quinta, 22 novembro 2018

Cientista estremocense Rita Guerreiro volta a ser distinguida com um prémio

Escrito por  Publicado em Estremoz terça, 10 novembro 2015 00:20
Rita venceu o “Fondazione Gino Galletti Neuroscience Prize 2015" Rita venceu o “Fondazione Gino Galletti Neuroscience Prize 2015" DR
Mais um grande motivo de orgulho para a cidade de Estremoz.
 
A investigadora estremocense Rita Guerreiro, da britânica University College of London (UCL), voltou a ser distinguida internacionalmente, desta vez em Itália, com a atribuição do prémio “Fondazione Gino Galletti Neuroscience Prize 2015” pelo seu trabalho sobre doenças neurodegenerativas, foi ontem anunciado.
 
Segundo a instituição italiana, o prémio foi atribuído pelo seu trabalho sobre as mutações do gene TREM2 e a relação com o desenvolvimento da Doença de Alzheimer.
 
Este mesmo trabalho já tinha sido distinguido em Janeiro passado, com o “Prémio Europeu do Jovem Investigador”, atribuído pela Associação Francesa para a Investigação sobre Alzheimer. Rita Guerreiro também já este ano tinha vencido o prémio da Sociedade Britânica de Investigação de Alzheimer e Demência na categoria de "Realização Académica".
 
Para o geneticista John Hardy, considerado como o mais importante especialista britânico da doença de Alzheimer e também investigador na UCL, a portuguesa Rita Guerreiro é "uma estrela em ascensão" na investigação da neurociência.
 
John afirmou que "ela encontrou o primeiro gene de Alzheimer em 15 anos e isso é uma descoberta revolucionária no meio".
 
À Lusa, a cientista disse que estes prémios são importantes em termos de "prestígio" e contribuem para a evolução do estatuto profissional, actualmente em vias de passar de investigadora financiada pela Alzheimer Society ao quadro de pessoal da UCL.
 
Natural de Estremoz, Rita Guerreiro, de 35 anos, vive e trabalha no Reino Unido desde 2010, depois de realizar o doutoramento nos EUA. Rita partilha a direcção do laboratório com o seu marido, o também português José Brás.
 
O prémio atribuído pela fundação italiana, no valor pecuniário de 10.000 euros, é pessoal e não precisa de ser aplicado em investigação, mas Rita Guerreiro confessou que este tipo de financiamento pode ser útil a "projectos pessoais" paralelos ao seu trabalho.
 
Rita contou que recentemente foi contactada por uma família portuguesa que procurava diagnosticar a doença da filha, mas que estava com dificuldades em fazê-lo pelo sistema nacional de saúde português.
 
"Aceitámos analisar o ADN e em três meses conseguimos fazer um diagnóstico e descobrimos que ela sofre de uma doença descoberta apenas em 2013, o Síndrome Schaaf-Yang/MAGEL 2, que afecta umas 19 crianças em todo o mundo", adiantou.
 
"Já recebemos pedidos de outras famílias, mas não podemos responder sempre porque às vezes não temos os meios técnicos para o fazer", justificou.
 
Rita Guerreiro lamentou que as famílias de crianças portuguesas com doenças raras tenham de pagar cinco a seis mil euros a um laboratório privado para obter um diagnóstico ou tenham de depender de estudos científicos feitos no estrangeiro.
 
c/ LUSA
 

Deixe um comentário