quinta, 19 setembro 2019

A cidade branca do Alentejo vai receber, entre os dias 9 e 11 de Setembro, o 45º Congresso Mundial das Academias do Bacalhau. O compadre Francisco Ramos, Presidente da Academia do Bacalhau de Estremoz, esteve à conversa com o “Ardina do Alentejo” para nos falar sobre este “evento inédito” em Estremoz, e que “não se repetirá certamente”, como ele próprio referiu.
 
Ardina do Alentejo - Concretamente, o que é que vai acontecer em Estremoz, entre os dias 9 e 11 de Setembro?
Francisco Ramos (FR) - Vai acontecer um evento inédito que não se repetirá certamente. 
Trata-se da organização pela Academia do Bacalhau de Estremoz, do Congresso Mundial das Academias do Bacalhau. 
Dizemos que não se repetirá porque os Congressos são anuais, rotativos por Continentes e por idade das Academias, logo, uma vez que já existem cinquenta e sete, e outras irão provavelmente nascer, só daqui a várias dezenas de anos poderá acontecer.
 
Ardina do Alentejo - Como é que surgiu esta possibilidade do Congresso Mundial das Academias do Bacalhau se realizar em Estremoz?
FR - Exactamente pelo que expliquei atrás, porque por norma, os Congressos devem ser organizados rotativamente, assim é por direito que cabe à nossa Academia a organização.
 
Ardina do Alentejo - Quando assumiu a presidência da Academia do Bacalhau de Estremoz, ter o Congresso Mundial das Academias do Bacalhau na sua terra, no seu concelho, era um objectivo?
FR - Era, o que jamais pensei é que seria presidente dezasseis anos consecutivos, coisa que em meu entender não é bom para a academia. Sempre tenho defendido que deve haver rotatividade na direcção.
 

Uma mensagem de esperança, que percebam a nobreza do movimento Academias do Bacalhau, que procurem saber as razões da sua existência, que se trata da maior associação de solidariedade exclusivamente portuguesa fora de Portugal, que congrega muitos milhares de pessoas (Comadres e Compadres) contando com cinquenta e sete Academias espalhadas pelos cinco Continentes

 
Ardina do Alentejo - São esperadas quantas pessoas na cidade branca do Alentejo?
FR - Quanto iniciámos o processo de organização, após o congresso de 2015, considerando que habitualmente os congressos no continente português são muito concorridos, uma vez que muitos compatriotas aproveitam para visitar a família e o país, estimámos 600/700 compadres, mas com a situação da Venezuela já perdemos pelo menos 100/150, pelo que esperamos na ordem de 500.
 
Ardina do Alentejo - Esta iniciativa conta com o apoio de que entidades?
FR - Para já contamos com o apoio do Município de Estremoz, do Município de Viana do Alentejo, da Região de Turismo do Alentejo, do João Portugal Ramos, do Tiago Cabaço, da SICA, da Herdade das Servas, das Encostas de Estremoz, da Quinta de Dona Maria e da Porta de Santa Catarina.
Mas aguardamos ainda algumas respostas, temos esperança que sejam positivas, nomeadamente do Ministro dos Negócios Estrangeiros e do Secretário de Estado das Comunidades, que habitualmente têm apoiado os Congressos. 
Devo dizer que não é fácil obter apoios, por exemplo o grupo Amorim e a Caixa Geral de Depósitos recusaram qualquer colaboração.
 
Ardina do Alentejo - Para quem vai ler esta breve entrevista que mensagem lhes deixa?
FR - Uma mensagem de esperança, que percebam a nobreza do movimento Academias do Bacalhau, que procurem saber as razões da sua existência, que se trata da maior associação de solidariedade exclusivamente portuguesa fora de Portugal, que congrega muitos milhares de pessoas (Comadres e Compadres) contando com cinquenta e sete Academias espalhadas pelos cinco Continentes e cujos príncipios e objectivos são: Solidariedade, Fraternidade, Defesa das nossas Tradições da Língua e dos Valores Pátrios.
Dizer ainda que se trata de uma Tertúlia de Amigos, onde todos somos iguais, não existem títulos ou posições privilegiadas.
Modificado em segunda, 15 agosto 2016 19:16
O actor estremocense Cláudio Henriques é uma das caras que vai fazer parte do elenco da nova novela da TVI, “A Impostora”, que tem estreia prevista para o mês de Setembro. A trama escrita por António Barreira, e que vai substituir na grelha da estação de Queluz de Baixo o sucesso de audiências “A Única Mulher”, será protagonizada por Dalila Carmo, Diogo Infante e Fernanda Serrano nos principais papéis.
O “Inspector” Cláudio Henriques concedeu ao Ardina do Alentejo uma breve entrevista sobre esta sua nova aventura televisiva, mas onde também falou sobre os seus projectos futuros.
 
Ardina do Alentejo - Qual vai ser o papel que vais desempenhar na próxima novela da TVI, "A Impostora"?
Cláudio Henriques - Vou ser inspector da PJ, parceiro directo de um outro personagem que vai transitar da novela “A Única Mulher” para “A Impostora”.
 
Ardina do Alentejo - Vai ser uma personagem que vai dar que falar?
CH - Não posso revelar muita coisa, pois ainda estou também eu em processo de gravações, mas do que já gravei,
dá para dizer que este meu personagem vai estar envolvido em momentos chave, mas isto só mais na segunda metade do projecto… Ainda muita tinta vai rolar antes deste Inspector aparecer.
 
Ardina do Alentejo - Como é que surgiu este convite para participares na próxima novela da TVI? 
CH - Surgiu através do meu agente Paulo Araújo, que para além de amigo, é o representante do meu trabalho em televisão, e é através dele que tenho tido a possibilidade de mostrar o meu trabalho em vários projectos da ficção nacional, principalmente neste último ano e meio.
 
Ardina do Alentejo - O trabalho faz parte do teu ADN... Para além da televisão, em que é que estás a trabalhar mais...?
CH - Para além da televisão, neste momento, e desde há algum tempo, desenvolvo a parte de produção na Cossoul, uma instituição com grandes bases no teatro português, com 130 anos, de onde surgiram muitos dos nomes da televisão e do teatro que tão bem hoje conhecemos. Para além disso estou em fase de ensaios para um espectáculo que se chama “Evaporação dos Pássaros”, um texto de Joaquim Paulo Nogueira e encenação dele. É uma produção do Colectivo Prisma, onde irei partilhar o palco com o actor Rui Ferreira. Seremos apenas dois em palco, num grande desafio, que quebra com os padrões normais de teatro, desde a posição física do público em relação ao espectáculo, como da própria “atmosfera” do mesmo. Para quem quiser também apoiar, e adquirir já préviamente bilhete pode fazê-lo através do link http://ppl.com.pt/pt/prj/evaporacao-dos-passaros. Neste link está toda a informação do espectáculo.
Estou também a desenvolver com o meu amigo Hélio Silva / DJ Marujo, natural de Estremoz também, um projecto, o qual para já não tem nome, mas cuja identidade, quer através da minha escrita e palavra, quer através da musicalidade/produção musical do Hélio, será certamente algo que agradará aos mais curiosos, e que gostam de fusão de áreas diferentes, como a poesia e a música.
 
Ardina do Alentejo - Os estremocenses colaram-se à novela "Belmonte" da TVI, pelo facto de Estremoz ser a cidade da trama... Esperas que os teus conterrâneos sigam também a tua personagem afincadamente e diariamente?
CH - É natural que tenham acompanhado a “Belmonte”. Eu próprio, sempre que podia, acompanhava, pois estar longe e ver através da “caixa mágica” a nossa cidade era uma forma de estar mais perto.
Neste caso, acho que é diferente. Estremoz é Estremoz, paisagens, arquitectura, cheiros, pessoas... e eu, sendo pessoa, e de Estremoz, sou apenas uma parte, como muitos outros, deste lindo lugar. Por tudo isto, acompanhar “Belmonte”
era mais do que acompanhar um trabalho de um actor, que será este o caso. Em suma, é óbvio que terei muito gosto,
espero que acompanhem sim, sendo que entro apenas uma vez mais ao inicio da novela, e volto lá mais para a frente, e aí sim, para ficar, chamemos-lhe uma segunda temporada da novela, “A Impostora”, na TVI.
Modificado em quarta, 27 julho 2016 08:55
No fim-de-semana em que se realiza a edição inaugural da MonfortExlibris, em Monforte, Ardina do Alentejo apresenta mais um “À Mesa das Servas”, desta feita com Gonçalo Lagem, Presidente da Câmara Municipal de Monforte.
 
