domingo, 03 julho 2022

Na tarde do passado sábado, a equipa de juniores do Clube Futebol de Estremoz sagrou-se Campeã Distrital de futebol, depois de ter empatado a duas bolas no Campo João Figueiredo, em Vila Viçosa, diante da formação local, o Calipolense.
 
Com este empate, os comandados de Hélder Aldeagas terminaram o Campeonato Distrital de Juniores da Associação de Futebol de Évora na 1ª posição, com 52 pontos, sendo a equipa com melhor ataque da competição, com 85 golos apontados, e a defesa menos batida, tendo consentido apenas 19 tentos.
 
Com a conquista deste título, os juniores do CF Estremoz colocaram um ponto final num período de 26 anos sem qualquer título do clube encarnado e negro nos escalões de formação.
 
Depois de ter sido o último treinador da equipa sénior do CF Estremoz, Hélder Aldeagas aceitou o convite para liderar a equipa de juniores do clube estremocense, tendo conduzido esta “nau a bom porto”. O convite que recebeu, o intenso campeonato distrital, os seus jogadores, as dificuldades encontradas, e o futuro, foram alguns dos temas abordados nesta breve conversa com o Ardina do Alentejo.
 
Ardina do Alentejo – Quando foste convidado para assumir o cargo de técnico principal da equipa de Juniores do CF Estremoz, sabias que o desfecho podia ser este, o de serem Campeões Distritais? Já tinhas essa percepção?
Hélder Aldeagas (HA)  Este convite surge na altura em que começa a despontar o Covid. Nessa altura, o plantel dos juniores era constituído também por outros atletas, mas a grande maioria já eram estes que agora se sagraram campeões. Já nessa altura, e após ter assistido a um jogo da equipa, ainda no escalão de juvenis, eu disse, mesmo não conhecendo as outras equipas: “Na minha opinião, têm todas as condições para poderem vir a ser campeões. Está aqui uma equipa recheada de diamantes para lapidar”, frase que me tinha sido endereçada por um colega e grande amigo, que já tinha tido o privilégio de trabalhar com eles.
 

É uma equipa recheada de valores, muito equilibrada. Na minha opinião, alguns deveriam estar em patamares com outra dimensão, mas a nossa realidade, vivendo no interior, por vezes pode dificultar uma possível ascensão na carreira futebolística de alguns destes jovens.

 
Ardina do Alentejo – Esta equipa tem muitos e bons talentos…
HA – É uma equipa recheada de valores, muito equilibrada. Valores onde, na minha opinião, alguns deveriam estar em patamares com outra dimensão, mas a nossa realidade, vivendo no interior, por vezes pode dificultar uma possível ascensão na carreira futebolística de alguns destes jovens. Muito embora as coisas tivessem melhorado, ainda não foi o suficiente. Continua-se a depender muito da disponibilidade dos pais, e são poucos aqueles que conseguem tempo e disponibilidade financeira para ajudar os filhos a alimentar os seus sonhos neste mundo.
 
Ardina do Alentejo – 26 anos depois, o CFE volta a conquistar um título de Campeão Distrital na formação… Quais foram as grandes dificuldades que encontraste até chegares a este título?
HA – As dificuldades foram imensas, mas não acho conveniente estar agora aqui a enumerar… pertencem ao passado. Aquilo que se pretendia foi conseguido. Agora é olhar para o trajecto percorrido e encontrar as respostas para melhorar, até porque aquilo para onde a equipa de juniores do Clube Futebol de Estremoz vai é bastante exigente.
Mas permite-me que te diga que foram todas essas dificuldades que fizeram com que esta conquista tivesse um sabor ainda mais especial, ao ponto de se tornar extremamente delicioso. Nós, desde o início, criámos um slogan, que sempre que havia uma daquelas dificuldades que parecia deitar tudo a perder, agarrávamos a essa frase e, era essa frase que nos dava força, motivação e confiança para continuar a trabalhar e a acreditar que era possível: SE FOSSE FÁCIL, NÃO ERA PARA NÓS!
 

Posso adiantar que já tive conhecimento por parte de elementos da secção e do Município de Estremoz, que a ida da equipa júnior aos nacionais é uma realidade.

 
Ardina do Alentejo – E o futuro? O que é que vai acontecer a estes jovens? A participação no Nacional ou a integração na equipa sénior do CFE? Já houve conversas sobre isso?
HA – Em relação ao futuro destes jovens, ainda não te consigo dizer nada em concreto. São questões para as quais as pessoas responsáveis têm que se sentar, debater e analisar pormenorizadamente como fazer para salvaguardar, em primeiro lugar, a conquista destes jovens, e claro, os interesses do clube. Posso adiantar que já tive conhecimento da parte de elementos da secção e do Município de Estremoz, que a ida da equipa júnior aos nacionais é uma realidade. Em relação a avançar com a equipa sénior, também parece estar nos seus horizontes.
 
