segunda, 28 setembro 2020
quinta, 23 julho 2020 02:09

Joe Berardo assegura que 70 milhões de euros não chegam para fazerem uma colecção igual em termos de azulejaria

Escrito por
No próximo sábado, dia 25 de Julho, acontecerá uma simbólica cerimónia de abertura, agendada para as 10:30 horas No próximo sábado, dia 25 de Julho, acontecerá uma simbólica cerimónia de abertura, agendada para as 10:30 horas DR
Com a presença do Comendador Joe Berardo, do Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Francisco Ramos, e dos comissários da exposição “800 Anos de História do Azulejo”, Alfonso Pleguezuelo, historiador da Universidade de Sevilha e especialista na azulejaria espanhola, e José Meco, especialista na área da azulejaria portuguesa, e tal como noticiámos aqui, foi ontem, dia 22 de Julho, quarta-feira, apresentado à comunicação social, o Museu Berardo Estremoz.
 
Este equipamento museológico, que é uma iniciativa conjunta da Colecção Berardo e da Câmara Municipal de Estremoz, apresenta aquela que é considerada a maior e mais importante colecção privada de azulejos de Portugal. Composta por conjuntos azulejares in situ, património integrado na Quinta e Palácio da Bacalhôa (Azeitão) e no Palácio Tocha (Estremoz), e por mais de quatro mil e quinhentos exemplares móveis datados do século XIII ao século XXI, a Colecção Berardo permite percorrer a secular história do azulejo.
 
Instalado no histórico Palácio Tocha, ele próprio enriquecido por alguns magníficos conjuntos de azulejaria tardo-Barroca e Rococó, o Museu Berardo Estremoz conta as estórias e a História dos últimos oito séculos da azulejaria, através da exposição inaugural, intitulada “800 Anos de História do Azulejo”. Esta exposição mostra apenas um quinto da totalidade colecção de azulejos pertencente à Associação de Colecções Berardo, que possui outros núcleos expositivos a funcionar nomeadamente na ilha da Madeira, em Aveiro e no Palácio da Bacalhôa.
 
O Museu Berardo Estremoz tem expostas cerca de 1200 peças de azulejaria, começando na azulejaria islâmica, com peças do século XIII e XIV, passando pela azulejaria espanhola e terminando na azulejaria portuguesa.
 
O empresário Joe Berardo disse aos jornalistas que “esta foi uma obra muito difícil, com apoio ao projecto de 75%, mas nós investimos muito dinheiro aqui, e parte dos 75% nem sequer estão pagos, mas isso é outra história”.
 
Questionado sobre o acordo celebrado com a Câmara Municipal de Estremoz, o Comendador deixou o desejo de que “a câmara tenha paixão por estas coisas aqui como nós temos, até porque temos aqui azulejos mesmo de Estremoz, aqui da casa”, acrescentando que “uma das razões que me convenceu a comprar a casa foi que existiam aqui azulejos de uma qualidade elevada”. Joe Berardo espera que sejam feitos “muitos roteiros” para visitar esta colecção.
 
O empresário madeirense explicou que neste museu “tínhamos de fazer a história de 800 anos, o que foi muito difícil, porque 800 anos são muitos anos, mas se virem na entrada, temos um romano que diz por baixo “Nós já estávamos aqui antes de Cristo”, isto só para dar a dimensão que o Alentejo tem”.
 
Joe Berardo aproveitou ainda esta conversa com os jornalistas para esclarecer as notícias que foram veiculadas, dando conta que o financiamento comunitário deste projecto teria sido de 85%. “Foi uma notícia que saiu que diz que eu recebi 85% a fundo perdido do projecto. Era 85%, confirmámos 85% e depois passou para 75%. Quando se faz um acordo é um acordo, mas temos de compreender que Portugal está a atravessar um período muito difícil, mas agora com estes milhões todos a vir, pode ser que a gente todos vá beneficiar com isso”.
 
Questionado sobre se tinha sido convidado algum governante para esta cerimónia de abertura, o Comendador referiu que “convidámos a Ministra da Cultura e a Ministra da Coesão Territorial, mas também anda muita coisa aí a acontecer. Mas não vai faltar tempo para eles quererem vir aqui e poderem vir aqui”.
 
Praticamente no final da sua intervenção, Joe Berardo lançou o desafio às entidades competentes, nomeadamente ao Ministério da Cultura, para que exista uma candidatura do azulejo a Património Mundial da Humanidade, referindo que “os Bonecos de Estremoz, os Chocalhos, o Fado e os Cantares [Cante Alentejano] conseguiram”. “Eu acho que isto é uma coisa muito típica portuguesa, nunca se olha para as coisas pequenas porque dá menos massada, mas o azulejo é uma arte, que tem um percurso, tem a alma dos portugueses reflectida nos azulejos” acrescentou.
 
Quando lhe foi perguntado qual o valor da colecção exposta no Museu Berardo Estremoz, o Comendador ironizou dizendo que “se alguém quisesse fazer esta colecção outra vez, não havia possibilidade, nem com 70 milhões de euros, e eu não estou a dar o valor de 70 milhões, mas não conseguem, mesmo com 70 milhões e quem me disse isto foi o Manuel Leitão, um trader de azulejos”.
 
O Museu Berardo Estremoz foi cofinanciado através dos fundos da União Europeia, no âmbito do Portugal 2020, com um valor elegível de 3,45 milhões de euros, tendo uma comparticipação de 75%, cerca de 2,6 milhões de euros.
 
No próximo sábado, dia 25 de Julho, acontecerá uma simbólica cerimónia de abertura, agendada para as 10:30 horas.
 
A partir de domingo, dia 26, o Museu Berardo Estremoz abre as suas portas ao público, sendo que a sua entrada será gratuita até ao final do mês de Agosto.
Modificado em quinta, 23 julho 2020 09:44

Deixe um comentário