Majestosamente servidos pela equipa liderada por Paulo e Fé Baía, conversámos com o autarca que gere os destinos do concelho do distrito de Portalegre.
 
Falámos sobre o passado, olhámos para o presente, e projectámos o futuro, com o Presidente de Câmara que praticamente já se apresenta como candidato às autárquicas de 2017. 
 
Em conjunto com as magníficas iguarias apresentadas pelo Restaurante “Herdade das Servas”, estiveram em cima da mesa assuntos tão diversos como os projectos para o concelho de Monforte, a actual e a anterior gestão financeira da edilidade, as dificuldades de um concelho do interior do país, e imagine-se, Luís Mourinha, entre outros…  
 
Quem é Gonçalo Lagem? 
O Gonçalo Lagem é uma pessoa perfeitamente normalíssima, com os gostos de qualquer pessoa, um cidadão completamente normal, que gosta de estar com amigos, que estima muito a família, que dá valor áquilo que é a essência do alentejano e do português, que é o campo e a natureza. Que está perfeitamente enraizado no ambiente onde nasceu, onde cresceu, onde teve o privilégio de formar família e onde está a ter o privilégio de criar os filhos. Uma pessoa muito ligada ao campo, à agricultura, à natureza aos amigos… No fundo áquilo que é a verdadeira essência do povo alentejano e do povo português.
 
Começou muito cedo na vida política. Como é que um jovem nascido no interior do país se mete nestas andanças da política?
A razão chama-se Rui Manuel Maia da Silva, ex-presidente da Câmara Municipal de Monforte, de 1997 a 2009. 
Eu termino o curso no ano de 2000, e com 22 anos fui convidado para ser secretário da vereação. Depois de terminar o curso, entrei para a Câmara Municipal de Monforte, como secretário da vereação, do ano de 2001 a 2003, depois fui convidado para ser adjunto do Presidente da Câmara, e em 2005, dei por mim a estar em segundo duma lista da CDU, candidato a vereador. Depois de vencermos as eleições fui nomeado vice-presidente da Câmara.
 

Sinto que são dois palavrões e dois sentimentos dos quais nunca deveremos abdicar ao longo da nossa vida: lealdade e gratidão.

No fundo a razão chama-se Rui Manuel Maia da Silva, que já tinha andado nas lides políticas com o meu pai, conhecia-me desde miúdo, desde os 5,6 anos de idade. Conhecia-me muito bem e éramos amigos. Confiou em mim e depositou em mim toda a sua confiança, primeiro enquanto secretário da vereação e depois enquanto adjunto e, mais ainda, enquanto vereador e vice-presidente dele.
 
 
Qual é que foi o seu grande trunfo para ter conquistado ao PS, a Câmara Municipal de Monforte?
Isto na política não há trunfos, há vontades do povo. E eu não tive trunfos, até porque só mesmo muito em cima das eleições é que decidi ser candidato. Na altura tinha um filho pequenino e tinha casado há muito pouco tempo. Tinha a vida estável, tinha as coisas todas resolvidas e tinha as minhas coisas muito estruturadas, de maneira que andava a terminar o curso de medicina veterinária e, na altura, quando as pessoas se começaram a mobilizar e a depositar em mim toda a confiança para encabeçar a lista da CDU, fui resistindo sempre.
E resisti porque tinha a noção de que o serviço público é uma missão onde temos que vestir a camisola. Uma vez eleitos, estamos ali para servir e nunca para nos servirmos. E sei que para servir é preciso abdicar de muitas das coisas que eu considero determinantes, prioritárias e essenciais na minha vida, e uma delas é, sem dúvida alguma, a família. E se aceitasse esse desafio, sabia que iria sacrificar a família, iria sacrificar o curso de medicina veterinária e iria sacrificar muitas outras coisas. Era uma decisão que estava perfeitamente formada: não queria, não queria, não queria e não vou ser candidato. 
Três meses antes de termos de entregar as listas para o tribunal várias pessoas se mobilizaram e houve umas que foram, inclusive, falar comigo a minha casa, com a minha mulher e houve uma altura em que eu percebi: “Bem, não tenho outra hipótese, não tenho outra alternativa”. Já havia muitas pessoas a confiarem em mim, também derivado do descontentamento que havia com o executivo PS, e houve uma altura em que eu não fui capaz de dizer mais que não, porque estaria ser antipático e inconveniente para as pessoas que estavam, naquela altura, a confiar em mim. E depois também aceitei ser candidato por gratidão. Tinha que me sentir grato e nestas coisas a lealdade e a gratidão sempre me acompanharam e acompanhar-me-ão até ao final dos meus dias. Sinto que são dois palavrões e dois sentimentos dos quais nunca deveremos abdicar ao longo da nossa vida: lealdade e gratidão. Lealdade porque desde a minha tenra idade comecei a participar nestas lides políticas e também venci eleições, enquanto vereador, as eleições não são vencidas sozinho e aquelas pessoas que deram a cara por mim, e que acreditaram em mim, eu tinha de lhes ser leal e tinha que também assumir a minha responsabilidade na medida em que as pessoas estavam a depositar em mim a confiança. E gratidão porque as pessoas estavam a confiar em mim. Temos que nos sentir gratos quando há um conjunto de pessoas a dizer: “Vai!”, “Tu ganhas, tu és capaz, tens capacidades, tens conhecimentos suficientes para levar este concelho a bom porto”. E eu senti-me, também, grato por isso, e houve ali uma altura em que não fui capaz mais de resistir.
 
Que balanço faz destes mais de dois anos à frente do Município de Monforte?
Foram dois anos extraordinariamente difíceis, numa conjuntura extraordinariamente difícil, com uma pressão legal, tendo em conta a tutela dos Municípios, com um governo que apertou muito a forma de gerir uma Câmara Municipal. A autonomia financeira, a autonomia dos Municípios deixou quase de existir. E, como se isso não bastasse, ainda encontrei uma Câmara muito endividada, e isso sabia que estava endividada, mas pior que o endividamento grande da Câmara, foi encontrar uma Câmara completamente de pernas para o ar, sem qualquer tipo de rumo, sem qualquer tipo de estratégia, sem um único projecto, sem alicerces para encarar o futuro próximo que se avizinhava na altura, e tínhamos o Portugal 2020 que na altura estava ali quase a aparecer, mas não havia nada. 
Então o que é que fizemos? Perante uma câmara endividada, perante uma câmara de pernas para o ar sem qualquer tipo de estratégia ou de rumo, tivemos que arrumar a casa. No primeiro ano arrumámos a casa e fizemos coisas que eram necessárias, quase como o pão para a boca. Sentia os funcionários desmotivados, e das primeiras medidas que tomámos foi contrariar aquilo que era o ataque aos funcionários públicos, nomeadamente aos funcionários da autarquia de Monforte e de todas as autarquias, que era a questão do horário de trabalho. Implementámos em Dezembro de 2013, o horário contínuo, a jornada contínua, que permite ao funcionário ter uma outra flexibilidade da sua vida, e permite ter outro tipo de actividades, e dedicar mais tempo à família. Para além desta medida, muito bem aceite pelos funcionários, o que fizemos também foi, a todos os funcionários, dar tolerância no dia do seu aniversário.
Tentámos inverter também aquele ataque que tinha vindo a ser sentido pelos funcionários, e resolvemos que todas as ajudas de custo que eram devidas aos funcionários da autarquia de Monforte fossem pagas a tempo e horas a todos, sem exceção, porque aquilo a que estavam habituados nos últimos quatro anos, era que só alguns é que recebiam essas ajudas de custo. Neste momento, todos os funcionários que tiverem direito a essas ajudas de custo estão a recebê-las. 
O que nós conseguimos também na Câmara de Monforte nestes últimos dois anos foi a sustentabilidade financeira, porque olhámos sempre para a despesa. Quando não há receita extraordinária limitamo-nos muito, às vezes mesmo na nossa vida pessoal. “Onde é que podemos reduzir a despesa na medida em que não somos capazes de fazer mais receita?” E nós, na despesa, reduzimos, reduzimos, reduzimos, poupamos, mas há uma determinada altura, em que não conseguimos poupar mais, senão estamos a comprometer serviços. E então, em vez de olharmos só para a despesa, olhámos para a receita: “Onde é que conseguimos arrecadar mais receita?” Fizemos regulamentos, fizemos contratos de arrendamento, de coisas que estavam fechadas e que neste momento estão abertas, de casas que estavam devolutas e que neste momento estão lá pessoas a pagar uma renda à Câmara. Gratuitamente conseguimos, além de resolver um problema dos arrendatários do IRU, que foram confrontados com um aumento abrupto da renda, conseguimos reduzir as rendas consideravelmente. Mas ainda conseguimos mais. Conseguimos que o Estado transferisse todo o património, todo o parque habitacional do concelho de Monforte que era do IRU, para o Município de Monforte a custo zero. O Estado deu-nos o património que está avaliado num milhão e meio de euros, e agora as pessoas em vez de pagarem as rendas ao IRU, pagam as rendas à Câmara e a Câmara de Monforte arrecada essa receita. 
 

