sábado, 17 novembro 2018

Concerto inesquecível de José Cid em Estremoz

Escrito por  Publicado em Cultura domingo, 21 fevereiro 2016 01:16
Aos 74 anos, José Cid cantou, e encantou, durante quase duas horas Aos 74 anos, José Cid cantou, e encantou, durante quase duas horas Ivo Moreira
74. 105. 500.
 
Estes são três números que marcam definitivamente o espectáculo de José Cid, ontem, dia 19 de Fevereiro, em Estremoz, numa organização da empresa Cara Linda Produções, propriedade de Flávio Silva.
 
Aos 74 anos de idade, aquele que é considerado por muitos um dos maiores cantautores de sempre da música portuguesa esteve 105 minutos, uma hora e quarenta e cinco minutos, em cima do palco, de pé, a tocar êxitos da sua já longa carreira e alguns inéditos, perante a admiração e o entusiasmo das cerca de 500 pessoas que marcaram presença no espaço SelRest, e que não quiseram perder a oportunidade de assistir ao concerto do único artista nacional, a cantar a solo, que atravessa gerações. José Cid elogiou várias vezes o público estremocense durante o concerto, dizendo ter sido o “melhor público que teve em 2016”.
 
A Cabana junto à Praia”, “Um grande, grande amor”, “Vem viver a vida amor”, “Como o macaco gosta de banana”, “Menino Prodígio” e “No dia em que o rei fez anos” foram alguns dos temas interpretados por José Cid. Pelo meio, e antes da despedida ao som do inevitável “Nasci prá música”, o Tio Cid chamou ao palco o estremocense José Gonçalez para com ele cantar dois temas, “Brazões de Portugal” e “Também já fui menino”, este último musicado por José Cid, para o álbum “Voz do meu país”, que foi editado pelo fadista em 2006.
 
 
"Estremoz tem sido das cidades mais importantes ao longo de toda a minha vida como cantor" - JOSÉ CID
 
Antes de subir ao palco, José Cid esteve à conversa com o “Ardina do Alentejo”, num rigoroso exclusivo.
 
Ardina do Alentejo - Como é que vê este seu regresso a Estremoz, alguns anos depois?
José Cid - É sempre bom voltar. A última vez que estive aqui foi nas Festas da Cidade, onde fui extraordinariamente bem recebido. É um público que gosta de me ouvir cantar e que me tem acompanhado ao longo da minha vida. Estremoz tem sido sempre das primeiras e das mais importantes cidades ao longo de toda a minha vida como cantor.
 
Ardina do Alentejo - Como é que analisa o facto de já ter 60 anos de carreira, e conseguir albergar nos seus espectáculos várias gerações de espectadores?
José Cid - É simples: as minhas músicas são sempre escritas um bocadinho à frente. Também porque preservei a minha voz, e a minha rebeldia, mesmo com mais de 70 anos. E depois há a condição física, onde procuro descansar muito antes dos concertos, para estar em forma em cima do palco, e entregar-me, e dar tudo por tudo, e isso é uma forma de estar que o público compreende, percebe que a minha entrega foi completamente total, que eu sou deles. É como se o mundo acabasse amanhã e eu não pudesse mais cantar e isso é uma coisa que o público respeita muito em mim.
 
Ardina do Alentejo - Ao fim de tantos anos no mundo da música, arrepende-se de alguma coisa que tenha feito, dentro desse mesmo mundo?
José Cid - Não, não. Ainda agora, com este meu ultimo álbum, “O Menino Prodígio”, eu bati com a porta à editora onde estava, a Farol, e vim gravar o álbum que eu queria. E parece que eu tinha razão porque a Sociedade Portuguesa de Autores, que é preenchida por pessoas que toda a vida estiveram na música, na poesia, na cultura, nomearam o álbum como o melhor álbum do ano de 2015 na música portuguesa, prémio que vou receber na quarta-feira. E eu também acho que sim, “O Menino Prodígio” é um grande álbum. E aconteceu mais uma vez, tal como aconteceu com o “10 mil anos depois”, que quando eu gravei ninguém lhe ligou nenhuma, é um grande álbum em qualquer parte do mundo.
 

No meu próximo álbum, que sai em Setembro, vou cantar um tema que tem poema do nosso amigo José Gonçalez, que se chama “Deitei contas à vida”.

Ardina do Alentejo - Qual é o segredo do sucesso?
José Cid - É eu cantar as canções que sempre escrevi, não fazer frete nenhum em as cantar, canto-as porque gosto e porque sei que estou a dar prazer ao público que as escuta. E temos de continuar a escrever. Já está na calha o meu próximo álbum, que sairá em Setembro, e que se vai chamar “O Clube dos Corações Solitários do Capitão Cid” e onde eu vou cantar um tema que tem poema do nosso amigo José Gonçalez, que se chama “Deitei contas à vida”. É um álbum do qual eu espero imenso, que acho até que ainda é melhor do que “O Menino Prodígio”, mas isso depois se verá…
 
Ardina do Alentejo - Que mensagem deixa a quem vai ler esta entrevista? 
José Cid - Estremoz é uma terra que gosta de música. É uma terra com muitos fadistas, gente que canta bem fado. E para além do fado, as pessoas gostam muito de música. 
Digo a todos aqueles que cantam, que não desistam, apostem naquilo que mais querem e procurem a originalidade e a grande poesia, porque é muito importante cantar grande poesia. E encontramo-nos por aí porque eu ando por aí também.
 
 
"Está concretizado o sonho e quem ficou a ganhar foi Estremoz" - FLÁVIO SILVA
 
Ainda decorria o concerto de José Cid quando estivemos à conversa com um visivelmente satisfeito Flávio Silva, proprietário da Cara Linda Produções, o grande responsável pelo regresso do cantor natural da Chamusca a Estremoz.
 
Ardina do Alentejo - Está concretizado o sonho?
Flávio Silva - É um sonho de há muitos anos. É o meu ídolo número um e eu sou o fã número um dele. Foi um prazer trazer José Cid a Estremoz, facto que muito agradeço ao meu amigo José Gonçalez, que esteve envolvido neste projecto também. Não é todos os dias que contratamos uma pessoa com 74 anos e que dá um espectáculo de quase duas horas. Acho que faz ver aos novos.
 

A empresa Cara Linda Produções contratou um dos melhores autores, um dos melhores músicos portugueses, que aos 74 anos, dá um concerto de quase duas horas. Fabuloso. Estou orgulhoso e super contente.

Ardina do Alentejo - Foi um risco que correste, mas que estava calculado?
Flávio Silva - O risco não era muito grande, visto que a nível de cachet foi feito um cachet de amizade. O que conta aqui é que quem ficou a ganhar foi Estremoz, porque Estremoz provavelmente recebeu o evento do ano. A empresa Cara Linda Produções contratou um dos melhores autores, um dos melhores músicos portugueses, que aos 74 anos, dá um concerto de quase duas horas. Fabuloso. Estou orgulhoso e super contente.
 
Ardina do Alentejo - E projectos para o futuro?
Flávio Silva - Nós estamos sempre em projectos, a nossa vida é mexer com as pessoas e animar a nossa cidade. Projectos há sempre, mas este era um projecto especial.
 
A animação prosseguiu pela noite dentro, ao som do muito animado e sempre bem disposto DJ Parrana.
 

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