Ardina do Alentejo – Certamente que há agradecimentos a fazer… O sucesso não é sempre de um homem só…
HA – Claro que sim. Em primeiro lugar, aqueles que foram os meus dois pilares: a minha esposa e a minha filha, pois foram as pessoas que mais sofreram e me apoiaram nesta batalha.
Depois, aquele que fez das tripas coração, aquele que se multiplicou, aquele que se superou, aquele que sempre acreditou que isto era possível: Jorge Fonseca.
Depois, aquelas duas pessoas que com grandes dificuldades, por motivos profissionais e familiares, nunca deixaram de estar ao meu lado, sacrificando por vezes os seus e a vida profissional: Bernardo Candeias e Nuno Coelho.
As outras duas pessoas da secção que, mesmo não sendo de uma forma directa, porque tinham também as suas equipas, sempre que foi necessário disseram presente: Gonçalo Calquinhas e Ernesto Pardal.
A todos os pais que se dispuseram a prestar o seu contributo e apoio sempre que necessário. Não vou citar nomes porque as pessoas em questão sabem precisamente a quem me refiro. O meu muito obrigado, de coração… Ao Município de Estremoz, pela disponibilidade no apoio que demonstrou naquelas que foram as necessidades da equipa… Ao nosso roupeiro… A todas as empresas e particulares que contribuíram com patrocínios… Aos sócios e simpatizantes no apoio e motivação dado, em especial à pequena claque que sempre nos acompanhou, liderada pela nº. 1…
Por último, aqueles que foram os principais obreiros desta conquista: os nossos atletas. Pela entrega, empenho e dedicação que colocaram a esta causa, mostrando logo desde o início que estavam ali para ser campeões, responsabilizando-se, sacrificando-se e trabalhando arduamente na procura do objectivo que viriam a alcançar.
Modificado em quinta, 19 maio 2022 11:49

O centenário Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, recebeu na noite da passada quarta-feira, dia 20 de Abril, a gravação do programa “Terra Nossa”, programa de sucesso emitido pela SIC e conduzido pelo actor e humorista César Mourão.
 
A mais emblemática sala de espectáculos do concelho de Estremoz esgotou a sua lotação, tendo a procura de ingressos suplantado, em larga escala, a oferta de bilhetes. 
 
Durante vários dias, a equipa de produção do programa da estação de Paço de Arcos, marcou presença na cidade branca do Alentejo, tendo entrevistado vários estremocenses e recolhido imagens das suas ruas, do seu casario e das suas gentes.
 
No final da gravação do programa, o segundo da nova temporada, e que ainda não tem data prevista de emissão, Ardina do Alentejo esteve à conversa com César Mourão, que nos falou de Estremoz e da sua gastronomia, do “Terra Nossa” e dos projectos futuros.
 
Ardina do Alentejo – Que balanço faz deste Terra Nossa em Estremoz?
César Mourão (CM) – O balanço que eu posso fazer é que me deu muita vontade de voltar a Estremoz! Devo dizer que não conhecia Estremoz, acho que já tinha passado, estilo “en passant”, mas não conhecia. E já toda a gente me falava de Estremoz, porque para além de se comer muitíssimo bem, é realmente uma cidade alentejana muito bonita e deu-me muita vontade de voltar. O balanço é muito positivo e realmente não me canso de enumerar as vezes que comi bem em Estremoz.
 

Estremoz cativou-nos também pela simplicidade das pessoas, pela humildade das pessoas, e eu digo simples de uma forma construtiva. A simplicidade de nos dizerem duas ou três palavras que nos aquecem o coração e a alma e isso foi muito bom. Fui muito bem recebido, e adorámos todos vir a Estremoz. Temos que repetir, não só para trabalhar, mas também para lazer.

Ardina do Alentejo – É quase unânime, quer falando com os elementos da produção do programa, quer agora falando com o César, que “foi pela boca” que Estremoz vos cativou…
CM – O nosso país é muito conhecido por raramente se comer mal, mas em Estremoz come-se muito acima da média. Cativou-nos por aí, mas também pela simplicidade das pessoas, pela humildade das pessoas, e eu digo simples de uma forma construtiva. A simplicidade de nos dizerem duas ou três palavras que nos aquecem o coração e a alma e isso foi muito bom. Fui muito bem recebido, e adorámos todos vir a Estremoz. Temos que repetir, não só para trabalhar, mas também para lazer.
 
Ardina do Alentejo – Iniciaram-se recentemente as gravações de mais uma temporada de “Terra Nossa”… É um programa feito à sua medida?
César Mourão – Não tenho programas feitos à minha medida. Eu acho que os programas são os programas e nós temos que nos adaptar a eles. Parece um bocadinho cliché dizer que gosto de desafios, mas gosto realmente. E é claro que há programas que nos assentam mais que outros. E este, ao início, eu nem sequer era para fazê-lo. Eu tive para recusar este programa a dizer que achava que não era bem a minha onda, a minha maneira de ser, andar na rua a falar e a meter-me com as pessoas, que não tinha essa lata. E de repente é um programa que tem muito sucesso, muitas audiências e um programa que nos diverte imenso.
Mas este é um programa que tem de ser feito com a equipa certa, e nós conseguimos construir a equipa certa. A equipa é muito coesa, onde raramente muda uma pessoa, porque nós tentamos que sejam sempre as mesmas pessoas, porque viajamos muitas horas juntos, estamos muitos dias longe das nossas famílias, todos nós, e temos de nos dar bem e sermos coesos. Temos igualmente o cuidado de para além de estarmos a trabalhar, de nos mimarmos também. Não vamos comer a qualquer sítio, não dormimos em qualquer sítio. Temos esse cuidado e isso faz também o sucesso deste programa, porque faz com que a equipa esteja mais motivada, mais alegre, mais divertida, e isso depois reflecte-se no programa.
 
Ardina do Alentejo – Além do “Terra Nossa”, que outros projectos tem o César na manga?
CM – Eu tenho uma produtora recente, que é a 313. Vamos agora começar a filmar, e eu não sou nem actor, nem realizador, mas sou produtor e também escrevi, estou na génese da série. Não tem nada a ver com humor, é um serial killer que estará depois disponível na OPTO. Acabei de realizar, e interpretar, uma série de comédia que se chama “Volto Já”, que também vai estrear em breve na OPTO e depois na SIC generalista e que me deu muito gozo fazer.
 