Aumentámos aproximadamente um quinto do orçamento municipal quando na maioria das câmaras do país e do distrito, a tendência foi para manter o orçamento ou mesmo nalguns casos, reduzir o orçamento. Fomos mesmo a única Câmara do distrito a aumentar o orçamento.

Mas mais, aumentámos a água. É verdade, é um facto. Éramos o município que tinha as tarifas de água mais baixas do país, e neste momento, somos o mais baixo do distrito, mas triplicou em relação à receita que arrecadávamos aqui há seis ou sete meses atrás. Esse foi o grande desafio: “Onde é que vamos aumentar a receita sem mexer nos bolsos dos munícipes?” E fomos felizes porque além de termos aumentado a água, e esse aumento não foi uma decisão deste executivo, foi-nos imposto legalmente, e ainda assim permitiu-nos aumentar a receita através dessa imposição legal. Estamos a falar de um aumento global no orçamento municipal de 2015 para 2016 de 800 mil euros, ou seja, tendo em conta que o orçamento de 2015 eram 5 milhões e 600 mil euros e agora o de 2016 são 6 milhões e 400 mil euros. Aumentámos aproximadamente um quinto do orçamento municipal quando na maioria das câmaras do país e do distrito, a tendência foi para manter o orçamento ou mesmo nalguns casos, reduzir o orçamento. Fomos mesmo a única Câmara do distrito a aumentar o orçamento.
Isto tudo dá trabalho mas sem trabalho nada se faz. O que é certo é que conseguimos nestes dois anos apetrecharmo-nos de projectos, apetrecharmo-nos de planos que nos permitam no Portugal 2020, estarmos dotados de tudo o que faz falta para lhe fazer face, para apresentar as coisas a tempo e horas e para termos sucesso em todas as obras que andamos já a fazer, para as quais contratámos empréstimos de médio e longo prazo para fazer estas pequenas obras que andamos a fazer, para que no Portugal 2020, essas obras sejam incluídas e arrecademos a receita do montante elegível do financiamento comunitário. 
Isto é gestão, tendo em conta que se reduzirmos o envidamento, se aumentarmos a receita, se fizermos obra, se conseguimos pagar e reduzir a dívida aos fornecedores, estamos a fazer uma boa gestão, nem comprometendo a obra, que está directamente ligada à qualidade de vida das pessoas, nem comprometemos a gestão saudável municipal que todos deveremos ter em todas as autarquias.
Nestes dois anos reduzimos na ordem de um milhão e 300 mil euros, tendo em conta aquilo que era a dívida anterior. Apanhámos uma câmara com 3 milhões e 500 mil euros de endividamento, tendo em conta os médios e longo prazo, curto prazo, fornecedores… e neste momento temos uma câmara com 2 milhões e 400 mil euros de dívida. Temos 200 mil euros de dívida a fornecedores e apanhámos uma câmara com 600 mil euros de dívida a fornecedores, reduzimos o prazo médio de pagamento aos fornecedores de 128 dias para 70 dias, e liquidámos quase mais de metade do empréstimo de curto prazo que dura na câmara há quarenta anos. O que se fazia anteriormente, e que todos os executivos faziam era pedirem um novo para pagar o anterior e empurravam com a barriga para a frente. E a nova lei das finanças locais de Setembro de 2013 disse-nos que isso não iria ser mais possível, ou seja, os empréstimos de curto prazo têm que ser liquidados no ano da contracção, no ano civil da contracção. E nós temos vindo desde 2013 a fazer tudo para o liquidar. Ainda não conseguimos totalmente, mas neste momento o empréstimo que era de 366 mil euros está neste momento em 170 mil euros, e neste ano de 2016 é para liquidar completamente e definitivamente.
Foi um esforço grande, tendo em conta toda esta situação, toda esta conjuntura. Exigiu muito de nós. Nunca antes um executivo esteve tanto tempo debruçado para os papéis, para os orçamentos, para as alterações orçamentais, para as revisões orçamentais, nunca antes um executivo esteve tão preocupado com as contas, com a lei dos compromissos e dos fundos disponíveis... Tive a sorte também, quer dizer, não foi bem sorte porque fui que convidei as pessoas que me acompanharam na eleição, o Vereador Seião e a Vereadora Mariana, mas tive essa sorte porque são duas pessoas formadas na área da gestão financeira, na área da contabilidade, na área do marketing e tenho essa grande mais-valia, que além de serem grandes técnicos, são grandes políticos e acima de tudo, são grandes amigos e estes sucessos e resultados que conseguimos até aqui partilho obviamente, como não poderia de deixar de ser, com eles, porque eles têm sido pedras basilares na gestão do município. E qualquer coisa que eu apresento como sendo do Município de Monforte ou com o cunho pessoal do Presidente da Câmara terá de ser sempre partilhada com os dois vereadores, com o vereador Fernando Seião e com a vereadora Mariana Mota.
 

Monforte está melhor do que estava em 2013? 
Completamente. E todos os indicadores assim o dizem e posso comprovar documentalmente. O indicador do desemprego - há menos desemprego neste momento do que havia há dois anos atrás; o indicador da notoriedade - fomos confrontados no final de 2013, dois meses depois de termos tomado posse, que Monforte era o concelho do país com menos visibilidade, estava em último no âmbito da visibilidade e da notoriedade dos concelhos. Era completamente inadmissível que o concelho que tem José Carlos Malato como embaixador, que tem o João Moura como embaixador, que tem o Paulo Caetano como embaixador, que tem características únicas no âmbito da tauromaquia… O Manuel Luís Goucha acabou de comprar lá um monte também, neste momento é nosso munícipe. Com a vila romana de Torre de Palma, com o vastíssimo património arquitectónico religioso, com a nossa cultura, com as nossas gentes, era completamente impossível e impensável Monforte estar naquele lugar no que diz respeito à notoriedade e visibilidade. Estava em último lugar dos 308 municípios. O que é certo é que em 2015 já estávamos bastante melhor, subimos quarenta ou cinquenta posições. Mas se formos para o indicador de transparência municipal, estamos em 9º no distrito mas também estamos a menos de metade da tabela do país. Todos os indicadores assim o apontam: Monforte está melhor.
 
