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terça, 10 novembro 2015 02:22

Ruy de Carvalho - "Estremoz é uma terra boa!"

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Teatro Bernardim Ribeiro recebeu espectáculo com o grande senhor do teatro português Teatro Bernardim Ribeiro recebeu espectáculo com o grande senhor do teatro português Pedro Soeiro
Aquele que é considerado por muitos como o actor dos actores portugueses voltou a pisar o palco do Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz. “Trovas & Canções - Actores, Poetas e Canções” foi o espectáculo que no passado Sábado, 7 de Novembro, trouxe à mais emblemática sala de espectáculos estremocense o grande senhor do teatro Ruy de Carvalho.
 
Num espectáculo inédito, da autoria de Paula Carvalho e Paulo Mira Coelho, Ruy de Carvalho subiu ao palco ao lado do seu filho João de Carvalho, do seu neto Henrique Carvalho, e de Ana Marta, Prémio Amália Revelação 2011. Durante as cerca de duas horas do espectáculo foram magistralmente acompanhados pelo som da guitarra portuguesa de Ricardo Gama e pelo som da guitarra clássica de João Correia.
 
“Trovas & Canções - Actores, Poetas e Canções” recordou uma mão cheia de poemas, que tornaram famosas algumas das nossas grandes canções, desde Pedro Homem de Mello a José Luís Gordo, sem esquecer o Zeca Afonso, o Adriano Correia de Oliveira, o Mário Moniz Pereira, o Ary dos Santos, o Manuel Alegre, a Florbela Espanca, o José Luís Tinoco, e o Aníbal Nazaré, tudo feito num ambiente de grande intimidade com o público, que acompanhou os temas, por força das mil vezes em que foram cantados pelos palcos de Portugal. O espectáculo contou ainda com uma homenagem a três grandes nomes da nossa literatura: Gil Vicente, Luís Vaz de Camões e Manuel Maria Barbosa du Bocage.
 
O público que marcou presença no Teatro Bernardim Ribeiro, na noite do passado Sábado, não saiu defraudado e deu por muito bem empregue o tempo despendido. Assistiu a um grande espectáculo, e que sem dúvida alguma merecia uma maior afluência.
 
Depois do emocionante final, ao som de “Perdidamente”, de Florbela Espanca, que o público aplaudiu de pé, “Ardina do Alentejo” falou em exclusivo com Ruy de Carvalho.
 
Ardina do Alentejo - Como é que surgiu a ideia de fazer este espectáculo, num contexto completamente diferente daquele a que está habituado?
Ruy de Carvalho (RC) - Primeiro porque concordo absolutamente com o espectáculo. É um espectáculo de homenagem à poesia, à música portuguesa, à poesia que foi musicada, mas sobretudo à nossa língua e ao povo português. É um espectáculo dedicado aos portugueses e essa é uma das razões pela qual gosto de fazer este espectáculo.
Um actor não tem sítio, faz aquilo que lhe chega à mão, porque escolheram para ele ou faz aquilo que ele próprio escolhe. Eu normalmente faço aquilo que me dão para fazer, e faço com muito gosto e com muito prazer.
Depois há um conjunto de factores que me fascinam. Este espectáculo tem como autores a minha filha, que é também a minha empresária, e o meu genro. Depois tenho em palco o meu filho e o meu neto. E tenho ainda dois músicos extraordinários e uma cantora excepcional, que é a minha menina.
 
Ardina do Alentejo - E que recordações guarda do Teatro Bernardim Ribeiro e de Estremoz?
RC - Do teatro, posso dizer que é uma casa de que gosto muito e onde gostamos sempre de vir. Vim cá com o Vasco Santana, vim muitas vezes com a Laura Alves, vim com o Assis Pacheco, vim com várias companhias como o Teatro Moderno de Lisboa… 
Estremoz é uma terra que tem gente que gosta muito de teatro e de música, e teve grandes representantes na música. Eu fui aluno do Tomaz Alcaide, um homem de Estremoz, quando ele era director do Teatro de São Carlos. Foi uma das pessoas que me ensinou a colocar a voz. E há mais pessoas… a Fernanda Serrano também é daqui. É uma terra boa.
E quando fui de cavalaria também vinha cá de vez em quando…
 
Ardina do Alentejo - Como é que sentiu o público hoje aqui em Estremoz?
RC - Muito bom, muito quentinho. Aqueceu ao longo do espectáculo, que é feito de músicas para aquecer. Depois de estarem quentinhos é uma maravilha. Ir embora é que custa. E estava uma bela casa, pena não estar cheio, mas estava uma bela casa. E o público correspondeu à ideia que tenho do público de Estremoz e do público alentejano.
 
 
Modificado em quarta, 11 novembro 2015 12:24

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