Ardina do Alentejo – A ficção nacional está em alta?
CM – Está, isso sim. E com muita ajuda das plataformas e do streaming, onde a OPTO teve muita coragem e deu esse passo do streaming em Portugal, tendo depois a Netflix, a HBO, a Amazon, as plataformas que nós conhecemos, começaram a espreitar-nos e nós começámos a ter de fazer com dedicação, profissionalismo e a fazer bem. E acho que a ficção em Portugal está no caminho de fazer bem mais e melhor.
 
 
 
Modificado em domingo, 24 abril 2022 11:43

Tendo como ponto de partida os 100 dias da sua governação à frente dos destinos da autarquia, o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, concedeu ao Ardina do Alentejo uma grande entrevista.

 
A oposição, os funcionários da Câmara Municipal, o orçamento da autarquia para 2022, os projectos e os eventos foram alguns dos temas abordados, numa entrevista conduzida por Pedro Soeiro, com recolha de imagens de Ivo Moreira, e que contou com o apoio do Howard’s Folly Restaurante.
 
No dia de hoje apresentamos, em vídeo, a última parte desta grande entrevista, onde o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz fala das próximas obras no concelho e dos grandes eventos que vão acontecer, para além de dirigir uma mensagem aos estremocenses e a todos quantos habitam neste concelho e também a todos aqueles que o visitam.
 
A EMENTA
Esta foi uma entrevista, uma conversa, uma partilha de ideias, efectuada num espaço nobre da restauração em Estremoz, o Howard’s Folly Restaurante.
 
Para início de repasto, e para além do “Couvert”, composto por pão alentejano, prova de azeite, azeitonas temperadas e manteiga aromatizada, degustámos a “Alheira Alentejana”, croquetes de alheira de porco preto, servidos com ketchup caseiro fumado, e “As nossas Batatas”, gomos de batata frita, cheddar, cebola frita, barriga de porco fumada e azeite de trufa, tudo regado com um Reserva Branco 2019.
 
Como prato principal, superiormente confeccionado pela equipa do Chef Hugo Bernardo, saboreámos o “Novilho”, naco de vazia Angus grelhado, redução de vinagre balsâmico, queijo de ovelha curado, coentros e cebola frita, e ainda o “Bacalhau Dourado”, bacalhau fresco, ovo a baixa temperatura, batata palha, ouro e pó de azeitona. Como vinho do prato principal, a equipa do Howard’s Folly Restaurante seleccionou um Winemaker’s Choice 2013 tinto.
 
Esta divina refeição tinha tudo para terminar em grande. E terminou. Como sobremesas seleccionámos a Tarte de Limão, merengue, pó de azeitona e gelado de mel, e a escolha presidencial recaiu no doce da sua eleição: Abóbora, maracujá, abóbora fresca, gelado de canela e crumble de frutos secos.
 
Muito obrigado pela recepção e pela simpatia.
 
 
 

Modificado em quinta, 10 fevereiro 2022 16:45

 

Tendo como ponto de partida os 100 dias da sua governação à frente dos destinos da autarquia, o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, concedeu ao Ardina do Alentejo uma grande entrevista.
 
A oposição, os funcionários da Câmara Municipal, o orçamento da autarquia para 2022, os projectos e os eventos foram alguns dos temas abordados, numa entrevista conduzida por Pedro Soeiro, com recolha de imagens de Ivo Moreira, e que contou com o apoio do Howard’s Folly Restaurante.
 
Na manhã desta quarta-feira apresentamos a penúltima série de respostas de José Daniel Sádio às perguntas efectuadas pela equipa de reportagem do Ardina do Alentejo. 
 
Ardina do Alentejo - É um Presidente que fala muito nos funcionários da autarquia e no trabalho por estes desenvolvido. É um virar de página na relação com os funcionários? É o finalizar da típica "Caça às Bruxas" e trabalharmos todos para o mesmo lado? 
 José Daniel Sádio -
Pedro, essa é uma pergunta que faz sentido.
 

Eu sinto que somos três eleitos numa mola humana de 400 pessoas. Nós não somos mais importantes que ninguém. Nós temos competências, temos um projecto para desenvolver, mas ninguém faz nada sem os outros. Não tem a ver se eu gosto mais, se eu gosto menos. Temos de nos respeitar, profissionalmente e humanamente, e fazer o melhor trabalho

Tenho um trajecto, em termos de autarquia, de duas décadas. De relembrar que estive três mandatos na Assembleia Municipal e dois mandatos enquanto vereador da oposição, e houve muitas questões que iam sendo sinalizadas e nas quais eu nunca me revi, e sempre as contestei, porque eu só vejo o exercício do cargo de Presidente de Câmara numa vertente: lutar pelo bem comum e cumprir com a missão de serviço público, sermos uma boa Câmara, prestar um bom serviço e criar condições para que o nosso concelho seja sustentável e as pessoas vivam cada vez melhor.
Logo, qualquer tipo de lógica pessoalizada, persecutória, egocêntrica não tem qualquer tipo de cabimento, não tem qualquer tipo de aceitação num projecto de mudança, seja ele qual for.
 
Quando cheguei, logo na primeira semana, quando reuni com todos os funcionários, expliquei de uma forma muito sincera aquilo que me move. Eu sinto que somos três eleitos numa mola humana de 400 pessoas. Nós não somos mais importantes que ninguém. Nós temos competências, temos um projecto para desenvolver, mas ninguém faz nada sem os outros. Não tem a ver se eu gosto mais, se eu gosto menos. Temos de nos respeitar, profissionalmente e humanamente, e fazer o melhor trabalho.
 
Aquelas lógicas que o Pedro referiu, que eu percebo, e que lamento, são lógicas que não podem entrar numa gestão de qualquer instituição, de qualquer empresa, de qualquer associação. Não me revejo.
Apenas dizer que aquilo que me move é o bem comum e eu sou só um entre 400. Todos temos que trabalhar uns com os outros e todos temos de ser profissionais e responsáveis. Como eu disse no dia da reunião, vestirmos a camisola da Câmara, do serviço público e tudo o resto naquela casa não pode entrar.
 