Quais são as principais dificuldades com que se debate o concelho de Monforte?
As dificuldades são transversais aos restantes concelhos limítrofes e à própria região Alentejo, e diria a nível nacional, ao próprio interior. As dificuldades são o desemprego, a desertificação, a baixa natalidade e a alta mortalidade. E essas dificuldades estão também directamente ligadas ao desinvestimento e desinteresse por parte da administração central pelo Alentejo. Aquilo que deveria ser uma oportunidade, porque temos espaço, temos potencial, temos universidades, temos recursos endógenos, naturais e ambientais que nos diferenciam de todas as outras regiões do país, mas temos sido a região que mais tem sido preterida por parte de todos os Governos que têm passado pelo nosso país. Mas essencialmente a desertificação. E se não há oportunidades nestas regiões, se não há investimento para fixar as populações e os jovens, será muito difícil dar-lhes sustentatibilidade. E quando digo isto, digo-o com muita mágoa e tristeza. Os benefícios fiscais que dão às grandes multinacionais e às grandes empresas para se radicarem no nosso país, mas sempre no litoral, deiam os mesmos benefícios fiscais para se radicarem no interior. E a mágoa que falo é porque temos um potencial enorme, somos uma terra de gente boa, somos das únicas regiões onde ainda vai havendo segurança e conforto. Basta de esquecimento. Penso que está na altura de apostarmos no interior, porque temos de tudo. Temos condições de excelência, inclusive para se crescer como criança, temos equipamentos de excelência, temos acesso à cultura, temos cinemas, temos teatros, temos equipamentos desportivos, pavilhões, ginásios e piscinas totalmente equipados com tecnologia de ponta, qualidade de vida… O interior tem tudo, só não tem é uma coisa: pessoas.
 
Que projectos tem para o futuro de Monforte e para o seu concelho?
Tenho três ou quatro projectos que considero estruturais, determinantes e estruturantes.
Tenho o Lar de Santo Aleixo. Santo Aleixo é a única freguesia do concelho de Monforte que não tem um lar, residencial, uma instituição onde podemos institucionalizar os idosos. Além de trazer para Santo Aleixo, para a sua freguesia, os velhotes que estão em lares dos concelhos limitrofes, é a grande mais-valia de se criarem 20 a 30 postos de trabalho directos, e 20 a 30 postos de trabalho directos em Santo Aleixo fazem toda a diferença porque é a única freguesia do concelho de Monforte que não tem uma entidade patronal com dimensão. Essa IPSS iria fazer toda a diferença.
 

E a mágoa que falo é porque temos um potencial enorme, somos uma terra de gente boa, somos das únicas regiões onde ainda vai havendo segurança e conforto. Basta de esquecimento. Penso que está na altura de apostarmos no interior, porque temos de tudo.

Depois temos um equipamento de apoio à criança na área da saúde mental através da CERCITop, que é uma cooperativa de âmbito nacional de apoio ao cidadão deficiente mental, nomeadamente crianças. A CERCITop tem um conhecimento de trabalhar com crianças deficientes como provavelmente nenhuma outra entidade tem. Há mais de um ano que a CERCITop “disparou” em todas as direcções, escrevendo uma carta para várias câmaras, onde referiam que necessitavam de um terreno para instalação deste equipamento. Não esperámos mais tempo e no dia seguinte estávamos reunidos com eles, tendo sido celebrado um protocolo de cedência gratuita de um terreno, com dois hectares, em Monforte, e a CERCITop comprometeu-se em fazer um equipamento social de apoio às crianças deficientes mentais com capacidade para 80 crianças, capaz de gerar 102 postos de trabalho.
Depois há outro tipo de projectos, como a recuperação do antigo hospital, o único edifício que falta recuperar no centro histórico de Monforte, e que nós queremos transformar no edifício CEFUS – Centro de Estudos e Formação da Universidade Sénior. A Universidade Sénior de Monforte foi considerada das melhores universidades seniores do país, uma referência, e nós queremos criar-lhe uma sede, que sirva não só para a universidade sénior ter as aulas, totalmente bem equipada, mas também de apoio às crianças, com um centro de explicações, dois pequenos auditórios, e várias salas de trabalho. No fundo rematar aquela malha urbana no centro histórico, que é a única que falta rematar.
E depois temos o Centro Escolar, porque a nossa escola precisa urgentemente de obras.
Com estes quatro projectos, Monforte ficava extraordinariamente preparado para encarar os desafios do futuro, não tenho dúvida alguma.
 
São as melhores as relações entre o Município de Monforte e o Município de Estremoz?
Não podiam ser melhores. Antes das relações institucionais há uma relação muito sólida em termos pessoais. Sou amicíssimo do Luís Mourinha, já o era, não o conheço de agora enquanto Presidente de Câmara, e lá está, antes das relações institucionais estão as pessoais e quando as pessoais são as melhores logo as institucionais têm de estar obviamente asseguradas.
Sou amigo pessoal do Luís Mourinha, gosto muito dele, aprendo muito com ele e com a equipa dele. Ele tem uma equipa muito forte. O Dr. Francisco Ramos é um expert nestas coisas do poder local e tenho aprendido imenso com ele, tem-me ajudado imenso. E com o Luís Mourinha, um político nato, aprende-se imenso. Ele vive com paixão e dá-nos essa grande lição, e promove Estremoz como ninguém. Recordo uma visita que fizemos à Holanda, e deu para ver a forma apaixonada como ele fala do seu concelho e obviamente isso tem dado os seus resultados. O Luís Mourinha é um político, mas acima de tudo um amante, e um apaixonado pelas suas raízes e pela sua terra, ele valoriza muito os recursos endógenos, a gastronomia, tudo o que Estremoz tem de bom, e fala da sua terra com muita paixão. E é um político nato porque consegue sempre trazer a água ao seu moinho. 
 
Gonçalo Lagem é candidato à Presidência da Câmara Municipal de Monforte em 2017?
Poderia já dizer que sou, mas seria injusto para com as pessoas que apostaram em mim. Se acharem que eu sou a melhor pessoa para continuar a defender os interesses do Concelho de Monforte e do partido pelo qual sou eleito, obviamente que estarei disponível. Se numa determinada reunião me disserem que estou a desempenhar uma má função ou que não atingi as expectativas que eles esperavam, obviamente que porei o lugar à disposição e certamente que aparecerá uma outra pessoa para ser o próximo Presidente de Câmara.
Há uma coisa que garanto: não estou nada agarrado ao poder, estou completamente desprendido do poder. Tirem-me o poder que vou para casa. Sou uma pessoa de projecto e com muita ambição, isso sou, sempre gostei muito de trabalhar e de atingir objectivos. E agora que tenho uma família mais ainda. Vou acabar o curso de Medicina Veterinária e vou fazer mais projectos, vou ganhar dinheiro e vou ter a minha vida pessoal, familiar e profissional, completamente descansado. 
Mas se entenderem que sou importante para continuar a servir os interesses do Concelho de Monforte obviamente que estarei disponível, vamos embora à luta, mas nada agarrado ao poder. 
 
Que mensagem deixa a quem for ler esta entrevista?
Deem mais importância aos pequenos detalhes que a vida nos apresenta todos os dias, que muitas vezes nem os vimos e outras vezes nem os valorizamos como devemos valorizar.
Aproveitem muito e desfrutem muito da família. A família é fundamental para o nosso bem-estar, para as nossas concretizações pessoais e profissionais. Se tivermos uma família coesa, amada, estável tem implicações directas em tudo o que fazemos na vida. Se tivermos um lar estável isso reflecte-se em tudo o que fazemos.
E fazer o bem. Se fizermos sempre o bem, as coisas acontecem-nos bem e nada de mal nos acontecerá.
Modificado em sábado, 02 julho 2016 01:02
Em Outubro de 2013 foi eleito Presidente da Direcção da CERCIEstremoz. Aquando da sua tomada de posse, que decorreu em finais de Novembro do mesmo ano, pediu a colaboração de todos, não só na continuidade do trabalho realizado até então, mas também na procura de novos rumos para a CERCIEstremoz.
 
Na semana em que se assinala o 40º aniversário da instituição, Jorge Canhoto concedeu ao “Ardina do Alentejo” uma breve entrevista em que nos fez o balanço dos quase dois anos e meio que leva de mandato, olhou para dentro da CERCIEstremoz e falou sobre a Gala de comemoração do 40º aniversário da instituição, que se realiza no próximo Sábado, dia 27 de Fevereiro. 
 
