pleno debate quinzenal na Assembleia da República o Primeiro-Ministro, António Costa, referiu que não contava com o PSD para a aprovação da nova Lei de Bases da Saúde.
 
Também Carlos César em plena intervenção na Assembleia da República referiu que não contava com o PSD e CDS para a aprovação da nova Lei de Bases da Saúde.
 
Na verdade, o PS e o BE começaram este processo com grande pompa e circunstância. Relembro que em setembro de 2017 António Arnaut e João Semedo lançaram proposta de Lei de Bases da Saúde. Foi esta proposta que entusiasmou o PS e BE para entendimentos sobre esta matéria.
 
Com o fracasso das negociações com o BE, o PS passou a correr atrás do PSD. Perderam totalmente a vergonha! Vale tudo para este Partido Socialista.
 
O PSD sempre referiu que estava disponível para negociar, desde que o PS recuasse “no processo de aprovação concertada que teve com o Bloco de Esquerda e com o PCP” que apenas estão mais preocupados com questões ideológicas do que com a saúde dos residentes em Portugal.
 
Mas uma coisa é certa, não vai ser a alteração da Lei de Bases da Saúde que vai resolver os problemas no Sistema Nacional de Saúde em Portugal.
 
Portugal teve dos piores desempenhos relativamente ao acesso aos cuidados de saúde primários e à marcação de consultas nos centros de saúde. São dados revelados pelo ranking europeu da saúde: a descida de pontos significa piores resultados em parâmetros como o acesso aos centros de saúde, o acesso a consultas de especialidade e também o financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
 
Estes 4 anos foram anos de recuos significativos na área da saúde. Os portugueses estão piores na área da saúde.
 
Contra factos não há argumentos.
* Deputado António Costa da Silva
Modificado em quarta, 19 junho 2019 01:21

Parabéns, querida Rádio

sexta, 17 maio 2019 15:34
Um dia alguém sonhou ter uma rádio. Há 35 anos atrás, o Padre Júlio Esteves não se ficou pelos sonhos e conseguiu. Juntou amigos e foram em frente, criando condições para que a palavra do Senhor não fosse escutada apenas dentro da Igreja de Santa Maria. Esta era a primeira ambição da Rádio Despertar, uma rádio que veio também para despertar muitos estremocenses para o "bichinho" da rádio.
 
Não vou aqui escrever nomes, pois posso deixar alguém de fora. No entanto, posso dizer que a Rádio Despertar, com certeza à semelhança de muitas outras rádios locais, tem sido uma escola de rádio e de comunicação para muita gente. Ao longo de todos estes anos, temos ouvido grandes vozes e grandes comunicadores nesta nossa rádio. Gente que depois a vida profissional levou para outros caminhos, mas que poderiam perfeitamente fazer carreira neste meio de comunicação. Vimos também, alguns "darem o salto" para outras paragens, munidos de uma bagagem angariada nesta rádio, que é pequena em tamanho, mas enorme na sua importância para a cidade e para a região. Ainda hoje, não sei se temos os melhores, mas sei que temos gente muito apaixonada por aquilo que faz.
 
O seu saudoso fundador disse muitas vezes, em discurso de aniversário, que não imaginava Estremoz sem a sua rádio. Sei que muitos dos que moram no Concelho não a ouvem e preferem muitas vezes falar sem conhecer, ou seja, sem ouvir. No entanto, até a esses o silêncio da rádio iria incomodar, pois há sempre um dia em que precisam de ouvir ou de divulgar alguma coisa. A Rádio Despertar é mesmo a Voz de Estremoz e eu poderia aqui provar isso facilmente, trazendo exemplos, mas não o vou fazer pois assim seria "juiz em causa própria" e este texto não tem a intenção de servir para isso.
 
Importante é, nesta altura, enaltecer estes 35 anos da Rádio Despertar. Frisar o facto de esta rádio emitir, há muitos anos, 24 horas por dia e ter uma programação variada e música para todos os gostos. Nesta rádio, tocam todos os estilos de música e toda a gente tem voz. Temos protocolos com várias instituições de Estremoz que lhes permite passar a sua mensagem. Aqui, sendo uma rádio plural e independente, todos podem ter voz. Temos uma linha e princípios católicos dos quais nos orgulhamos, mas sabemos que os ouvintes merecem ser informados e entretidos. É para isso que serve uma rádio.
 

Sei que não agradamos a todos, mas que nos respeitam. Reconheço que não fazemos tudo bem, porque isso não é possível, mas acreditem que o tentamos fazer, com os meios que temos à disposição. Sabemos da nossa importância, porque é isso que nos é mostrado pelos ouvintes. Sabemos que fazemos companhia a muita gente que está sozinha e que faz de nós a sua companhia. Está a missão da rádio local. Não podemos, nem queremos, concorrer com as rádios nacionais.

Ao fazermos 35 anos, sentimos que ainda andámos muito pouco. A História já é bonita, mas ainda é muito curta e temos muita vontade de a prolongar. Porque acreditamos que é possível sempre fazer mais e melhor, apesar das dificuldades, estamos certos de que vamos continuar a escrever esta história. Seguimos uma linha que nos orgulha e que nos foi deixada por quem entendia bastante do assunto. Queremos também sempre honrar a sua memória. Não olhamos para o lado e a nossa preocupação é olhar para a frente, pois só assim é possível cumprir a nossa missão. 
 
Sei que não agradamos a todos, mas que nos respeitam. Reconheço que não fazemos tudo bem, porque isso não é possível, mas acreditem que o tentamos fazer, com os meios que temos à disposição. Sabemos da nossa importância, porque é isso que nos é mostrado pelos ouvintes. Sabemos que fazemos companhia a muita gente que está sozinha e que faz de nós a sua companhia. Está a missão da rádio local. Não podemos, nem queremos, concorrer com as rádios nacionais. Aqui, é preciso entendermos o nosso papel e apostarmos em ser uma alternativa, em vez de fazermos isto ou aquilo porque os outros também o fazem. É aqui que se cria a identidade de uma rádio. É isto que tentamos fazer.
 
35 anos, é uma bonita idade. Parabéns, minha querida Rádio Despertar. Devo-te muito e sou diferente por estar aqui.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
 
 
 
Modificado em sexta, 17 maio 2019 16:01