Apesar de tudo é um orçamento que vai incorporar uma redução de impostos, ainda que ligeira. É um orçamento que incorpora dinâmicas culturais e desportivas fortes, como irão ser conhecidas. Queria ter ido mais longe, mas neste momento não é possível.

Ardina do Alentejo - Foi aprovado recentemente o orçamento da autarquia para o ano de 2022. É o orçamento desejado ou é o possível?
José Daniel Sádio - É o orçamento possível, como nós referimos na Assembleia Municipal. Não é o orçamento desejado, mas tudo tem uma explicação. O desejado era que nos desse alguma margem, dentro daquilo que é o enquadramento legal da lei orçamental e tudo aquilo que é possível fazer em termos de orçamento municipal, nos desse uma maior margem de investimento, como em regra se tem verificado em questões orçamentais na última década.
 
Em função de compromissos assumidos, essa capacidade, para já, está condicionada e não podemos ir tão longe como queríamos ir neste primeiro ano. Apesar de tudo é um orçamento que vai incorporar uma redução de impostos, ainda que ligeira. Falamos em sede de IRS, em incentivos fiscais no âmbito do IMI, foi possível haver um aumento naquilo que tem a ver com financiamento da Cultura e do Desporto, e de alguns apoios sociais. Apesar de não ser aquilo que nós queríamos já, mostra algum sinal. É um orçamento que incorpora dinâmicas culturais e desportivas fortes, como irão ser conhecidas. Queríamos ir mais longe noutras áreas, que têm a ver com equipamentos para funcionários, com questões que já foram contempladas como as progressões na carreira, consolidações que têm de ser feitas, com ajustes a esse nível. Mas queria ter ido mais longe, mas neste momento não é possível. Temos que ser responsáveis, assumir aquilo que já estava contemplado pelo executivo anterior, que nós assumimos sem qualquer tipo de mácula ou questão. Temos a noção que aquilo que tem de ser alocado em termos de financiamento é superior àquilo que seria expectável, em face daquilo que foi o empréstimo e as obras que foram delineadas, mas há-de haver forma. A Câmara tem dinheiro e o dinheiro vai servir para isso.
 
Ardina do Alentejo - Passados mais de três meses de governação, como é que tem sido a sua relação com a oposição, quer na Câmara Municipal, quer na Assembleia Municipal?
José Daniel Sádio - Tem sido a possível. Por um lado, de total respeito institucional e de colaboração e transparência com os eleitos, quer no órgão Câmara, quer no órgão Assembleia.
 
Naturalmente que têm havido as discussões que são salutares naquilo que tem a ver com a democracia e o debate político. Confesso que, aqui e acolá, há situações que as entendo mas que por vezes não as compreendo, mas que fazem parte das dinâmicas partidárias e políticas. 
 
Ardina do Alentejo - Já houve algum momento em que o tiraram do sério?
José Daniel Sádio - Sim, já houve vários momentos em que me tiraram do sério, não porque eu não respeite a crítica, não que eu não respeite o direito à diversidade de opiniões, não é essa a questão.
 

Sim, já houve vários momentos em que me tiraram do sério, não porque eu não respeite a crítica, não que eu não respeite o direito à diversidade de opiniões, não é essa a questão.

Mas tem de haver algum decoro e é conveniente termos alguma memória.

Mas tem de haver algum decoro e é conveniente termos alguma memória. Sabemos bem, em relação a muitos dossiers, o que temos encontrado neste concelho ao longo dos tempos, e por vezes é surreal algumas intervenções. Respeito, somos livres de as fazer e cada um é responsável por aquilo que faz e por aquilo que diz. Gostaria de encontrar, e aqui e acolá também tenho encontrado, colaboração e críticas construtivas, que é isso que importa. Que haja o respeito institucional, que se mantenha e que perdure.
 
Uma das marcas que nós tentámos incutir, e isso eleva a fasquia para todos, foi a transparência. O facto de nós, quer em reuniões de Câmara, quer em reuniões de Assembleia, chegarmos a todo o mundo através das transmissões em directo, e as mesmas ficarem armazenadas, acho que não há maior marca de que queremos transparência, que queremos abertura, que queremos abrir esse espaço de discussão ao mundo, e por isso é importante que saibamos todos estar à altura, e que respeitemos as regras do jogo da democracia.
 
Para concluir, há algumas pessoas que me tiraram do sério, mas faz parte. É a democracia e a política é isto mesmo.
Modificado em quinta, 10 fevereiro 2022 11:47

Tendo como ponto de partida os 100 dias da sua governação à frente dos destinos da autarquia, o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, concedeu ao Ardina do Alentejo uma grande entrevista.
 
A oposição, os funcionários da Câmara Municipal, o orçamento da autarquia para 2022, os projectos e os eventos foram alguns dos temas abordados, numa entrevista conduzida por Pedro Soeiro, com recolha de imagens de Ivo Moreira, e que contou com o apoio do Howard’s Folly Restaurante.
 
Na manhã desta terça-feira apresentamos as respostas de José Daniel Sádio a mais duas perguntas efectuadas pela equipa de reportagem do Ardina do Alentejo.
 
Ardina do Alentejo - Como é que encontrou a Câmara Municipal de Estremoz? Estava como esperava, tanto em termos financeiros como organizativos? 
José Daniel Sádio - Essa é uma boa pergunta e complexa.
 
Em termos financeiros, aquilo que eu encontrei é aquilo que era conhecido, as contas são públicas. Eu estou envolvido na autarquia há quase duas décadas e vou acompanhando. Obviamente que, até em função da lei e daquilo que os Municípios têm de assumir em termos de compromissos e de execuções orçamentais, não é possível hoje em dia que qualquer Município se descontrole porque é altamente regulado.
 