Ardina do Alentejo - Que balanço faz destes quase dois anos e meio à frente dos destinos da CERCIEstremoz?
Jorge Canhoto - Tem sido um tempo de muito trabalho, mas muito gratificante. Muitas horas a auscultar pessoas e a agendar atividades, muitas horas a procurar soluções para que a instituição tenha a desejada sustentabilidade sem pôr em risco a qualidade do serviço prestado.

A CERCIESTREMOZ tem alguns desafios pela frente, alguns deles cujas soluções estão a ser planeadas no presente de forma a que os próximos anos dão sejam de instabilidade.
No geral pesadas todas as coisas o balanço é extremamente positivo e estimulante para duplicar os esforços, se tal for necessário, para procurar as alternativas que nos façam manter o rumo da qualidade, da prestação de serviços voltados para a comunidade e da nossa responsabilidade social, conjugando tudo isto com a sustentabilidade dos nossos serviços.
 
Ardina do Alentejo - A CERCIEstremoz está bem e recomenda-se?
Jorge Canhoto - A CERCIESTREMOZ é um desafio que se renova todos os dias. É uma instituição que vive angústias semelhantes a muitas outras suas congéneres, mas que tem encontrado as soluções necessárias de forma a prestar um serviço de qualidade em qualquer uma das suas respostas sociais. A CERCIESTREMOZ tem ma área de abrangência de 7 concelhos (Alandroal, Borba, Vila Viçosa, Redondo, Estremoz, Sousel e Fronteira) e tem ao seu serviço 52 pessoas que se distribuem por 6 respostas sociais, que prestam um serviço a muitas pessoas dos 0 aos 80 anos. Em termos diretos chegamos a 40 utentes no Centro de Atividades Ocupacionais (CAO), 16 no Lar Residência (LR), 60 na Intervenção Precoce (IP). O Centro de Qualificação e Emprego (CQE), divide-se entre a Formação Profissional, que dá formação a 55 formandos e o Centro de Recursos que acompanha, em termos de posto de trabalho e colocação pós-formação, todos os formandos que são integrados em empresas ou outras instituições para aperfeiçoamento das suas competências. O mesmo centro trabalha ainda no âmbito das ajudas técnicas. A CERCIESTREMOZ tem ainda o Centro de Recursos para a Inclusão (CRI) que presta apoio a 126 alunos com necessidades educativas que se distribuem pelos concelhos de Fronteira, Sousel, Estremoz, Borba e Redondo. Existe, ainda, Loja Social que apoia cerca de 70 famílias, em termos de roupas e alimentação.
Penso que todos estes dados são suficientes para que se possa verificar a vitalidade da instituição, pese embora, como já referi, algumas angústias, não deixamos de continuar a cumprir a nossa missão de Dignificar o cidadão com deficiência ou incapacidade, potenciado a sua autonomia, a qualidade de vida e a felicidade, construindo a ponte entre a família e a comunidade.
 
Ardina do Alentejo - Qual o objectivo da Gala que se vai realizar no próximo dia 27 de Fevereiro?
Jorge Canhoto - A Gala Comemorativa do 40.º Aniversário da CERCIESTREMOZ pretende-se que seja um momento de convívio e de regozijo pelos 40 anos de serviço ao cidadão com deficiência ou incapacidade. Pensamos que todos aqueles que iniciaram o sonho e todos aqueles que o tem operacionalizado merecem o nosso agradecimento, pelo que consideramos ser esta a data ideal para homenagear os fundadores e os funcionários com 25 ou mais anos de serviço na instituição.
Paralelamente com esta ideia queremos que seja um momento de agradável convívio entre todos aqueles que se quiserem juntar a esta festa de aniversário e também que seja um tónico para os próximos 40 anos de atividade.
 
Ardina do Alentejo - Que mensagem deixa a todos aqueles que vão ler esta breve entrevista?
Jorge Canhoto - A mensagem que gostaria de deixar a todos é a de que a CERCIESTREMOZ é uma instituição de portas sempre abertas, que procura inovar e prestar um serviço de qualidade e para tal precisamos de todos, quer seja com ideias ou com ajudas de outra natureza. Deixo também o convite para que nos visitem e possam verificar o trabalho que ali é desenvolvido, será sempre com o maior dos prazeres que recebemos todos.
Modificado em quarta, 24 fevereiro 2016 12:14
Estávamos no início do ano de 2008. Fernando e Carla Cardoso, profissionais desde sempre ligados à saúde visual, decidiram que esse seria o ano que iria mudar as suas vidas e lançaram-se num projecto a dois. Em Fevereiro surgia a Versão de Luz Óptica, estabelecimento óptico ligado ao Grupo Conselheiros da Visão.
 
No mês em que se assinalam oito anos desde que abriu portas na Rua D. Vasco da Gama, em Estremoz, a Versão de Luz Óptica, fomos ao encontro deste simpático casal de empresários, que, numa breve entrevista, fizeram o balanço desta aventura que iniciaram há oito anos, olharam para o presente do comércio local estremocense e perspectivaram o futuro. 
 
Ardina do Alentejo - Que balanço fazem destes oito anos de actividade da Versão de Luz Óptica?
Fernando e Carla Cardoso - O balanço que fazemos após estes oito anos é positivo. Apesar das dificuldades económicas, que de uma maneira geral todos sofremos, vamos conseguindo conquistar novos clientes e, o que é mais importante para nós, é tentar fidelizar ao máximo os clientes que até aqui tivemos. No nosso ramo, e numa cidade pequena como Estremoz, esse é o nosso objetivo principal... cada cliente ser transformado num amigo! E felizmente vamos conseguindo...
 
Ardina do Alentejo - Como é que olham para o comércio local numa cidade como Estremoz?
Fernando e Carla Cardoso - Olhamos com alguma preocupação... Está bastante desvirtuado, no entanto penso que se houver um pouco de investimento da parte, tanto dos comerciantes, como do Município, é possível reverter a situação, porque por todo o país há uma clara aposta em revitalizar o comércio tradicional e colocar de novo as pessoas a circular nas ruas e não em centros comerciais...
 
Ardina do Alentejo - E o futuro? Há novos projectos para desenvolver na Versão de Luz Óptica?
Fernando e Carla Cardoso - Projectos até há, mas é preciso que sejam reunidas determinadas condições para que os mesmos avancem... Esperamos que 2016/2017 sejam anos de virada e que, finalmente, nos incentive a avançar.
 
Ardina do Alentejo - Que mensagem deixam a quem for ler esta entrevista?
Fernando e Carla Cardoso - Deixo a mensagem que, no que respeita à saúde visual de cada um, devem escolher os profissionais e os estabelecimentos que melhor lhe transmitem conhecimento... Comprar óculos não é o mesmo que comprar roupa ou perfumes, envolve muita coisa de responsabilidade, e as pessoas têm que pensar bem na hora de decidir.
Não é certamente uma área onde apenas o preço possa ser critério de decisão mas, de qualquer forma, desejo os melhores sucessos a todos e a qualquer um que possa ler este testemunho.
 
Modificado em quinta, 04 fevereiro 2016 11:41
Aos 38 anos já percorreu o mundo inteiro a fazer aquilo que mais gosta: música! A mesma música que o fez integrar, ainda adolescente, a banda estremocense "Nova Era". Depois seguiu-se a saída de Estremoz e o ingresso na Escola de Música de Évora, em busca de um sonho. E concretizou-o! Hoje é músico profissional e participa em vários projectos. Acompanha, e apenas para lhe dar alguns exemplos, o "Rouxinol Faduncho" e a guitarra de Custódio Castelo.
 
Há cerca de um mês, lançou “Em Voz”, o seu segundo trabalho, onde o seu contrabaixo é figura de destaque.
 
“Ardina do Alentejo” esteve à conversa com Carlos Menezes. Estremoz, o seu mais recente trabalho discográfico, o seu percurso e os projectos foram alguns dos temas abordados. 
 
