quarta, 22 janeiro 2020
segunda, 09 dezembro 2019 23:36

Rui Dias, Director do CCV Estremoz, escreve trilogia sobre Geologia de Portugal

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Um dos aspectos centrais da investigação de Rui Dias assenta na compreensão da evolução da Península Ibérica durante o Paleozóico Um dos aspectos centrais da investigação de Rui Dias assenta na compreensão da evolução da Península Ibérica durante o Paleozóico DR
Da Dinâmica Global aos Processos Geológicos” é o título do primeiro volume de uma trilogia escrita por Rui Dias, Professor do Departamento de Geociências da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora e Director do Centro Ciência Viva de Estremoz, que apresenta uma linguagem que tem os professores e os alunos dos primeiros anos da universidade como público-alvo.
 
A apresentação deste primeiro volume está agendada para o próximo sábado, 14 de Dezembro, pelas 15:30 horas, no Auditório José Mariano Gago, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.
 
Apresentado pelos Professores Galopim de Carvalho e João Duarte, o primeiro destes volumes discute com algum detalhe o funcionamento do nosso planeta, com o objectivo de que o leitor adquira os fundamentos básicos para compreender a Geologia de Portugal. O autor refere que teve necessidade de escrever esta trilogia por considerar não existir nenhum livro de geologia recente “que aborde os processos geológicos que ocorrem no nosso planeta de uma forma dinâmica e em linguagem detalhada mas acessível”.
 
Esta falta é, na opinião deste especialista em Geologia Estrutural e Tectónica que tem desenvolvido estudos de campo regulares em Portugal, Marrocos e Timor Leste, um aspecto “particularmente importante” pois os avanços da ciência na última década (em especial nos métodos geofísicos que permitem ter uma ideia do que vai ocorrendo no interior do nosso planeta) “têm mostrado que muito do que julgávamos conhecer tem que ser revisto”. Este é um dos motivos que explica porque a teoria Tectónica de Placastem vindo a ser reformulada, em especial a nível da convecção interna da Terra e da existência de um processo cíclico da formação/fragmentação de Supercontinentes”.
 
A descoberta da possível existência de um ciclo dos Supercontinentes e as suas implicações, “incluindo na evolução da vida na Terra é talvez a descoberta mais excitante em Geologia das últimas décadas” realça Rui Dias neste livro que resulta da cooperação entre a Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora, do Centro Ciência Viva de Estremoz e do Instituto de Ciências da Terra, uma das unidades de investigação da universidade eborense.
 
O livro está profusamente ilustrado, contendo 245 imagens originais, preparadas pelo autor, e que vão poder ser descarregadas da página da internet a partir do dia 14 de Dezembro (está também a ser preparada a versão em espanhol) e utilizadas livremente, “nomeadamente pelos professores para preparação das suas aulas” acrescenta o autor. Uma vez que não existem praticamente imagens em português que ilustrem a generalidade dos processos geológicos, “é de prever que as imagens venham a ser utilizadas de uma forma regular por todos os professores” sublinha ainda Rui Dias que se encontra a dinamizar oito acções de formação, envolvendo cerca de 240 professores, por todo o país.
 
O segundo volume desta trilogia irá olhar para diversos mapas geológicos de Portugal, reais mas adaptados de modo a torná-los mais úteis do ponto de vista pedagógico. Será então possível começar a perceber melhor as grandes unidades geológicas que constituem o nosso país, bem como as suas principais características.
 
Já o terceiro, e último volume irá procurar seguir a evolução de uma parte da superfície da Terra durante 600 milhões de anos. Este foi o tempo necessário para que a região a que actualmente chamamos Portugal se tenha transformado no que hoje conhecemos.
 
Um dos aspectos centrais da investigação de Rui Dias assenta na compreensão da evolução da Península Ibérica durante o Paleozóico e a sua correlação com as regiões envolventes. Tendo publicado mais de cinco dezenas de artigos em revistas científicas da especialidade, apresentou já mais de 200 comunicações em congressos nacionais e internacionais. Desde sempre, Rui Dias tem procurado formas inovadoras de difundir a cultura científica e tecnológica, onde frequentemente a Arte e o Desporto aparecem como formas de divulgar a Ciência.
Modificado em terça, 10 dezembro 2019 03:12

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