Não há nenhuma surpresa a esse nível, o que não quer dizer que, e esta é uma questão que tem sido emergente e tem sido discutida várias vezes nos órgãos, em função daquilo que são compromissos que estão assumidos, a nossa capacidade de projecção deste orçamento não fique limitada, porque há que assegurar uma série de obras que estavam assumidas, há que garantir que o financiamento que existia e que não era suficientemente cabimentado apesar de haver dinheiro, e é bom que as pessoas percebam isso, mas o facto de termos que garantir que elas aconteçam, essa margem que existia tem de ser alocada à conclusão desses processos e ficamos com pouca margem para aquilo que queríamos fazer desde já.
 

Aquilo que eu senti é que a Câmara, a instituição, tem um grande potencial e o maior potencial são os funcionários da Câmara, são o seu maior activo, e são eles que podem garantir que haja melhoria no nosso concelho. E senti, e isso deu-me muito alento e muita satisfação que aquilo que há de mais importante na Câmara, que são as pessoas que lá estão, os trabalhadores da Câmara, são o coração daquela casa, senti que eles estão a colaborar de forma inequívoca

 
Mas nada nos vai impedir, nem tirar o sono em relação àquilo que há a fazer. Não é por aí que vamos deixar de fazer o quer que seja nos quatro anos, mas há que realçar que há áreas de melhoria e de intervenção, há diagnósticos que são conhecidos e são óbvios, e que têm a ver com equipamentos de trabalho para funcionários, maquinaria, investimentos que eram urgentes fazer e que de alguma forma ficaram algo limitados porque não temos capacidade para os fazer já, mas são quatro anos e as pessoas percebem qual é a intenção e há-de haver tempo para o fazer.
 
A outro nível, na generalidade, também não houve grande surpresa. Aquilo que eu senti é que a Câmara, a instituição, tem um grande potencial e o maior potencial são os funcionários da Câmara, são o seu maior activo, e são eles que podem garantir que haja melhoria no nosso concelho. E senti, e isso deu-me muito alento e muita satisfação que aquilo que há de mais importante na Câmara, que são as pessoas que lá estão, os trabalhadores da Câmara, são o coração daquela casa, senti que eles estão a colaborar de forma inequívoca. Senti que havia necessidade de alguma reorganização, de haver um rumo estratégico que se está a implementar e para a qual sinto que estão devidamente motivados, com o foco numa única missão que é servir melhor os munícipes, tornar Estremoz um melhor concelho, onde se viva melhor. Esse é o objectivo macro que todos temos, desde o Presidente ao funcionário. Aquilo que tentámos foi criar esse sentimento de equipa e de união, em que todos nos comprometemos a dar o nosso melhor. E isso deu-me alento, perceber que as pessoas estão receptivas e de alguma forma nos receberam bem e estão a colaborar com aquilo que nós queremos fazer em certas áreas de melhoria. Essa foi uma boa surpresa, não que eu não estivesse à espera, porque conheço as pessoas, mas foi bom sentir isso e assim é mais fácil, agir, projectar e melhorar a vida de todos, a começar pela instituição e depois com o reflexo que isso tem para fora, porque qualquer um de nós trabalha melhor e sente-se bem ao sentir que está numa instituição em que é respeitado, em que há um foco, em que há uma lógica e em que há organização. E isso foi muito bom registar e dá-nos alento para continuar o caminho.
 
Muito genericamente, não há surpresas de maior. As coisas estavam mais ou menos como pensávamos, obviamente que, e não vale a pena estar a particularizar, há situações que carecem internamente de urgentes melhorias, e falo sobretudo nas condições de trabalho e de equipamentos, e temos que melhorar isso muito. E essa é a base de tudo aquilo que se quer para o futuro. Não vale a pena pensarmos em grandes projectos e em grandes melhorias se não começarmos logo por nós e pela nossa casa.
 
Haja o que houver, e esteja mais ou menos de acordo com o que era previsto, nada nos demove e nada nos tira o sono e nada nos tira o compromisso daquilo que assumimos com os estremocenses.
 
Ardina do Alentejo - Quais foram as medidas que já tomou e que não gostava de ter tomado e quais são aquelas que já pensava ter tomado mas que ainda não conseguiu?
José Daniel Sádio - Eu queria focar-me sobretudo naquelas que tomei e que me deu muito prazer tomar. E essas tem tudo a ver com algumas questões de organização dos serviços e de solução de problemas que vão surgindo. Também é importante sentirmos quando ajudamos a resolver problemas, sejam maiores ou menores, seja dentro da Câmara ou fora da Câmara, e há sempre medidas que têm efeitos positivos nas pessoas e essas são aquelas que maior prazer nos dão tomar.
 

Há muito dossier para desbravar e sobretudo há uma grande ilusão, no bom sentido, de que consigamos conjugar sinergias de forma a que as decisões que nós vamos tomando sejam sempre assertivas e que, no limiar, sintamos que cumprimos com o nosso dever, que melhorámos a vida das pessoas, que melhorámos o nosso concelho e que fomos felizes naquilo que foi a nossa decisão

 
Por exemplo, senti-me muito feliz, por termos conseguido em tempos de pandemia, implementar o Centro de Testagem. E são esse tipo de medidas que ajudam a melhorar a vida das pessoas de alguma forma, e aqui a segurança é fundamental, que nos dão prazer tomar
 
Mas houve mais medidas que tomámos e que depois infelizmente não conseguimos concretizar. Relembro toda a dinâmica que quisemos implementar, com a decisão de avançarmos com a Cozinha dos Ganhões e o Reveillon. Na altura gostei de as ter tomado e depois fiquei muito triste por não as poder desenvolver porque o contexto não o permitia.
 