Ardina do Alentejo - Lançaste recentemente o teu segundo trabalho discográfico. Com que expectativas estás e como é que o mesmo tem sido recebido?
Carlos Menezes (CM) - Pensei que seria altura de mostrar a potencialidade de um instrumento de acompanhamento por natureza. O contrabaixo tem um papel muito importante na música, mas muitas vezes passa despercebido. Procurei mostrar uma outra voz deste instrumento. As pessoas têm reagido com alguma surpresa pois reconhecem as potencialidades do instrumento.
 
Ardina do Alentejo - Este "Em Voz" é um disco há muito desejado? E porque este título, sabendo-se que o contrabaixo é o elemento principal...? 
CM - Este disco tinha vindo a ser adiado por falta de tempo, mas chegou o momento de o contrabaixo ter um papel de cantor solista. Daí o título “Em Voz”.
 
Ardina do Alentejo - Saíste de Estremoz em 1991. O que é que tens feito, sabendo nós que a música te preenche os dias?
CM - Fui atrás de um sonho. O sonho tornou-se bem real. Depois de acabar a escola profissional de música Évora, comecei por tocar a convite de orquestras como músico convidado. Sempre toquei variados estilos e géneros musicais. 
Comecei a tocar fado há 15 anos e com este género já percorri uma grande parte do mundo. Toquei com alguns dos mais famosos cantores e músicos de quem destaco o Custódio Castelo Quarteto, no qual desempenho o papel de diretor musical.
Apesar de a vida de músico freelancer nem sempre ser fácil, não me posso queixar.
 
Ardina do Alentejo - Para além da promoção do teu "Em Voz", que projectos tens para o futuro?
CM - Vamos lançar o terceiro CD a solo do Custódio Castelo, onde toca também um dos melhores músicos que conheço, que por acaso também é de Estremoz, Rui Gonçalves. Vou gravar com o Carlos Leitão com a Mara e a Celina da Piedade.
E vou continuar com as viagens. Em Janeiro vou tocar 12 concertos na Áustria com a Joana Amendoeira, em Fevereiro vou à Suíça com o Rouxinol Faduncho, em Março vou a Israel com o Custódio, e em Abril vou à Coreia do Sul e China com a Mara.
 
Ardina do Alentejo - A quem vai ler esta tua entrevista, nomeadamente aqueles que contigo conviveram em Estremoz, que mensagem lhes deixas?
CM - Deixo a amizade e o respeito. Estremoz está sempre presente na minha música. Tive uma infância e adolescência muito feliz aqui. Tenho saudades desses grandes amigos que deixei nesta linda cidade.
 
Modificado em segunda, 09 novembro 2015 19:22
Foi no último dia do mês de Outubro, que Estremoz viu nascer um novo conceito de papelaria. A “Entre Números e Letras” situa-se nos Casais de Santa Maria, no Bairro de Mendeiros, e trata-se de uma papelaria tradicional, com a venda dos mais diversos materiais que convencionalmente se encontram numa papelaria, complementada por um amplo espaço de apoio escolar.
 
“Ardina do Alentejo” marcou presença no dia de inauguração e esteve à conversa com Andreia Galapito, a proprietária da “Entre Números e Letras”.
A entrevista foi feita por entre bruxinhas, duendes e vampiros, visto que o dia inaugural, para além da presença de muitos amigos da jovem empresária que a quiseram felicitar neste dia tão importante para si, foi marcado por uma muito animada “Halloween Party”.
 
Ardina do Alentejo - O que é a “Entre Números e Letras”?
Andreia Galapito (AG) - “Entre Números e Letras” é um espaço de papelaria e apoio escolar. Além de uma grande variedade de artigos de papelaria, temos um espaço dedicado a crianças em idade escolar, a partir do pré-escolar, onde desenvolvemos ateliês variados, apoio ao estudo e explicações.
 
Ardina do Alentejo - Como é que surgiu esta ideia de negócio?
AG - Esta ideia surge como uma forma de chegar ao público a que se tem dedicado o meu trabalho, as crianças, podendo dar um acompanhamento complementar à escola, desde os materiais que possam precisar para uso diário na mesma até a actividades que complementem o seu percurso educativo e fomentar o seu gosto pelo estudo através de uma vertente mais lúdica.
 
Ardina do Alentejo - Quantos postos de trabalho vão ser criados?
AG - Para além do meu, vão ser criados mais dois postos de trabalho.
 
Ardina do Alentejo - Porquê no Bairro de Mendeiros?
AG - O Bairro de Mendeiros, além de estar perto de algumas escolas, é também um local calmo e onde existem muitas crianças. Embora não seja o centro da cidade não deixa de ser um bom local para desenvolver este tipo de actividade, possibilitando aos moradores uma proximidade a artigos que possam necessitar.
 
Ardina do Alentejo - A todos aqueles que forem ler esta entrevista, que mensagem lhes deixas?
AG - A todos os que forem ler esta entrevista deixo um convite para virem visitar o nosso espaço e ficarem a conhecer os artigos que temos disponíveis e as actividades que vamos desenvolvendo.
 
Está assim feito o convite para visitar a “Entre Números e Letras”, papelaria aberta ao público, de segunda a sexta-feira em horário alargado, das 8 às 20.30 horas, e aos sábados, no período da manhã, entre as 9.30 e as 13 horas.
 
Modificado em segunda, 09 novembro 2015 19:07
Desde a passada segunda-feira, 17 de Agosto, que estão abertas as inscrições para o Externato D. Quixote, estabelecimento de ensino localizado na Rua General Norton de Matos, em Estremoz, nas antigas instalações da Casa Catela.
 
Teresa Russo, directora da instituição inaugurada em Abril e que surge como uma revitalização do anterior projecto, o Colégio “Os Traquinas”, concedeu ao “Ardina do Alentejo” uma breve entrevista onde fala da concretização de um sonho, do investimento realizado, dos objectivos e do futuro. 
 
As inscrições para o Externato D. Quixote encerram a 31 de Agosto.
 
Ardina do Alentejo - Com a inauguração do "D. Quixote", está o sonho concretizado?
Teresa Russo (TR) - Ainda há um caminho a percorrer para considerar este sonho como concretizado, mas parte dele sim já consegui.
 
Ardina do Alentejo - Um investimento de quase 200 mil euros numa altura de crise e de dificuldades, não é um risco?
TR - Para este investimento espero poder contar com o apoio de uma candidatura ao PRODER, que ainda está em curso, já deveria ter terminado, mas infelizmente e devido a vontades alheias acabou por demorar um pouco mais. Com este apoio poderei minimizar esse risco e quando me submeti ao projeto foi com essa promessa, não contava era encontrar tanto entrave, quando tudo estava dentro do que seria considerado normal.
 

Os objectivos do D. Quixote passam por ir de encontro às necessidades das famílias, utilizando métodos e técnicas de rigor e qualidade acima de tudo.

 Ardina do Alentejo - O "D. Quixote" tem quantas crianças inscritas e quantas funcionárias?
TR - O D. Quixote para já contará com cerca de 60 crianças, que poderão aumentar após a abertura de novas inscrições e 8 funcionárias.
 
Ardina do Alentejo - Quais são os principais objectivos do "D. Quixote"?
TR - Os objectivos do D. Quixote passam por ir de encontro às necessidades das famílias, utilizando métodos e técnicas de rigor e qualidade acima de tudo.
 
Ardina do Alentejo - Até onde achas que pode chegar este teu projecto?
TR - Este projeto irá até onde me deixarem ir. Tem sido um caminho difícil de percorrer, com muitos obstáculos em todo o processo, o que me entristece um pouco, pois parece que quem quer trabalhar acaba por ser penalizado e não merece o devido valor e apoio que esperava encontrar. Mas considero-me uma pessoa forte, determinada e persistente e por isso cheguei até aqui e espero poder chegar ainda mais longe, não pela ambição do dinheiro, mas sim por prazer naquilo que faço.
 
