quinta, 21 junho 2018

Pedro Calhordas e o caso das cartolas - "Pondero nunca mais trabalhar para nada que envolva autarquias"

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Criativo estremocense forneceu 30 mil cartolas plásticas à EGEAC por 57 mil euros Criativo estremocense forneceu 30 mil cartolas plásticas à EGEAC por 57 mil euros DR
No final do ano de 2017, Pedro Calhordas viu o seu nome e o da sua empresa, a Whitespace Creative Communication - Unipessoal, Lda, envoltos em polémica.
 
A empresa do criativo estremocense forneceu, em tempo recorde e por ajuste directo, 30 mil cartolas plásticas brilhantes (15 mil exemplares de cor vermelha e 15 mil exemplares de cor preta) à Empresa Municipal de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural de Lisboa (EGEAC), pelo valor de 57 mil euros (com IVA), cartolas essas que foram distribuídas no Terreiro do Paço, durante os três dias de festa que antecederam grande noite de passagem de ano.
 
A ligação ao Partido Socialista em Estremoz, onde foi membro da Assembleia Municipal entre 2005 e 2011, levantaram uma série de dúvidas, chegando mesmo a que o CDS, através do vereador na autarquia lisboeta João Gonçalves Pereira, afirmasse que é preciso que esta adjudicação seja esclarecida, dadas as ligações do proprietário da empresa escolhida ao PS.
 
Não estamos a falar de uma fábrica que produza determinado tipo de produtos em plástico e por isso estamos a falar de um mero intermediário”, referiu o vereador, adiantando que era “importante que a EGEAC e o presidente da câmara estivessem disponíveis para divulgar aquilo que é o caderno de encargos que foi objeto deste ajuste direto”.
 

Em declarações ao Ardina do Alentejo, o designer estremocense referiu ter sido “contactado pela EGEAC no sentido de apresentar um orçamento para cartolas”, contacto esse que acontece porque “andavam à procura de um fornecedor de cartolas, e um dos fornecedores que contactaram disse que não fazia, mas deu o contacto de outros, e entre eles, deu o meu”. “Dei um orçamento, que foi aprovado, assinou-se o contrato, que é público, e depois foi fazer todos os possíveis para entregar as 30 mil cartolas neste espaço de tempo”. Pedro Calhordas adiantou-nos que recorreu “a um dos meus fornecedores, que tem uma ponte com o Oriente, porque não havia outra hipótese. E posso mesmo dizer que quando me contactaram tive praticamente a responder que não era capaz de entregar o trabalho, por causa dos prazos”. “E foi à pele” asseverou. Acrescentou ter ficado “todo contente por ter conseguido fazer o trabalho que se pretendia, no prazo que se pretendia, e entretanto transformaram isto num caso de guerras politicas entre autarcas em Lisboa”.
 
Pedro Calhordas assegura que “não conhecia, até aquele dia, ninguém na EGEAC, nunca lá tinha ido, sabia apenas que estava relacionado com as Festas de Lisboa. Nunca tinha feito um trabalho para a Câmara de Lisboa, nem nunca fiz, nem nunca lá entrei tão pouco, nem conheço lá ninguém”.
 
Sobre ser este um típico caso de politiquice, o estremocense referiu estar “completamente afastado da vida politica desde que saí da Assembleia Municipal de Estremoz em 2011, e nunca tive nenhuma associação ao Partido Socialista em Lisboa, nem em nenhuma freguesia, em coisa nenhuma, não tendo trabalhado para nenhuma autarquia, tenha ela a cor política que tenha, desde o último trabalho que fiz para a Câmara Municipal de Estremoz”, em 2009. Salientou que “arranjaram isto tudo simplesmente para haver aqui uma trica política, que me ultrapassa completamente”.
 
Em relação a como tem vivido estes últimos dias do ano, Pedro Calhordas salienta estar “completamente descansado. É um trabalho perfeitamente normal. No entanto, é sempre chato vermos o nosso nome na comunicação social nacional, associado a guerrilhas políticas entre partidos, que me ultrapassam completamente e que não tem nada a ver com trabalho”. “O que é importante para mim é que o trabalho seja bem feito, entregue a tempo e horas, e da forma que o cliente pretende” assegura.
 

É um trabalho perfeitamente normal. No entanto, é sempre chato vermos o nosso nome na comunicação social nacional, associado a guerrilhas políticas entre partidos, que me ultrapassam completamente e que não tem nada a ver com trabalho.

E será que todo este mediatismo pode trazer prejuízos a Pedro Calhordas e à sua empresa? Ou poderá funcionar até como publicidade gratuita? O designer estremocense diz que não tem forma de avaliar isso, mas adianta que “a maior parte dos meus clientes estão comigo há muitos anos, e sabem exactamente a forma como trabalho, de que forma é que cumpro os prazos, como é que entrego os trabalhos, a qualidade que tenho no trabalho que faço… É muito cedo para avaliar isso, mas acho que não haverá problema nenhum”. “Posso é garantir, e sei que falo ainda muito a quente, pondero seriamente nunca mais trabalhar para nada que envolva autarquias, porque felizmente não preciso”.
 
E o Pedro Calhordas e a empresa Whitespace Creative Communication, Unipessoal, Lda enriqueceram com este negócio? “(risos) Era bom… Primeiro os valores que se falam são valores com IVA, depois estamos a falar de produções feitas em prazos muito reduzidos, com taxas de urgência, no Oriente, com transportes que não podem ser feitos de barco, que é a via que normalmente se utiliza, são transportes feitos de avião e com cargas para cima de uma tonelada, há os produtores, importadores, desalfandegagem, handling, transporte nacional … alguém tem noção dos custos disto ou do risco inerente?”.
 
Sobre as declarações do vereador do CDS, João Gonçalves Pereira, o criativo estremocense esclarece não ser “uma fábrica de fazer cartolas, realmente não sou, mas cá também não há…” Falando sobre os seus trabalhos, Pedro salienta que “há bem pouco tempo entreguei latas de tinta, dessas de pintor das obras, para uma marca de comésticos, já entreguei centenas de cestos em verga para um canal de televisão por cabo, entreguei meio milhar de bolsas térmicas para um laboratório de análises clínicas, apenas para referir algumas produções das mais bizarras que me solicitam”. “Eu não sei precisar porque não tenho esses números na cabeça, mas de longe o grosso do meu trabalho, da minha facturação, é produção gráfica, vender produtos impressos. Funciono como Central de Compras em que sou responsável pelas aprovações e controlo de qualidade dos trabalhos, tenho uma carteira de fornecedores que mantenho há muitos anos e que tento fazer crescer, com um catálogo grande, com vários produtos, para as mais diversas áreas” concluiu.
 

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