Gostei muito de termos conseguido dar algum alento às crianças e às famílias no Natal, naquele jardim singelo mas com muita alegria e feito com muito carinho por parte do staff da Câmara. Foi muito bom ver os meninos a sorrir, os pais a sorrir, mesmo com as máscaras, sinal de que sentimos um pouco Natal.
 
Tal como aquilo que se fez em termos de iluminação de Natal, mais uma vez com o apoio dos serviços municipais. Deu-me muito prazer sentir que, apesar de tudo, se respirou Natal em Estremoz.
São decisões de gestão corrente, mas quando nós fazemos coisas que sentimos que as pessoas gostam, e que têm impacto positivo, são aquelas medidas que achamos estamos lá para isso mesmo.
 
Claro que há ainda muitas áreas de melhoria e muitas decisões que têm de ser tomadas, e temos a noção que quando se tomam decisões, agrada-se ou não se agrada. Há muito dossier para desbravar e sobretudo há uma grande ilusão, no bom sentido, de que consigamos conjugar sinergias de forma a que as decisões que nós vamos tomando sejam sempre assertivas e que, no limiar, sintamos que cumprimos com o nosso dever, que melhorámos a vida das pessoas, que melhorámos o nosso concelho e que fomos felizes naquilo que foi a nossa decisão.
 
Não houve assim nenhuma decisão mais ou menos difícil, mas realçar a felicidade que é quando nós sentimos que aquilo que se projectou teve um impacto positivo e que conseguimos atingir a felicidade para outros.
Modificado em quarta, 09 fevereiro 2022 01:40

Tendo como ponto de partida os 100 dias da sua governação à frente dos destinos da autarquia, o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, concedeu ao Ardina do Alentejo uma grande entrevista.
 
A oposição, os funcionários da Câmara Municipal, o orçamento da autarquia para 2022, os projectos e os eventos foram alguns dos temas abordados, numa entrevista conduzida por Pedro Soeiro, com recolha de imagens de Ivo Moreira, e que contou com o apoio do Howard’s Folly Restaurante.
 
A velocidade a que passam os dias foi a principal “reclamação” de José Daniel Sádio na resposta às primeiras questões desta nossa entrevista, “Tomou posse como Presidente da Câmara Municipal de Estremoz há sensivelmente 100 dias. Têm sido uns bons 100 dias? Estremoz está melhor que há 100 dias atrás?”.
 

Modificado em quarta, 09 fevereiro 2022 01:40

E como hoje é segunda-feira, é dia de balanço em relação a mais uma emissão do “The Voice Portugal”, o programa de talentos da RTP.
 
Mas calma que a frase inicial desta notícia não quer dizer que já esteja a começar a segunda fase do programa, as batalhas, e que possamos voltar a ver a estremocense Maria Teresa Passão no maior palco da televisão nacional. Ainda faltam algumas semanas para que isso aconteça...
 
O que aconteceu mesmo foi a primeira entrevista de Maria Teresa após a sua estreia no programa apresentado por Catarina Furtado e Vasco Palmeirim. E essa entrevista foi dada ao Ardina do Alentejo.
 
Nesta breve conversa com a nossa equipa de reportagem, a mais jovem estrela da música que se faz em Estremoz, falou da sua participação no "The Voice Portugal", do seu futuro no programa, da relação com a mentora Áurea e da forma como recebeu o carinho e afecto por parte de todos aqueles que viram a sua prestação no programa.
 
Ardina do Alentejo - Como é que está a ver todo este carinho recebido, toda esta envolvencia em seu redor, por parte até de pessoas que nem a conhecem, após a sua participação no The Voice?
Maria Teresa Passão (MTP) – Está a ser incrível, sem dúvida. Muita gente tem vindo falar comigo a dizer coisas do género “Não sabia que cantavas”, “Foi uma actuação incrível", “Fizeste-me chorar”, e não há nada melhor que ouvir que tocámos alguém com a nossa arte. 
Fico muito grata que, mesmo sendo um estilo de música pouco explorado em Portugal, ter conseguido transcender isso.
 
Ardina do Alentejo - Porquê o participar agora no The Voice?
MTP – Acredito que tudo tem o seu tempo certo e antes deste momento não me sentia preparada, enquanto cantora e pessoa, para me apresentar num programa de televisão. No entanto, escolhi o The Voice pois tem um conceito que se aproxima mais daquilo em que eu acredito.
 

Não posso dizer que ficou para trás. Londres é um lugar muito especial para mim. Tenho amigos que significam muito para mim, e que se tornaram também família. Só Deus sabe o que o futuro reserva.

Ardina do Alentejo - E o que podem os estremocenses, os seus conterrâneos, e quem segue o seu percurso no concurso, esperar ainda mais da Maria Teresa no The Voice?
MTP – Não posso revelar muita informação, mas podem esperar, se Deus quiser, mais actuações à medida do que viram. A próxima fase serão as batalhas, em que irei competir com outro concorrente, e um de nós sairá da competição.
 
Ardina do Alentejo - Já falou com a Áurea após a Prova Cega? Ela já lhe deu conselhos?
MTP – Sim, falámos. Ela esteve presente nos ensaios que já fizémos, e sempre muito atenta e interessada em dar conselhos e em puxar por mim, respeitando, claro, o meu estilo pessoal.
 
Ardina do Alentejo - E a família? A presença do avô Florêncio e da mãe Isabel em estúdio foi certamente importante, mas todos têm sido um apoio extra em todo este processo...
MTP – Foi muito importante, claro. Ter o apoio certo é também o que gera o sucesso e a confiança. Tenho também recebido mensagens de conhecidos e desconhecidos, que significam muito e me dão força para continuar.
 