Ardina do Alentejo - Que mensagem queres deixar a todos quantos lerem esta tua entrevista?
TR - Quero agradecer a confiança que as famílias têm depositado em nós e no nosso trabalho, são elas que nos dão forças e quero dizer que, apesar de tudo o que já sofri com este projeto, não vou desistir. Quando me licenciei sabia o que queria, este era o meu grande sonho, as crianças são a maior riqueza que nós temos no mundo e por elas irei até onde for necessário.
 
Modificado em quarta, 19 agosto 2015 13:05
Na semana em que se ficou a saber que voltaria a tourear na praça da sua terra natal, o cavaleiro tauromáquico estremocense Francisco Cortes concedeu ao “Ardina do Alentejo” a sua primeira grande entrevista sobre essa matéria. Mas a conversa foi mais além da corrida de 5 de Setembro. O balanço dos 20 anos de alternativa, os objectivos ainda por concretizar, a possibilidade de marcar presença no Campo Pequeno ainda esta temporada, e o porquê de não aparecer em mais cartéis foram alguns dos temas abordados em mais um “À Mesa das Servas”, o espaço nobre de entrevistas do “Ardina do Alentejo”, que conta com a especial, e muito saborosa, colaboração do restaurante “Herdade das Servas”.
 
Ardina do Alentejo - Que balanço fazes destes teus 20 anos de alternativa como cavaleiro tauromáquico?
Francisco Cortes - O balanço para mim é extremamente positivo, porque quando sonhei em ser cavaleiro tauromáquico, sonhava em poder vir a ser profissional da tauromaquia e poder viver da minha actividade, e felizmente consegui atingir esse objectivo.
É claro que ficaram alguns objectivos por cumprir porque em determinados momentos da minha carreira dei privilégio, ou tornei como prioridade se preferirem, em ter uma vida mais sólida e tendo uma família para criar tive que prescindir de alguns dos meus melhores cavalos para fazer face ao dia-a-dia e isso indubitavelmente prejudicou-me artisticamente. 
A actividade tauromáquica, enquanto cavaleiro tauromáquico, é bastante dispendiosa e não é fácil conseguirmos viver só desta actividade e muitas vezes temos de encontrar outros recursos para poder seguir em frente.
Estou feliz porque ao longo destes 20 anos consegui uma postura de verticalidade, seriedade e honestidade que me mantém as portas abertas em qualquer sítio da tauromaquia. Para mim é das coisas mais importantes que podemos ter é um nome limpo e respeitado, e isso eu consegui.

Há objectivos por cumprir mas isso até é bom porque nos continua a fazer lutar cada dia mais e mantém as nossas ilusões e expectativas em alta.
 
Ardina do Alentejo - Quais é que são esses objectivos que te faltam concretizar?
FC - Os objectivos passam por conseguir singrar mais ainda na parte tauromáquica. Sinceramente, e sem fugir à questão, é tentar alcançar uma posição de maior destaque no panorama tauromáquico, não só em Portugal, mas também a nível internacional.
Penso que podia ter alcançado mais rapidamente esse patamar se não tivesse prescindido de alguns dos meus melhores cavalos ao longo destes anos. Algumas das quadras das nossas primeiras figuras são constituídas por um ou dois cavalos que fui eu que coloquei a tourear.
Sou muito aficionado ao cavalo e dedico-me a preparar os cavalos logo desde poldros até eles terem um alto nível. Muitos desses cavalos que consegui colocar com esse alto nível acabei por os dispensar a colegas meus que têm singrado com eles nas arenas, o que também me deixa muito feliz. É mais uma forma de me sentir realizado.
Apesar de que com isso não estou com o destaque que gostaria de ter estado, mas assumo que fiz uma opção pelo bem-estar da minha família e por esta postura de seriedade e de verticalidade que me orgulho de ter, e que é apanágio de toda a minha família.
Sinto-me feliz com a minha trajectória. Podia ter tido uma maior dimensão, mas teve a que teve, e estou orgulhoso do meu percurso.
 
Ardina do Alentejo - Achas que podias ter aparecido em mais cartéis? Podias ter toureado mais ao longo destes 20 anos? Tens condições para isso?
FC - Acho que sim e por muitas razões. Primeiro porque, conforme já disse, tenho tido a capacidade de colocar os cavalos a um alto nível, cavalos que depois vejo a brilhar com os meus colegas ao mesmo nível que brilhavam comigo. Isso é um indicador que tenho capacidade para preparar bem os cavalos e depois explorar as suas capacidades dentro da praça.
É acima de tudo difícil manter uma estrutura. Temos que manter uma quadra com 10 ou 12 cavalos, tourear vacas, manter uma pessoa que nos ajude, rações, veterinários, camiões de cavalos… É uma estrutura muito pesada que muito poucos conseguem aguentar só com a tauromaquia.
Infelizmente não tive a habilidade que outros têm para encontrar alguns patrocinadores ou padrinhos que os ajudam e que lhes permitem fazer outro tipo de extravagâncias. Gosto de passar os meus dias, de manhã à noite, dedicado aos cavalos. Sobra-me pouco tempo para dedicar-me a tentar encontrar esse tipo de situações.
 

Sinto que a carreira que fiz até aqui foi toda ela graças ao meu esforço e à minha dedicação. Estou muito feliz porque tem sido uma carreira digna, séria.

 
Sinto que a carreira que fiz até aqui foi toda ela graças ao meu esforço e à minha dedicação. Estou muito feliz porque tem sido uma carreira digna, séria. É claro que me sinto capaz, porque quando toureio com todos os outros meus colegas tenho um nível semelhante a eles. Ainda no ano passado, e a título de exemplo, ganhei o prémio para a melhor lide em Portalegre, numa corrida com seis cavaleiros, dos principais do nosso país, e isso é o exemplo de que estou à altura deles. Naquela noite, e graça a Deus, até tive superior a eles, daí ter ganho o prémio.     
Não me sinto de forma nenhuma inferiorizado, antes pelo contrário. E sem me querer colocar em bicos dos pés, eu “fabrico” os meus próprios cavalos, ainda vendo alguns, e consigo manter um determinado nível. A maior parte dos meus colegas não só não vendem, como ainda compram, e o nível que eles conseguem muitas vezes é semelhante ao meu. Não tenho razões para me sentir inferior a eles. E como já disse, eu tenho conseguido ser profissional da tauromaquia, enquanto que a maior parte deles, a grande, a larga, a larguíssima maioria dos meus colegas não vivem só da tauromaquia, tendo outras actividades que lhe permita fazer face às despesas que têm.
 
Ardina do Alentejo - Olhando para trás, qual foi a tua melhor lide até hoje?
FC - Isso é muito complicado responder. As lides têm várias condicionantes, tem o toiro, tem o cavalo, tem nós próprios… Posso dizer-te que há corridas que me marcaram pela sua envolvência, como foi a última corrida que o meu pai toureou cá em Estremoz, numa praça desmontável, numa altura em que a praça estava em obras. Foi o último toiro que o meu pai toureou em público, e estavam presentes as grandes figuras como o Álvaro Domecq, o Gerald Perroin, o José Samuel Lupi, o Emídio Pinto, o Paulo Caetano, o Rui Fernandes e o João Ribeiro Telles. A corrida a mim correu-me bastante bem, mas para além da parte da minha lide, teve toda aquela envolvência de ser a última corrida do meu pai, de ser em Estremoz, na minha terra, e essa é uma corrida inesquecível para mim.
 
Ardina do Alentejo - Está resolvido o diferendo com o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz. Como é que tudo ficou resolvido, se é que nos podes dizer…
FC - Foi um episódio dos mais desagradáveis da minha carreira. E preferia nem sequer… Acho que a vida se faz de olharmos para a frente e para o futuro e não estarmos a olhar para trás, e para quem teve razão, e o que é que se passou e estar agora a esmiuçar.
 
