quinta, 29 outubro 2020
quinta, 17 setembro 2020 19:19

Movimento SOS Autocarros exige alterações - Empresa estremocense tem mais de 20 autocarros parados

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António Batista salientou que a empresa está parada desde Março, “e na data em que parámos tínhamos 25 motoristas" António Batista salientou que a empresa está parada desde Março, “e na data em que parámos tínhamos 25 motoristas" DR
Terminou no dia de ontem, quarta-feira, 16 de Setembro, com uma marcha lenta nas cidades de Lisboa, Porto e Faro, que chegou a juntar cerca de 200 autocarros, a iniciativa “Volta a Portugal”, promovida pelo Movimento SOS Autocarros e pela ARPAssociação Rodoviária de Transporte Pesado de Passageiros.
 
Esta iniciativa pretendeu alertar para as dificuldades destas empresas, visto que o sector dos autocarros de turismo está praticamente parado desde Março, estando colocado o aviso “Fora de Serviço” nas viaturas há mais de 180 dias. As quebras na facturação estão entre os 80 e os 100% e há empresas perto da falência, estimando-se que no total sejam cerca de dois mil os autocarros parados e 2.500 os postos de trabalho em risco. A pandemia travou a fundo o negócio dos autocarros de turismo.
 
Quem trabalha neste sector acusa o Governo de falta de apoios, referindo que estas empresas não foram contempladas pela ajuda atribuída ao sector do turismo, exigindo por isso medidas concretas de apoio financeiro. Uma das reivindicações exigidas pelo Movimento SOS Autocarros é o fim da limitação da lotação dos autocarros, fixada actualmente nos 2/3 da ocupação. Outra das medidas que defendem como prioridade é o alargamento das moratórias ao pagamento de créditos de aquisição de autocarros de turismo, cujo custo de cada um ascende a 250 mil euros.
 
Os Guias Intérpretes e as Agências de Viagens juntaram-se a este protesto.
 
Para além de ter passado em todas as capitais de distrito do nosso país, o autocarro do Movimento SOS Autocarros estacionou em Estremoz, localidade onde existem duas das maiores empresas do sector, a "Rainha Santa Isabel" e a "Tarsibus".
 
Durante esta paragem em Estremoz, o Ardina do Alentejo esteve à conversa com Mabília Costa, da SOS Autocarros, que nos referiu que esta Volta a Portugal teve como objectivo “sensibilizar a opinião pública, o nosso Governo e as entidades governamentais para a situação que está a viver o sector dos autocarros”, salientando que “o sector dos autocarros já desde antes do dia 13 de Março, que estava com muito pouco trabalho, porque a época do Inverno é muito complicada para nós. E os autocarros de turismo mais ainda porque o nosso forte é a partir de Março, altura em que teríamos o bolo maior do nosso trabalho, até finais de Novembro, mas com esta pandemia acabámos por ser os primeiros a parar e certamente iremos ser os últimos a retomar as nossas actividades porque com as imposições que nos colocaram, principalmente de não podermos trabalhar com a lotação completa, apenas com 2/3 dos nossos autocarros, o que limita muito as agências de viagens na organização dos grupos que possam vir visitar o nosso país”.
 
Mabília Costa afirmou  ainda que “até agora as soluções que o Governo deu não se encaixam, não chegam para o futuro do nosso trabalho para podermos retomar a actividade”.
 
Em relação às reivindicações das empresas do sector, a responsável disse que pretendem “que seja de imediato concedida lotação máxima nos autocarros, para que possamos trabalhar com segurança”, para além de quererem que seja prolongada “a moratória até Março, o que já foi decidido, mas que não é o suficiente, pois vai entrar a época de Inverno e nós vamos continuar parados”.
 
António Batista, das empresas estremocenses “Rainha Santa Isabel” e “Tarsibus”, também falou com o Ardina do Alentejo, tendo começado por dizer que “estamos solidários com os nossos colegas porque os problemas deles são os nossos”.
 
De uma forma bem vincada, António Batista referiu que “é seguro viajar nos autocarros, ponto. Temos todas as capacidades desde o álcool-gel ao distanciamento, aos filtros de ozono, havendo mesmo muitas empresas a fazer um grande investimento nessa matéria”, mas queremos essencialmente “que a lotação permitida seja alterada, mantendo o distanciamento em segurança tal como acontece nos aviões, porque assim é impossível, economicamente está-nos a sufocar”.
 
Outro dos problemas referido pelo responsável da empresa estremocense é o facto do Governo “não estar a enquadrar as empresas de transportes no sector do turismo, mas sim no sector dos transportes, ou seja, qualquer verba que seja disponibilizada pelo Governo não nos está a chegar e isso para nós é muito grave”.
 
António Batista salientou que a empresa está parada desde Março, “e na data em que parámos tínhamos 25 motoristas. Se agora estivéssemos a trabalhar a cem por cento teríamos de ter mais. Actualmente temos 23 viaturas paradas, pois temos aqui em Estremoz duas garagens completamente cheias de autocarros, e temos mais em Lisboa e em Évora”.
 
No final da nossa entrevista, António Batista disse que “o público tem de saber da nossa situação” porque “lógicamente que a situação da pandemia é má para toda a gente e nós temos de nos habituar a esta nova realidade, mas temos de fazer ouvir a nossa voz, porque apesar do nosso sector representar muita gente, não tem tido a atenção que outros setores têm tido, também na área do turismo e é isso que nós também queremos que as pessoas saibam”.
Modificado em terça, 22 setembro 2020 14:53

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