Ardina do Alentejo - E Londres ficou definitivamente para trás?
MTP – Não posso dizer que ficou para trás. Londres é um lugar muito especial para mim. Tenho amigos que significam muito para mim, e que se tornaram também família. Só Deus sabe o que o futuro reserva.
 
Ardina do Alentejo - A quem vai ler esta entrevista, e a quem segue o seu percurso, que mensagem lhes deixa?
MTP – Quero dizer que, primeiro que tudo, agradeço o facto de me estarem a acompanhar e a apoiar nesta jornada, e em segundo lugar, que podem esperar que, independentemente do que aconteça no programa, eu não vou desistir, e que me poderão continuar a acompanhar, se assim o desejarem, e eu ficaria de facto muito agradecida.
Modificado em sexta, 19 novembro 2021 19:21

 
Numa organização da Câmara Municipal de Mértola, realiza-se a partir de hoje, sexta-feira, 22 de Outubro, e até ao próximo domingo, 24 de Outubro, no Pavilhão Multiusos Expo Mértola, a XII Feira da Caça.
 
À semelhança do que aconteceu na edição de 2020, apesar de todas as condicionantes impostas pela pandemia provocada pela Covid-19, a feira continuará a celebrar e a promover o património cinegético do concelho e da região, assim como as suas potencialidades turísticas e económicas.
 
Ainda que condicionados às regras actuais em vigor e às recomendações emanadas pela Direcção Geral de Saúde (DGS), de regresso nesta XII edição da Feira da Caça de Mértola, estão os habituais espectáculos musicais e a tradicional secção de gastronomia.
 
Ardina do Alentejo esteve à conversa com Mário Tomé, presidente da Câmara Municipal de Mértola, que nos referiu que quem visitar a edição número 12 deste certame vai encontrar “um evento solidificado, do ponto de vista daquilo que é a sua imagem e a sua missão, virado para a promoção da actividade cinegética e tudo aquilo que envolve o sector da caça, um evento que dá sustentabilidade àquilo que é a promoção e o nome de Mértola enquanto Capital Nacional da Caça”.
 
Sobre a realização de um evento desta dimensão ainda em tempos de pandemia, o autarca recentemente eleito nas listas do Partido Socialista (PS) frisou que “no ano passado o Município de Mértola teve a coragem e a capacidade de organizar a feira sobre circunstâncias muito complexas e difíceis, mas conseguindo cumprir todas as orientações da DGS, e conseguimos cumprir outro factor muito importante que foi dar alguma dinâmica económica e de interacção social ao sector da caça, que estava parado há mais de um ano. Este ano tínhamos que manter uma linha de continuidade. Demos mais um salto, não deixando de cumprir tudo aquilo que são orientações da DGS em termos de saúde pública e isso está perfeitamente salvaguardado”.
 
Mário Tomé disse à nossa equipa de reportagem que a Feira da Caça de Mértola é também um evento “de defesa do mundo rural”. “É uma procura de uma identidade, é um alerta para aquilo que temos capacidade de fazer, é para dizer que estamos cá, que temos capacidades, que todos somos importantes e que o mundo rural, o interior deste país tem potencialidades únicas”, acrescentou.
 
Quando questionado se Mértola é um concelho virado para o futuro, mas que não esquece as suas tradições, Mário Tomé salientou que “não podemos esquecer o nosso passado e a capacidade que Mértola teve de se virar para o mundo, de ultrapassar fronteiras”. O autarca não esquece o “património histórico” de Mértola e a aposta que nele tem sido feita, sempre conjugado com o património natural, potenciado pela “Estação Biológica, um centro de investigação que ultrapassará em muito as fronteiras de Mértola, da região e do país”.
 

A Feira da Caça é um evento que dá esse enorme ênfase ao mundo rural, ao sector da caça, que tanta gente gosta, ainda que muitas vezes seja hostilizado por alguns, a verdade é que há muita gente que gosta verdadeiramente dele

No final desta breve entrevista, Mário Tomé convidou todos quantos seguem o Ardina do Alentejo, para que se desloquem a Mértola, visto que “estão reunidas um conjunto de condições para possam passar um excelente fim de semana em Mértola, durante a Feira da Caça, um evento que dá esse enorme ênfase ao mundo rural, ao sector da caça, que tanta gente gosta, ainda que muitas vezes seja hostilizado por alguns, a verdade é que há muita gente que gosta verdadeiramente dele”.
 
A 12.ª edição da Feira da Caça de Mértola, que conta com a parceria de diversas instituições, é inaugurada oficialmente pelas 18 horas desta sexta-feira e conta no programa com exposições, venda de produtos, colóquios, demonstrações cinegéticas e o V Concurso de Mel do Parque Natural do Vale do Guadiana.
 
Fora do recinto, a feira promove a 11.ª Taça Ibérica de Santo Humberto e o 9.º Campeonato Nacional de Salto “Fernando Pereira”, além de uma montarias de javalis, veados e gamos, uma demonstração de cães de parar e uma largada de perdizes, faisões, pombos e patos.
 
O evento conta ainda com tasquinhas de comes e bebes e um programa musical com diversos artistas locais.
 
No programa da 12.ª Feira da Caça de Mértola surge igualmente o Fórum Internacional dos Recursos Silvestres, promovido pelo projecto “Alentejo Natural Products”, que integra o programa PROVERE e visa promover a competitividade da fileira dos recursos silvestres do Alentejo.
 
Ardina do Alentejo apresenta-lhe de seguida o áudio desta entrevista com Mário Tomé, Presidente da Câmara Municipal de Mértola.
 