Ardina do Alentejo - Foi um diferendo que não foi bom para ninguém…
FC - Penso que não foi bom para ninguém e não vale a pena estarmos agora a atribuir culpas a uns e a outros, e estarmos a olhar para trás. A vida faz-se de presente e futuro. Penso que as coisas estejam resolvidas e fico feliz por isso porque me prejudicou bastante. Acho que é bom para todos a resolução do diferendo. Não vale a pena estarmos a esmiuçar um passado, um passado desagradável, um passado que não trouxe nada de bom para ninguém, e espero que o futuro seja muito mais risonho do que este passado de dois ou três anos.
 
Ardina do Alentejo - Resolvido que está este diferendo, regressas dia 5 de Setembro, à praça de touros da tua terra. Com que expectativas estás para essa corrida de comemoração dos 20 anos de alternativa?
FC - Até me faltam as palavras para descrever esse momento que chegará. A praça de touros de Estremoz faz parte de mim. O meu pai foi muitos anos empresário da praça. Toureámos lá centenas de vacas, treinámos lá centenas de horas, na minha meninice. Era uma parte importante da minha vida. Nunca mais pisei a sua arena, nunca mais percorri as suas instalações… No fundo, foi ali que nasceram tantos dos meus sonhos. Será um dia que eu quero cuidar cada pormenor ao extremo, para que o dia possa ser de acordo com a expectativa que eu criei, ainda para mais agravado por esta ausência. 
Há 14 anos que não toureio naquela praça e era uma coisa que eu desejava muitíssimo. Toda a minha família esteve ligada à praça. O meu avô foi empresário da praça e toureou naquela praça, o meu pai foi empresário da praça e toureou lá, fez na praça de touros de Estremoz as comemorações dos seus 25 anos de alternativa, fez lá a sua despedida. Todas as datas importantes o meu pai comemorou na praça de Estremoz e eu tinha esta espinha atravessada na garganta o facto de não poder participar nas corridas lá, e agora estou muito feliz de o poder fazer, ainda por cima numa data tão importante para mim. Vou comemorar os meus 20 anos de alternativa no local onde tinham de ser comemorados.
 
Ardina do Alentejo - Ainda antes dessa corrida de Estremoz, há Tomar e Terrugem…
Francisco Cortes - E tenho mais algumas… Este ano até tenho uma agenda com alguma intensidade, sobretudo agora em Agosto e Setembro. Toureio em Tomar, depois na Terrugem, depois dia 15, na Idanha-a-Nova, dia 16 na Figueira da Foz, e provavelmente dia 21 em Viana do Castelo. Depois de Estremoz, irei dia 12 de Setembro, a Moura, depois irei às Caldas da Rainha, e no princípio de Outubro, a Santarém.
Há ainda a possibilidade de na última corrida da temporada do Campo Pequeno, a 1 de Outubro, uma corrida que será televisionada, e que se for de seis cavaleiros, eu também irei.
E eventualmente poderão ainda aparecer outras datas. Estou contente com a minha agenda porque hoje em dia a tauromaquia move muitos interesses, e há muita gente que não olha a meios para atingir os seus fins e eu mantenho a minha ética e as pessoas reconheceram isso, reconhecem-me algum valor e estão a dar-me a possibilidade de actuar em determinadas corridas e em praças importantes, o que me deixa muito feliz.
Quando foi da apresentação da minha quadra de cavalos, tu e o José Lameiras perguntaram-me o que é que eu esperava desta temporada e eu disse que esperava desfrutar de cada momento e de estar sem ansiedades. E é precisamente isso que está a acontecer. As coisas têm surgido naturalmente. Também tem havido um trabalho importante por parte do meu apoderado, o Sr. Fernando do Canto, que tem acreditado em mim, e que se tem disponibilizado para trabalhar, provavelmente uma das lacunas da minha carreira, a falta desse trabalho de fundo por parte de um apoderado. 
 

Há ainda a possibilidade de na última corrida da temporada do Campo Pequeno, a 1 de Outubro, uma corrida que será televisionada, e que se for de seis cavaleiros, eu também irei.

 
Ardina do Alentejo - Qual era para ti o cartel de sonho em que gostavas de estar presente?
FC - O cartel de sonho penso que será este que se prevê para Estremoz. O João Moura, que para além de ser um amigo de toda a vida e de existir uma ligação familiar muito forte, eu desde pequeno que me habituei a admirá-lo, a vê-lo como o ídolo de várias gerações e provavelmente por ser o melhor cavaleiro da história da tauromaquia em Portugal. É uma pessoa que por todo o seu historial é muito relevante a sua presença neste cartel.
O António Ribeiro Telles, para além da ligação familiar que nos une desde sempre, desde o tempo do meu avô e do Mestre David Ribeiro Telles, é um expoente máximo da nossa tauromaquia, e da forma portuguesa de tourear. Será provavelmente aquele que mais defende as nossas tradições.
Dificilmente seria um cartel mais do meu agrado. 
 
Ardina do Alentejo - Existe alguma expectativa no ar de ver o teu pai, José Maldonado Cortes, nas cortesias da corrida do próximo dia 5 de Setembro, em Estremoz. Vai ser uma realidade?
FC - O meu pai está um pouco apreensivo em relação a essa situação, por todas as polémicas que aconteceram, em relação à reinauguração da praça de Estremoz… e isso levou a que houvesse uma certa hesitação por parte do meu pai em relação a esta sua participação.
Ele foi convidado e para mim seria indescritível o prazer que me daria, voltar a vê-lo vestido de toureiro e a fazer as cortesias num dia tão especial para mim. O estar dentro da arena comigo, acompanhar-me a fazer as cortesias, seria uma forma de ele manifestar solidariedade e apoio para comigo.
Mas por outro lado eu entendo que o meu pai também não esteja a querer ser interpretado de outra forma com esta sua presença. Eu espero que ele acabe por entender que será uma homenagem que me fará e que me deixaria extremamente feliz porque foi a pessoa que ao longo de toda a minha carreira, sempre esteve a meu lado, em todos os momentos, nos bons e nos maus, e sobretudo nos maus, porque nos bons é mais fácil termos as pessoas ao nosso lado. Naqueles momentos em que as coisas nos correm mal, em que as pessoas não acreditam e em que toda a gente diz mal, ele foi a única pessoa que me apoiou e sempre acreditou em mim, e obviamente que é a pessoa que eu mais gostaria que de ter ao meu lado nesse dia. Espero que seja possível e que ele também se sinta desejado nesse dia, que sinta que as pessoas querem e gostam que ele lá esteja.
 
Ardina do Alentejo - A quem for ler esta entrevista que mensagem lhes deixas, quer sejam aficionados ou não?
FC - Para os não aficionados, uma palavra de respeito para eles, sobretudo se tiverem algum conhecimento do que é a tauromaquia. Se não tiverem sugiro que tentem perceber e aproximarem-se um pouco mais da tauromaquia e depois criarem a sua própria opinião.
Para os aficionados, e sobretudo para os de Estremoz e da região, a mensagem que lhes deixo era que se associassem a esta corrida dos meus 20 anos de alternativa. Não posso solicitar pessoalmente a presença de todos e o vosso apoio nesse dia, mas gostaria que percebessem o quão importante seria para mim, que todos os meus amigos e as pessoas que desde pequeno me conhecem, poderem partilhar esse dia tão especial e importante para mim.
Que entre todos nós façamos um dia inesquecível. O público também faz uma corrida de touros, não são só os cavalos, os touros e os toureiros.
Seria a cereja no topo do bolo poder contar com o vosso calor humano ao meu redor.
 
Os Sabores das Servas
Mais uma vez, a equipa do "Ardina do Alentejo" e o nosso convidado comprovaram que o profissionalismo dos irmãos Baía e de toda a sua equipa são merecedores de cinco estrelas. Esta foi a nossa ementa. 
Entradas: Pão, Presunto fatiado, Sonhos de Farinheira (Paparatos), Manteiga e Manteiga de Farinheira
Pratos Principais: Rosbife, Bacalhau à Servas e Salmão Folhado
Sobremesas: Gelado com Molho de Chocolate, Sortido de Doces (Pudim das Servas, Encharcada, Maravilha de Chocolate e Pudim de Ovos)  
Vinho: Monte das Servas Branco 2014
 
 
Modificado em terça, 04 agosto 2015 14:25