Modificado em sexta, 22 outubro 2021 02:34

Na passada segunda-feira, 14 de Junho, no seu espaço de opinião “2020, aliás 21”, no diário Correio da Manhã, Eduardo Cintra Torres abordou a candidatura ibérica ao Mundial de Futebol de 2030 e ainda, dois dias depois do anúncio do “casamento futebolístico”, o modo como o governo de Madrid tratou Portugal e exigiu vacinas aos “tugas” que quisessem passar a fronteira para o lado de “nuestros hermanos”, numa crónica intitulada “Final 2030 Olivença”.
 
Eduardo Cintra Torres escreveu que “o pequeno Portugal juntou-se à grande Espanha para se candidatarem a receber as provas finais do Mundial de Futebol em 2030. Rei de lá, presidente de cá, primeiros-ministros de cá e lá, todos juntinhos para Portugal parecer um apêndice de Espanha em 2030. Dois dias depois, o governo de Madrid tratou-nos como cães raivosos a precisar de vacinas, apesar de a Espanha estar com um nível de infeção covidiana superior ao da nossa santa terrinha. Depois corrigiu o tiro”.
 
O cronista CM chegou mesmo a propor que “se o Mundial de 2030 vier para a Ibéria dos Filipes” que a final se realizasse em “Olivença, terra portuguesa ocupada ilegalmente por Espanha” desde 1801, “com a complacência de quem mandou e manda por aqui (como hão-de eles respeitar-nos?)”.
 

Esta proposta de Eduardo Cintra Torres levou Ardina do Alentejo a chegar à conversa com o estremocense Carlos Luna, um dos mais acérrimos defensores da causa oliventina. Nesta breve conversa, o Professor Luna falou do orgulho que sente por ver que Olivença “não é esquecida” mas também por ver o esforço de Olivença em “não deixar morrer as suas raízes”. E a final do Mundial 2030 em Olivença? O historiador Carlos Luna preferiu falar da possibilidade de devolução de Olivença a Portugal, sabendo que a mesma “dificilmente terá lugar até 2030”. E até no Alqueva, Olivença tem influência...
 
Ardina do Alentejo - Para um defensor acérrimo da causa oliventina como o Professor, este é um artigo que o enche de orgulho e que o deixa com aquela sensação de que Olivença não está esquecida?
Carlos Luna - O que me enche de orgulho não é só ver que Olivença não é esquecida. É ver que Olivença se esforça por não deixar morrer as suas raízes. Fala-se agora, ao nível das autoridades locais (camarárias, culturais e escolares) em recuperar e dignificar o "Português Oliventino", que mais não é do que o alentejano tradicional, de há cinquenta anos, em mais de 95 % do vocabulário, com uma ou outra característica espanholizante local.
Por outro lado, os pedidos de nacionalidade portuguesa vão-se aproximando dos dois mil, em menos de oito anos. As iniciativas e espectáculos portugueses e/ou lusófonos sucedem-se. A Banda Municipal de Olivença tem vindo a Lisboa participar nos desfiles do 1.º Dezembro desde há dez anos, mais ou menos. E é isto que me orgulha.
Por outro lado, sinto alguma perturbação ao verificar que quase todos os jornais e revistas portugueses, de todas as tendências políticas, nada publicam sobre estes acontecimentos. Isso não me orgulha. Parece haver alguma estupefação perante estes desenvolvimentos, e mesmo incompreensão. É muito difícil, para muita da nossa intelectualidade, entender esta sobrevivência cultural popular numa região que vive sob domínio espanhol há 200 anos, submetida a constantes esforços de castelhanização. Na verdade, a imagem simplista de que ser português é algo de pouca valia cai por terra.
Deixando de parte o problema de soberania, que tem de ser discutido a outro nível, esta nova realidade mostra que a cultura portuguesa tem uma incrível capacidade de resistência no tempo. Parece é que as nossas elites, olhando só para aspectos económicos, ou de cultura entendida apenas como espaço de intelectualidade e de literacia, se esquecem de que há outros aspectos duma cultura que são realmente importantes.
 
Ardina do Alentejo - Seria utópico a final do Mundial 2030 em Olivença... E a devolução de Olivença a Portugal... Também é uma utopia?
Carlos Luna - A questão da devolução a Portugal não pode ser encarada com tal ligeireza. Não é uma utopia, é uma possibilidade, mas não em torno do futebol. Repare-se que Portugal não pode abdicar de Olivença, pois foi graças a esse problema que a Espanha teve de consentir no Alqueva tal como ele está. Desistir de Olivença é ter de ceder um terço do Alqueva a Espanha. E ninguém pensa nisso, ninguém fala nisso. É curioso.
É também colocar Olivença onde estava em 1801. Como diz a História espanhola, «En 1801, el território extremeño se veria repentinamente aumentado con la importante ciudad de Olivenza - ENTONCES TAN GRANDE Y POBLADA COMO BADAJOZ (SIC) -, conquistada a Portugal en la llamada Guerra de las Naranjas por el próprio Godoy(...)» ("História de Extremadura, de Marcelino Cardalliaguet Quirant, Biblioteca Popular Extremeña, Universitas Editorial, 1993). Isto significa que Olivença regrediu em termos de desenvolvimento e importância nos últimos 200 anos. Como se vai corrigir isso?
Todas estas coisas têm de ser bem estudadas. A população de Olivença quase nada conhece da sua verdadeira História, que não é ensinada nas escolas. Muitas vezes a repressão se abateu sobre ela, com particular violência na época franquista. Na verdade, características culturais diversas resistiram, e com muito maior força do que era esperado… como mostram acontecimentos recentes.
Mas... é preciso que tudo isto seja ponderado. Os oliventinos têm de ser ouvidos, de modo a nunca os prejudicar nessa transição. E isso dificilmente terá lugar até 2030...
 
 
 
 
Modificado em sexta, 18 junho 2021 00:48

PUB